Algodão: germinação voluntária de transgenico é encontrada no norte do PR
08/05 - 15:52 - Agência Safras
SAFRAS (08) - Técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná localizaram algodão transgênico em germinações voluntárias - plantas que germinam sem que tenham sido plantadas efetivamente - na região Norte do Paraná. Elas foram localizadas durante fiscalização de rotina sobre o uso do solo agrícola, na estrada PR-090, que liga os municípios de Bela Vista do Paraíso e Alvorada do Sul.
O secretário da Agricultura, Valter Bianchini, alertou para o risco do transporte e plantio de lavouras transgênicas ilegais, porque as sementes podem se deslocar de um lugar para o outro de forma involuntária. A preocupação é evitar o plantio e a disseminação de culturas transgênicas não permitidas, que podem ameaçar a sanidade e a qualidade das lavouras paranaenses, disse o secretário.
O caso será comunicado ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e ao Ministério da Agricultura, que vão determinar os procedimentos que devem ser feitos com as plantas.
Segundo o técnico Paulo Eduardo Félix, que localizou o algodão transgênico, ele estava verificando a aplicação de um herbicida em lavoura de milho, numa propriedade em frente à estrada. Mas chamou-lhe a atenção o fato de que, ao longo da estrada, em frente à propriedade com milho, havia vários pés de algodão, germinados, vigorosos e até florindo. São aproximadamente 70 a 80 dessas plantas, disse o técnico. Qualquer herbicida que fosse colocado nas proximidades, como realmente aconteceu nas lavouras de milho, deveria matar o algodão também, o que não ocorreu, contou o técnico.
Félix colheu amostras das plantas e enviou para análise no laboratório da Seab, em Curitiba. O resultado deu positivo para sementes BT e RR juntas, cujo cultivo e comercialização são proibidos, explicou o engenheiro agrônomo fiscal Marcelo Silva, do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis). Ele acredita que a semente tenha caído de um caminhão que fazia um transporte mal acondicionado dessas sementes. Ao caírem na estrada, as sementes germinaram e vingaram, disse.
Esse fato demonstra o risco de proliferação descontrolada de plantas transgênicas não permitidas, afirmou. Na opinião do agrônomo, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) deveria observar essas ocorrências como um exemplo de como uma liberação de plantio de plantas modificadas geneticamente pode provocar contaminações nas lavouras, afirmou Silva. As informações são da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
(CBL)
Fonte: Último Segundo
Pouca água, muita água
09/05/2007
Agência FAPESP – Plantas tropicais podem ser mais adaptáveis do que se pensava em relação às mudanças em padrões de precipitação, uma das possíveis conseqüências do aquecimento global. A afirmação é de um estudo realizado nos Estados Unidos que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
Os pesquisadores descobriram que plantas no Havaí têm capacidade de se adaptar a grandes mudanças no regime de chuvas em pelo menos um importante aspecto: a maneira de adquirir nutrientes. As plantas necessitam de uma forma específica de nigrogênio em áreas úmidas. Nos terrenos encharcados que caracterizam algumas florestas tropicais, no entanto, elas acabam se voltando para outra forma de nitrogênio mais disponível nessas condições.
O estudo destaca uma importante exceção para a idéia normalmente aceita de que as plantas tropicais são altamente especializadas em seus nichos ambientais específicos e, portanto, muito sensíveis a distúrbios em tais locais.
A troca do alvo de nutrientes pode ser positiva para as plantas, uma vez que mudanças climáticas poderão alterar radicalmente os padrões de chuvas nos trópicos. Mas os pesquisadores apontam um porém: o acesso a nutrientes é apenas um dos ingredientes da vida vegetal. Outras alterações que acompanhem um clima mais quente podem afetar a distribuição e o crescimento das plantas, como as que ocorreriam com polinizadores, insetos, predadores ou plantas invasivas.
“Essas plantas deverão ser capazes de se manter bem em termos de aquisição de nitrogênio, mesmo com a mudança climática”, disse um dos autores do estudo, Ted Schuur, professor de ecologia da Universidade da Flórida. “Mas é importante destacar que só estudamos um grupo de organismos e um mecanismo. As plantas dependem de vários fatores para sobreviver, alguns dos quais podem ser alterados com mudanças no regime de chuvas.
Os cientistas pesquisaram o crecimento de plantas em seis locais nas encostas do monte Haleakalal, um vulcão na ilha de Mauí, no Havaí. Os locais foram considerados ideais para o estudo por compartilhar praticamente as mesmas espécies vegetais, elevações e solos, mas apresentar regimes de chuvas bem diferentes uns dos outros.
O local mais chuvoso tem cerca de 5 metros de precipitação por ano, contra apenas 2 metros da área mais seca. “Essa é a faixa de precipitação encontrada por todos os trópicos, mas geralmente em locais separados por centenas ou milhares de quilômetros. No Havaí, pudemos visitar todas as florestas analisadas em um único dia”, disse Schuur.
Fonte: Agência FAPESP






