Preço da maconha na Holanda sobe 20% ao ano
HAIA, Holanda (AFP) — O preço da maconha na Holanda, onde é vendida quase que legalmente, aumentou 20% em 2007, enquanto as taxas de THC - principal responsável pelos efeitos alucinógenos da planta - diminuíram, segundo um estudo do centro especializado Trimbos-Instituut, de Utrecht.
O preço médio de um grama de cannabis cultivada na Holanda atualmente é de 7,30 euros (cerca de 19 reais), o que representa uma alta de 20% em relação a 2006, segundo o comunicado anual. Em contrapartida, a taxa de THC diminui de 17,5% para 16%, no mesmo período.
“A alta no preço e a baixa das taxas de THC são provavelmente conseqüência do aumento das atividades da policia contra a cultura de cannabis”, afirmaram os autores do comunicado.
“Como a oferta diminui, o preço da compra aumenta para os coffee-shops, onde elas são comumente vendidas”, explicaram.
“A mesma tendência afeta o haxixe importado, principalmente do Marrocos”, adicionou.
A Holanda legalizou o consumo e a posse de menos de cinco gramas de maconha, em 1976, que pode ser vendida nos “coffee-shops” que possuem permissão. A cultura e a venda atacadista estão proibidas.
Fonte: [ AFP ]
Casa de anjo

Ilustração: Heitor Yida
“Toda planta tem um ‘acompanhante’ invisível, que chega em um raio de sol, numa chuva de granizo ou na neblina da manhã”, me disse uma benzedeira de Minas Gerais.
Tem mais gente que concorda: “As árvores são casas de anjos, também conhecidos por devas, no Oriente. São eles que criam, habitam e dão vida a todas elas”, me disse um mestre. Por isso, quando colocamos árvores dentro ou ao redor da casa, acolhemos também essas presenças angelicais, que transmutam o negativo e transmitem o positivo, ajudando a preservar o bem.
“Uma árvore está inerte? Aparentemente sim, mas na realidade não. Ela está interagindo o tempo todo com o entorno, ancorando e irradiando qualidades espirituais”, me ensina o índio Kaká Werá. “Creio nas propriedades curativas das árvores não para salvar uma clavícula fraturada, mas para curar as enfermidades da alma, como o rancor e a maldade”, diz um sábio chinês.
“Quando estamos perto de uma árvore, somos nutridos pelas ema na ções que ela produz”, me contou a americana Dorothy Maclean, autora do livro A Comunicação com os Anjos e os Devas (ed. Pensamento), no qual existe um capítulo lindíssimo, chamado A Mensagem das Grandes Árvores.
ANJOS VEGETAIS
Mas não basta colocar a planta dentro de casa e pronto. Devemos pensar junto dela tudo o queremos lhe falar, pois dizem que é assim que os anjos nos entendem e respondem a nossas intenções.
Fiquei sabendo, por exemplo, que o anjo da bananeira, árvore que nasce fácil em quase todo lugar, compartilha conosco a abundância divina. O da murta preenche o ambiente com perfumes de inocência e pureza. O ser angelical do jasmim-manga abraça a casa com um manto de luz branca e transforma as atitudes endurecidas. O anjo do fícus (ou figueira) clareia os caminhos, e foi sob esta árvore que Buda alcançou a iluminação. O anjo da aroeira, madeira forte, limpa as negatividades quando se batem sete ramos contra as paredes, desde os fundos até a entrada do lugar. O espírito do pinheiro, árvore que lembra uma flecha, defende a casa de forças ruins e chama o bem, que se aproxima. E tem o anjo do perdão, que mora na quaresmeira-roxa, o da regeneração, na exuberante buganvília, o da espontaneidade, na alegre laranjinha kinkan…
Muitas árvores podem viver até dentro de apartamentos, em grandes vasos. Nesse caso, prefira os de barro porque assim as raízes respiram. Coloque brita no fundo para ajudar a saída da água. Misture areia (1/3) a uma boa terra adubada (2/3). A areia vai impedir que a terra vire um tijolo, dificultando a vida da planta. Deixe o vaso receber sol ou muita luz. Ao cuidar da árvore, lembre-se do anjo: “Ajude-nos neste dia! Derrame aqui Vossa vida curadora!”
MENSAGENS DOS ANJOS
“Gostaríamos de nos comunicar com os humanos para que se tornassem mais conscientes das leis divinas”, disse um desses anjos à sensitiva Dorothy. A presença dos anjos das árvores preserva nosso equilíbrio. Quando uma grande árvore é cortada, ou uma região é desmatada, muitos anjos se retiram e toda a paisagem adoece, afetando também os seres humanos.
“Vastas áreas precisam de nós, e quando digo ‘nós’ refiro-me às grandes árvores em geral. Somos a pele deste mundo. Eliminem-nos e todo o planeta, incapaz de funcionar, ressecar-se-á e perecerá. Deixem-nos existir, e toda criação exaltará de prazer e a vida prosseguirá” é outra mensagem angélica. Alguns hábitos atuais contribuem muitíssimo para o desmatamento geral. Comer carne talvez seja o principal, pois se desmata para criar o gado…
Você precisa de quê? Confiança? Alegria de viver? Paz para o espírito? Independentemente do que seja, tenha uma árvore em casa e conte com o auxílio angelical. “Se nos juntarmos”, disse um anjo das árvores, “um mundo melhor poderá surgir.”
Fonte: [ Bons Fluidos ]
A Produção Orgânica vai Alimentar o Mundo
por George Monbiot
O conselho não poderia vir de fonte mais surpreendente. “Se alguém lhe disser que os transgênicos vão alimentar o mundo”, disse Steve Smith, diretor da maior companhia de biotecnologia do mundo, a Novartis, “responda que não é bem assim…, para alimentar o mundo é preciso vontade política e financeira, não é apenas uma questão de produção e distribuição.”
Smith exprimiu uma verdade que seus colegas de empresas de biotecnologia vêm tentando desmentir veementemente. Num planeta de grande fartura, as pessoas passam fome porque não têm terra onde plantar e obter seu próprio sustento,nem dinheiro para comprá-la. Não há dúvida de que, à medida em que a população aumentar, o mundo terá que produzir mais, mas se essa tarefa ficar nas mãos dos ricos e poderosos grande fazendeiros e grandes empresas independente do quanto for produzido, a fome vai aumentar.
Em um aspecto, Smith está errado. A questão também diz respeito à produção. Uma série de resultados experimentais notáveis mostrou que as técnicas de cultivo que a Novartis e muitas outras têm tentado impor ao mundo são, ao contrário de tudo que nos fizeram crer, realmente menos produtivas que alguns métodos desenvolvidos por agricultores tradicionais nos últimos 10.000 anos.
Semana passada, a revista Nature divulgou os resultados de uma das maiores experiências agrícolas já realizadas. Uma equipe de cientistas chineses testou o princípio-chave do cultivo moderno de arroz, ou seja, a plantação de alta tecnologia de uma única variedade de arroz, contra uma técnica mista mais antiga: plantar diferentes variedades num mesmo campo. Descobriram, para espanto dos agricultores que há anos vinham sendo levados a crer nos benefícios da monocultura, que a volta ao método antigo resultou num aumento espetacular da produção. A praga do arroz, causada por um fungo devastador que exige repetidas aplicações de veneno para ser controlada, reduziu em 94%. Ao plantar mais de uma variedade, os agricultores puderam abandonar o uso de agrotóxicos ao mesmo tempo em que produziram 18% de arroz a mais por acre.
Dois anos antes, outro artigo publicado na revista Nature mostrou que os rendimentos do milho orgânico são idênticos aos do milho cultivado com fertilizantes e pesticidas, enquanto que a qualidade do solo nas plantações orgânicas melhora de forma notável. Em testes realizados em Hertdfordshire, nos últimos 150 anos, o trigo cultivado com adubo orgânico tem mostrado um rendimento consistentemente maior do que o trigo cultivado com nutrientes artificiais.
O professor Jules Pretty, da Universidade de Essex, mostrou que agricultores na Índia, Quênia, Brasil, Guatemala e Honduras dobraram ou triplicaram suas produções mudando para técnicas orgânicas ou semi-orgânicas. Um estudo feito nos Estados unidos revela que pequenos agricultores, cultivando plantações variadas, podem produzir dez vezes mais por acre do que grandes agricultores cultivando um único produto. Cuba, forçada pelo bloqueio econômico a praticar a agricultura orgânica, agora a adotou como uma política, tendo descoberto que ela melhora não só a produtividade como a qualidade das plantações.
A agricultura de alta-tecnologia, ao contrário, está enfrentando graves problemas. Este ano, a produção de alimentos em Punjab e em Haryana, estados indianos há muito conhecidos por sua história de grande sucesso no cultivo intensivo e moderno, simplesmente entrou em colapso. As novas plantações, que os agricultores foram estimulados a plantar, demandam mais água e nutrientes do que as antigas, com o agravante que, em muitos lugares, os lençóis de água subterrânea e os solos se esgotaram. Em outras palavras, estamos sendo enganados.
A agricultura tradicional foi reprimida em todo o mundo, não porque seja menos produtiva do que a monocultura, mas porque é, em alguns aspectos mais produtiva. O cultivo orgânico tem sido caracterizado como um inimigo do progresso pelo simples fato de que ele não pode ser monopolizado, ou seja, ele pode ser adotado por qualquer agricultor em qualquer lugar da terra, sem a “ajuda” das companhias multinacionais.
Além de ser mais produtivo plantar várias espécies ou vários tipos de plantação em um campo, as corporações de biotecnologia precisam reduzir a diversidade a fim de gerar lucro, deixando os agricultores sem escolha a não ser comprar suas sementes gerando-lhes alta lucratividade. É por isso que, nos últimos dez anos, essas companhias vêm comprando os institutos de produção de sementes e vêm fazendo lobbies para que os governos façam o mesmo que o nosso (Reino Unido), ou seja, proibir a venda de qualquer semente que não tenha sido oficialmente registrada e aprovada a um custo altíssimo.
Tudo isso requer uma guerra contínua da propaganda contra as técnicas de agricultura tradicional experimentadas e testadas, enquanto as grandes companhias e seus cientistas venais rejeitam-nas como improdutivas, pouco sofisticadas ou duvidosas. A verdade, tenazmente obstruída, e quase impossível de acreditar, é que a produção orgânica é a saída para alimentar o mundo.
“Organic Food will feed the World” de George Monbiot (cientista político e jornalista britânico) traduzido por Éda Heloisa Pilla (pillasea@cpovo.net)






