Semente mais velha do mundo, com 2.000 anos, dá origem a palmeira saudável

Enviado em Notícias, Pesquisas Científicas de Anderson Porto | 13 de Junho de 2008 @ 14:47

Tâmara plantada em Israel originou-se de semente encontrada na fortaleza de Masada. Planta provavelmente foi deixada lá por soldados por volta do século 1 de nossa era.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

0  14870582 00 - A plantinha com 26 meses e 1,21 m de altura (Foto: Guy Eisner/Science)

Uma semente que sobreviveu ao governo do rei Herodes e a uma batalha sangrenta entre judeus e romanos é a mais antiga a germinar no mundo, afirmam pesquisadores israelenses. Apelidada de “Matusalém”, homenageando o mais idoso personagem da Bíblia, a muda de tamareira brotou de um genitor com cerca de 2.000 anos de idade, e pode até ajudar no melhoramento genético das tâmaras modernas, se tudo correr bem.

A história cinematográfica da tamareira Matusalém está na edição desta semana da revista especializada americana “Science”. A semente que deu origem à plantinha, hoje com três anos de idade, veio da fortaleza de Masada, perto do mar Morto, no atual estado de Israel. A fortaleza foi construída pouco antes do nascimento de Cristo pelo rei Herodes e, décadas mais tarde, durante a guerra entre romanos e judeus, foi atacada pelo exército de Roma. Nenhum dos defensores judeus sobreviveu ao ataque.

No entanto, escavações arqueológicas nos anos 1960 acharam as tâmaras debaixo dos escombros da fortaleza. Sarah Sallon e seus colegas do Instituto Louis Borick de Medicina Natural, em Jerusalém, conseguiram datar duas das sementes, comprovando que elas tinham cerca de 2.000 anos de idade. Uma terceira semente foi plantada e, aos 15 meses de vida, pedacinhos de sua casca que ainda estavam aderidos à muda também foram datadas. A idade obtida foi cerca de 200 anos mais recente — o que era de se esperar quando se considera o grau de contaminação com carbono mais recente, absorvido do ar e do solo durante o crescimento da plantinha.

Calor e secura

Os pesquisadores dizem acreditar que o clima único da região do mar Morto, extremamente quente e seco, ajudou na preservação da semente de Matusalém. A saúde da mudinha parece muito boa, com exceção de algumas manchas brancas nas folhas — provavelmente ligadas a uma falta de nutrientes na semente. O grupo também aproveitou para fazer uma análise genética da tamareira, comparando-a com plantas atuais da mesma espécie, oriundas do Egito, do Marrocos e do Iraque.

A surpresa é a semelhança genética relativamente baixa entre a planta-Matusalém e as atuais — provavelmente porque as modernas são plantadas de forma clonal, sem cruzamento entre os indivíduos. Se Matusalém produzir frutos, seu DNA poderá trazer “sangue novo” (ou seria sangue velho?) às tamareiras modernas, já que os judeus da época de Jesus tinham desenvolvido plantações de alta qualidade da espécie.

Fonte: [ G1 ]

Cultivo da erva

Enviado em Notícias, Cannabis de Anderson Porto | 13 de Junho de 2008 @ 12:25

Plantar maconha não é crime, diz Justiça argentina

A Justiça Federal da Argentina absolveu um homem que plantava seis plantas de Cannabis Sativa na varanda de seu apartamento. Para os juízes Eduardo Farah e Eduardo Freiler, de Buenos Aires, é inconstitucional a lei que proíbe o cultivo da maconha para consumo próprio com fins medicinais.

A decisão foi tomada pela Sala I da Câmara Federal de Apelações, que dessa maneira ratificou seu critério adotado em outros casos em que havia resolvido que não é crime portar maconha para consumo pessoal, segundo informa a imprensa argentina.

Na primeira instância, o homem havia sido condenado pelo juiz Sergio Torres por considerar que estava provado que ele cultiva a planta para produzir entorpecentes. Torres determinou que ele fosse submetido a um tratamento de reabilitação de seu vício.

O advogado do acusado considerou que a decisão do juiz transborda o âmbito da privacidade. Para a defesa, a atitude não coloca a saúde pública em risco, já que ele não pretendia vender a maconha. Discutir isso no âmbito público é decidir sobre regras de morais intersubjetivas, explica. Os juízes concordaram com os argumentos da defesa.

“A norma analisada apresenta problemas equivalentes a aqueles que temos detectado a respeito da figura que reprime a tendência de entorpecentes para consumo pessoal, cuja inconstitucionalidade temos declarado em diversas oportunidades”, anotaram os juízes. Por esse motivo, eles decretaram a inconstitucionalidade do artigo 5º, inciso A da Lei 23.737, que pune essa atitude.

A decisão acontece três meses depois que o ministro da Justiça, Aníbal Fernández, defendeu a descriminação do consumo de drogas em uma reunião extraordinária sobre o consumo de drogas e o narcotráfico organizada pela ONU, em Viena, na Áustria.

Em abril, o mesmo tribunal absolveu uma mulher que usava a droga para fins medicinais. Ela tinha sido condenada na primeira instância por posse de 90 gramas da droga.

Os pronunciamentos da Câmara Federal de Apelações de Buenos Aires contradizem a jurisprudência da Corte Suprema de Justiça, que na década passada ratificou que o consumo ou posse de maconha é punida com penas que vão de dois meses a um ano de prisão.

Fonte: [ Revista Consultor Jurídico ]

A lenda do pulmão amazônico

Enviado em Notícias, Artigos, Árvores, Pesquisas Científicas, Meio Ambiente de Anderson Porto | 13 de Junho de 2008 @ 12:15

Floresta Amazônica - Floresta Amazônica
Imagine só: a Amazônia não é o “pulmão do mundo”, como todo mundo diz. A floresta, na verdade, consome praticamente todo o oxigênio que produz. E mesmo se não o fizesse, a quantidade de oxigênio que lança na atmosfera por meio da fotossíntese é absolutamente irrisória na escala planetária. Não faz nenhuma diferença para nós.

Na verdade, praticamente todo o oxigênio que nós respiramos hoje foi produzido alguns bilhões de anos atrás, por uma combinação de processos biológicos e geológicos. Há várias teorias que tentam explicar exatamente como e quando isso aconteceu, mas não seria o caso de entrar nos detalhes aqui. O fato é que o oxigênio que está na atmosfera hoje não está sendo produzido agora - ele já existe há muito tempo.

Cerca de 21% da atmosfera é composta de oxigênio (O2) e apenas 0,04% de dióxido de carbono (CO2). O que as plantas e cianobactérias fazem com a fotossíntese é “consumir” CO2 e expelir O2, enquanto nós, animais, fazemos o contrário com a respiração: consumimos oxigênio e expelimos dióxido de carbono. Tanto que, se você fechar um monte de gente num quartinho sem ventilação, no fim o oxigênio acaba e morre todo mundo.

Desse modo, parece óbvio pensar que, se não fossem as plantas, o oxigênio do planeta acabaria e morreríamos todos. Mas, felizmente, a Terra não é um quartinho fechado. A quantidade de oxigênio na atmosfera hoje é tão grande e a de CO2, tão pequena, que todas as plantas do mundo poderiam parar de fazer fotossíntese neste momento e você não sentiria a menor diferença.

“Mesmo se você transformasse todo o CO2 em O2, a concentração de oxigênio na atmosfera não mudaria quase nada”, explica o físico e meteorologista Antonio Manzi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “A quantidade de oxigênio hoje é praticamente estável.”

Outro detalhe importante que costuma passar despercebido é que as plantas só fazem fotossíntese de dia, quando há luz do sol. De noite, quando as luzes se apagam, elas fazem sabem o que? Respiram oxigênio, igualzinho à gente!

Aliás, elas respiram também durante o dia, ao mesmo tempo que fazem fotossíntese, segundo me explicou o biólogo Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na prática, pode-se dizer que as plantas se alimentam de luz, usando a radiação solar para produzir carboidratos. Mas o processo que elas usam para metabolizar esse alimento e gerar a energia de que suas células precisam para funcionar é o mesmo que nós: a respiração.

Resumindo: a Amazônia pode virar um estacionamento amanhã que ninguém vai morrer sufocado por falta de oxigênio. Tudo que a floresta produz, ela também consome. Temos milhões de razões para preservar a Amazônia, mas produção de oxigênio para o ser humano, definitivamente, não é uma delas.

Eis aqui uma boa razão: Segundo Manzi, a Amazônia guarda, embutida na sua vegetação, uma quantidade de carbono equivalente a pelo menos dez vezes o que o mundo todo lança na atmosfera em um ano. Se a floresta fosse inteira queimada hoje, seria como explodir uma bomba atômica de carbono. As conseqüências para o clima seriam catastróficas. (Apesar do CO2 ser apenas 0,04% da atmosfera, um pequeno incremento dessa concentração pode surtir efeitos graves sobre o planeta - o que é a base de toda a problemática do aquecimento global.)

Sem falar nas dezenas de milhares de espécies que seriam extintas, em todos os recursos genéticos e biológicos que seriam perdidos e no total colapso ambiental, social, cultural e econômico que a perda da floresta acarretaria para a América do Sul. Temos justificativas suficientes para preservar a Amazônia, sem precisar vender essa propaganda enganosa do “pulmão do mundo”.

Pense nisso a próxima vez que falarem sobre a floresta.

Fonte: [ Estadão ]

Produtores aprendem técnicas de identificação botânica

Enviado em Cursos, Notícias de Anderson Porto | 13 de Junho de 2008 @ 12:10

Etapa atual capacitou os técnicos do ramal Nabor Júnior

Assessoria Embrapa

Conhecer e identificar corretamente as árvores existentes na floresta é uma necessidade para quem trabalha com manejo florestal madeireiro

Com esse propósito, a Embrapa Acre (Rio Branco), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está capacitando pequenos produtores do ramal Nabor Júnior, localizado no Projeto Pedro Peixoto, município de Senador Guiomard, para a atividade de identificação de espécies florestais com potencial madeireiro.

A capacitação conta com a parceria da Universidade Federal do Acre (Ufac) e Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac). A primeira etapa, realizada na escola rural Primeiro de Maio, no quilômetro 23 do ramal, encerrou-se nesta quinta-feira, 12. O segundo e último módulo do treinamento será realizado no fim de julho.

A iniciativa faz parte das açoes do projeto “Monitoramento Técnico-Sócio-Econômico e inovações de pesquisa para o avanço do sistema de manejo florestal comunitário do Projeto de Colonização Pedro Peixoto”, desenvolvido pela Embrapa. Participam 13 produtores rurais que atuam com manejo florestal madeireiro, aprendendo sobre as principais características morfológicas das plantas (tipos de folhas, casca, semente, flor e fruto), requisito essencial no trabalho de identificação botânica; sistema de classificação das plantas (taxonomia vegetal); amostragem botânica; e técnicas de coleta, identificação de plantas e de escalada em árvores.

Caráter científico

A diversidade de espécies florestais existentes na Amazônia dificulta a identificação das plantas pelo manejador florestal. Outra dificuldade é a abundância de nomes vulgares existentes e a variação desses nomes de região para região. A solução para o problema, conforme explica o pesquisador Evandro Ferreira, do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre e instrutor do evento, é incorporar ao trabalho um caráter científico, acrescentando, além dos nomes vulgares, os nomes das famílias e das espécies exploradas, de acordo com as regras formais de nomenclatura botânica.

Segundo Ferreira, algumas espécies são de fácil identificação, mas, via de regra, esse trabalho exige um padrão de conhecimento elevado sobre as caraterísticas individuais das plantas. Conhecer esses aspectos faz melhorar a qualidade do manejo das espécies, reduzindo os riscos de erro na retirada de madeireira, ajuda a conservar a floresta e valoriza o profissional.

O pesquisador estima que, das cerca de 30 espécies de plantas exploradas comercialmente no Acre, aproximadamente 30% tem problemas relacionados ao nome. Conhecer tanto o nome vulgar como o científico ajuda no processo de identificação. “Nossa intenção não é apenas fornecer conhecimentos, mas formar multiplicadores para atuar na comunidade, repassando, de forma organizada, esse conjunto de informações. “O produtor precisa saber exatamente que planta está explorando, para avaliar seu valor comercial. Um erro na identificação da espécie pode resultar em sérios prejuízos”, conclui.

Manejo florestal comunitário

A proposta do curso, de acordo com o pesquisador Henrique José Borges de Araújo, líder do projeto, é aprimorar os conhecimentos já existentes e preparar os produtores para a elaboração do inventário florestal, base do plano de manejo e exploração da floresta e constitui o principal requisito para as operações madeireiras. “Esse saber contribui para o uso sustentável e a valorização dos recursos florestais, além de possibilitar ao produtor melhor aproveitamento dos benefícios oferecidos pela floresta”, afirma.

O ramal Nabor Júnior abriga cerca de 180 famílias de produtores rurais, cuja principal atividade econômica é a agricultura. Há 14 anos a Embrapa Acre implantou no local o projeto Manejo Florestal Comunitário e vem capacitando as famílias para a exploração de espécies madeireiras de valor comercial, como fonte alternativa de renda. Atualmente cerca de 18 famílias estão envolvidas diretamente na atividade madeireira, produzindo anualmente 400 metros cúbicos de madeira bruta (200 metros cúbicos de madeira serrada).

Comercializado ao preço médio de R$ 500 o metro cúbico de madeira, a produção gera uma renda média anual de R$ 10 mil, dividida entre as famílias. A atividade contribui para a melhoria da qualidade de vida no meio rural, proporcionando, entre outras coisas, o acesso a bens de consumo como televisor, antena parabólica, telefone, geladeira e outros produtos que indicam a elevação das condições sócio-econômicas na comunidade.

Fonte: [ Agência de Notícias do Acre ]