O super ah-sai-ee

Enviado em Notícias, Propaganda de Anderson Porto | 20 de Agosto de 2007 @ 14:44

Maria Luisa Cavalcanti

Açaí da Amazônia
A paranóia londrina pela alimentação saudável agora ganhou reforço brasileiro: o açaí (ou ah-sai-ee, segundo ensinam os rótulos).

A frutinha chegou com tudo às lojas de produtos orgânicos e às redes de supermercado chiques da cidade, sendo festejada como “the Amazon Rainforest Superberry”.

Ela vem como ingrediente de sucos e smoothies relativamente caros, com preços de até 4 libras (cerca de R$ 15). Mas em compensação, dizem os fabricantes das bebidas, o ah-sai-ee é “a fruta mais antioxidante encontrada na natureza”, “uma usina nutricional natural”, “a única que contém ômegas 6 e 9″.

Por tudo isso, nosso açaí é o último adendo à moda das superfoods - alimentos teoricamente repletos dos nutrientes essenciais a uma vida saudável. Fazem parte desta lista o abacate, a soja, a romã, o espinafre, as sementes de linhaça e várias outras.

Só que até agora não houve comprovação científica para isso, e muita gente já deixa de variar a dieta só para se alimentar de superfoods. Por isso, desde o começo do mês a União Européia proibiu que produtos contendo esses ingredientes sejam “marketeados” como sendo superfoods.

Se isso vai afetar as vendas do ah-sai-ee? Ainda é cedo para dizer. Mas um consumidor mais atento vai perceber que a frutinha amazônica compõe apenas 20% dos preparados - o resto é, em geral, suco de uva.

A Empresa de Agroenergias - EBA e a Segurança Alimentar

Enviado em Artigos, Biocombustíveis de Anderson Porto | 20 de Agosto de 2007 @ 14:30

por: J.W.Bautista Vidal

Criou-se um debate equivocado sobre os impactos da ampliação da produção de energias renováveis e limpas vegetais sobre a produção de alimentos, como se a fome e a miséria fosse decorrente da falta de alimentos e devido à ocupação das áreas de produção de alimentos por produtores de energias vegetais. Na realidade, o mundo produz 30% mais alimentos do que necessita, segundo indicação da FAO. Esse alimento porém não é acessível para os que têm fome, os excluídos. Não adianta portanto produzir mais alimentos para suprir aos famintos pois estes não têm meios para adquiri-los devido a modelo econômico opressor e desigual.

Enquanto isto, segundo a FAO, somente no Brasil existem 80 milhões de hectares de terras agricultáveis ociosas, terras sem produção. As indicações do IBGE dão valores muito maiores. Si essas terras forem usadas na produção de alimentos isso em nada adiantaria para superar a situação atual de grande número de seres humanos vítimas da fome. Eles não dispõem de poder de compra, por desemprego, má distribuição da renda, falta de políticas públicas de efeitos sociais positivos e muitas outras razões fruto de modelo econômico perverso, socialmente excludente. O uso de terras ociosas na produção de energias vegetais renováveis não é necessariamente causa da falta de alimentos ou da fome. Cuidados entretanto devem ser tomados para evitar que a produção de energias alimentares sejam substituídas pela produção de energias para outros fins. Isto deve ser objeto de inteligente regulamentação especifica.

Se criarmos condições para dar trabalho e renda para a maioria desses excluídos, a situação mudaria de modo substantivo, privilegiando a produção de alimentos, sem prejudicar iniciativas que favoreçam a criação de trabalho e renda para os excluídos e a população em geral.

Assim, as imensas potencialidades de mercado criadas pelo ocaso do petróleo e a possível substituição pelas energias vegetais produzidas por pequenos produtores em países ditos pobres, visando a superação do colapso dos combustíveis fósseis, controlados de modo absoluto pelos países ricos, a situação tenderia a provocar câmbios muito positivos do ponto de vista social, econômico e ambiental.

Isso exige porém mudanças no modelo opressor imposto pelos ricos e apoiado pelo setor financeiro do governo. O poder institucional de controle exercido por corporações estrangeiras dos países ditos ricos sobre esses combustíveis fósseis é avassalador, embora esses combustíveis estejam em declínio e esses países apresentam fraturas irreversíveis que podem ser superadas pela produção energética de países pobres, especialmente nas regiões tropicais do planeta, muito ricas em energias renováveis. A situação de ocaso dos fósseis, não renováveis e sujos do ponto de vista ambiental, ademais leva o mundo à guerra entre nações militarmente hegemônicas, visando ao domínio do que resta das reservas de petróleo.

O contrário ocorre com as energias vegetais renováveis que duram enquanto houver radiação solar e têm assim uma longa perspectiva histórica de promoção da paz. Esta excepcional perspectiva somente se transformará em realidade se for mudado o modelo de domínio absoluto dos países ricos sobre os pobres por meio do capital financeiro, que emitem de modo arbitrário. Esses países são carentes de potenciais energéticos naturais, tendo origem no grande manancial que é o Sol. Os combustíveis fósseis também se originam no Sol, mas necessitam de centenas de milhões de anos para se formarem, passando pelos hidratos de carbono produzidos nas plantas pela fotossíntese. O óleo de girassol, excelente substituto do óleo diesel do petróleo, leva apenas cerca de dois meses para produzir suas sementes oleaginosas …. Ou seja, os combustíveis vegetais antecipam em milhões de anos aqueles de origem fóssil.

É o confronto entre o artifício de um sistema monetário decadente e insustentável – a tão falada bolha financeira - e a pujança da natureza de um sistema sustentável, baseado na fusão nuclear, somente possível nas condições de elevadíssimas temperaturas alcançadas nos núcleos das estrelas, astros com luz própria. O Sol é a nossa estrela, é o único reator a fusão nuclear possível no nosso sistema planetário, parte essencial da natureza e de conseqüências energéticas predominantes nos trópicos. Trata-se por isso do confronto de um sistema monetário dominado por grupos militarmente hegemônicos de modo arbitrário e a pujança da natureza, especialmente preponderante no campo energético nas regiões tropicais.

Como o único continente tropical, o Brasil pode assumir ante o mundo a postura consciente e concreta, que lhe permite afirmar, em linguagem popular: “o Sol é nosso”. O sol e as agro energias, substitutas vantajosas das energias fósseis em declínio e provocadores do aquecimento global tão danoso para as futuras condições ambientais do planeta, conforme atesta os dramáticos relatos recentes da comissão especializada das Nações Unidas, frutos de muitos anos de estudo de centenas de cientistas de várias partes do mundo.

Não é por meio da fissão nuclear, Angra III, que produz calor e não enfrenta o colapso dos combustíveis líquidos derivados do petróleo, que iremos encaminhar soluções para os problemas energéticos mundiais.

O Brasil lidera nesse campo uma nova civilização, a da fotossíntese, que transforma a energia solar, de complexo uso direto, em energias vegetais de fácil produção por pequenos produtores rurais e uso tecnológico garantido. Nessas condições, no Brasil, sem exclusão de outros países, podem ser montados pólos de produção de energias renováveis e limpas envolvendo centenas de milhares de produtores e milhões de novos postos de trabalho, tendo como exemplo o pólo que está sendo implantado na região de Palmeira das Missões, RS, que envolve mais de 60 mil pequenos produtores, em 22 municípios.

O espectro de materiais primas vegetais é enorme, agregados sob a designação genérica de biomassa e têm por base os açúcares, os amidos e a celulose. Está última com imenso potencial devido às florestas tropicais, submetidas a regime de necessária renovação quando utilizadas. Surge a concreta possibilidade de surgimento no Brasil da figura do fazendeiro florestal, que planta florestas como complemento de outras culturas ou com produção exclusiva, para abastecer de matéria prima energética termoelétricas com lenha ou carvão vegetal, para suprir de eletricidade vastas regiões do País por onde não passam linhas de transmissão – de elevados custos - ou não tenham abaixadoras de energia de linhas existentes. Pode-se também usar óleos vegetais de alta eficiência produtiva e baixos custos na produção de eletricidade, onde as condições sejam favoráveis.

É possível assim, no Brasil, pelas imensas extensões agrícolas desocupadas ou as áreas degradadas pelo desflorestamento serem criadas um grande número de pólos tendo por base a agricultura familiar e o uso de biomassa que responde com eficiência às necessidades da população e lhe permite desenvolver-se com a necessária disponibilidade de energia. A implantação de micro usinas de álcool, com tecnologia de elevada eficiência, permite produzir álcool etílico (etanol) por custos baixíssimos, por meio da produção simultânea de vários produtos de elevado valor agregado: aguardente, carne e leite, açúcar mascavo e adubo orgânico.

Com o uso do bagaço de cana e vinhoto dessas usinas consegue-se alimentar cerca de 80 cabeças de gado confinado que produzem adubo orgânico de baixo custo em substituição aos fertilizantes industriais. Isto é de grande importância na agricultura em geral, sob o controle dos produtores.

Apesar da comprovada resposta positiva do pequeno produtor e da agricultura familiar, é indispensável o apoio do Estado por meio de uma empresa de economia mista para a área das energias renováveis, a Empresa Brasiléia de Agroenergias – EBA, para apoiar esses pequenos produtores naquilo que eles não têm condições de assumir. Essa Empresa é absolutamente necessária para apoiá-los na gestão de um grande número de produtores rurais, distribuídos em um grande número de pólos energéticos; no desenvolvimento tecnológico permanente e na distribuição, especialmente nas exportações para mercados de elevados potenciais que surgem como decorrência do declínio do petróleo, do qual dependem de modo vital, como Japão, Alemanha, China e muitos outros. Há necessidade de infra-estruturas de recepção e de distribuição, de altos custos, nos locais de destino dos combustíveis e que o pequeno produtor não tem condições, exigindo uma empresa de porte que possa assumir sua implantação.

Dito isto, cabe ao povo brasileiro criar instrumentos operativos, com denoto e competência, para exercer sua vocação natural, essencial para garantir um futuro de tranqüilidade para a humanidade, somente possível com um Estado que represente com altivez e responsabilidade o seu povo. O mundo nos observa atento, surpreso e com grandes esperanças para um futuro em que o Brasil assuma a liderança devido a suas excepcionais vantagens comparativas naturais. Estamos porém sem esses instrumentos operativos que nos permitam arcar com tão grandes responsabilidades e possamos obter portanto enormes efeitos positivos nas áreas sociais, econômicas e ambientais

O Estado é a instituição que executa o projeto de um povo seguindo suas vocações, especialmente as naturais, de papel tão importante no futuro do Brasil e do mundo.

Daí a explicação para projeto em marcha dos povos hoje hegemônicos que desejam enfraquecer o Estado brasileiro pela transferência para o controle externo de suas principais instituições da área energética renovável e de seu território, setores estratégicos que comprometem a soberania nacional e a libertação do País de dependência estrangeira desnecessária.

Ademais, a produção de combustíveis vegetais quase sempre vem associada à produção adicional de energias alimentares com conteúdos protéicos, como a alimentação de animais a partir da folha da mandioca; a criação de gado e outros animais, nas micro usinas de álcool, alimentados com bagaço de cana de açúcar e vinhoto; as rações animais produzidas com os resíduos sólidos após a retirada dos óleos combustíveis de plantas oleaginosas, entre muitos outros exemplos.

Cabe-nos assim reagir a este equívoco, estruturando uma nova linha de produção energética, baseada no pequeno produtor rural, vítima de injustificada miséria, em grande quantidade, para responder a imensa demanda nacional e mundial provocada pela escassez de petróleo e seus preços ascendentes.

Ou seja, precisamos de um projeto nacional no campo estratégico das energias renováveis e limpas, devidamente aparelhado com eficientes instrumentos de ação e com poder e independência para redimir o nosso povo da miséria que o oprime e promover ponderável salto econômico do País, tendo por base excepcionais fatores comparativos naturais de produção.

Brasília, Agosto de 2007

José Walter Bautista Vidal
bautistav uol.com.br

Petrobrás destina US$ 1,5 bilhão a biocombustíveis

Enviado em Notícias, Biocombustíveis de Anderson Porto | 20 de Agosto de 2007 @ 14:18

DiárioNet

A Petrobrás vai investir US$ 1,5 bilhão em biocombustíveis até 2012. O objetivo é tornar e a companhia uma empresa global na comercialização e logística de biocombustíveis, liderando a produção nacional de biodiesel e ampliando a participação no negócio de etanol. O investimento representa crescimento de 25% em relação ao período que se encerra este ano.

A capacidade de processamento de biocombustíveis até 2012 está prevista em 1,6 milhão de metros cúbicos. A disponibilidade de biodiesel será de 938 milhões de metros cúbicos. Já a exportação de etanol, que em 2006 alcançou 80 mil metros cúbicos, deve saltar para 4,75 milhões.

Fonte: [ Maracaju News ]

Riqueza mineral

Enviado em Notícias, Pesquisas Científicas de Anderson Porto | 20 de Agosto de 2007 @ 14:16

Por Thiago Romero

materia2 boletim 7583 - Tipo de areia encontrada em abundância no Brasil vira base de composição mineral para fixar nutrientes em plantas e aumentar produtividade agrícola (foto: Embrapa Agrobiologia)
Agência FAPESP – Uma composição mineral, encontrada em abundância na bacia do rio Parnaíba, no Maranhão, poderá ser empregada para fixar nutrientes em plantas e ajudar pequenos e médios agricultores a aumentar a produtividade e reduzir custos.

Trata-se de uma composição zeolítica, formada principalmente por quartzo, argila esmectita e zeólita sedimentar. Zeólitas são minerais de um grupo abrangente de aluminossilicatos hidratados, geralmente com sódio, cálcio e potássio como elementos principais.

A composição foi analisada e aprimorada com a inclusão de fertilizantes e outros elementos químicos por pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O trabalho gerou um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Segundo um dos pesquisadores, Fernando de Souza Barros, professor emérito do Instituto de Física da UFRJ, o sedimento mineral zeolítico brasileiro tem as mesmas características dos materiais importados para a fabricação de fertilizantes, especialmente de Cuba e dos Estados Unidos.

“Esse tipo de areia zeolítica sedimentar, encontrada em abundância na bacia do rio Parnaíba, tem o mesmo efeito do material importado, mas, com um custo bem inferior”, disse Souza Barros à Agência FAPESP. “Com o pedido de patente, começamos a desmistificar a necessidade de importação desse material nobre extraído de jazidas vulcânicas.”

Além do baixo custo, que o pesquisador preferiu não precisar, uma vez que tais cálculos serão feitos pelas empresas que deverão comercializar os produtos formulados a partir da composição mineral, outra vantagem da areia zeolítica nacional é a fácil extração.

“Não é necessário fazer grandes buracos e nenhum tipo de mineração sofisticada para extraí-la. Temos uma área extremamente abrangente com esse sedimento. Só na bacia do Parnaíba são mais de 300 mil quilômetros quadrados”, disse o professor da UFRJ.

Testes confirmaram a eficácia do sedimento no cultivo de rosas. Conduzidos por pesquisadores da Embrapa Solos junto a floricultores de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, os estudos de campo mostraram que as hastes das flores cresceram, em média, 20% a mais.

“Nesse caso, chegamos ao extremo de não ter que fazer nenhum tratamento nas rosas. Simplesmente essa areia zeolítica foi jogada com outros fertilizantes ao redor das mudas e as plantas conseguiram absorver mais nutrientes do solo”, disse Souza Barros.

O projeto gerou mais de 20 artigos científicos sobre pesquisas com outras culturas, como tomate, alface e frutas cítricas. Por conta dos resultados positivos, as instituições envolvidas com a inovação iniciaram esforços para tornar a tecnologia disponível a produtores rurais.

“Estamos em busca de empresas brasileiras interessadas em explorar essa tecnologia, desde a extração sustentável do sedimento até seu beneficiamento em condições econômicas que sejam acessíveis também a pequenos agricultores. Estima-se que cerca de 40% dos custos da agroindústria brasileira estejam nos gastos com fertilizantes e nutrientes”, destacou Souza Barros.

Fonte: [ Agência FAPESP ]

Transgênicos contaminam lavouras de produtos orgânicos

Enviado em Notícias, Transgênicos de Anderson Porto | 20 de Agosto de 2007 @ 14:13

O Paraná possui cerca de 6,5 mil agricultores neste setor

AEN

Produtores de alimentos orgânicos no Paraná denunciam que seus cultivos estão sendo contaminados por lavouras transgênicas. O Estado possui cerca de 6,5 mil agricultores neste setor, maior número em todo o país e responsável por 28,5% da produção nacional. Os casos de contaminação vêm ocorrendo na região Oeste, onde predomina o plantio de soja geneticamente modificada.

O agricultor Sílvio Guerini, do município de Medianeira, é um exemplo. Toda sua produção de soja e milho orgânica deste ano foi contaminada durante o transporte das sementes. O resultado foi a desvalorização dos cultivos, que tiveram de ser vendidos como produção convencional. A carga do produtor, que renderia R$ 40,00 a saca, foi comercializada no mercado a R$ 28,00. O prejuízo só não foi maior porque a responsabilidade, neste caso, ficou com a empresa compradora.

Sílvio explica como sua produção foi contaminada: “A nossa propriedade está á margem de uma reserva natural, o Parque Nacional do Iguaçu. Nós tomamos todos os cuidados, compramos sementes com laudo de não-transgênica, tem uma barreira de 10 metros que divide com o vizinho. Por isso, a polinização foi descartada. Foi colhida amostra na lavoura e deu tudo negativo. Essa empresa que compra o produto também faz o frete, mas acabou contratando um caminhão de terceiros, que colheu antes em uma lavoura transgênica”, conta.

O agricultor Ademir Ferronato, também de Medianeira, passou por uma situação ainda pior. Ele teve de arcar com todos os custos da contaminação da sua soja orgânica, que ocorreu na colheita. As máquinas utilizadas pelo agricultor tiveram contato anterior com lavouras transgênicas. “Eu plantei soja em duas etapas. A soja da segunda etapa pegou a colheita dos transgênicos, que estão em volta. E essa máquina veio de uma área de soja transgênica. Embora tenha sido feita a limpeza da máquina como é exigido, não foi o suficiente para impedir a contaminação. Colhi a primeira etapa da soja 15 dias antes e não havia dado nada”, diz.

Ademir descobriu que sua soja estava contaminada quando os testes da empresa que certifica orgânicos acusaram mais de 0,1% de proteína transgênica no grão. O agricultor vendeu a semente, que era orgânica, como convencional, perdendo R$ 12,00 por saca. Ele ainda quase teve de pagar royalties.

Em maio, Ademir e a entidade ambientalista ASPTA foram para Brasília denunciar a contaminação na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Ele conta que alguns técnicos duvidaram da contaminação. “Eles ficaram meio sem jeito quando souberam que poderia ser da poeira. Eles achavam que poderia haver contaminação pelo gene e não através da proteína. Até eles não sabem direito”, afirma.

Os agricultores Sílvio e Ademir conseguiram a certificação das sementes há quatro anos, mas trabalham com agricultura orgânica há seis anos. Eles reclamam da falta de leis para amparar os produtores em casos de contaminação. Sílvio lamenta, ainda, que a contaminação de transgênicos possa inviabilizar a produção de grãos no sistema orgânico.

Para Sílvio, o governo brasileiro deveria proibir o uso dos grãos geneticamente modificados, já que atualmente existe tecnologia suficiente para produzir com sementes crioulas no país. “O problema é que estamos brigando com empresas com muito dinheiro e com muito poder. E aí você tem um órgão, que é a CTNBio, que é responsável por impor um controle, por exigir estudos para liberação, e isso não está acontecendo. Os integrantes da CTNBio são pessoas que têm interesses particulares na liberação dos transgênicos, dispensando qualquer estudo de impacto, de perda de biodiversidade”, diz.

Hoje, os dois agricultores se encontram totalmente descapitalizados. Com os prejuízos, Sílvio afirma que vai ser obrigado a abandonar o cultivo orgânico, até se restabelecer novamente. E Ademir, que possui uma propriedade de 28 hectares, diz que vai continuar trabalhando em sistemas orgânicos, com a produção de gado de leite e hortaliças para autoconsumo. No entanto, terá de diminuir a área de cultivos de soja orgânica para um terço da propriedade.

Para obter a certificação de produção orgânica, é necessário que o agricultor utilize adubos e sementes sem produtos químicos. O produtor também não pode plantar perto de lavouras transgênicas, já que a certificação é avaliada desde o tratamento dado a terra.

Fonte: [ Bem Paraná ]