Além de belas para os olhos, as flores também podem ter muito sabor…
Na Idade Média o hábito de ingerir flores era muito comum em toda a Europa. E até hoje este tipo de culinária bem peculiar ainda é popular em países como a França e a Suíça. No Brasil, o uso e o consumo de flores comestíveis em pratos finos é mais recente e restrito a poucos restaurantes, ainda não tendo caído no gosto do grande público.
Existem alguns tipos específicos de flores que são cultivadas para o consumo humano, como por exemplo o amor-perfeito, a calêndula e a viola tricolor, entre outras. São flores vendidas para restaurantes, bufês e redes de supermercados. Uma vantagem é que a maioria destas flores é cultivada através do processo orgânico, isto é, sem a utilização de defensivos agrícolas ou outros tipos de produtos químicos, o que garante um produto mais saudável. As flores comestíveis são geralmente servidas em saladas, pratos doces ou salgados e ainda servem para a produção de deliciosas geléias. Além de dar um sabor todo especial e contribuir para realçar aparência dos pratos nos quais são utilizadas, as flores comestíveis podem ser misturadas a legumes e hortaliças.
Além dos pratos, estas flores podem ter outros usos na alimentação. Em alguns casos, podem apresentar características medicinais. Algumas pétalas de flores possuem propriedades que as fazem serem muito utilizadas em chás, como por exemplo as pétalas do borago. A maioria das pétalas são usadas nessas infusões devido aos poderes calmantes e digestivos.
Por Marco de Cardoso
Fonte: Yahoo! Notícias
Cidade Indiana celebra tradicional casamento entre árvores
NOVA DÉLHI, 16 MAI (ANSA) - Um casamento entre duas árvores foi celebrado em uma pequena vila da região de Orissa, ao leste da Índia.
As núpcias entre duas espécies diferentes de figueira foram organizadas com todos os ritos tradicionais de um casamento indiano, incluindo brâmane, convidados, roupas, músicas, danças e cantos.
“São duas árvores que consideramos sagradas. Casá-las certamente nos trará paz, prosperidade e felicidade”, disse o brâmane Upendra Nath Pati antes da cerimônia.
Casar árvores é uma tradição muito antiga na Índia. As núpcias são organizadas pelas autoridades da cidade, em colaboração com alguns jovens voluntários.
Segundo os habitantes da localidade em Orissa - região onde vivem muitas tribos - esse tipo de celebração incentiva o amor às árvores.
“Os casamentos entre as árvores servem para encorajar o nosso respeito e gratidão pelas árvores e as florestas”, explica o voluntário Pushpanjali Jena. “É uma plataforma perfeita em que convivem tradições, consciência e respeito pelo ambiente.”
Ao término da cerimônia nupcial, as árvores se tornam objetos de devoção para os habitantes da cidade.
Fonte: ANSA
FCTUC inaugura a versão virtual do maior herbário português
O Herbário do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) associa-se às celebrações do nascimento de Lineu (23 de Maio), que estão a decorrer por todo o mundo, lançando a sua versão virtual em http://herbario-digital.bot.uc.pt/, amanhã, dia 22 de Maio, o Dia Mundial da Biodiversidade.
O Herbário de Coimbra (sigla internacional COI) tem uma colecção que ultrapassa os 700.000 exemplares, de longe a maior do país e a segunda da Península Ibérica. O sítio na Internet que amanhã se inaugura foi um projecto financiado pelo POSC (Programa Sociedade do Conhecimento-685/2.2/C/CEN), alojado na FCTUC e em colaboração com a Naturlink (http://www.naturlink.pt/).
De acordo com a FCTUC, o projecto visa, de acordo com a Professora Fátima Sales, “não só a disponibilização gratuita a nível mundial de informação contida nesta Colecção Biológica, mas ainda intervir com qualidade e em português, com a diferença que o estatuto de investigação universitária a ele associado lhe permite, na educação científica na área da Botânica associada à Diversidade”.
Um Herbário é uma colecção de plantas, desde pequenas algas a grandes árvores. As plantas (ou parte delas) são prensadas e secas, montadas em folhas de cartolina (30x42cm), identificadas, etiquetadas e dispostas ordenadamente, segundo classificações internacionalmente reconhecidas. A conservação da Biodiversidade é o grande objectivo do planeta no início deste século e as colecções biológicas, como COI, são mananciais inestimáveis de informação sobre as espécies, desde as mais comuns que dão o suporte a todos os ecossistemas, àquelas em perigo crítico e mesmo às extintas.
A excelente reputação mundial de COI advém do seu espólio riquíssimo e da forma como conserva e investiga o seu material. O espólio da colecção é diversificado:
1. A maior colecção em Portugal de plantas do mundo;
2. Plantas Africanas (ex-colónias e toda a região sub-sahariana), colecção especialmente valiosa;
3. A maior colecção de material de herbário de Portugal Continental;
4. Herbário histórico de MORITZ WILLKOMM (1821-1895), professor em Praga, co-autor da primeira Flora da Península Ibérica;
5. Colecção de Crytogamia especialmente valiosa pelos seus Fungos e Líquenes;
6. Colecção valiosa de duplicados para troca de material com as melhores instituições estrangeiras da especialidade;
7. Herbários históricos sob a forma encadernada;
8. Colecção única e histórica de Rubus do especialista Henri Sudre (1862-1918) no qual baseou a sua obra Rubi europae (1908-1913);
9. Um Seminário (colecção botânica de sementes) de 3072 espécies;
10. Uma colecção carpológica (de frutos) complementar a muitos exemplares de herbário.
O COI fornece apoio científico a nível nacional e internacional: mantém colaboração e empréstimos de material para investigação com 86 Instituições nacionais e estrangeiras, acolhe investigadores nacionais e estrangeiros que consultam e estudam o material in loco.
Com base no estudo de material de COI feito no país e no estrangeiro, foram e são produzidas monografias, teses de doutoramento e mestrado, Check-lists e Floras tais como Flora iberica (editada em Madrid), Flora Zambesiaca (editada em Kew, Londres), Flora of Tropical East Africa (editada em Kew, Londres), Conspectus Flora Angolensis (editada em Lisboa), Flora de Cabo Verde (editada em Lisboa), Flora de S. Tomé e Príncipe (editada em Lisboa).
Fonte: Ciência PT
Coluna aborda a importância das árvores para as cidades
Especialista conversa com os leitores da FOLHA sobre as diferenças no visual de Londrina da década de 1970 e hoje
O engenheiro agrônomo Harri Lorenzi é um dos maiores especialistas em plantas no Brasil. Autor de livros sobre árvores nativas, exóticas, frutíferas e plantas daninhas, ele já catalogou mais de 15 mil espécies da flora nacional. Fundador e diretor do Instituto Plantarum, com sede em Piracicaba (SP), Lorenzi realiza cerca de 24 expedições anuais, em todo o território nacional, atrás de novas descobertas.
Nesta entrevista à FOLHA, o professor aborda, além de seu trabalho cotidiano, a arborização urbana de Londrina - onde morou por 8 anos quando era pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar)
O senhor vê diferença entre a arborização de Londrina antes e hoje?
Muita. Na década de 70, quando eu chegava a Londrina de avião, o visual era igual ao de uma cidade americana - nos EUA você quase não vê as casas de cima, só as árvores. E Londrina parecia muito com isso, porque o clima e o solo contribuem para um crescimento exuberante das plantas. Londrina é uma cidade perfeita para uma arborização maravilhosa. Recentemente passei aí, e parece uma cidade centenária, já antiga, que só tem prédios. (A região) a partir da Higienópolis, sentido bairro (ruas Paranaguá, Santos, Belo Horizonte…), era meu laboratório, mas com a entrada do comércio, praticamente tudo foi destruído. Na maior parte da cidade, muita coisa foi tirada.
Qual sua opinião sobre o plantio de espécies anãs (hibisco, murta, etc)?
Isso não é árvore. A origem desse problema é a rede elétrica, as companhias querem que as plantas se adaptem à rede e não fazem nada para amenizar a situação. Isso incentiva o plantio de arbustos, exóticos além de tudo, o que não é correto. Existem árvores de pequeno porte que podem ser utilizadas, mas há um desconhecimento amplo sobre isso.
O comércio também rejeita as árvores…
Eles acham que atrapalham as placas, o que considero um absurdo. O comerciante só se preocupa com o negócio dele, não com cliente que vai estacionar na calçada e ficar no sol. É um egoísmo extremo. Para evitar situações assim, o município precisa ter uma legislação bastante rigorosa. Nas cidades mais frouxas, o poder político sempre quer fazer média com todo mundo.
Por que há tão poucas flores na arborização urbana do país?
Isso acontece não só aqui. Em Miami, foram plantadas tantas palmeiras, para dar um ar tropical, que hoje estão atrás de espécies floríferas para dar cor à arborização. Em Londrina, por exemplo, havia uma grande quantidade de Jacarandá Mimoso, que é uma árvore que floresce em alguns lugares somente, e era na cidade onde a espécie mais florescia. Na capital de África do Sul (Pretória), a floração dos jacarandás é atração mundial. Acho que dentre as espécies floríferas, muitas são adequadas para a cidade e acho importante pensar a questão sob esse aspecto.
Por que há tantas árvores exóticas (originárias de outros países) no Brasil?
Tudo começou quando a família real portuguesa veio para o Brasil e trouxe tudo de lá porque achou que aqui nada prestava. E isso acontece até hoje, as pessoas gostam de cultivar aquilo que não tem. Na média, acredito que 90% da arborização urbana do Brasil é exótica.
Isso é problema?
Acho que sim. Nossas espécies estão desaparecendo porque os ecossistemas onde elas ocorrem estão sendo destruídos. A arborização urbana seria uma excelente oportunidade para perpetuar as espécies nativas. Em termos de preservação, a flora nativa é mais adequada porque está adaptada para fornecer alimento para as aves nativas há milhares de anos. As exóticas não apresentam alimentos apetecidos por essa fauna.
O senhor concorda com a erradicação de espécies exóticas sadias - como ocorre em Londrina?
Desde que haja um programa de colocação de nativas, você pode fazer uma substituição lenta e gradativa. Agora, não precisa derrubar a que está lá, você pode plantar árvores adequadas intercaladamente, e aos poucos ir substituindo. Nada de corte raso porque se sabe que, no momento em que se corta alguma coisa, fica aquele vazio e na maioria das vezes acabam nem replantando. Além disso, benefícios como baixar a temperatura da cidade e proporcionar sombreamento, as exóticas também trazem. Sou totalmente contra essa radicalização de abominar as exóticas, acho que árvore é árvore.
Existem muitas espécies nativas ainda não catalogadas?
Estou trabalhando no terceiro volume de árvores nativas há mais de dez anos, e preciso de 352 espécies para completar o volume. O problema hoje é a dificuldade de encontrar as outras espécies porque as mais fáceis já coloquei nos dois primeiros volumes. Com certeza, têm muitas árvores não catalogadas, mas não sei se teria condições de fazer um quarto volume porque o que sobrar vai ser da Amazônia, e lá é muito difícil fotografar, não existem muitas áreas abertas.
(Redação Folha de Londrina)
Fonte: Bonde News






