Álcool de restos de vegetais
Empresa brasileira anuncia descoberta na fabricação de álcool de restos vegetais
Da Redação
A empresa brasileira Dedini anunciou na segunda-feira (14) ter encontrado uma forma de produzir etanol em escala industrial a partir de restos vegetais, o que pode revolucionar o setor por ampliar a produção de combustíveis sem prejuízo de culturas alimentícias, como milho ou cana-de-açúcar.
A Dedini, que é fabricante de equipamentos para usinas de açúcar e álcool, afirmou ter desenvolvido uma tecnologia de produção economicamente viável com base no material celulósico. “É competitivo com o petróleo a partir de US$ 42 por barril”, explicou o vice-presidente de operações da Dedini, José Luiz Olivério.
A Usina São Luiz (SP), que pertence à empresa, começou a produzir em 2002 etanol de material celulósico extraído do bagaço da cana, a um custo de cerca de US$ 0,40 por litro. Mas os custos de produção caíram desde então, graças a melhorias tecnológicas, e agora o produto sai a menos de US$ 0,27 por litro.
O bagaço normalmente é queimado para alimentar os geradores das próprias usinas, ou então o excesso é vendido como matéria-prima para ração.
“Isso poderá ampliar a produção de etanol de uma usina em 30% sem que se plante um só pé de cana adicional”, disse Olivério. Segundo ele, a tecnologia se baseia em um banho químico com ácido que quebra as fibras protetoras de lignina na cana, permitindo que um tipo de célula de açúcar seja retirada.
Muitos pesquisadores da área acreditam que as enzimas, ou proteínas naturais que aceleram o rompimento das fibras de lignina, serão usadas na futura produção de etanol de celulose. Estudioso, porém, apontaram dois desafios: reduzir o custo exorbitante da produção industrial de enzimas e diminuir o tempo necessário para que as enzimas atuem na lignina.
Fonte: Macaé Jornal
Primeiro foi o carbono e o aquecimento global. Agora é o nitrogênio…
Fábio de Castro
Agência FAPESP

Primeiro foi o carbono e o aquecimento global. Agora é o nitrogênio…
O aquecimento global não é a única bomba-relógio ambiental armada pela ação humana no planeta.
A comunidade científica internacional começa a alertar para as graves conseqüências da radical modificação no ciclo do nitrogênio nos últimos 40 anos, após o advento dos fertilizantes sintéticos
Quando está presente em excesso, como nos países industrializados, o nitrogênio contamina os ecossistemas. Em falta, as conseqüências são a fome e a desnutrição. “O mundo precisa acordar para o problema do nitrogênio”, disse Luiz Antonio Martinelli, pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), à Agência FAPESP.
Martinelli coordena o comitê internacional responsável pela Conferência Internacional do Nitrogênio - N2007, que será realizada em outubro na Costa do Sauípe (BA). O evento reunirá especialistas de diversos países com o objetivo de definir uma agenda para o uso sustentável do nitrogênio no planeta.
“Enquanto tem se falado bastante da questão do carbono, o problema do nitrogênio é pouco discutido. A gravidade da situação, no entanto, pode ser até maior que a do carbono. Trata-se de um problema complexo que envolve vertentes econômicas, sociais, ambientais e agrícolas”, afirmou Martinelli.
Segundo o professor, até 1960 a disponibilidade de nitrogênio na Terra era controlada exclusivamente por processos naturais, por meio da fixação do elemento pelas plantas. Hoje, a produção sintética do nitrogênio ultrapassa toda a produção natural em até 30%. “O mais grave é que, além de produzirmos muito nitrogênio, sua distribuição é tão ruim quanto a distribuição de riquezas”, comparou.
Sem nitrogênio, sem comida
O nitrogênio, explica Martinelli, é fundamental na produção de alimentos por se tratar de um nutriente limitante. Quando não está presente, não se consegue produzir alimentos nos níveis da demanda atual. “Os países em desenvolvimento sofrem com isso. O continente africano é um caso crônico. Os fertilizantes são caros, a distribuição é ruim, o transporte é insuficiente e a logística não existe. Esse é um dos motivos da fome na África.”
Por outro lado, quando há uso excessivo de fertilizantes, o excesso de nitrogênio não é absorvido pelas plantas e se torna um poluente. “O nitrogênio tem extrema mobilidade, muda rapidamente de estado e vai da terra para o ar e dali para a água com muita facilidade, contaminando os ecossistemas agrícolas e penetrando nos lençóis freáticos”, explicou.
De acordo com Martinelli, todos os países industrializados, sem exceção, têm problemas sérios de poluição com nitrogênio. O pior deles é o excesso do elemento químico em corpos d?água, que leva ao fenômeno conhecido como eutrofização.
“Há um crescimento acelerado de algas e outros organismos que, quando morrem, são decompostos utilizando o oxigênio da água. A taxa de oxigênio cai, causando mortandade de peixes. São as zonas mortas, que se estendem pela maioria dos estuários dos países desenvolvidos”, disse.
No Brasil, segundo o pesquisador, há tanto zonas carentes em nitrogênio no Nordeste quanto áreas que já manifestam excesso do elemento em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. “O nitrogênio é como alguns remédios: na dose certa é cura, na dose exagerada é veneno. Algumas áreas estão padecendo da falta do remédio, outras estão sendo envenenadas.”
Em busca do equilíbrio
Para agravar o problema, os países que sofrem com a carência de fertilizantes podem ter excesso de nitrogênio em alguns ecossistemas por conta do despejo de esgoto não tratado em rios e lagos. “As fezes e a urina são riquíssimas em nitrogênio. Se o esgoto não for tratado, o elemento vai parar em um corpo d’água e causa eutrofização, funcionando como se fosse um fertilizante orgânico”, disse Martinelli.
Principal componente da “revolução verde”, os fertilizantes sintéticos tornaram a humanidade dependente do nitrogênio. De acordo com o professor da Esalq, em média 70% das proteínas consumidas por cada habitante do planeta são compostas pelo nitrogênio fornecido pelos fertilizantes sintéticos.
“A revolução verde teve um grande papel na redução da fome no planeta, particularmente na Ásia. Mas em países como a China, o governo produz e distribui nitrogênio à vontade. O resultado é que os ecossistemas chineses estão altamente comprometidos e a maioria de seus corpos d’água estão eutrofizados”, disse Martinelli.
Para o cientista, o desafio que o mundo tem pela frente é encontrar um meio sustentável para o uso do nitrogênio. “Há extrema necessidade de se conseguir balancear a quantidade de nitrogênio de maneira a suprir as necessidades das plantas para produção de alimentos, sem causar danos ambientais”, disse.
Fonte: Agência FAPESP
Vinhos do Nordeste ‘desafiam dogmas e ganham espaço’, diz NYT
Com tecnologia e irrigação, o vale do São Francisco, no nordeste brasileiro, está se transformando em um “improvável” centro de produção de vinhos fora do eixo tradicional dos produtores, segundo relata reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário americano The New York Times.
Segundo o jornal, vinicultores tradicionais vêm cada vez mais investindo na produção de vinhos de “nova latitude” em países em desenvolvimento, apostando principalmente no crescimento dos mercados consumidores internos.
“Ao fazer isso, essas companhias estão desafiando o dogma de séculos de que a vinicultura está relacionada ao ‘terroir’, a crença de que um vinho reflete a área onde as uvas são cultivadas, e a climas temperados”, diz a reportagem.
O New York Times observa que “os vinicultores de nova latitude ainda são relativamente desconhecidos comparados com as tradicionais forças européias como França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, e ficam para trás até mesmo entre os chamados produtores do ‘Novo Mundo’, como Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia, África do Sul e Estados Unidos”.
“Ainda assim, o vinho está se tornando mais popular em países como Brasil, China e Índia por causa de uma crescente classe média e da publicidade sobre seus benefícios à saúde”, afirma o jornal.
A reportagem cita como exemplo os investimentos no Brasil feitos pela vinícola portuguesa Dão Sul, que comprou 5 mil acres no vale do São Francisco em 2003 e investiu US$ 4 milhões em maquinário ultra-moderno.
“Os 25 diferentes tipos de vinhos tintos, brancos e espumantes que a companhia produz já representam 15% de toda a produção da companhia”, relata o texto.
Segundo o jornal, “a decisão de investir no Brasil foi baseada em diversos fatores, incluindo a terra e a mão de obra baratas e técnicas avançadas de refrigeração”.
“Uma vantagem que a região compartilha com muitas das nações produtoras de vinhos de nova latitude é o sol por todo o ano. A região tem 12 horas de sol por dia, e em contraste com Bordeaux, que tem 12 horas de sol somente no verão, os céus estão sem nuvens 300 dias ao ano. Os vinicultores podem colher o ano todo, reduzindo assim consideravelmente seus custos de produção”, explica a reportagem.
Fonte: BBC Brasil
Vinhos do Terceiro Mundo ganham espaço no mercado mundial
NOVA YORK, 15 MAI (ANSA) - O planeta está passando por uma revolução geográfica no mundo dos vinhos:o Terceiro Mundo está ganhando espaço no filão que era antes dominado por Europa e Estados Unidos.
“Os vinhos franceses, italianos, espanhóis não vêm das palmeiras”, espanta-se João Santos, enólogo da casa portuguesa Dão Sul, após adquirir novas vinícolas no semi-árido brasileiro.
Quatro anos depois que novas tecnologias e sistemas de irrigação aportaram no Nordeste brasileiro, um milagre aconteceu: a Dão Sul distribui hoje no mercado um dos melhores vinhos tropicais do mundo, fabricado no sertão do Brasil.
Outra novidade no mundo dos vinhos é o conceito do “vinho das novas latitudes”, que surgiu na Tailândia, onde a Siam Winery engarrafa uvas cultivadas em vinícolas flutuantes no delta do rio Chao Phraya, e se baseia no pressuposto de que as plantas são muito mais “maleáveis” do que se pensava antes. Quando colocadas em um novo ambiente, as plantas crescem com muito mais velocidade e eficácia.
Os vinhos tailandeses ainda são meros desconhecidos se comparados com os europeus (que dominam 62% da produção mundial) e os seus outros concorrentes (Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia e África do Sul), mas estão ganhando mercado rapidamente.
China e Brasil, dois países de primeira linha entre os novos vinicultores, produzem hoje apenas 6,7 milhões de litros de vinho por ano, 2,4% do total mundial, segundo o centro de pesquisas britânico International Wine and Spirit Record, mas a tendência é que o aumento da produção se desenvolva paralelamente ao crescimento do consumo de vinho por parte da classe média.
Ainda de acordo com o centro, em 2011, o consumo de vinho na China aumentará 12%, no Brasil, 39%, e 82% na Índia. Esses dados chamaram a atenção dos investidores.
A LVMH adquiriu cotas importantes do Chandon, o champanhe brasileiro; Pernod Ricard virou proprietária de marcas da Índia, Brasil e Geórgia, enquanto Veuve Clicquot está há onze anos com um acordo com as Grover Vineyards de Bangalore, Índia.
Fonte: ANSA






