Ubatuba cultivará algas marinhas produtoras de carragena

A espécie Kappaphycus alvarezii, mais conhecida como “alga vermelha” é utilizada na extração de carragena, uma substância amplamente utilizada na indústria de produtos alimentícios, cosméticos, entre outros
Nesta semana, o setor pesqueiro de Ubatuba obteve mais um avanço no fomento de suas atividades. O Ibama protocolou um termo de compromisso para o cultivo de algas marinhas da espécie Kappaphycus alvarezii. Esse tipo de alga é utilizado na extração de carragena, uma substância amplamente utilizada na indústria de produtos alimentícios, cosméticos, tintas e diversos outros. Atualmente, o Brasil importa mais de 90% de toda a carragena utilizada no país. O cultivo da alga será avaliado durante um ano nas fazendas marinhas ubatubenses.
Cerca de 40 produtores locais se beneficiarão do projeto, que é resultado de uma parceria entre o Instituto de Pesca, a Associação dos Maricultores do Estado de São Paulo (Amesp) e a Prefeitura de Ubatuba, por meio da Secretaria de Agricultura, Pesca e Abastecimento. O próximo passo para a implantação do projeto será a liberação do material genético da planta por parte do Instituto de Pesca. Os maricultores ubatubenses serão os primeiros produtores do Brasil a receber a alga certificada pelo Ibama.
Para o prefeito Eduardo Cesar, a produção da alga pode representar mais uma importante alternativa para o desenvolvimento da economia no município. “Se os produtores se empenharem verdadeiramente e a alga se adaptar bem às nossas águas, podemos nos tornar os primeiros fornecedores de carragena do Brasil, com a autorização do Ibama.”
A importância da carragena
A carragena é uma substância química espessante, que tem também a função de aumentar a longevidade de diversos produtos. Todos os anos, o Brasil importa milhões de dólares em algas secas como matéria-prima para a extração de carragena. O preço médio atual do kg da carragena refinada varia entre 10 e 20 dólares. O Brasil produz apenas 10% do que precisa. O resto, o País importa, sendo o Chile um dos principais fornecedores. A importação alcança a marca de 20 milhões de algas por ano.
12 anos de estudo
Para implantar o cultivo de algas marinhas em Ubatuba, o Instituto de Pesca empreendeu uma pesquisa de 12 anos. A espécie é originária das Filipinas e adaptou-se muito bem ao nosso meio ambiente. Segundo o pesquisador do IP, Ricardo Pereira, a produção da alga traz outros benefícios, além dos financeiros. “A produção da alga é benéfica para o meio-ambiente, pois ela serve de filtro para as impurezas da água, além de transformar o gás carbônico em oxigênio, aumentando a qualidade do ar e da água.”
Pesquisadores debatem respostas químicas das plantas ao ataque de pragas
O que o algodão, o milho, o tomate, o arroz e a soja têm em comum? “Todas são culturas que emitem substâncias voláteis que atraem os inimigos naturais das pragas que se alimentam delas”, explica o pesquisador José Maurício Bento, da Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz (Esalq), que apresentou palestra, ontem (02/10), durante o 5º Encontro Brasileiro de Ecologia Química, que está sendo promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Soja, em Londrina (PR).
Segundo Bento, as pesquisas mundiais que estudam as respostas das plantas ao ataque de insetos podem trazer importantes contribuições para pesquisas nas áreas de resistência a insetos. “É um campo da ciência relativamente novo. Os países que estão na frente começaram a obter os primeiros resultados na década de 90. No Brasil, os principais grupos de pesquisa começaram a atuar principalmente a partir do ano 2000”, revela.
O pesquisador mostrou que a interação planta-inseto é bastante complexa. “Os organismos vivos emitem sinais bastante sofisticados. Há respostas químicas entre as plantas e os insetos. Também há comprovações de sinais entre plantas vizinhas e até entre plantas de outras famílias, em respostas ao ataque de pragas”, explica.
As raízes de algumas plantas, por exemplo, quando sofrem o ataque de larvas, como a da vaquinha (praga comum no milho, entre outras culturas), emitem substâncias que atraem nematóides benéficos, que se alimentam da larva.
Segundo o pesquisador, essas informações são um “grande trunfo” nas mãos dos cientistas, que podem trabalhar para melhorar os mecanismos de defesa das plantas, por meio de melhoramento genético, além das técnicas de manejo, de monitoramento de pragas e desenvolvimento de alternativas de controle biológico”, destaca.
ECOLOGIA QUÍMICA
Ao longo da evolução, as plantas e os animais desenvolveram sistemas de defesa e de comunicação a partir da emissão de substâncias químicas. São essas substâncias que fazem com que os organismos vivos apresentem uma determinada característica. Seu estudo - chamado de ecologia química - permite aos cientistas avanços em diferentes áreas do conhecimento, como a agricultura, saúde pública biologia marinha e sustentabilidade ambiental. Muitos desses resultados estão sendo apresentados em Londrina (PR), de 1 a 4 de outubro, durante o 5º Encontro Brasileiro de Ecologia Química.
Entre as novidades, estão observações que permitiram aos pesquisadores descobrir, por exemplo, que a planta da soja, aumenta o teor de isoflavona, quando é danificada pelo percevejo; que o mosquito vetor da Leishmaniose sente-se atraído por substâncias voláteis produzidas pelo homem e pelas fêmeas do próprio inseto, abrindo perspectivas de desenvolvimento de novas formas de controle do inseto e que o sistema de defesa químico dos anfíbios possui um alto potencial antibiótico.
“É uma área do conhecimento relativamente nova. A partir dessas descobertas, podemos desenvolver alternativas importantes tanto agricultura quanto na saúde humana e também na manutenção da biodiversidade”, destaca. Clara Beatriz Hoffmann Campo, presidente do evento e pesquisadora da Embrapa Soja.
FONTE
Embrapa Soja
Carina Gomes - Jornalista
Telefone: (43) 9984-7601
disponível online em: [ Agrosoft ]
Folhas do girassol podem inibir o crescimento de plantas daninhas
Divulgação / Embrapa [05/10/2007]
Durante o metabolismo, as plantas produzem e liberam substâncias secundárias (os aleloquímicos), que podem interferir no crescimento e no desenvolvimento de outras plantas que se encontram próximas. Esse fenômeno é chamado de alelopatia, e pode ser benéfico para agricultura quando interfere negativamente no estabelecimento e no crescimento de plantas daninhas, mas, por outro lado, pode causar problemas quando afeta culturas comerciais.O pesquisador Pedro Luís Alves, da Universidade Estadual Paulista, é um dos estudiosos do tema e vem avaliando, nos últimos anos, o efeito inibitório do girassol no crescimento de plantas daninhas. Ele apresentou os resultados de suas pesquisas durante o 5º Encontro de Ecologia Química, evento que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Soja, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está promovendo em Londrina, Paraná, e termina nesta quinta-feira (4/10).
“Normalmente, as plantas sob estresse biótico, como a competição, por exemplo, produzem os aleloquímicos para se defender. Contudo, há a hipótese de que mesmo antes de sentir o efeito do estresse, as plantas já se preparam para se defender.” explica. As plantas apresentam fitocromos, que são sensores de luz capazes de influenciar no metabolismo. É como se a planta fosse “avisada” fisicamente que algo diferente está acontecendo no ambiente, a partir do espectro luminoso (tipo de luz) a que ela está sendo exposta. Isso desencadeia reações diferentes no seu organismo”, complementa.
No girassol, por exemplo, há estudos que indicam que quando há predomínio de luz amarela a planta sofre uma mudança na composição do aleloquímicos, tornando-a mais agressiva. De forma semelhante, quando exposta a alterações na relação vermelho/vermelho distante do espectro luminoso, a planta reage acelerando o metabolismo de forma a se resguardar para uma eventual competição com outra planta. Com essas informações em mãos, o pesquisador avaliou 42 cultivares de girassol e descobriu que uma planta normal apresenta um potencial de 40% de inibição do crescimento de outras plantas e que, submetidas à exposição à luz amarela ou diminuindo a relação vermelho/vermelho distante, essa inibição aumenta para 50% a 70%.
As substâncias inibidoras de crescimento são produzidas nas folhas e abrem a possibilidade de um melhor aproveitamento da planta de girassol. “Além das sementes, as folhas também podem ser aproveitadas comercialmente. É um comportamento diferenciado que pode dar origem a herbicidas naturais, a novas fórmulas sintéticas, além de subsidiar as pesquisas com melhoramento genético da cultura”.
Fonte: [ Paraná Online ]
Plantas trocam comida por sexo, afirma estudo
CHICAGO, EUA (AFP) — Pode parecer ficção científica, mas uma planta tropical alterna odores tóxicos ou insinuantes para aumentar sua temperatura e, assim, garantir sua polinização.
Em um estudo divulgado esta quinta-feira, biólogos americanos afirmaram que a cicadácea australiana, uma planta tropical primitiva, utiliza um curioso método para manipular os pequenos insetos voadores, seres dos quais depende para sua polinização. As cicadáceas apresentam órgãos masculinos e femininos, ambos em forma de cone.
Os insetos tendem a se congregar nos cones masculinos - similares às pinhas -, onde se alimentam e se instalam. Mas em determinada hora do dia, o órgão masculino se aquece e emite um odor tóxico, repelindo os insetos.
Carregados com pólen, os insetos voam então aos cones femininos vizinhos, que estão liberando um odor mais atraente, onde polinizam os ovos femininos da planta.
“As cicadáceas estão trocando comida por sexo”, disse Robert Roemer, co-autor do estudo divulgado pela revista Science. “A única coisa que estes insetos comem é o pólen, de que as plantas dependem completamente. E estes insetos são os únicos animais que polinização das plantas”.
O curioso “ritual de acasalamento” acontece apenas em um curto período de polinização e apenas uma vez a cada vários anos e é facilitado pela estratégia de atração e repulsão.
“Depois que acontece, os cones se desintegram”, disse Irene Terry, bióloga da Universidade de Utah que dirigiu o estudo.
Durante o período de polinização, as cicadáceas podem aumentar as temperaturas em seus cones todos os dias entre 11H00 e 15H00. Os cones masculinos tendem a aumentar sua temperatura para até 1°C a menos que a temperatura ambiente.
As plantas femininas usam um processo metabólico para criar o calor, queimando açúcares, amidos e gorduras que foram armazenadas para alimentar as funções celulares habituais.
Este processo é acompanhado de uma massiva liberação de odores. Um odor químico em especial, denominado beta-myrcene, aumenta até chegar a níveis tóxicos, quase letais, e expulsa os insetos dos cones masculinos.
Um processo similar acontece com os cones femininos, mas como eles não se aquecem tanto, os odores gerados não são desagradáveis. De fato, em concentrações mais baixas o odor químico do beta-myrcene é atraente e por isso os insetos acabam se refugiando ali e polinizando seus ovos.
Esta estratégia de polinização utilizada pelas cicadáceas poderia ser um passo evolutivo intermediário entre o uso de odores para repelir os predadores herbívoros e o uso de aromas atraentes para seduzir insetos polinizadores, opinou Terry.
“Acredita-se que no princípio eram usados como mecanismos de defesa para repelir os comedores de plantas, e que alguns sistemas anteriores de polinização evoluíram com os insetos que usavam os odores para encontrar a planta”, afirmou.
As cicadáceas pertencem ao mesmo grupo de plantas que as coníferas modernas, como os pinheiros.
São conhecidas como “fósseis vivos” porque sua origem se remonta há 250 ou 290 milhões de anos, no período Permiano. Estas espécies podem ser encontradas nas montanhas costeiras de Queensland e no New South Wales na Austrália.
Fonte: [ AFP ]
Multinacionais de olho no setor de biocombustíveis
A Organização das Naçãoes Unidas (ONU) prevê oportunidades de investimentos cada vez mais lucrativas no setor de biocombustíveis. Segundo levantamento com cerca de 200 multinacionais, um número crescente delas indica que investirá em biocombustíveis, como o Grupo Activos (da Espanha), que planeja a construção de usinas em Portugal, Brasil e Uruguai.
Para a ONU, as preocupações ambientais, aliadas à demanda por energia, despertaram o interesse de investidores para explorar esses novos setores.
Entre 1995 e 2005, os investimentos em energia renovável passaram de US$ 7 bilhões para US$ 37 bilhões. De acordo com o levantamento, essa tendência deve continuar, incluindo uma série de investimentos em energia solar e eólia na Europa.
A ONU ainda prevê uma onda de investimentos em produtos manufaturados ambientalmente corretos, como o setor do papel e veículos com novos motores.
Os serviços ambientais surgem ainda como nova oportunidade de investimentos, como os de reciclagem e tratamento de água. O levantamento cita ainda a empresa brasileira TSL Engenharia Ambiental, que abriu uma planta de reciclagem na Espanha.
Além de energia, a alta nos investimentos nos próximos três anos deve ocorrer no setor primário, em serviços e alimentos.
Fonte: [ Monitor Mercantil Digital ]
Substância na pimenta anestesia sem afetar movimento, diz pesquisa

Capsaicina poderia ser utilizada na anestesia peridural
Uma substância encontrada na pimenta pode ter efeitos anestésicos sem causar a perda de movimentos ou da sensação do toque, sugerem pesquisadores americanos.
As anestesias locais convencionais afetam todas as células nervosas, enquanto a capsaicina, substância química encontrada na pimenta, age apenas nos receptores da dor.
Os pesquisadores da Universidade de Harvard fizeram uma experiência usando a molécula QX-314, que funciona como anestésico, mas é grande demais para penetrar nas células nervosas para bloquear a dor.
Os cientistas combinaram a molécula com a capsaicina – substância que faz a pimenta ter o gosto ardido - e que pode abrir um canal na parede das células nervosas, de tamanho suficiente para permitir a penetração da QX-314.
Os cientistas observaram que a molécula agiu apenas nos neurônios receptores da dor e não em todas as células nervosas, o que poderia afetar sensação do toque e movimentos.
Peridural
Nas experiências feitas com ratos, uma injeção de QX-314 e capsaicina bloqueou a sensação de dor sem causar outros efeitos.
Na prática, isto significaria que se uma mulher em trabalho de parto, por exemplo, receber a anestesia peridural feita à base da capsaicina, não perderia o movimento das pernas e ainda sentiria o nascimento do filho.
A falta da sensação é um dos efeitos colaterais das anestesias convencionais, que bloqueiam não apenas as terminações nervosas que causam a dor, mas também todas as outras que respondem à sensação do toque.
Os pesquisadores acreditam que as descobertas têm o potencial para “mudar profundamente os tratamentos para a dor” antes e durante milhões de operações que ocorrem mundialmente a cada ano.
Para Story Landis, diretor do Instituto Nacional de Desordens Neurológicas e Derrame Cerebral, nos Estados Unidos, pacientes com dores crônicas também poderiam se beneficiar do tratamento.
“O objetivo das técnicas para tratamentos da dor é eliminar o sofrimento sem prejudicar o raciocínio, lucidez e coordenação. Esta técnica promete futuros benefícios para milhões de pessoas”, acredita Landis.
Joan Hester, presidente da Sociedade Britânica da Dor, diz que a capasaicina tem sido usada há anos no tratamento de dores crônicas, mas que os pacientes reclamam que a substência provoca uma sensação desagradável de queimação.
Fonte: [ BBC Brasil ]






