Cientistas decifram genoma da videira (Nature)
A decodificação do genoma da videira pode facilitar o estudo dos genes que interferem no aroma dos vinhos e na descoberta de cepas resistentes a doenças para reduzir o uso de pesticidas, segundo trabalhos publicados neste domingo.

A escolha da Pinot Noir não foi feita em função da cepa, mas porque, para esta variedade, “dispomos de uma linha autofecundada num grande número de gerações”, ou seja, ela é praticamente pura, “com um genoma quase homozigoto, o que facilita consideravelmente a reunião das seqüências”, explicou à AFP Jean Weissenbach, diretor do Genoscope, o centro nacional de seqüenciamento (Evry, régião parisiense).
“O estudo do genoma desta videira foi eleito porque é ela uma espécie muito sensível a inúmeras fitopatogenias”. Para reduzi-las, “a idéia é identificar os genes mais resistentes”, o que facilitaria a introdução de cepas resistentes para cruzamento ou transferência de gene.
Já conhecemos variedades resistentes ou espécies próximas da videira que são resistentes. “Precisamos fazer cruzamentos entre variedades resistentes e sensíveis para depois localizar e identificar os genes resistentes”, explicou.
A decodificação também mostrou que famílias de genes responsáveis pelos aromas são mais freqüentes no genoma da videira do que em outras plantas já seqüenciadas. A pesquisa faz referência especial aos genes que controlam a produção de “resveratrol”, a molécula associada aos supostos efeitos benéficos para a saúde das doses moderadas de vinho tinto.
Além de suas possíveis vantagens econômicas futuras, a decodificação do genoma da videira ampliou o campo de estudo das plantas de flores ancestrais.
O genoma da videira, que conta com cerca de 30.000 genes, é constituído de três genomas compilados. O genoma do homem é dito “diplóide”, porque cada cromossomo está presente em dois exemplares, um transmitido pelo pai e outro pela mãe. O da videira é dito “hexaplóide”, porque é constituído de três genomas diplóides, ou seja de seis jogos de cromossomos.
“Um dos motores da evolução é a duplicação em massa do genoma e, depois, os arranjos que fazem com que certos genes se manifestem; outros não se manifestam, outros ficam totalmente perdidos”, observou Jean Weissenbach.
Segundo ele, foram necessários pelo menos dois eventos maiores, dos quais um teria acontecido há entre 130 e 240 milhões de anos, para passar das plantas de flores diplóides às plantas de três genomas como a videira.
O genoma do arroz continuou diplóide. É também uma planta classificada entre as “monocotiledôneas”, em que os embriões comportam apenas uma folha seminal, contra duas nas plantas “dicotiledôneas” como a videira, o feijão e as ervilhas.
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Fonte: [ Último Segundo ]






