Blog TSP de volta
Olá pessoal,
Estamos de volta!
Ainda que parcialmente com problemas, para responder emails, a postagem de novos artigos e notícias no Blog Tudo Sobre Plantas voltou a funcionar de forma plena.
O portal Tudo Sobre Plantas continua sem atualizações, por conta de mudanças que ocorreram. Estejam certos que, assim que for possível (estimamos mais duas a três semanas) estaremos publicando novidades também no portal.
Tudo de bom,
Anderson Porto
A Agricultura Biológica
Depois de muitas décadas de intensificação agrícola, com importantes prejuízos ambientais, a agricultura biológica tenta ser uma aproximação da agricultura à ecologia recuperando técnicas tradicionais.
António Mantas, SATIVA
Dos trabalhos do Campo de Lucio Júlio Moderato Columela, Séc. I
A passagem da técnica da recolha itinerante de alimentos para suprimir as necessidades alimentares, para a técnica do cultivo provocou alterações profundas no modo de vida dos povos, pois levou ao sedentarismo, à estruturação social em crescente de complexidade, às trocas e ao comércio, e a novas ocupações fora da agricultura ou da obtenção de alimentos.
A agricultura actua sobre o meio alterando as relações entre os seres vivos e permitindo a obtenção de recursos de natureza diversa, nomeadamente alimentares. Esta alteração, levada a cabo pelo Homem em proveito próprio, pode ser feita de forma mais ou menos intensiva, com maior ou menor respeito pelos equilíbrios naturais, com maior ou menor grau de protecção e melhoria do meio e da qualidade de vida.
Durante muito tempo as técnicas utilizadas respeitaram o solo, a fertilidade, a diversidade e a qualidade das produções, seleccionando e/ou domesticando variedades e raças. Face a novas tecnologias, desde o início do século, mas sobretudo nas últimas décadas, conseguiram-se obter produções muito elevadas com elevadas utilizações de recursos disponíveis, sem limitações nos impactos negativos deste tipo de actuação, algumas vezes irreversíveis ou de difícil recuperação, isto é, actuou-se de forma não sustentável.
Com o objectivo de contrariar esta forma produtivista, surgiu uma forma de agricultura alternativa que tende a aproximar a agronomia da ecologia, recuperando técnicas e práticas tradicionais, mas tendo presente algumas das novas tecnologias. A agricultura biológica é um sistema de produção que visa a manutenção da produtividade do solo e da cultura, para proporcionar nutrientes às plantas e controlar as infestantes, parasitas e doenças, com utilização preferencial de rotações de culturas, adição de sub-produtos agrícolas, estrumes, leguminosas, detritos orgânicos, rochas ou minerais triturados e controlo biológico de pragas, evitando-se assim o uso de fertilizantes e pesticidas de síntese química, reguladores de crescimento e aditivos nas rações.
Num solo sem cultivo a evolução ao longo do tempo faz parte do processo de sucessão ecológica, isto é, do aumento progressivo de organização que se dá nos ecossistemas naturais. Uma vez alcançadas as condições de equilíbrio o solo funciona como reserva nutritiva. O equilíbrio entre os diferentes organismos do solo e a sua interacção com a matéria orgânica e com as partículas minerais, implica a formação de estruturas organo-minerais que estabilizam a humidade e regulam a libertação de nutrientes para as plantas. Quando um solo é utilizado em agricultura de forma mais intensiva, os equilíbrios modificam-se e as estruturas degradam-se, empobrecendo-o.
As técnicas utilizadas em agricultura biológica implicam uma boa percepção do meio envolvente à exploração que se efectua, nomeadamente:
- Construção e manutenção da fertilidade do solo: funcionando o solo como um organismo vivo, pelo que deve ser nutrido de forma a que as plantas que nele se desenvolvem encontrem boas condições e para que não diminua a actividade dos organismos benéficos essenciais à decomposição e mineralização dos detritos orgânicos que originam o húmus. A melhor forma de nutrir o solo é fornecendo-lhe matérias orgânicas que constituem a base da fertilização. Estas incorporações enriquecem o solo em húmus cuja degradação fornece à planta elementos minerais e substâncias fisiologicamente activas. Eventualmente, podem ser fornecidos ao solo alguns outros complementos minerais. Este ciclo faz com que se forme um solo estável, com libertação gradual de compostos para as plantas e enriquecimento de outros, sem perdas por lixiviação, tendo importante papel os organismos vivos do solo.
- Preservação da estrutura do solo: Com a diminuição da fertilidade há degradação da estrutura e favorece-se a erosão. A matéria orgânica possibilita a formação de agregados de partículas minerais e orgânicas, aumentando a estabilidade e a permeabilidade ao ar e à agua, originando-se uma melhor estrutura.
- Utilização de técnicas de cultivo adequadas: O desequilíbrio provocado pela agricultura pode ser compensado por meio de técnicas importantes, como sejam o fornecimento de estrumes, realização de rotações, manutenção de resíduos, sementeira nos limites das parcelas e segundo as curvas de nível, manutenção de um pH correcto e fornecimento de correctivos minerais, realização de mobilizações em épocas correctas e sem inversão de horizontes, utilização de adubos verdes e incorporação de restolhos, etc..
São igualmente técnicas adequadas o controlo biológico de pragas e doenças e a utilização de recursos locais (variedades regionais ou raças autóctones).
Uma exploração agrícola em agricultura biológica deve tentar conciliar a existência de agricultura e pecuária. Os animais têm um importante papel na produção de estrumes e consomem resíduos que de outra forma se perderiam, permitindo ainda a utilização de zonas que não teriam aproveitamento.
Leituras recomendadas:
E. B. Balfour (1986) The Living Soil and the haughley experiment. Universe Books New York. 1986.
Ferreira, J. C. (1999) Manual de Agricultura Biológica - Fertilização e protecção das plantas para uma agricultura sustentável. AGROBIO. Lisboa.
Labrador, J. L. (1996) La Materia Orgânica en los Agrosistemas. Ed. MAPA Mundi- prensa. Madrid.
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Fonte: NaturLink
Enciclopédia na Internet listará todas as espécies conhecidas
Por Alister Doyle
BONN, Alemanha (Reuters) - De maçãs a zebras, todas as 1,8 milhão de espécies de plantas e animais conhecidas pelo homem serão listadas em uma “Enciclopédia da Vida” na Internet, em um projeto de 100 milhões de dólares, anunciaram cientistas.
O projeto de 10 anos de duração, lançado com verba inicial de 12,5 milhões de dólares oferecida por duas fundações sediadas nos Estados Unidos, pode ajudar todo mundo, de crianças pesquisando para suas lições de casa de biologia a governos que estejam planejando como proteger espécies ameaçadas.
“A Enciclopédia da Vida planeja criar um verbete para todas as espécies que tenham nome científico”, disse James Edwards, diretor executivo do projeto, à Reuters. “No momento, o total é de 1,8 milhão”.
A enciclopédia de acesso gratuito se concentrará especialmente em animais, plantas e fungos, e incluirá micróbios em um segundo estágio, combinando textos, fotos, mapas e vídeos em formato comum para cada verbete. A expansão da Internet nos últimos anos tornou possível esse projeto multimídia.
As páginas de demonstração, em http://eol.org, incluem verbetes sobre ursos polares, arroz, cogumelos venenosos e um caranguejo com patas peludas localizado recentemente no Pacífico Sul.
“O projeto trata de fornecer acesso à informação para todos”, disse à Reuters Jesse Ausubel, presidente do projeto e funcionário da Rockfeller University, em Nova York.
A enciclopédia aproveitará bancos de dados existentes sobre mamíferos, peixes, pássaros, anfíbios e plantas. O inglês será utilizado inicialmente, com traduções posteriores para outros idiomas.
Edwards disse que o projeto oferecerá uma vista geral da vida na Terra por meio do que ele chama de “macroscópio” — o oposto de microscópio, em geral, utilizado pelos cientistas.
Novas espécies serão acrescentadas à medida que sejam identificadas. Edwards afirmou que o total de espécies no planeta pode atingir uma marca entre 8 milhões e 10 milhões, acrescentando que as estimativas quanto ao total variavam de cinco milhões a 100 milhões. Espécies fósseis também poderão ser acrescentadas à enciclopédia, no futuro.
Fonte: Reuters






