Em busca de água

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 3 de Maio de 2007 @ 07:31

03/05/2007

Agência FAPESP – A tolerância à seca, resultado da disponibilidade de água, afeta diretamente a distribuição de plantas em florestas tropicais. A conclusão está em estudo publicado nesta quinta-feira (3/5), na revista Nature, por um grupo de cientistas que trabalha no Instituto Smithsoniano de Pesquisas Tropicais, no Panamá.

O estudo é importante por destacar que alterações na umidade do solo promovidas por mudanças no clima e pela fragmentação florestal podem alterar a distribuição, a diversidade e a composição de espécies tropicais. Segundo os autores, o mecanismo poderá contribuir significativamente para a formulação de novos modelos de uso do solo e para compreender melhor as mudanças promovidas pelo clima.

A idéia que se tem de florestas tropicais é de paisagens exuberantes, sempre verdes e saturadas de água. Mas, embora as temperaturas se mantenham relativamente constantes nessas regiões, a quantidade de chuvas e a disponibilidade de água variam enormemente mesmo em regiões relativamente próximas umas das outras.

A nova pesquisa avaliou a distribuição local e regional de 48 espécies de árvores e arbustos no istmo do Panamá, o estreito pedaço de terra entre o mar do Caribe e o oceano Pacífico que liga as Américas. Por meio de experimentos e da observação da distribuição de espécies, a tolerância à seca foi o fator que serviu para prever a distribuição de plantas local ou regionalmente.

“O istmo do Panamá é o local ideal para testar a idéia de que a distribuição de espécies de plantas é influenciada pela capacidade dessas em tolerar a falta de água”, disse a coordenadora do estudo, Bettina Engelbrecht, que também é da Universidade de Kaiserlauten, na Alemanha.

Depois de realizarem experimentos para medir a tolerância à seca das espécies selecionadas, os pesquisadores analisaram a distribuição de plantas em 122 blocos de floresta. Os blocos variaram de áreas mais úmidas, próximas ao Caribe, a locais mais secos, ao lado do Pacífico. As plantas encontradas em áreas menos úmidas se mostraram mais tolerantes à seca.

Os cientistas também analisaram as distribuições de brotos e de árvores mais velhas em uma área de 50 hectares na ilha de Barro Colorado, em que o índice pluviométrico se encontra aproximadamente na média dos valores encontrados nos dois lados do istmo. Verificaram que a tolerância à seca se mostrou um fator de distribuição com maior ênfase para as árvores adultas do que para os brotos, o que implicaria um ajuste de acordo com limitadores climáticos.

O grupo responsável pelo estudo analisou ainda diversos fatores que poderiam explicar ou contribuir para a distribuição de plantas, como a tolerância à sombra e a disponibilidade de nutrientes.

De acordo com a pesquisa, identificar a tolerância à seca como causa de padrões de distribuição aumenta a compreensão da diversidade de plantas tropicais e sugere que alterações em padrões de chuva – possível conseqüência para os trópicos das mudanças climáticas no planeta – possam implicar mudanças radicais em comunidades de plantas nessas regiões.

“Nos trópicos, mudanças climáticas não resultam apenas em alterações no clima. Modificações dramáticas em padrões de chuva, por exemplo, também são esperadas, e nosso estudo mostra que isso pode ter grandes conseqüências para as florestas tropicais”, disse Benjamim Turner, do Instituto Smithsoniano de Pesquisas Tropicais, outro autor do estudo.

O artigo Droughr sensitivity shapes species distribution patterns in tropical forest, de Bettina Engelbrecht e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência FAPESP

Glifosato não elimina ervas daninhas que atacam transgênicos

Enviado em Notícias, Transgênicos de Anderson Porto | 3 de Maio de 2007 @ 07:27

A organização americana Union of Concerned Scientists (UCS) divulgou em seu boletim deste mês informação sobre o aumento de resistência ao herbicida glifosato em plantas espontâneas, também chamadas de ervas daninhas, invasoras ou simplesmente mato.

As plantas transgênicas tolerantes à aplicação do glifosato (princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto) representam 68% dos transgênicos cultivados hoje o mundo (como a soja RR - Roundup Ready cultivada no Brasil).

Os herbicidas são os agrotóxicos cuja função é eliminar o mato das lavouras. O glifosato é um herbicida de amplo espectro, capaz de matar todas as plantas - inclusive a soja, o milho, o algodão etc. Usando as sementes RR, o agricultor pulveriza o herbicida sobre a lavoura e todo o mato morre, mas a plantação transgênica permanece intacta.

Esse é o paradigma dos cultivos totalmente “limpos”. As plantas espontâneas são fonte de néctar, pólen e abrigo para insetos benéficos que ajudam na polinização do cultivo ou no controle de outros insetos herbívoros (pragas).

Além disso, a presença da vegetação espontânea, evidentemente sob manejo, aumenta a quantidade de matéria orgânica produzida na área e suas raízes ajudam na estruturação do solo, o que acaba por beneficiar o próprio cultivo. A adoção de sementes transgênicas resistentes a herbicidas elimina a biodiversidade associada aos cultivos agrícolas e todos os benefícios ecológicos que ela proporciona. Os agroecossistemas com sementes RR são mais artificializados e instáveis.

A utilização de plantas tolerantes ao glifosato produz um efeito óbvio e inevitável: repetidas aplicações de um mesmo herbicida em uma mesma área fazem com que as plantas espontâneas acelerem o desenvolvimento de resistência ao produto.

No início da utilização das sementes RR, a eliminação do mato podia ser feita com uma ou duas aplicações do herbicida. Mas agora, graças a uma maior pressão de seleção, mesmo após repetidas aplicações de glifosato plantas invasoras resistentes ao herbicida insistem em crescer.

Segundo informações divulgadas pela UCS, sete espécies de plantas invasoras resistentes ao glifosato já foram documentadas nos Estados Unidos. E como o glifosato não mais produz o efeito esperado, agricultores estão voltando a usar agrotóxicos antigos e mais tóxicos como o Paraquat e o 2,4-D, ambos causadores de sérios problemas de saúde.

Em muitos casos, agricultores americanos estão voltando à prática de eliminar as plantas mecanicamente com o uso de tratores, revertendo todos oS benefícios em termos de conservação do solo alcançados após anos de utilização da técnica do plantio direto (em que o plantio é feito sobre a palhada da lavoura anterior, sem o revolvimento mecânico do solo).

Uma técnica que é vendida como o supra-sumo da tecnologia agrícola, na verdade está causando forte retrocesso. Em um levantamento realizado em 2004, técnicos de extensão rural nos Estados Unidos concluíram que as plantas espontâneas resistentes ao glifosato foram responsáveis pela redução do plantio direto no estado do Tennessee em 18%, e que a porcentagem de agricultores fazendo plantio direto nos maiores distritos produtores de algodão do Tennessee caiu de 80% para 40%.

Cientistas do estado do Arkansas estimam uma redução de 15% na utilização do plantio direto, também em decorrência da resistência do mato ao glifosato. Tendências similares foram relatadas no Mississippi e no Missouri.

Os resultados no Brasil seguem na mesma direção. Aqui já há registro de pelo menos 6 espécies de mato que não são mais controladas pelo Roundup.

Não foram até hoje publicados dados oficiais sobre o consumo de agrotóxicos nas lavouras de soja transgênica no Brasil. O que existe é um levantamento feito pelo Ibama sobre o uso geral do glifosato. Esses dados mostram que entre 2000 e 2004, período de forte expansão da soja transgênica, o uso de glifosato cresceu 95% no País, enquanto o de todos os outros herbicidas somados cresceu 29,8%. No mesmo período, o uso de glifosato no Rio Grande do Sul, maior produtor da soja RR, cresceu 162%.

Mais informações: www.transgenicos.pr.gov.br

Fonte: Agência Estadual de Notícias