Código de conduta IOS(*)

Enviado em Artigos, Meio Ambiente de Anderson Porto | 26 de Junho de 2008 @ 00:37

(*) IOS = Instituto Observatório Social

Para o Colecionador no Campo

Antes de coletar qualquer coisa:

  • FAÇA - se familiarize com os regulamentos do CITES e com as leis nacionais e estataduais de controle da flora, e verifique quais espécies são protegidas.
  • FAÇA - obtenha todas as licenças necessárias para coletar plantas no campo e para exportar/importar a outros países.
  • FAÇA - notifique as organizações locais interessadas, sobre suas intenções.

Então:

  • FAÇA - observe estritamente as restrições sobre o que pode ser coletado (qual espécie, quantos espécimes, que tipo de material). Quando possível, colete sementes, filhotes ou mudas, não a planta inteira.
  • FAÇA - deixe plantas maduras (plantas adultas, que já florescem/frutificam) para produção de sementes. Elas são necessárias para que a população selvagem se perpetue, e é pouco provável que elas sejam transferidas com sucesso para condições de cultivo.
  • FAÇA - colete discretamente; Não deixe que os habitantes locais acreditem que as plantas são valiosas, nem os encoraje ou os pague (ou a seus filhos) para coletar plantas para você.
  • FAÇA - tome notas de campo, incluindo nas notas a localização precisa, a altitude, o tipo de vegetação e de solo, a data da coleta e seu próprio número de campo. Tente avaliar o número de indivíduos e a extensão da população, a quantidade de plantas em florescimento/frutificação e a quantidade de plantas jovens (curva etária da população).
  • FAÇA - verifique e tome nota de possíveis ameaças para o hábitat, por exemplo, por pastoreio excessivo na área, por construções diversas, por atividades de mineração, pela destruição da vegetação nativa para utilização da terra para cultivos agrícolas ou pastagens, por crescimento urbano.
  • FAÇA - tire fotografias e/ou preserve material representativo para ser depositado em um herbário. Submeta este material, junto com uma cópia de suas notas, para uma instituição ou organização apropriada.
  • FAÇA - não menospreze o valor de suas observações no campo: cuidadosamente registradas elas serão uma contribuição útil a ciência e para a conservação das plantas.
  • SE… você planeja colecionar em quantidades comerciais, NÃO FAÇA.
  • SE… você planeja vender quaisquer das plantas que você coletou para amortizar o custo de sua viagem, NÃO FAÇA.
  • SE… você planeja coletar para pesquisa ou estudo obtenha a concordância (e preferivelmente também a colaboração) de autoridades científicas competentes, como uma agência governamental ou um departamento de uma universidade, no país de destino.
  • SE… você pensa que “duas ou três plantas não farão falta”, se lembre que outra pessoa pode estar pensando o mesmo amanhã, e outra no próximo dia, e outra no próximo…

Para o Importador, Privado ou Comercial

  • FAÇA - não importe plantas selvagens, até mesmo se legalmente permitido, à exceção de que seja com a intenção de estabelecer um núcleo para propagação e produção de sementes. E então:
  • FAÇA - confira as credenciais de provedores que oferecem plantas selvagens e se satisfaça de que eles são “legais”.
  • FAÇA - observe regulamentos internacionais e nacionais de exportação/importação.

Para o Produtor

  • * FAÇA - venda apenas plantas originadas de condições de cultivo, propagadas por mudas ou sementes; não anuncie ou venda plantas selvagens, coletadas em campo, de forma alguma, até mesmo quando legalmente permitido.
  • * FAÇA - tente propagar todo material raro ou documentado, e distribua isto para Coleções de Referência IOS reconhecidas.
  • * FAÇA - mantenha mais de um exemplar geneticamente diferente de espécies raras, mesmo que a planta seja fértil a seu próprio pólen, para produção de sementes.
  • * FAÇA - mantenha registros cuidadosos da origem de todo o estoque, especialmente para aqueles com números de coletores ou dados de localização, e passe esta informação aos compradores interessados.

Para o Cultivador/Colecionador em Casa

  • FAÇA - faça do cultivo com sucesso seu objetivo principal, não o tamanho de sua coleção ou raridade das suas plantas.
  • FAÇA - não compre nenhuma planta a menos que você saiba seguramente que ela foi produzida em condições de cultivo; não compre plantas coletadas em habitat. Se lembre que sua escolha influenciará o mercado vendedor.
  • FAÇA - não compre plantas coletadas em habitat, mesmo que sua intenção seja a de “salvar o indivíduo”. Nós queremos salvar a espécie, não o espécime. Só quando importadores virem suas plantas coletadas em campo apodrecendo porque ninguém as compra é que eles pararão de importar plantas coletadas na natureza.
  • FAÇA - desfrute da satisfação de cultivar suas plantas a partir de semente. Algumas das espécie raras ou “difíceis” irão testar sua habilidade e paciência, mas o sucesso no cultivo recompensa seu adequadamente!
  • FAÇA - registre quando e de quem você obteve suas plantas/sementes, e peça a sua fonte quaisquer dados disponíveis: os números de coletor, dados sobre a localização dos espécimes originais, e assim por diante: tudo da mesma maneira que vital, para o entusiasta sério, como o nome na etiqueta.
  • FAÇA - tente propagar todo material raro e documentado, e distribua isto para outros entusiastas. É como diz o velho provérbio: para conservar uma planta, passe ela adiante! (afinal, se amanhã você perder seu exemplar, você poderá obter novamente uma muda com um de seus amigos, a quem você tinha dado uma muda ontem…)
  • FAÇA - notifique o secretário da IOS se você suspeita que um produtor está infringindo os controles legais.

Para as Sociedades e Clubes

  • FAÇA - endosse os preceitos deste Código de Conduta, como um guia para um comportamento responsável e consciencioso.
  • FAÇA - não permita que se anuncie plantas selvagens à venda em suas publicações, seja abertamente ou através de sugestões.
  • FAÇA - divulgue regulamentos nacionais e internacionais sobre exportação, importação e venda de plantas selvagens.
  • FAÇA - patrocine ou apóie medidas nacionais e internacionais para proteger os hábitats de espécies raras e/ou ameaçadas.
  • FAÇA - informe as autoridades competentes de qualquer venda suspeita de plantas coletadas em campo. Se você sabe de pessoas que estão viajando a países onde crescem espécies nativas de cactos e suculentas, com a intenção de os coletar, informe as autoridades competentes; o melhor modo de parar a exploração de hábitats por coletores é os pegar na porta de entrada com as plantas em mãos.

Para os Comitês de Exposições e Juízes

  • FAÇA - inclua na programação algumas classes para plantas cultivadas a partir de semente pelo expositor.
  • FAÇA - não permita que espécies protegidas por regulamentos CITES Apêndice 1 sejam exibidas em classes competitivas, a menos que sejam plantas propagadas em condições de cultivo.
  • FAÇA - defina uma política de dar preferência a plantas originadas de cultivo ao invés de plantas coletadas em habitat. Confira se plantas com suspeita de serem “importadas” estão corretamente enraizadas e estabelecidas.

Fonte: [ Projeto Cactáceas ]

A lenda do pulmão amazônico

Enviado em Notícias, Artigos, Árvores, Pesquisas Científicas, Meio Ambiente de Anderson Porto | 13 de Junho de 2008 @ 12:15

Floresta Amazônica - Floresta Amazônica
Imagine só: a Amazônia não é o “pulmão do mundo”, como todo mundo diz. A floresta, na verdade, consome praticamente todo o oxigênio que produz. E mesmo se não o fizesse, a quantidade de oxigênio que lança na atmosfera por meio da fotossíntese é absolutamente irrisória na escala planetária. Não faz nenhuma diferença para nós.

Na verdade, praticamente todo o oxigênio que nós respiramos hoje foi produzido alguns bilhões de anos atrás, por uma combinação de processos biológicos e geológicos. Há várias teorias que tentam explicar exatamente como e quando isso aconteceu, mas não seria o caso de entrar nos detalhes aqui. O fato é que o oxigênio que está na atmosfera hoje não está sendo produzido agora - ele já existe há muito tempo.

Cerca de 21% da atmosfera é composta de oxigênio (O2) e apenas 0,04% de dióxido de carbono (CO2). O que as plantas e cianobactérias fazem com a fotossíntese é “consumir” CO2 e expelir O2, enquanto nós, animais, fazemos o contrário com a respiração: consumimos oxigênio e expelimos dióxido de carbono. Tanto que, se você fechar um monte de gente num quartinho sem ventilação, no fim o oxigênio acaba e morre todo mundo.

Desse modo, parece óbvio pensar que, se não fossem as plantas, o oxigênio do planeta acabaria e morreríamos todos. Mas, felizmente, a Terra não é um quartinho fechado. A quantidade de oxigênio na atmosfera hoje é tão grande e a de CO2, tão pequena, que todas as plantas do mundo poderiam parar de fazer fotossíntese neste momento e você não sentiria a menor diferença.

“Mesmo se você transformasse todo o CO2 em O2, a concentração de oxigênio na atmosfera não mudaria quase nada”, explica o físico e meteorologista Antonio Manzi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “A quantidade de oxigênio hoje é praticamente estável.”

Outro detalhe importante que costuma passar despercebido é que as plantas só fazem fotossíntese de dia, quando há luz do sol. De noite, quando as luzes se apagam, elas fazem sabem o que? Respiram oxigênio, igualzinho à gente!

Aliás, elas respiram também durante o dia, ao mesmo tempo que fazem fotossíntese, segundo me explicou o biólogo Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na prática, pode-se dizer que as plantas se alimentam de luz, usando a radiação solar para produzir carboidratos. Mas o processo que elas usam para metabolizar esse alimento e gerar a energia de que suas células precisam para funcionar é o mesmo que nós: a respiração.

Resumindo: a Amazônia pode virar um estacionamento amanhã que ninguém vai morrer sufocado por falta de oxigênio. Tudo que a floresta produz, ela também consome. Temos milhões de razões para preservar a Amazônia, mas produção de oxigênio para o ser humano, definitivamente, não é uma delas.

Eis aqui uma boa razão: Segundo Manzi, a Amazônia guarda, embutida na sua vegetação, uma quantidade de carbono equivalente a pelo menos dez vezes o que o mundo todo lança na atmosfera em um ano. Se a floresta fosse inteira queimada hoje, seria como explodir uma bomba atômica de carbono. As conseqüências para o clima seriam catastróficas. (Apesar do CO2 ser apenas 0,04% da atmosfera, um pequeno incremento dessa concentração pode surtir efeitos graves sobre o planeta - o que é a base de toda a problemática do aquecimento global.)

Sem falar nas dezenas de milhares de espécies que seriam extintas, em todos os recursos genéticos e biológicos que seriam perdidos e no total colapso ambiental, social, cultural e econômico que a perda da floresta acarretaria para a América do Sul. Temos justificativas suficientes para preservar a Amazônia, sem precisar vender essa propaganda enganosa do “pulmão do mundo”.

Pense nisso a próxima vez que falarem sobre a floresta.

Fonte: [ Estadão ]

33 dicas práticas para proteger o planeta

Enviado em Artigos, Meio Ambiente de Anderson Porto | 7 de Junho de 2008 @ 12:56

1. Tampe suas panelas enquanto cozinha. Ao tampar as panelas enquanto cozinha você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar.

2. Use uma garrafa térmica com água gelada. Abasteça-a de água bem gelada com uma bandeja de cubos de gelo pela manhã. Você terá água gelada até a noite e evitará o abre-fecha da geladeira toda vez que alguém quiser beber um copo de água.

3. Aprenda a cozinhar em panela de pressão. Dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc… Muito mais rápido e economizando 70% de gás.

4. Antes de cozinhar, retire da geladeira todos os ingredientes de uma só vez. Evite o o abre-fecha da geladeira toda vez que seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura, etc…

5. Coma menos carne vermelha. A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para produzir 1 kg de carne vermelha é necessário 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros.

6. Não troque o seu celular. Se o problema é a bateria, considere o custo/benefício de trocá-la e descartá-la adequadamente, encaminhando-a a postos de coleta. Celulares utilizam derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias.

7. Use somente pilhas e baterias recarregáveis. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1000 vezes.

8. Troque suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes. Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente.

9. Descongele geladeiras e freezers antigos a cada 15 ou 20 dias. O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo que gaste mais energia para compensar.

10. Use a máquina de lavar roupas/louça só quando estiverem cheias. Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água.

11. Tome banho de chuveiro. E de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro.

12. Use menos água quente. Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria.

13. Pendure ao invés de usar a secadora. Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora.

14. Nunca é demais lembrar: recicle. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel).

15. Faça compostagem. Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, você terá um jardim saudável e bonito.

16. Utilize uma sacola para as compras. Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar.

17. Plante uma árvore: uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.

18. Compre alimentos produzidos na sua região. Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade.

19. Compre alimentos frescos ao invés de congelados. Comida congelada além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para ser produzida.

20. Compre orgânicos. Além de não usar agrotóxicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura “tradicional”.

21. Use menos o carro e mais o transporte coletivo. Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano.

22. Quando for trocar de carro, escolha um modelo menos poluente. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos.

23. Use o telefone ou a Internet. Usar o telefone ou Skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.

24. Proteja as florestas. O papel das árvores no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera.

25. Desligue o computador. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até quinze minutos.

26. Considere trocar seu monitor, o maior responsável pelo consumo de energia de um computador. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos.

27. No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente. Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano.

28. Não permita que as crianças brinquem com água. Ensine aos seus filhos o valor desse bem tão precioso.

29. No hotel, economize toalhas e lençóis. Use o bom senso…

30. Instale uma válvula para regular a quantidade de água liberada no seu vaso sanitário: mais quantidade para o número 2, menos para o número 1!

31. Não peça comida para viagem. Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas.

32. Ao regar as plantas à noite ou de manhãzinha, você impede que a água se perca na evaporação, e evita choques térmicos que podem agredir suas plantas.

33. Para subir até dois andares ou descer três, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza energia elétrica dos elevadores.

Fonte: [ Jornal Correio do Povo do Paraná ]

Bloom - pedalada ecológica

Enviado em Notícias, Artigos de Anderson Porto | 4 de Junho de 2008 @ 17:36

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Bloom é um dispositivo é de uma simplicidade desconcertante. Consiste num pequeno tubo de alumínio que se coloca junto ao eixo da roda traseira de uma bicicleta e que vai espalhando sementes à medida que nos deslocamos, deixando literalmente um rasto ecológico de ervas e flores. O processo que usa para é produzir bolas de sabão. Tal como o invento que aqui apresentámos ontem, o Bloom também foi distinguido com um prémio DESIGN 21. Os seus autores são os americanos Society Creative llc..

Esta simpática e simbólica invenção inspirou-se no acto infantil de fazer bolas de sabão soprando através de um anel. E se as bolas de sabão contivessem sementes? E se, ao soprar as bolas, nos fôssemos deslocando? O meio de deslocação escolhido foi a bicicleta, uma metáfora dos veículos não poluentes e da vida ao ar livre. Assim, pedalando, fazemos exercício, não poluímos o ambiente a ainda fomentamos o crescimento de pequenos espaços verdes.

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Tudo é simples e ecológico no Bloom. No seu reservatório é vertida uma mistura de sabão vegetal e sementes variadas a que é acrescentada água. O sistema liga-se ao eixo da bicicleta através de uma roda dentada que faz girar uma hélice que produz um sopro de ar contínuo, dando origem a dezenas de bolas de sabão que são lançadas pelo tubo como se fosse uma chaminé. As sementes são transportadas pelo vento até caírem e germinarem, humedecidas pela água contida na bolha.

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Fonte: [ Blog Uncovering ]

Água salobra do semi-árido pode ser usada em culturas

Enviado em Artigos, Pesquisas Científicas, Hidroponia de Anderson Porto | 7 de Maio de 2008 @ 14:34

Celira Caparica - Jornalista

Conseguir usar a água salobra em criações e culturas vegetais seria uma solução importante para muitas regiões do semi-árido brasileiro. Nesses lugares há ocorrência de águas subterrâneas salobras. A hidroponia, a cultura de microalgas e a criação de tilápias são aplicações que alguns cientistas estão encontrando para esse líquido. O engenheiro agrônomo Tales Miler Soares, da Esalq, em Piracicaba (SP), é um dos que se debruçam sobre esse tema.

Soares e sua equipe verificam condições para o uso da água salobra na hidroponia. Ele apostou que nesse tipo de cultura, que utiliza meio aquoso no lugar da terra, as plantas iriam tolerar uma maior salinidade do que se estivessem no solo. Os resultados mostraram que ele estava correto. Além da estrutura experimental desenvolvida em Piracicaba, outras duas estão sendo finalizadas com resultados semelhantes, uma em Cruz das Almas (BA), na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e outra em Ibimirim (PE), na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Numa próxima etapa, as pesquisas devem avaliar o desempenho dessas estruturas em regiões do semi-árido. Com isso, serão estudados e antecipados os problemas que uma cultura hidropônica enfrentaria nessas áreas e os experimentos seriam condizentes com o tipo e com a disponibilidade de água salobra nelas encontrado. Além disso, seria estudado um melhor aproveitamento da solução nutritiva ‘envelhecida’ e salinizada de descarte dos cultivos hidropônicos. “No Brasil, alternativas como o emprego do rejeito em tanques de criação de tilápias e de camarão vem sendo estudadas nos últimos anos.”diz Soares “Por outro lado, em muitas comunidades, tem-se testemunhado o descarte do rejeito no meio-ambiente, sem qualquer critério técnico para essa destinação”, lamenta o pesquisador.

Um destino adequado para essas águas descartadas na hidroponia seria o cultivo controlado de microalgas. Essa atividade tem a vantagem de minimizar o problema da contaminação dos corpos d’água pelo rejeito do processo de hidroponia pois ela aproveita os nutrientes descartados. Esse foi o foco da pesquisa do químico, Fabiano Cleber Bertoldi, da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo Bertolti, a utilização de resíduos no cultivo de microalgas, além de minimizar agressões ambientais, ajuda a evitar a salinização do solo e a eutrofização dos corpos dágua.

A eutrofização é um fenômeno causado pelo excesso de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo, ocasionado por efluentes agrícolas, urbanos ou industriais num corpo d’água, que leva a proliferação excessiva de algas. Quando as algas se decompõe, consomem o oxigênio da água, provocando a morte de peixes e de outros animais aquáticos. Além de deixar o corpo d’água pobre em oxigênio, algumas espécies de algas produzem toxinas que contaminam fontes de água potável. “Entretanto, vê-se a necessidade de maiores estudos sobre a potencialidade de microalgas no tratamento de resíduos hidropônicos, possibilitando a utilização da biomassa algal numa ampla ordem de compostos”, diz Bertoldi.

Ainda segundo o pesquisador, as microalgas são comercializadas como fonte alternativa de proteína. Esses vegetais aquáticos podem produzir até 30 vezes mais óleo do que a soja por unidade de área. Nos últimos anos, aproximadamente 75% da produção anual de biomassa microalgal foi direcionada para a fabricação de suplementos alimentares. Vários produtos à base de extratos algais vêm sendo lançados no mercado de alimentos funcionais como: bebida à base de Chlorella e cápsulas de óleo enriquecido com carotenóides extraídos da biomassa da microalga Dunaliella.

Quanto ao seu cultivo, as microalgas apresentam vantagens sobre outras culturas, como tempo de geração curto. Elas são produzidas de forma contínua, ocupando áreas pequenas. Além disso, não estão sujeitas às variações ambientais, são facilmente controladas, não afetam drasticamente o meio ambiente (pois não precisam de aplicação de defensivos agrícolas) e apresentam uma multiplicação alta em pouco intervalo de tempo.

Outra vantagem apontada por Bertoldi é a redução nos custos de produção, uma vez que a composição do meio de cultura, isto é a regeneração do solo através de drenagem e lixiviação, que representa aproximadamente 40% dos custos totais, não precisa ser feita. Os resultados da pesquisa de Bertoldi apontam para a viabilidade do uso da água residual de hidroponia para o cultivo da microalga Chorella vulgaris e foram publicados no artigo Teor de clorofila e perfil de sais minerais de Chlorella vulgaris cultivada em solução hidropônica residual na revista Ciência Rural no ano passado.

Fonte: [ ComCiência ]

Como o homem criou a comida!

Enviado em Notícias, Artigos, Opinião de Anderson Porto | 25 de Abril de 2008 @ 16:59

Desde que o homem começou a cultivar os alimentos em vez de apenas coleta-los na natureza, as espécies foram modificadas para se tornar mais nutritivas e produtivas. Esse processo, conhecido como domesticação das plantas, teve início 11000 anos atrás no Oriente Médio e ganhou força com a descoberta de técnicas agrícolas rudimentares. Com laminas fincadas em pedaço de madeira ou de osso, os homens colhiam grãos com mais agilidade. Cestos ajudavam no transporte e tabuas porosas facilitavam a remoção da casca dos grãos.

A agricultura multiplicou entre dez e cem vezes a produção por hectare, em comparação com as mesmas plantas na natureza. Hoje, caso a humanidade resolvesse abdicar da agricultura e voltasse a viver da caça e da, estima-se que um terço da população ficaria sem comida.

Um efeito colateral da opção por espécies cada vez mais produtivas e adequadas à agricultura e, mais recente, às exigências do mercado foi a queda de variedades de vegetais que compõem o cardápio da humanidade. Hoje, só o trigo, o arroz e o milho são responsáveis por mais da metade da dieta calórica mundial obtida com o consumo de vegetais.

Desde o inicio da agricultura, os lavradores costumam guardar parte de suas sementes. Se uma colheita for perdida, essa reserva pode ser a diferença entre a sobrevivência e a fome. O que vale para a fazendas serve para os países. A maioria deles mantém bancos de sementes de seus principais cultivos. O mais importante do Brasil é o Cernagem em Brasília, com mais de 100 000 tipos de sementes. Isso não significa que estejam realmente seguros. Muito desses depósitos estão em nações sujeitas a desastres naturais ou convulsões políticas.

Os talibãs destruíram a coleção nacional de sementes do Afeganistão, em Cabul. Variedades milenares de trigo foram perdidas. O banco de sementes iraquianos, localizado em Abu Ghraib, foi arrasado por vândalos, durante a invasão americana. Amostra de espécies raras de trigo, lentilha, centeio e cevada desapareceram.

Foi inaugurado numa ilha do Arquipélago de Svalbard, na Noruega, a 1.200 quilômetros do Pólo Norte, uma verdadeira arca de Noé de alimentos. O deposito, construído no interior de uma montanha gelada, terá capacidade de armazenar 4,5 milhões de amostras de sementes e resistir a praticamente todas as catástrofes imagináveis, incluindo a explosão de uma bomba nuclear. O projeto é das Nações Unidas.

O lugar esta sendo chamado de forma exagerada de “caverna do juízo final.” Na verdade, o banco de sementes não terá utilidade apenas se houver uma hecatombe (conjunto de desastres ecológicos) mundial. O mais imediato é servir como um reservatório genético, que poderá ser utilizado por cientistas para experimentar cruzamentos e desenvolver novas variedades de plantas.

Curioso é que os vegetais encontrados na natureza eram de forma muito diferentes do que conhecemos hoje. O milho foi encontrado no México e era uma gramínea chamada teosinte, cuja espiga tinha 3 centímetros, e, por meio da seleção dos grãos, transformaram-na no milho. Demorou 9 000 anos para se obter a espiga atual de 45 centímetros.

O trigo, a espécie primitiva dispersavam suas sementes. Os primitivos agricultores do Oriente Médio passaram a selecionar aqueles pés que, por mutação genética, tinha caule forte o suficiente para sustentar a espiga.

A soja foi domesticada há mais de 5.000 anos na Manchúria, no norte da China, era uma planta rasteira pouco produtiva. A variedade atual, melhorada pelos agricultores chineses, rende quinze vezes mais que a espécie original. Que hoje só existe no banco de sementes.

A batata cultivada nos Andes há 7 000 anos, era retorcida e de aparência pouco atraente. A batata-inglesa descende da seleção dos tubérculos mais redondos, de cor amarela. Casca lisa e de mais fácil digestão feita pelos europeus a partir do século XVI. Temos ainda o arroz, a cana de açúcar, batata-doce etc. O Brasil também deve mandar em breve amostras de espécies conservadas pela Embrapa.

Fonte: [ Diário da Serra ]

Saiba como fabricar fertilizantes orgânicos

Enviado em Artigos, Orgânicos de Anderson Porto | 31 de Março de 2008 @ 14:08

A TARDE

Veja como fazer para preparar composto orgânico, fertilizante orgânico líquido e inseticidas caseiros e naturais com receitas testadas pela equipe do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) que ministrou a Oficina de Capacitação em Produção de Mudas Nativas para Reflorestamento nos dias 17 a 19 de março, na Reserva Jequitibá, no município de Elísio Medrado.

Ingredientes: esterco bovino fresco e água não clorada.

Como preparar:

1. Em um recipiente de 500 litros, colocar partes iguais de esterco bovino fresco e água não clorada, deixando um espaço vazio de 15 a 20 cm.

2. Adaptar uma mangueira à tampa do tambor, cuja extremidade externa deverá ser imersa em uma vasilha com água, para que ocorra um processo de fermentação anaeróbico (sem a presença de ar). Deve-se tomar cuidado para a mangueira não ficar imersa no líquido em fermentação ou entupir, pois os gases produzidos pelo processo de fermentação poderão estourar o tambor.

3. Deixar o líquido fermentar por aproximadamente 90 dias, quando estará pronto para ser usado. O armazenamento do produto final não deve exceder a 30 dias depois de pronto, pois com o tempo ele diminui sua eficiência fitossanitária.

Como usar:

1. O produto fermentado pode ser utilizado de várias maneiras, porém o método mais eficiente é em pulverização foliar, que promove um efeito mais rápido. Neste caso, ele deve ser coado antes do uso e diluído em água na proporção de 01 litro de biofertilizante para 100 litros de água, e pulverizado nas plantas, chegando a ponto de escorrimento, para que cubra totalmente suas folhas e ramos.

2. Pode ser usado também no tratamento de sementes, as quais são mergulhadas na solução do biofertilizante puro por um período de 1 a 10 minutos, devendo secá-las á sombra por duas horas e plantá-las em seguida. As sementes tratadas não devem ser armazenadas, pois perdem muito rapidamente sua capacidade germinativa.

3. No caso de estacas, bulbos e tubérculos, pode-se utilizar o mesmo tratamento acima e se fazer o plantio imediato, o que aumenta o enraizamento das plantas.

4. Na produção de mudas, pode ser utilizado na rega de canteiros ou de sacos de plantio, e quando aplicado puro tem um excelente efeito bactericida. A parte sólida resultante da coagem pode ser usada nas covas de plantio, na compostagem, ou ainda na alimentação de peixes e suínos. No caso dos suínos, deve ser devidamente desidratada e adicionada à ração, na proporção máxima de 20%.

Para que serve:

1. Os testes com fertilizante orgânico comprovaram seu efeito na redução de incidência de pragas e doenças, além do aumento da produção e da produtividade das culturas onde foi utilizado.

2. Quando aplicado em pulverizações foliares, em diluições de 10 a 30% tem efeito fertilizante, contribuindo para o aumento da produtividade e dando mais resistência às plantas.

3. Em plantas frutíferas dever ser aplicado mensalmente nos períodos pós-colheita, quando apresentam deficiência ou desequilíbrio nutricional.

4. Para a fixação de flores e frutos deve ser aplicado o produto nas mesmas concentrações do período pós-colheita, prática que contribui para a elevação da produtividade.

5. Em plantas olerícolas (soja, mamona) as pulverizações devem ser semanais.

6. Com o uso do fertilizante orgânico observou-se que as plantas frutíferas têm uma florada mais intensa e uma ramagem mais abundante, ocorrendo um prolongamento do período de colheita.

7. No tratamento de estacas, rizomas e manivas ocorre uma grande emissão de raízes, favorecendo seu pegamento e seu vigor vegetativo.

8. Em plantas ornamentais estimula a emissão de flores fora de época, principalmente em violetas, roseiras e hortênsias.

9. No caso das olerícolas e folhosas, as plantas ficam mais sensíveis à falta de água, havendo a necessidade de maiores cuidados com a irrigação.

10. Em relação ás doenças fúngicas, o fertilizante orgânico reduziu a incidência da antracnose no jiló, da podridão do abacaxi, do mofo verde da laranja, das manchas deprimidas do maracujá, dentre outras.

Fonte: [ A TARDE ]

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