Herbário Central da UFMT inaugura estufa equipada para pesquisa da flora

Enviado em Notícias, Pesquisas Científicas de Anderson Porto | 3 de Agosto de 2007 @ 15:58

Um novo espaço para a preservação da cosmopolita flora mato-grossense será inaugurado amanhã, sexta-feira (03/08), às 08:30, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Trata-se do Orquidário do Jardim de Biodiversidade do Herbário Central da UFMT, uma estufa nova que, além de abrigar de forma segura espécies raras de orquídeas, abre espaço para a pesquisa científica. “O Herbário é uma biblioteca diferente. Você não pesquisa em livros, mas numa mostra de vida”, diz a técnica responsável pelo orquidário Adarilda Petini Benelli.

A nova é um anexo do Centro de Biodiversidade – projeto já aprovado cujas construções se iniciam ainda este ano. O diferencial dela é a estrutura: irrigação automatizada, área protegida contra insetos e animais, controle da umidade, da quantidade de luz e da temperatura. “Ela possui uma alumitela, que é uma tela de alumínio com fios de nylon que reduz em até 30% o calor dentro da estufa. Ela é específica para as orquídeas”, informa Adarilda.

Esta estrutura possibilita a conservação ex situ – que se refere às plantas que não estão no seu habitat natural. Um exemplo é a Alatiglossum culuenense, que foi coletada pelo projeto e que não havia sido descrita – ou seja, não era conhecida pelo meio científico. Segundo Adarilda trata-se de um caso de endemismo, termo da biologia que se refere às plantas e animais que se desenvolvem numa região muito restrita. “Ela é um dos bens mais preciosos do orquidário”, diz a pesquisadora.

A nova estufa é o resultado da parceria entre o Herbário – via Pró-Reitoria de Pesquisa (Propeq) e Fundação de Apoio e Desenvolvimento da Universidade Federal de Mato Grosso (Uniselva) – e a Atiaia Energia S/A, sendo esta a financiadora do projeto. O objetivo do projeto foi a conservação da flora epífita da região próxima às pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) de Garganta da Jararaca (Campo Novo dos Parecis), Canoa Quebrada (Lucas do Rio Verde) e Paranatinga 2 (divisa entre Campinápolis e Paranatinga).

Como é sabido, tais construções causam certo impacto no ambiente, e a iniciativa coordenada por Adarilda visou justamente evitar o extravio da flora do local. O resgate das plantas começou em setembro de 2006 e foi concluído este ano. A equipe trouxe além da inédita Alatiglossum culuenense, a Cattleya nobilior, que se encontra ameaçada se extinção segundo a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES, em inglês), também conhecida por Convenção de Washington.

Afora as espécies de orquídeas, a estufa abriga cactos e bromélias de Mato Grosso. Assim, a comunidade acadêmica ganha um espaço novo para a pesquisa e para aulas práticas, por exemplo, de educação ambiental. Vale lembrar ainda que o Herbário da UFMT possui cerca de 12 mil mudas e 30 mil exsicatas – plantas desidratadas usadas para estudo científico. Há espécies nativas, de outros estados do país e até da Suíça, todas obtidas através de doações de instituições de ensino e pesquisa.

Fonte: [ Redação 24HorasNews ]