Jardim de temperos é ideal para apartamentos e locais pequenos

Enviado em Jardinagem, Cultivo, Notícias, Paisagismo, Alimentos de Anderson Porto | 14 de Agosto de 2008 @ 14:26

Isabela Gaia

Além de útil, plantação decora o ambiente e deixa um aroma agradável

Nos últimos anos, os jardins de temperos têm sido os preferidos de quem mora a metros de altura do asfalto e sente falta da terra e de plantas no lar.

Sabrina Jeha, herborista do viveiro orgânico Sabor de Fazenda, afirma que a primeira preocupação na hora de começar o jardim é a quantidade de sol que as plantas irão receber. “O espaço não é tanto o problema, mas os temperos precisam de pelo menos quatro horas de sol por dia”.

A engenheira agrônoma e paisagista Luciana Guimarães concorda com Sabrina, mas acredita que alta luminosidade, mesmo que indireta, é suficiente. Seu jardim de pimentas dedinho-de-moça, que recebe luz através de um vitrô durante a tarde e está sempre brotando, é a prova.

Com as orientações das duas especialistas, monte seu próprio jardim:

Tamanho dos vasos ou jardineiras

Antes de plantar, procure saber de que tamanho provavelmente ficarão os temperos escolhidos. As mais de 60 espécies de manjericão, por exemplo, pedem sempre vasos com altura maior de 25 cm. Já tomilho, orégano e manjerona, ficam bem acomodados em vasos de 15 cm. Se você não possui essa informação sobre os temperos que deseja plantar, prefira vasos com pelo menos 20 cm de altura.

Plantio

A terra certa para jardim é uma mistura de 1:1:1 de: terra preta (húmus), terra vermelha e areia grossa de rio (usada em construções). A terra preta possui os nutrientes, a vermelha tem a função de reter a água e a areia melhora a drenagem. A terra mais solta e fofa é a ideal para o plantio de sementes.

Também contribuem para a drenagem: cinasita (bolinhas de cerâmica), brita, cacos de telha, pedrinhas ou bidim (manta que serve como filtro), que devem ser colocadas antes da terra, no vaso.

Vento: o outro vilão

Além da pouca exposição ao sol, outro fator que prejudica a plantação é o excesso de vento. Com exceção de tomilho, tomilho-limão, lavanda, capim-limão e alecrim, a maioria dos temperos é pouco tolerante às ventanias.

Trepadeiras, pergolados, que ainda são decorativos, ou jardineiras com suportes para a parede podem ser utilizadas para barrar o vento, desde que não comprometam a incidência de luz.

Mas se o problema for falta de sol, o cultivo de temperos ficará comprometido. Sem a luz necessária, o tempo de sobrevivência de uma muda de alecrim, por exemplo, cai de dois anos para três meses. Uma boa alternativa nesse caso são ervas medicinais como a pariparoba, mais resistentes.

Rega

A rega depende muito do tipo de vaso. Vasos de barro são mais porosos e por isso secam mais rapidamente. Para lugares de muito vento, recomendam-se vasos de resina. Eles imitam o barro e, apesar de não serem tão bonitos, são mais leves e seguram melhor a umidade. A herborista Sabrina brinca que a melhor medição para a rega ainda é o ‘dedômetro’: “coloque o dedo na terra, se estiver úmida, está bom, se estiver seca, precisa ser regada”.

Luciana chama a atenção para o cuidado com as pimentas, que não gostam de solo encharcado e para o jeito certo de se fazer a rega. “Não se rega as folhas se a planta estiver exposta ao sol direto. A água age como uma lente de aumento e pode queimar as folhas”, explica.

Adubação

O ideal é que se adube a terra a cada 30 dias, seguindo o seguinte procedimento: coloque o adubo no solo, um pouco afastado do caule, regue logo em seguida e revolva a terra para que não haja perda por oxidação quando o sol bater. A proporção de adubo é de uma colher de café para cada vaso pequeno (15 cm X 15 cm).

Além do composto orgânico, pode-se utilizar a torta de nim ou bokachi. Deste último: uma colher de sopa para cada vaso. Outra opção é comprar terra já adubada. Mesmo um composto granulado ou em pó nunca deve ser despejado sobre as folhas. Os adubos fermentam e podem queimar a planta.

No caso das pimentas, Luciana indica um adubo com fórmula NPK 4 14 08, que possui menos nitrogênio do que sódio e potássio. Essa fórmula estimula a brotação de frutos e fortifica a raiz. O adubo pode ainda ser alternado com outro, nitrogenado, NPK 10 10 10, que fortalecerá a parte verde da planta.

Poda

Deve-se sempre evitar a presença de folhas secas na planta. Elas atraem fungos e bactérias. Mas a poda deve ser feita com uma tesoura, e não arrancando as folhas uma a uma. Cortando cerca de 5 cm das pontas, você garante que as ervas voltem a brotar.

Sabor de Fazenda Ervas e Temperos
Tel: (11) 2631-4915
End.: Av. Nadir Dias de Figueiredo, 395 - Vila Maria

No local, Sabrina Jeha oferece cursos de jardinagem gastronômica, onde ensina o cultivo e o uso de temperos. O próximo começa dia 20 de setembro.

Fonte: [ Abril.com ]

Bambu é o futuro

Enviado em Jardinagem, Artigos de Anderson Porto | 12 de Novembro de 2007 @ 10:13

Resistente ao cultivo, essa planta pode salvar o planeta - e revolucionar a jardinagem

Anne raver

O bambu é uma planta antiga e resistente, que aparece nos mitos da criação, mas também em vasos dos terraços de Manhattan. Nasce em touceiras e se reproduz por rizomas, o que é ótimo para a formação de um bosque, mas não funciona se a intenção é usá-lo como um anteparo que não avance para o quintal do vizinho. Por esse vigor, os ambientalistas o elegeram o vegetal capaz de salvar a terra.

O bambu é incansável no seqüestro do dióxido de carbono e na sua troca por oxigênio. É uma planta robusta, que fabrica seus próprios componentes antibacterianos e se desenvolve muito bem sem pesticidas. Além disso, suas fibras porosas podem produzir tecidos que respiram e são tão macios como seda.

Hoje, embora haja uma explosão de produtores de tecidos na China e no Japão - onde o bambu é criado em fazendas e processado -, essa indústria ainda é inexistente nos Estados Unidos. Na sua edição de maio, a revista National Geographic prediz que o bambu poderá “algum dia competir com o Rei Algodão”.

Resistência ao cultivo

Apesar do clamor mundial por mais bambu, o estoque é pequeno. Planta que geralmente floresce uma vez a cada 60 a 120 anos e depois morre; fornece poucas sementes para a reprodução; e tentar criá-la pela divisão dos exemplares existentes é ainda mais difícil. Assim, quando Jackie Heinricher e Randy Burr imaginaram uma forma de cultivar bambu em tubos de laboratório - vendendo seus primeiros 2 mil exemplares em 2004 para centros de jardinagem locais, em Skagit Valley, Washington - provocaram uma comoção no mundo da horticultura. “É engraçado, porque o bambu é uma planta que tem reputação de se espalhar pelo universo e, no entanto, é a mais difícil de criar”, diz a bióloga Jackie, no centro de produção de sua empresa, a Boo-Shoot Gardens, em Mount Vernon, ao norte de Seattle.

Jackie, que cresceu rodeada por bambus (seu pai plantou um bambuzal dourado em torno de sua casa em Olympia, Washington), tentou criar a planta pela primeira vez no final dos anos 90, em uma pequena estufa de sua casa nos arredores de Anacortes, onde fundou a Boo-Shoot Gardens, em 1998. “Desde cedo fiquei interessada em bambus… Sabia que eles eram muito bonitos, mas impossíveis de reproduzir”, diz. Imediatamente, ela percebeu o quanto era difícil cultivá-los quando tentou dividir alguns de seus espécimes raros e viu-os morrer. Por isso, persuadiu Randy Burr, o proprietário do vizinho B&B Laboratories, a ajudá-la.

Burr e seu laboratório estavam no negócio há quase 30 anos, com uma cultura de 1.300 m² e 3.700 m² de estufas. A B&B trabalhava com culturas, como a de rododendros, couves e samambaias, que ele produziu em Boston, em 1973, para um viveiro em Oxanard, Califórnia. “Mas bambu era mais difícil”, diz ele, retrocedendo para os últimos oito anos de tentativas de uma infinita combinação de variedades para obter bambu em tubos de ensaio.

Opção ao gramado

As fibras de bambu são uma fonte renovável para produção de tecidos, alimento e papel. Plantações experimentais, financiadas pelo Departamento de Agricultura entre 1933 e 1965 no Alabama, mostraram quão promissor o vegetal pode ser: ele produz 14 toneladas de madeira por acre, contra 8 do pinho - uma das mais importantes fontes de madeira dos Estados Unidos. Muitas das suas variedades podem, agora, ser produzidas em vasta escala, o que revolucionará a indústria da jardinagem. Outros países, como a Bélgica, também estão explorando a cultura de laboratório, mas a Boo-Shoots parece estar liderando.

“Há uma tremenda tendência na indústria de jardinagem para usar bambu no paisagismo”, diz Nicholas Staddon, diretor da Monrovia, empresa com cinco pontos de venda nos Estados Unidos. “E Jackie está trabalhado em variedades desconhecidas ou impossíveis de serem produzidas por outro método.”

Criar bambu com sementes ou por divisão resulta em plantas de diferentes tamanhos, formas e cores. Mas cada espécie, crescendo aos milhares em Mount Vernon, é surpreendentemente uniforme. Jackie e eu caminhamos ao longo de tabuleiros cheios de Borinda boliana - bambu de touceiras, cujas canas de um azul-pálido, enquanto novas, tornam-se púrpura depois - e Fargesia rufa, com canas alaranjadas que formam bons biombos ou cercas.

Há também coberturas de solo, como a Pleioblastus viridistriatus, cujas folhas de amarelo-âmbar contrastam com o verde-escuro. “As pessoas começam a usá-las como alternativa ao gramado”, diz Jackie, correndo os dedos pelas folhas suaves. “Pode-se andar sobre elas e, se forem aparadas com cortador de grama, ficarão minúsculas.”

Fonte: [ Estado de São Paulo ]

Construir e cuidar de jardim ajudam a combater estresse

Enviado em Jardinagem de Anderson Porto | 23 de Outubro de 2007 @ 09:06

Luiz Galano

Estudos científicos comprovam fatos alarmantes: a população dos grande centros urbanos se tornam cada vez mais doentes em virtude dos excessos decorrentes do ritmo diário e o clima esquenta cada vez mais na Terra em virtude da ação predatória do homem durante milhares de anos. Segundo relatório divulgado na semana passada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), o planeta entra em uma “nova época climática”, que pode ser mortal, já que até 2099, a temperatura global deve se elevar em até 6 graus.

Esta preocupação crescente com a qualidade de vida e conseqüentemente com o planeta vêm provocando reflexões nas sociedades. Cada vez mais pessoas aderem a pequenos projetos na tentativa de ajudar a amenizar os impactos no meio ambiente. Segundo especialistas, a situação melhoraria sensivelmente mesmo com pequenas ações pontuais. E ao construir e cuidar de um pequeno jardim a pessoa pode, ainda, relaxar, conhecer melhor a natureza e tirar um pouco do estresse. São respectivamente a ecojardinagem e a terapia verde.

“Cada um pode fazer muito para o meio ambiente sem sair da própria casa. Com apenas um vaso, a pessoa já pode conseguir fazer uma ótima terapia e, ao mesmo tempo, focalizar atenção na planta e perceber o que aquela muda pode fazer para o planeta”, afirma Maria da Glória Ferreira de Castro, professora que há 25 anos se dedica à jardinagem e pesquisas com vegetais.

Para ela, a falta de consciência ambiental causa defeito na relação entre animais, vegetais e o homem. “Existe uma interação e é importante que as pessoas saibam lidar com os três lados para evitar o acréscimo do caos ambiental que vivemos hoje”, diz.

Pensando no contexto atual e comparando com o senso comum de 20 anos atrás, a professora enxerga com bons olhos o futuro. “Anteriormente, as pessoas construíam jardins aleatoriamente, sem pensar no contexto em que ele estava inserido, sem saber o que ele realmente pretendia com aquela área verde, sem saber o resultado que aquilo poderia dar para ele e para o mundo”, afirma.

Segundo Maria da Glória, é fácil conhecer melhor as plantas, suas funções e manejo correto. “Cada tipo de planta e de jardim possui intenções e funções diferentes. A pessoa precisa saber o que pretende com ele e qual o seu perfil. A partir daí ele constrói ambientes que exigem mais ou menos cuidados”, explica. “Depois o ato de cuidar das plantas se torna rotina e vira terapia, algo muito difundido na Capital”, completa.

Fonte: [ JCNet ]