Como o homem criou a comida!

Enviado em Notícias, Artigos, Opinião de Anderson Porto | 25 de Abril de 2008 @ 16:59

Desde que o homem começou a cultivar os alimentos em vez de apenas coleta-los na natureza, as espécies foram modificadas para se tornar mais nutritivas e produtivas. Esse processo, conhecido como domesticação das plantas, teve início 11000 anos atrás no Oriente Médio e ganhou força com a descoberta de técnicas agrícolas rudimentares. Com laminas fincadas em pedaço de madeira ou de osso, os homens colhiam grãos com mais agilidade. Cestos ajudavam no transporte e tabuas porosas facilitavam a remoção da casca dos grãos.

A agricultura multiplicou entre dez e cem vezes a produção por hectare, em comparação com as mesmas plantas na natureza. Hoje, caso a humanidade resolvesse abdicar da agricultura e voltasse a viver da caça e da, estima-se que um terço da população ficaria sem comida.

Um efeito colateral da opção por espécies cada vez mais produtivas e adequadas à agricultura e, mais recente, às exigências do mercado foi a queda de variedades de vegetais que compõem o cardápio da humanidade. Hoje, só o trigo, o arroz e o milho são responsáveis por mais da metade da dieta calórica mundial obtida com o consumo de vegetais.

Desde o inicio da agricultura, os lavradores costumam guardar parte de suas sementes. Se uma colheita for perdida, essa reserva pode ser a diferença entre a sobrevivência e a fome. O que vale para a fazendas serve para os países. A maioria deles mantém bancos de sementes de seus principais cultivos. O mais importante do Brasil é o Cernagem em Brasília, com mais de 100 000 tipos de sementes. Isso não significa que estejam realmente seguros. Muito desses depósitos estão em nações sujeitas a desastres naturais ou convulsões políticas.

Os talibãs destruíram a coleção nacional de sementes do Afeganistão, em Cabul. Variedades milenares de trigo foram perdidas. O banco de sementes iraquianos, localizado em Abu Ghraib, foi arrasado por vândalos, durante a invasão americana. Amostra de espécies raras de trigo, lentilha, centeio e cevada desapareceram.

Foi inaugurado numa ilha do Arquipélago de Svalbard, na Noruega, a 1.200 quilômetros do Pólo Norte, uma verdadeira arca de Noé de alimentos. O deposito, construído no interior de uma montanha gelada, terá capacidade de armazenar 4,5 milhões de amostras de sementes e resistir a praticamente todas as catástrofes imagináveis, incluindo a explosão de uma bomba nuclear. O projeto é das Nações Unidas.

O lugar esta sendo chamado de forma exagerada de “caverna do juízo final.” Na verdade, o banco de sementes não terá utilidade apenas se houver uma hecatombe (conjunto de desastres ecológicos) mundial. O mais imediato é servir como um reservatório genético, que poderá ser utilizado por cientistas para experimentar cruzamentos e desenvolver novas variedades de plantas.

Curioso é que os vegetais encontrados na natureza eram de forma muito diferentes do que conhecemos hoje. O milho foi encontrado no México e era uma gramínea chamada teosinte, cuja espiga tinha 3 centímetros, e, por meio da seleção dos grãos, transformaram-na no milho. Demorou 9 000 anos para se obter a espiga atual de 45 centímetros.

O trigo, a espécie primitiva dispersavam suas sementes. Os primitivos agricultores do Oriente Médio passaram a selecionar aqueles pés que, por mutação genética, tinha caule forte o suficiente para sustentar a espiga.

A soja foi domesticada há mais de 5.000 anos na Manchúria, no norte da China, era uma planta rasteira pouco produtiva. A variedade atual, melhorada pelos agricultores chineses, rende quinze vezes mais que a espécie original. Que hoje só existe no banco de sementes.

A batata cultivada nos Andes há 7 000 anos, era retorcida e de aparência pouco atraente. A batata-inglesa descende da seleção dos tubérculos mais redondos, de cor amarela. Casca lisa e de mais fácil digestão feita pelos europeus a partir do século XVI. Temos ainda o arroz, a cana de açúcar, batata-doce etc. O Brasil também deve mandar em breve amostras de espécies conservadas pela Embrapa.

Fonte: [ Diário da Serra ]

Curitiba terá jardim vertical de 12 metros

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 25 de Abril de 2008 @ 16:55

Floreiras serão encaixadas nas prateleiras de torre, que já começou a ser construída.
Projeto também prevê espelho d’água com fontes e será concluído em junho.

 00 - Projeto do jardim vertical  de 12 metros (Foto: Divulgação/SMCS)
Curitiba terá um jardim vertical de plantas nativas, de cerca de 12 metros de altura. Segundo a prefeitura, a torre de jardins está sendo construída no Largo Antonio Bordin, no cruzamento das ruas Mário Tourinho e Padre Agostinho. Ela deverá ficar pronta em junho.

A torre está sendo construída em aço e concreto e deverá ter base triangular de três metros. As floreiras serão encaixadas em prateleiras formando jardins aéreos. A administração municipal diz que o projeto é do arquiteto Fernando Canalli.

As floreiras serão compostas por cerca de mil plantas de 15 espécies, tamanhos, formas e cores diferentes, como helicônias, espiga dourada, cipó de São João e peixinho.

Fatores ambientais

A construção da torre e a distribuição das plantas obedecem a fatores ambientais, como incidência de luz e sombra, predominância de ventos e outros aspectos que possam interferir no desenvolvimento. A estrutura será em cimento vazado para que trepadeiras e outras plantas envolvam a obra.

A expectativa é de que a torre sirva também de abrigo para pássaros e outros animais, como borboletas e insetos atraídos pelas plantas.

A prefeitura informa que o projeto inclui ainda um espelho d’água com fontes. O objetivo é que o mesmo sistema hidráulico do espelho d’água sirva para irrigar os jardins, garantindo às plantas a umidade necessária.

Fonte: [ G1 ]

Planta que cresce em locais contaminados mostra caminho para recuperar solo

Enviado em Notícias, Biotecnologia, Pesquisas Científicas de Anderson Porto | 25 de Abril de 2008 @ 15:36

da Efe, em Madri

Uma planta herbácea que cresce em terrenos contaminados com metais pesados está ajudando cientistas a entenderem como recuperar este tipo de solo, diz um estudo publicado nesta segunda-feira (21) pela revista britânica “Nature”.

As pesquisas genéticas realizadas pela Universidade alemã de Heidelberg têm como finalidade destrinchar os mistérios da Arabidopsis halleri, uma das poucas plantas adaptadas a este tipo de terreno.

A Arabidopsis halleri, uma herbácea pouco comum da família brassicacea, extrai do solo as substâncias tóxicas e, por meio de um sistema de bombeamento, as envia das raízes para as folhas, onde se concentram para defender a planta de insetos e de agentes patogênicos.

Os cientistas alemães descobriram que esta planta tem três cópias do gene HMA4 quando a compararam com sua irmã, a Arabidopsis thaliana, que só tem um e que não consegue sobreviver em locais contaminados com metais pesados, diz o estudo.

Quando este gene foi transplantado para a Arabidopsis thaliana, ela se tornou mais resistente aos metais pesados, mas não o suficiente. A autora principal do estudo, Ute Kraemer, explicou que há outros genes envolvidos no processo que ainda não foram totalmente identificados.

No entanto, o efeito de acumulação e tolerância aos metais é muito amplo no HMA4, por isto a “boa notícia” é que o número de genes adicionais necessários para ter uma planta destas características é baixo (entre um e dez), acrescentou.

A pesquisadora alemã disse, que, por causa da pouca biomassa da Arabidopsis halleri, seria inviável economicamente limpar os terrenos contaminados com esta planta, já que em teoria seriam necessários aproximadamente cem anos para regenerar um solo moderadamente contaminado.

A solução é aumentar a produção de biomassa nesta variedade ou potenciar geneticamente outras plantas mais frondosas da mesma família da Brassica juncea (planta da mostarda) para que sobrevivam nestes terrenos inóspitos e se comportem como a Arabidopsis halleri.

Os terrenos contaminados com metais pesados existem em grande quantidade no mundo e estão se transformando em um grave problema na Europa, sobretudo na Europa Oriental, na China e na Índia.

Fonte: [ Folha Online ]