Empreendimentos florestais movimentam R$ 2,5 bilhões por ano

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 18 de Julho de 2007 @ 09:32

Movimentação econômica é fruto do manejo florestal comunitário adotado em florestas do mundo todo

RENATA BRASILEIRO

O diretor da Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO), Manoel Sobral Filho, convocou a imprensa acreana na manhã de ontem para divulgar um relatório que mostra que os empreendimentos florestais comunitários representam um negócio “invisível” de R$ 2,5 bilhões.

O montante é muito mais do que os governos investem diretamente na conservação da floresta, mas nem por isso é tido como merecedor de destaque em diversos lugares do mundo. Tanto que alguns países ainda adotam o sistema de Manejo Florestal Comunitário como segundo plano, o que de forma óbvia, é o mesmo que colocar as florestas tropicais em risco, segundo Sobral.

“É difícil fazer com que países de culturas diferentes adotem um mesmo modelo de manejo. E esse é o nosso grande desafio quando decidimos fazer esta conferência aqui no Acre, pois acreditamos que com a participação de 41 países, todos relatando suas experiências, ficará mais fácil abordar o que vem a ser o manejo florestal comunitário e qual as suas vantagens”, declarou o diretor do ITTO.

No relatório encomendado pela organização, é destacado ainda que 110 milhões de pessoas no mundo inteiro estão empregadas em empreendimentos florestais comunitários. A atividade além de gerar emprego é a garantia de exploração de madeira de forma sustentável, que não se limita a atividades afins, como a coleta de bambu, palha, fibras, resinas, ervas medicinais, mel, madeira para carvão e outros produtos madeireiros e não madeireiros.

Na Tanzânia (localizado na África Oriental), por exemplo, há uma experiência de sucesso com a exploração racional da fauna. Lá, os manejadores tiveram a idéia de criar borboletas, incentivando a sua produção. A atividade tem surtido grandes efeitos econômicos, e pessoas de diversos lugares do planeta, principalmente colecionadores, se interessam pela especiaria.

Diante dos fatos, a conclusão que o relatório traz é que as lideranças envolvidas com o manejo florestal comunitário devem requerer ação governamental para estabelecer os direitos em relação aos recursos naturais para os empreendimentos, bem como oferecer carga menor de impostos e por mais flexibilidade no modo como as regras são aplicadas.

“Os acreanos já têm a grande sorte de o seu governo não precisar ser convencido para adotar este modelo, pois há muitos anos o manejo florestal comunitário é utilizado aqui, sendo, inclusive, referência para o mundo todo”, completou o diretor.

Fonte: [ Página 20 ]