Nascimento de criança é representado com plantio de árvore
A ação do homem no meio ambiente nos últimos anos acarretou inúmeros problemas, ocasionando o aquecimento global, hoje, o tema mais discutido entre toda a população. Para evitar que a situação se agrave, muitas pessoas começaram a “fazer a sua parte”, promovendo iniciativas, como da síndica Clemilde Odete Cardoso Rodrigues, que plantou uma árvore em homenagem ao nascimento do seu neto e trabalha para a preservação do meio ambiente.
A iniciativa de Odete é um trabalho que tem sido feito individualmente por pessoas de todo o País, que através do plantio de uma árvore, simbolizam datas especiais e colaboram para o reflorestamento. Odete contou que leu em algumas revistas, histórias de pessoas que plantaram árvores em homenagem a diversas datas especiais e o relato de moradores de uma cidade em que o vereador instituiu uma lei que obriga o plantio de alguma espécie para cada nascimento.
“Quando eu li que existem pessoas que estão se preocupando com o meio ambiente e começando a tomar iniciativa, eu também quis fazer o mesmo. Existem casos de pessoas que viajam de avião e ao chegar em algum lugar, também costumam plantar uma árvore, por isso eu também quis fazer a minha parte”, contou. A reportagem da Gazeta acompanhou o plantio da manacá, uma pequena árvore de 8 a 15m de altura no condomínio Mário de Souza Queiroz, no Jardim Santana.
O homenageado, o neto João Pedro, participou do plantio, com apenas quatro meses de vida. “Eu quis que ele e os seus pais, Pablo e Patrícia também participassem pois eles acompanharão o crescimento do João e da sua árvore. Se todos se conscientizassem, deixariam de criticar as folhas que caem e as calçadas quebradas e parariam de pedir para cortar as árvores, pois elas são a única solução para amenizar o aquecimento global”, defendeu.
Para Odete, a luta pela preservação do meio ambiente deve começar dentro de cada residência, por isso o condomínio está repleto de árvores e flores de diversas espécies. A iniciativa de Odete foi tomada pela sub-síndica Vânia Pavanelli, há mais de 20 anos. “Quando meu primeiro filho nasceu, eu ganhei uma azaléia do meu marido e plantei em frente de casa, simbolizando o seu nascimento. Hoje ele está com 23 anos e ao lado de sua azaléia está outra, que simboliza o nascimento do outro filho, hoje com 19. Eu tive esta iniciativa quando não se falava sobre meio ambiente e incentivo a todos a fazer o mesmo”, declarou. (SA)
Fonte: [ Gazeta de LImeira ]
Artista da paisagem
Ligado à arquitetura de Oscar Niemeyer, o paisagista Burle Marx descobriu a flora brasileira, criou novas linguagem e influenciou o mundo

“Ele era um paisagista que era artista ou era um artista também paisagista?”, pergunta, brincando, Ricardo Bezerra, para responder, ele próprio: “Burle Marx mantinha os dois lados em alto nível. Era o único profissional capaz de fazer um paisagismo completo, incluindo esculturas, painéis, mobiliário. E foi uma pessoa humana de uma exuberância total. O sítio Santo Antônio da Bica, que ele doou ao governo, mostra o desprendimento dele. O quarto em que ele dormia, modesto, simples, quase monástico. Mas a casa, cheia de arte popular, arte contemporânea, esculturas barrocas, troncos petrificados. Além da coleção de plantas”. O sítio, em Barra de Guaratiba, no Rio, é administrado pelo Iphan.
Amor à flora nativa, mas sem preconceito, como explica Ricardo Bezerra. “Ele não tinha nenhum xenofobismo. Viajou o Brasil e o mundo. Juntava plantas que dialogassem entre si. Descobriu novas espécies e mesmo gêneros novos de plantas”, diz. Burle Marx catalogou 46 novas plantas e algumas delas levam seu nome, a exemplo da Calathea burle-marxii, precedente de Cáceres, Mato Grosso do Sul. ou a Orthophytum burle-marxii, originária da Bahia e cultivada no sítio Santo Antônio da Bica (hoje em dia, sítio Burle Marx, um centro de pesquisa botânica e espaço de arte). Um dos mais belos espécimes amazônicos, árvore de grande porte conhecida como abricó-de-macaco, pode ser encontrada em todo o país, “plantada” por Burle Marx. Em Fortaleza, elas embelezam a praça da Imprensa, na Antônio Sales, e a avenida Jovita Feitosa - próximo à igreja Redonda. Mas também foi ele o responsável pela introdução do minilacre no Brasil, esta touceira tão em moda, em tudo que é condomínio. “Ninguém é perfeito”, brinca Bezerra.
“Burle Marx criava o desenho da vegetação, levava em conta a arquitetura das plantas, com muita liberdade de expressão”, pontua Ricardo Bezerra. Mas, aonde está o verde de Burle Marx em Fortaleza, além dos jardins do TJA? Bezerra enumera alguns pontos: a casa de Benedito Macedo, a de José Carlos Pontes e Denise, a residência de Pio Rodrigues, os jardins da Vicunha do Nordeste, em Maracanaú, a sede do BNB no Passaré, o Centro Empresarial Clóvis Rolim, a Receita Federal, e outros projetos “que a gente nem tem idéia”, diz ele, a exemplo das avenidas Aguanambi, Leste Oeste e José Bastos. “Nada foi plantado. Mas está listado nos arquivos do Escritório Burle Marx”.
Sobre o Laboratório da Paisagem, que reúne pesquisadores da UFC, Unifor e UFPe, a professora Fernanda Rocha diz que tudo começou em Recife, “numa proposta da professora Ana Rita Sá Carneiro, responsável pelo restauro de três praças criadas por Roberto Burle Marx na cidade. Num encontro com ela, em junho, falamos do número de projetos dele aqui em Fortaleza. Daí veio a idéia de que nós concretizássemos uma rede. A idéia do Laboratório é fazer o levantamento dos trabalhos de Burle Marx aqui, para disponibilizar estas informações. Sem conhecimento, não há valorização”, sintetiza Fernanda Rocha, que conclui dizendo que o Laboratório da Paisagem também vai desenvolver atividades voltadas para o verde em Fortaleza, “que a gente considera muito carente. Nosso objetivo é pretensioso. Queremos semear a idéia de que a cidade precisa cuidar do seu verde”. Quem for ao TJA, além deste passeio ao jardim, da conferência e da exposição temática, ainda vai curtir o piano de Ricardo Bezerra (autor, em parceria com Fagner, da emblemática Manera, Fru Fru, Manera). (Eleuda de Carvalho)
SERVIÇO
Um Lugar Onde a Vida Acontece: os jardins do TJA e Roberto Burle Marx - neste sábado, a partir das 15h, com visita guiada pelos professores Ricardo Bezerra (UFC) e Fernanda Rocha (Unifor). Às 17h, no foyer, conferência Roberto Burle Marx e os jardins do Recife, com a professora Ana Rita Sá Carneiro (UFPe). Em seguida, lançamento do Laboratório da Paisagem (UFC, Unifor, UFPe), com mediação dos arquitetos Chico Veloso (Iphan) e Nícia Bormann. Às 20h, na galeria Ramos Cotôco, abertura da instalação ViVer o Verde da Cidade, ViVer o Verde na Cidade: esboços sobre vida e obra de Roberto Burle Marx a partir do jardim do TJA (em cartaz até 30 de setembro, com visitação gratuita de terça a sexta, de 8h às 17h, e sábados e domingos, de 13h às 17h). O TJA fica na praça José de Alencar, s/n - Centro. Inf.: 3101.2567 e 3101.2603.
E-mais
Infância
Roberto Burle Marx nasceu em São Paulo, no dia 4 de agosto de 1909, e morreu no Rio de Janeiro, em 4 de junho de 1994. O artista plástico, arquiteto, tapeceiro e, principalmente, paisagista foi o quarto filho de Cecília Burle (pernambucana) e de Wilhelm Marx, judeu-alemão, nascido em Stuttgart e criado em Trier (cidade natal de Karl Marx, primo de seu avô). O interesse de Roberto pelas plantas começa na infância, no jardim cultivado por sua mãe, repleto de rosas, begônias, antúrios, gladíolos, tinhorões e muitas outras espécies.
No Nordeste
Em 1928, a família passa uma temporada na Alemanha - onde Roberto se tratou de um problema nos olhos. Lá, teve contato com as vanguardas estéticas. Em uma visita ao jardim botânico de Berlim, encantou-se com uma estufa de plantas exóticas: era a flora brasileira. Na década de 30, ele viveu em Pernambuco. Foi diretor do Departamento de Parques e Jardins do Recife, tendo criado o paisagismo da praça do bairro de Casa Forte (que ele projetou em 1935, com espécimes da floresta amazônica), e da praça Euclides da Cunha, na Madalena, com plantas da caatinga.
Influências
Voltando a residir no Rio, em 1937, torna-se aluno do artista plástico Cândido Portinari e do poeta modernista, pensador e músico Mário de Andrade. Uma das paixões de Burle Marx era a música. Ele gostava de cantar árias de óperas para seus amigos. Em 1941, realiza a primeira individual de pintura. Expõe no Salão Nacional de Belas Artes, na década de 40, e participa da Bienal de Veneza, em 1950, 1970 e 1978, além de várias edições da Bienal Internacional de São Paulo.
Guaratiba
No final dos anos 40, Burle Marx compra o sítio Santo Antônio da Bica, em Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, uma antiga fazenda de café do século XVII. Restaurou a edificação e começou a trazer para lá sua formidável coleção de plantas, iniciada quando ele tinha seis anos de idade. Em 1973, mudou-se definitivamente do bairro de Laranjeiras para o sítio, onde viveu até sua morte, em 1994. Em 1985, ele doou a propriedade ao governo brasileiro (hoje, administrada pelo Iphan). Além do jardim botânico, o sítio - agora chamado Burle Marx - possui a inestimável coleção de arte que ele juntou por toda a vida. O restante de seus bens, Roberto Burle Marx doou aos seus funcionários.
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* 11/08/2007 02:11:42 - O jardim de Burle Marx
Fonte: [ Jornal O Povo ]






