Xaxim pode ser medicamento para a asma
Até parece história de ficção. O filho não conformado com a morte do pai por complicações pulmonares decorrentes da asma, decidiu dedicar sua vida a encontrar a cura para a doença.

“Em função da morte dele, eu questionei minha mãe sobre porque de ela não ter tratado meu pai. Ai ela me falou q não havia medicamento para controlar essa doença”, recorda Elzo Ferreira, hoje acadêmico de Farmácia da Universidade Tuiuti. “Eu resolvi conferir o que ele falou, e vem a Curitiba fazer uma busca no mercado farmacêutico, mas me falaram que realmente não existia medicamento capaz de neutralizar essa inflação das vias respiratórias. Ai como eu sou da área de administração, resolvi escrever um projeto para desenvolver um medicamento que neutralizasse a ação dessa doença. Então fui conversar com professores, e eles acharam que eu deveria ir á procura de uma planta, ao invés de uma droga sintética, que em tempo, direito e equipamentos sofisticadíssimos”, conta.
Foi ai que Ferreira empreendeu sua busca. Proveniente na Flor da Serra do sul, sudoeste do Paraná (519 km de Curitiba), região onde o pai ganhara a vida cortando xaxim para vender a indústria de artefatos e ornamentos “naquele tempo era permitido”. Ferreira recorreu a um descendente indígena. “Ele informou que todos os índios utilizavam o xaxim para solucionar os problemas de doenças respiratórias na aldeia”. Como por ironia, Ferreira descobriu que o pai esteve o tempo todo com uma alternativa para a solução do seu problema nas mãos. “Por incrível que pareça meu pai morreu com a doença, e cortando a planta que talvez pudesse lhe dar mais longevidade, mas infelizmente isso não aconteceu”, lamenta.
Era 1997. Decidido, Ferreira buscou parcerias para pesquisar o xaxim da espécie Dicksonia sellowiana, resultando num fitoterápico possivelmente eficaz na inibição da asma. Para chegar nesse resultado, cinco instituições de pesquisa públicas e privadas do Brasil, especialmente a Universidade Federal o Paraná (UFPR), investiram na pesquisa. Segundo a professora Marilis Dallami, Miguel do curso de farmácia da UFPR, Ferreira chegou com uma proposta de estudo ao laboratório de farmacotécnica e foi encaminhado aos pesquisadores.
Como idealizador do projeto, Elzo Ferreira ainda continua em sua liderança.
Duplo desafio
A pesquisa é multidisciplinar.
Enquanto profissionais o departamento de farmácia trabalham nos teste de fármaco-quimico, o setor de Ciências Agrárias estuda as melhores formas de produzir a planta em série, já que a espécie utilizada sofre riscos de extinção. “No começo tudo isso me gerou uma certa emoção, mas depois vieram algumas decepções, quando vimos que a planta estava ameaçada de extinção, e que não tinha nenhum protocolo de produção de mudas em escala. Então tivemos que fazer o projetos chamado ecologicamente correto, onde um braço foi desenvolver a parte ambiental, com a produção, germinação de esporos e produção das mudas em escala para garantir a matéria-prima por meio do plantio e outro braço foi tocar a pesquisa medico-cientifica, examinando as atividades terapêuticas da planta”.
Segundo o professor de Plantas Medicinais, Luiz Antônio Biasi, a Dicksonia sellowiana é uma espécie de desenvolvimento lento. “Estamos há um ano germinando esporos que permitem o crescimento das plantas que serão levadas para o campo em março de 2006”, diz. De acordo com o professor, as mudas serão levadas da casa de vegetação para o Centro de Estações experimentais do Canguiri, pertencentes à UFPR. A intenção é transformar parte da área em um centro de produção de xaxim.
A Pesquisa
Nos estudos pré-clínicos, a inibição da inflamação alcançou 93,6% de êxito nos camundongos, enquanto 90,3% tiveram respostas satisfatórias para a dor neurogênica, que são as duas manifestações primárias e mais criticas da asma. Também constada toxicidade nem letalidade. Alem disso, a substância se apresentou como antiinflamatório, antibiótico e analgésico eficazes. Os resultados dos testes foram apresentados em um congresso farmacêutico em dezembro de 2004 em Bruxelas, na Bélgica. “A vantagem em relação ao que já existe hoje no mercado é que o medicamento proveniente do xaxim proporciona um tratamento de curta duração com um prazo máximo de 180 dias à pessoa não sofre efeitos colaterais, as dosagens de até 600 mg, quando aplicadas nos animais não produziram nenhum efeito adverso”, explica Ferreira.
Já com a fase pré-clinica concluída, a pesquisa estendeu-se para 1.600 voluntários brasileiros, norte americanos, europeus e japoneses, que receberam as cápsulas de onde se obteve 98,5% de êxito, com aplicação de dosagem de 3mg. “A vantagem é que a substancia não gera dependência, fora o baixo custo que tem o fototerápico”, destaca. “Agora estamos em conversação com alguns hospitais para desenvolver um protocolo padrão, da forma mais completa possível”, conta. A fase de estudos clínicos, que devera estar concluída ainda este ano, terá a participação de hospitais do Brasil e exterior para realizarem os estudos clínicos.
Elzo Ferreira, acadêmico de Farmácia: Eu me sinto pequeno no meu do projeto…
Ainda não se sabe exatamente quanto tempo vai demorar, numa media de 4 ou 8 meses, mas a intenção dos pesquisadores é concluir os estudos ainda neste ano.
De acordo com dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), A asma acomete cerca de 10% da população mundial. No Brasil, estima-se que 18 milhões de pessoas tenham a doença sendo que mais da metade delas não se trata como deveria e menos de 3% dos casos são controlados. No Sistema Único de Saúde, a asma é a responsável por 350 mil internações hospitalares por ano.
Perspectivas
De acordo com Elzo Ferreira, a Dicksonia Sellowiana abre possibilidades de trabalho para mais 20 anos. “Na verdade já conseguimos identificar a ação da planta em seis doenças”. Ele foi convidado pelo Ministério da Saúde (MS) para participar da mesa que descutira as “política alternativas de tratamento da humanidade”, no evento que acontecerá no mês que vem em Curitiba promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O Ministério da saúde já demonstrou interesse em explorar a patente, onde produzira o medicamento no instituto de tecnologia em fármacos – far-Manguinhos para abastecimento de Sistema Único de Saúde e também para exportá-lo a outros paises. “Eu me sinto pequeno no meio do projeto, tenho me surpreendido com o sucesso”, revela.
Após os primeiros resultados da pesquisa, Ferreira viajou para 10 paises diferentes. “Já recebi convites para trabalhar como pesquisador em outros lugares, mas eu não penso em sair do Brasil. Tem pessoas que fazem isso estudam a vida toda as custa de seu pais, e na hora em que podem dar um retorno saem e trabalham vendendo uma tecnologia que muitas vezes nasceu no Brasil, mas que o pais acaba tendo que importar, o que é um absurdo. Eu não penso em sair do Brasil.
Fonte: [ Star Pharma ]
Bambu poderia servir de salvação para o planeta
09/07/2007

O bambu trabalha muito bem na retenção de dióxido de carbono e produção de oxigênio. É uma planta resistente que produz seus próprios compostos antibacterianos e pode prosperar sem pesticidas. E suas fibras porosas podem ser usadas na produção de um tecido poroso e suave como a seda. De fato, os fabricantes de tecidos do Japão e da China estão envolvidos em tamanha corrida por bambu que, em sua edição de maio, a revista National Geographic previu que “esse tecido recentemente desenvolvimento pode um dia competir com o rei Algodão” (nos mercados chinês e japonês o bambu é explorado em plantações comerciais).
No entanto, enquanto a demanda mundial aumenta cada vez mais, a oferta de bambu escasseia. Planta que em geral floresce apenas uma vez a cada 60 ou 120 anos e depois morre, sua propagação por meio de sementes é difícil. E cultivar bambu por enxertos de plantas existentes é notoriamente complicado. Assim, quando Jackie Heinricher e Randy Burr descobriram como produzir bambu em tubos de ensaio - vendendo as primeiras duas mil plantas a centros locais de jardinagem no vale de Skagit, no Estado de Washington- o efeito no mundo da horticultura foi intenso.
“É engraçado, porque o bambu tem essa reputação de conquistador do universo, mas é uma das plantas mais difíceis de gerar”, disse a bióloga Heinricher em uma tarde de começo de junho, no centro de produção de sua empresa, a Boo-Shoot Gardens, em Mount Vernon, cidade localizada cerca de duas horas ao norte de Seattle. Heinricher, para quem o bambu foi uma constante na infância - seu pai tinha bambus dourados plantados em torno da casa da família em Olympia, Washington - começou seu esforço de propagação da planta no final dos anos 90, em uma pequena estufa instalada em sua casa, na vizinha Anacortes.
“Interessei-me pelos bambus não invasivos desde o começo, sabendo que são muito belos mas impossíveis de produzir”, ela afirmou. Heinricher logo descobriu até que ponto esse processo era difícil, ao retirar mudas de muitas de suas plantas raras e perceber que grande proporção das amostras terminava morta. Por isso, persuadir Burr, proprietário da B&B Laboratories, uma empresa local, a ajudá-la. Burr e sua empresa estão no mercado há quase 30 anos, com um laboratório de cultura de tecidos com 1,2 mil metros quadrados e 3,5 mil metros quadrados de estufas.
A B&B produz plantas as mais variadas, de rododendros a couves-flor, e descobriu como produzir mudas de samambaias de Boston em estufa, em 1973, para um viveiro de plantas em Oxnard, Califórnia, além de ter desenvolvido métodos para produzir milhares de outras plantas. “O bambu foi o mais difícil”, disse Burr, relembrando os oito anos de experiências com as mais diferentes combinações de variáveis, a fim de conseguir a regeneração de bambu em um tubo de ensaio. Quando pergunto que método enfim funcionou, Burr me olha, risonho, e diz: “Teríamos de eliminar você se contássemos”.
Os diferentes tipos de bambu variam de versões frágeis como a Fargesiae murieliae, dotada de folhagem verde ervilha que chora como a dos salgueiros, a plantas verdadeiramente heróicas em sua força, como a Phyllostachys edulis, cujas robustas hastes verde-oliva podem crescer 23 m em uma única temporada.
As fibras de bambu são recurso renovável para tecidos, comida e papel. E plantações experimentais financiadas pelo Departamento da Agricultura no Alabama, entre 1933 e 1965, demonstraram a promessa do bambu para o papel e outros derivados de madeira. O bambu gera 35 t de madeira por hectare, ante 20 para o pinho, uma das maiores fontes de madeira para uso comercial nos Estados Unidos. Muitas dessas plantas podem agora ser produzidas em vasta escala, o que é revolucionário para o setor de jardinagem. Países como a Bélgica exploraram a cultura de tecidos de bambu, mas a Boo-Shoots parece estar liderando o mercado mundial.
“Acredito que Jackie seja a primeira cientista norte-americana a ter descoberto como produzir bambu a partir de tecidos em cultura”, disse Nicholas Staddon, diretor de introdução de plantas do Monrovia, um viveiro de plantas que opera no atacado em cinco locais dos Estados Unidos. “O método dela fez diferença significativa para a maneira pela qual levamos plantas ao mercado”.
Em um passeio pelas fileiras de bambus plantados por sua companhia, Heinricher me disse que “sempre me senti fascinada pelo bambu, especialmente as variedades conhecidas como madeira, com suas hastes gigantescas, douradas, negras ou listradas, e alturas de seis a 35 m. Mas eu tinha medo de cultivá-las, pensando naquelas histórias assustadoras sobre bambus que invadem o gramado dos vizinhos”.
Mas Heinricher agora está determinada a ensinar as pessoas a escolher as plantas certas, e a manter sob controle até mesmo as variedade de mais vigoroso crescimento. (O panfleto que ela escreveu, “Discovering Bamboo”, disponível em booshootgardens.com, descreve como cultivar e manter bambus.)
Fonte: [Tradução] Paulo Eduardo Migliacci ME
The New York Times
Disponível online em: [ PMA ]
“Marijuana, a medicina proibida” analisa propriedades terapêuticas daquela droga
Um fármaco seguro e versátil

Paula Alexandra Almeida
A Esfera dos Livros acaba de lançar uma segunda edição, revista e aumentada, da obra «Marijuana, a medicina proibida», da autoria de Lester Grinspoon e James B. Bakalar. O livro defende o uso da cannabis com fins terapêuticos e apresenta casos de sucesso.
Segundo Lester Grinspoon, nos últimos anos “tornou-se claro que a cannabis é um medicamento seguro e notavelmente versátil”. Daí que esta edição da obra desenvolva mais a fundo “a análise científica e sociopolítica das perspectivas de aceitação da marijuana pela Medicina”.
O livro inclui várias histórias de pessoas que utilizaram a marijuana com objectivos terapêuticos, obtendo resultados positivos: uma mulher com esclerose múltipla, por exemplo, afirma que a marijuana não lhe aliviava apenas os espasmos musculares, mas que também lhe conferia um grau de controlo da bexiga que lhe garantiu uma renovada liberdade social.
Apesar da ilegalidade e do preconceito associados ao consumo daquela substância, Lester Grinspoon reconhece que um grande número de norte-americanos usa cannabis com alguma regularidade, a maior parte deles acreditando que ela melhora as suas vidas: “um tema raramente discutido na imprensa”.
O autor assegura que, em mais de duas décadas de pesquisa, leu “muito sobre a potencial nocividade da cannabis, sobretudo disparates, e muito pouco sobre o seu valor. Embora ele tenha vários aspectos, o uso clínico é um dos mais importantes e dos mais negligenciados. Cheguei à conclusão de que, se qualquer substância tivesse revelado potencialidades terapêuticas semelhantes, de par com um registo de segurança similar, os profissionais e o público teriam mostrado muito mais interesse nela”, disse.
Lester Grinspoon é médico e professor na Harvard Medical School, e James B. Bakalar é sub-editor da Harvard Mental Health Letter e lecciona matérias jurídicas no departamento de Psiquiatria da escola. Ambos editaram uma primeira versão desta obra, intitulada «Marijuana reconsidered», em 1971.
Fonte: [ O Primeiro de Janeiro ]
Óleo de cozinha pode virar sabão ou biodiesel
O óleo vegetal de cozinha, um dos produtos mais comuns da cozinha, pode causar sérios danos ao meio ambiente se não for jogado fora de forma correta. Colocá-lo em recipientes bem fechados ou doá-lo para instituições que o destinam para reciclagem pode ser uma boa saída, sugere o engenheiro químico consultor da organização não governamental Vale Verde, Edson Fujita.
“A transformação dele em sabão é algo bastante recomendável. Se as pessoas fizerem isso vai haver uma diminuição significativa desse poluente ao meio ambiente. É um processo simples que exige algum cuidado, porque tem que lidar com produtos químicos. Além do que, existe também a intenção da transformação do óleo de cozinha em biodiesel”.
A cooperativa carioca Disque Óleo, por exemplo, recolhe o produto utilizado por donas de casa e restaurantes para vender para fábricas de sabão e biodiesel.
O coordenador da cooperativa, Lucinaldo Francisco da Silva, o Caio, explicou que o trabalho é feito de forma simples. “A idéia surgiu baseada no fato de preservação ambiental e geração de emprego para pessoas de baixa renda. É um trabalho simples a gente recolhe o óleo em domicílio”.
“Óleo que recebemos passa por um processo de limpeza e reciclagem. Depois ele é enviado para uma fábrica de sabão ou de biodiesel. O que sobra nós enviamos para uma usina de tratamento para voltar ao meio ambiente sem poluir”, acrescenta.
Jogar diretamente no solo é a pior das opções, diz Fujita. “Existe uma dificuldade do óleo ser absorvido pelas plantas, animais ou pelo sistema. Ele forma uma película na água e isso impede a entrada de oxigênio e luz. Com isso, diminui a capacidade dos seres metabolizarem bem esses poluentes”, explica.
Fujita ainda diz que, nos solos, o óleo vegetal pode afetar as plantas. “Ele impede um bom processo do metabolismo das bactérias e outros tipos de microorganismos que fazem a deterioração das substâncias orgânicas que viram nutrientes para o solo. Se o óleo for jogado na terra, ele vai ser consumido pelas plantas como se fosse uma matéria orgânica, como um adubo”.
Jogá-lo pela privada ou no ralo também pode não ser uma boa idéia. “O óleo pode entupir tubulação. Quando se usa soda cáustica para tentar desobstruir, ele saponifica e gera uma série de transtornos”, acrescenta.
Da Agência Brasil
Fonte: [ Pernambuco.com ]






