Defensor do manejo florestal

Enviado em Notícias, Opinião de Anderson Porto | 8 de Fevereiro de 2008 @ 15:17

Da Reportagem

Márcio Rogério da Silva, paranaense de 36 anos e morador em Porto dos Gaúchos desde 1982, é ambientalista de berço e defende rigor na fiscalização para impedir crimes contra a natureza. Porém, Márcio tem um ponto convergente com o setor madeireiro: o manejo florestal.

Quando o caminhão despejou a mudança de Márcio Rogério em Porto dos Gaúchos a região ainda era um imenso vazio demográfico, mas já havia indústria madeireira em atividade. Ainda garoto ele acompanhou a retirada de árvores da floresta para beneficiamento. Nos locais onde os madeireiros trabalharam – revela – a mata se recuperou em cinco ou seis anos e “ainda se tornou mais imponente, porque as árvores velhas cederam lugar às novas”.

Márcio não aceita a idéia do corte raso nas áreas de preservação permanente nas florestas e cerrado, mas defende o manejo florestal, que é um conjunto de técnicas utilizadas para a colheita ou derrubada de grandes árvores, de tal modo que as espécies menores e a vegetação como um todo sejam protegidas.

O manejo florestal é uma atividade econômica calcada na legislação ambiental, observando normas de segurança no trabalho e com objetivo de rentabilidade para a empresa que o executa. Essa prática é amparada pelo Código Florestal de 1965, que estabelece sua adoção para a exploração da Floresta Amazônica.

Pouco difundido, o manejo florestal é um procedimento estranho, sobretudo para moradores de regiões afastadas das florestas exploradas empresarialmente. Porém, é uma atividade regulamentada e que, se bem desenvolvida, não agride o meio ambiente.

O plano de manejo é feito por engenheiros florestais, que definem quais e quantas espécies podem ser derrubadas em um hectare de área preservada. Normalmente, em cada hectare com até 200 árvores, no máximo 10 são cortadas, e para cada grupo de 10 árvores maduras uma é mantida em pé para porta-semente.

O cuidado no manejo florestal é grande. Antes de autorizar o corte o engenheiro florestal faz levantamento para saber o lugar onde a árvore tombará. Em nenhuma hipótese o manejo permite derrubada nas áreas ciliares, de nascentes ou encostas.

Márcio destaca que testemunhou várias vezes engenheiros florestais suspenderem a execução de manejo para permitir a desova de ninhos de pássaros ou a amamentação de filhotes nascidos nessas áreas. “Temos que ficar atentos para evitarmos agressões ao meio ambiente, fatos comuns no Brasil, mas não podemos radicalizar contra o manejo florestal que é uma prática legal e saudável”, finaliza. (EG)

Fonte: [ Diário de Cuiabá ]