Estudo aponta impactos causados por transgênicos em seres vivos
Por Adital [19/6/2007]
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTBio) deve votar, ainda nesta semana, a liberação de um milho transgênico da multinacional Monsanto, o milho MON810. Na semana passada, foi divulgado um segundo estudo que aponta os impactos dos milhos modificados da Monsanto em seres vivos. Os movimentos sociais e ecológicos se manifestam contra essas liberações.
O estudo, desenvolvido pelo instituto de pesquisa Criigen, da França, apontou que as cobaias alimentadas com o produto apresentaram 60 diferenças em relação às cobaias alimentadas com milho convencional em seus órgãos internos. Houve alteração nos tamanhos de rins, cérebro, fígado e coração, além de mudança de peso, de ratos alimentados com milho transgênico por 90 dias, o que poderia significar sinais de intoxicação. O milho transgênico da Monsanto estudado, conhecido como NK603, tolerante a um herbicida produzido pela própria empresa, já é comercializado na Europa.
Um outro estudo, publicado em março pela Archives of Environmental Contamination and Toxicology (Arquivos de Contaminação Ambiental e Toxicologia), encontrou evidências similares de danos hepáticos causados pelo milho MON863, também liberado na Europa. Foi a primeira vez que um produto geneticamente modificado, liberado para o consumo humano e de animais, apresentou sinais de ter provocado efeitos tóxicos em órgãos internos de seres vivos.
Nenhuma dessas duas variedades estão liberadas para comercialização no Brasil. A Monsanto já pediu a liberação da variedade NK603 à CTNBio, que ainda não aprovou. As deliberações da CTNBio freqüentemente causam discórdias, não só entre os movimentos sociais mas também entre seus membros. Em maio, uma das integrantes titulares da Comissão, Lia Giraldo da Silva Augusto, pediu afastamento do conselho por não concordar com os procedimentos do órgão. O caso da aprovação da comercialização do milho transgênico da Bayer foi o estopim.
Na carta de desligamento da especialista, que é pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e docente do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, a insatisfação fica evidente. Uma das críticas à comissão é sobre sua formação: “A CTNBio está constituída por pessoas com título de doutorado, a maioria especialistas em biotecnologia e interessados diretamente no seu desenvolvimento. Há poucos especialistas em biossegurança, capazes de avaliar riscos para a saúde e para o meio ambiente”.
Segundo a pesquisadora, na prática cotidiana da CTNBio, os votos são pré-concebidos e são realizadas “artimanhas obscurantistas” para as questões de biossegurança serem consideradas como dificuldades ao avanço da biotecnologia. “A razão colocada em jogo na CTNBio é a racionalidade do mercado e que está protegida por uma racionalidade científica da certeza cartesiana, onde a fragmentação do conhecimento dominado por diversos técnicos com título de doutor, impede a priorização da biossegurança e a perspectiva da tecnologia em favor da qualidade da vida, da saúde e do meio ambiente”, denuncia.
Um dos princípios da carta divulgada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na ocasião do término do 5° Congresso do MST, engrossa o coro dos que criticam a liberalização de transgênicos no Brasil. O MST participou de um abaixo-assinado contra a aprovação do cultivo e comercialização de sementes de milho transgênico pela CNTBio, O documento integra assinaturas de ambientalistas e deputados e será entregue à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. O conselho ministerial presidido por Dilma ainda pode vetar o uso das sementes transgênicas.
(com informações do Greenpeace)
Fonte: [ Revista Fórum ]
Plantar árvores não deve amenizar a consciência
Alan Meguerditchian

“Até 2006, a mídia mal falava sobre os problemas do aquecimento global. Após o relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), começaram a publicar mensagens apocalípticas. Só com a expansão do nível de consciência poderemos resolver o problema de forma definitiva. Ao contrário, continuaremos transmitindo às pessoas que consumo consciente é consumir menos”.
As duras críticas sobre como o aquecimento é combatido e como ele é tratado pela mídia brasileira é do superintendente de desenvolvimento sustentável do Núcleo do Futuro, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Giovanni Barontini.
Segundo a avaliação, muito se fala sobre o efeito estufa, principalmente depois do relatório da ONU, mas de uma maneira que não colabora para a resolução do problema. “Temos como métrica, avaliar a poluição em relação ao seu impacto sobre a riqueza produzida. Devemos repensar isso. As empresas continuam emitindo gases de efeito estufa, com a única diferença que passaram a plantam árvores. Isso não faz nenhum sentido. É necessário haver esforços para alterar os padrões de conduta e de consumo e os níveis de poluição”, diz Barontini.
Nesse mesmo sentido segue o pensamento do ambientalista, Fábio Feldman. “O problema não se resume em plantar uma árvore e amenizar a consciência”, diz. O ex-deputado federal - autor de leis como a do rodízio de veículos na região metropolitana de São Paulo -, se refere a empresas que não mudam suas práticas, mas para aparecer bem socialmente, plantam árvores ou dizem que o fazem. “O ideal seria que as empresas estabelecessem metas e mostrassem à opinião pública os resultados”, completa.
O documento da ONU, citado pelo pesquisador, alertou para a necessidade de cortar as emissões anuais de dióxido de carbono entre 50% e 80%, até 2050, para que a temperatura da terra não ultrapasse um nível seguro. Para ordenar um pouco mais tal situação, foi lançado o Carbon Disclosure Project (projeto de informações sobre a emissão de gases de efeito estufa), que adota um questionário sobre a posição da empresa em relação às mudanças climáticas. “As empresas têm a opção de não responder ao questionário, mas, ao tomar essa decisão, elas demonstram que não dão importância para as questões relacionadas às mudanças climáticas”, diz Barontini. A iniciativa conta hoje com cerca de 300 investidores do mundo inteiro. No Brasil, o questionário é enviado para as 60 empresas com maior liquidez no mercado de capitais da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Neste cenário, os especialistas concordam que o Brasil tem perdido espaço. “O país está perdendo protagonismo”, diz Feldman. E muito por causa da falta de ação do governo. “Estamos muito aquém”, diz o professor da Universidade de São Paulo (USP), Jacques Marcovitch.
Um exemplo é o documento que acaba de ser lançado pela Federação das Indústrias (Fiesp) e do Centro das Indústrias (Ciesp) do Estado de São Paulo. Segundo o acordo, o setor se compromete a adotar medidas de redução de emissões de CO2 e outros gases, a integrar programas de mobilização da sociedade e a investir em pesquisa e inovação tecnológica focada em campos como eficiência energética e fixação de carbono. Os cortes são voluntários e não estabelecem valores mínimos.
Apesar da iniciativa, Barontini diz que para o problema ser solucionado é necessário que as empresas passem a medir suas emissões que gás estufa. Só assim as metas poderão ser definidas. “Não é possível resolver questões de longo prazo, sem ações de curto”, diz. Além disso, os consumidores devem questionar quais as suas verdadeiras necessidades e com isso influenciar o mercado.
Farol distribui 15 mil mudas de árvores
Da Assessoria
A prefeita de Farol, Dina Cardoso (PMDB) promoveu a distribuição de 15 mil mudas de árvores nativas gratuitamente para produtores rurais e estudantes farolenses.
O evento fez parte da programação alusiva às comemorações do transcurso do dia do meio-ambiente que foi celebrado na cidade em parceria entre a Prefeitura e o Escritório local da Emater/PR.
Segundo técnico Renaldo “Carpinha” Chagas, foram entregues 15 mil mudas nativas para que os agricultores pudessem fazer o adensamento da mata ciliar e áreas de preservação permanente. Também foram feitas palestras para os estudantes do ensino fundamental que visitaram o Viveiro Municipal, onde são produzidas as respectivas mudas, além de hortaliças que são utilizadas na confecção da merenda escolar que conta com acompanhamento de nutricionista.
A prefeita Dina Cardoso ofereceu uma muda da árvore “chorão” (aroeira salsa) para cada estudante que foram divididos em quatro grupos de cinqüenta cada um, da primeira à quarta-série.
Fonte: [ Tribuna do Interior ]
Em busca das ervas nas serras de Montalegre
Dezenas de pessoas sobem por esta altura, as serras do Barroso em busca de ervas medicinais utilizadas para confeccionar os ancestrais chás e licores, procurados por milhares de turistas que se deslocam a Montalegre.
Foi com a sua mãe que o padre António Fontes, conhecido pela realização dos Congressos de Medicina Popular de Vilar de perdizes, aprendeu a distinguir as ervas e os tratamentos para que estas servem. É por esta altura, na época da floração, que o padre sobe às serras do Barroso para colher as “melhores” ervas que vai secar e transformar em chás que diz servirem para tratar “quase todo o tipo de doenças”.
A natureza oferece no Barroso e, em alguns microclimas da região, como Vilar de Perdizes, uma “variedade enorme” de ervas medicinais, aromáticas ou condimentares. “Elas vêm sendo usadas pelas gentes mais idosas até aos nossos dias”, recordou o sacerdote à Agência Lusa, reconhecendo que anda quilómetros para apanhar, por exemplo, a betónica, uma erva que diz estar “em vias de extinção” e que é utilizada para tratamentos de asma. Já a carqueja é para António Fontes, “o chá dos barrosões”, pois serve para resolver os problemas de digestão ou do sistema nervoso. “Há falta de melhor, é o chá para tudo e até é utilizado para os temperos na cozinha”, salientou.
Junto ao hotel que abriu em Mourilhe, o padre Fontes plantou uma horta onde colhe alecrim usado nas feridas, a verbena que serve como anti-depressivo, o mil-folhas usado em tratamentos de emagrecimento, o lupo que ajuda a combater as insónias ou a salva-ananás utilizado para lavar os dentes. A antiga e pequena capela do hotel é o local preferido pelo padre Fontes para secar as suas plantas. Mas há até quem plante ervas, como a arruda, junto às entradas das casas para combater a “inveja” e o “mal olhado”. E, para que as ervas “tenham maior efeito”, algumas pessoas colocam-nas a secar na madrugada do dia 24 de Junho para que apanhem o orvalho da noite de São João e desta forma “fiquem mais abençoadas”.
Fonte: [ Mundo Português ]






