Chega à livraria 1ª coleção didática sobre Pantanal e Cerrado
A primeira coleção didática sobre as plantas do Pantanal e do Cerrado será lançada nesta sexta-feira, 09 de março, em Mato Grosso do Sul. O material “Valorizando a Biodiversidade no Ensino de Botânica” traz diferentes abordagens da flora regional voltadas ao ensino, pesquisa e educação ambiental em escolas, universidades, comunidades ou organizações. O kit é composto por um livro sobre a vegetação do Pantanal; oito cartões postais com imagens de frutos silvestres comestíveis; um livro de poemas; um pôster sobre as formações vegetais pantaneiras e um caderno de apoio ao professor.
A organização da coleção é do professor de prática de ensino de biologia da UFMS, Paulo Robson de Souza, autor de diversas publicações literárias e ambientais, materiais didáticos, brinquedos ecológicos e premiado fotógrafo de natureza. “Desde que assumi as disciplinas de Práticas de Ensino de Biologia e Ciências, em 1992, percebi que era praticamente nula a existência de materiais didáticos regionais para escolas do MS, apesar da sua peculiar biodiversidade. Era preciso fazer a minha parte”, conta o biólogo. A obra, publicada pela Editora UFMS, recebeu apoio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul).
O pôster, que apresenta formações vegetais típicas do Pantanal, como paratudal, espinheiral e carandazal, foi idealizado há oito anos pela botânica Ubirazilda Maria Resende. Na época, seria publicado em encarte de uma revista distribuída para escolas. No entanto, a revista não teve continuidade. Já o livro “Vegetação do Pantanal”, de autoria do professor Cláudio de Almeida Conceição, nasceu de um original entregue há nove anos ao amigo Paulo Robson, voltado ao público jovem. Conceição, que tem dado grandes contribuições para as pesquisas botânicas de MS, também fundou o primeiro herbário do Estado, no campus da UFMS em Corumbá. Na obra, o professor aborda de forma didática as principais espécies da vegetação pantaneira e sua distribuição.
Já os cartões postais, além de dar água na boca, dão frutos no ensino: trazem o jatobá, o acuri, a bocaiúva, o buriti, o maracujá-do-mato, a guavira, o pequi e o caraguatá com informações nutricionais de pesquisadores do Laboratório de Tecnologias de Alimentos da UFMS.
Fiel ao conhecimento científico, mas livre como a inspiração humana, o livro “Síntese de Poesias” é a metade da laranja de uma publicação anterior de Paulo Robson de Souza, o “Poesia Animal”, escrito com Sidnei Olívio. Na obra recente, ao invés da temática da fauna, o biólogo se inspirou durante três anos nas plantas do Cerrado e do Pantanal. “Embora seja destinada a professores de Ciências e Biologia, esta publicação também é um excelente material para aulas de literatura e língua portuguesa”, comenta Souza. Professores que trabalham com a técnica da versificação ou querem contextualizar uma obra, encontrão vários estilos e formas poéticas: cordéis, haicais (pequenos poemas de origem japonesa), versos livres, trovas e até letras de músicas no estilo brega e uma moda de viola.
Os botânicos Arnildo Pott e Vali Joana Pott, Ângela Lúcia Bagnatori Sartori, Geraldo Alves Damasceno Júnior e Ubirazilda Maria Resende, a jornalista Maria José Surita Pires de Almeida e a engenheira agrícola Elizabeth Arndt, além do organizador Paulo Robson, assinam artigos e atividades pedagógicas do livro “Contextualizando a Botânica”. Nele, professores e alunos aprendem sobre a importância dos herbários e como realizar a coleta de uma planta no ambiente natural para permitir sua catalogação e identificação científica. Contribuições para melhorar a qualidade nutricional da merenda escolar e a dieta de comunidades de baixa renda ou mesmo para sobrevivência na mata estão no capítulo de Arnildo e Vali Pott, que listam as principais espécies comestíveis e medicinais do Pantanal. As diferentes formas de se trabalhar didaticamente os cartões postais e o pôster, várias informações científicas sobre as plantas abordadas nos poemas e como as plantas se espalham pelo mundo também são abordados.
Assinam o projeto editorial a jornalista Marília Leite, com design de Lennon Godoi. Já os ícones usados para identificar os volumes da coleção “são fragmentos de desenhos de autoria da professora de Fisiologia Vegetal da UFMS, doutora Tereza Cristina Stocco Pagotto. Utilizando lápis e canetas hidrocor, Tereza faz um mergulho profundo no subconsciente, buscando formas aparentemente desconhecidas, mas certamente encontradas no estudo das plantas – especialmente por aqueles que têm uma sensibilidade maior”.
Por ter recebido recursos públicos da Fundect, 1.250 exemplares estão sendo doados para instituições públicas. Todas as 395 escolas estaduais de Mato Grosso do Sul, por exemplo, ganharam o material didático e já incluíram seu uso nos planos pedagógicos de 2007. Para o público de qualquer faixa etária, a “Coleção Valorizando a Biodiversidade no Ensino de Botânica” estará à venda com preço reduzido na Livraria Lê, em Campo Grande. Para chegar às escolas das redes privada e municipal o projeto busca parceiros e apoiadores como prefeituras, empresas ou organizações.
O lançamento da obra será nesta sexta-feira, durante o Café Cultural da Livraria Lê, das 19h às 21h30. Os autores estarão presentes autografando a coleção e a entrada é franca. O endereço é rua Antônio Maria Coelho, 3.862, próximo à rua Ceará, em Campo Grande.
Fonte: Última Hora News
Mudas de fruteiras são distribuídas em Várzea Alegre
Com o objetivo de incentivar o plantio de fruteiras e reduzir impacto do desmatamento em áreas rurais, a Associação Comunitária de Várzea Alegre (Acomva) realizou uma campanha de distribuição de mudas de fruteiras e de plantas nativas para um grupo de pequenos trabalhadores. Os agricultores também receberam orientações técnicas sobre o cultivo de maracujá, mamão e goiaba. O trabalho é realizado numa parceria com a Secretaria de Agricultura do Município.
Há 12 anos que a Acomva realiza, em parceria com o Grupo de Apoio às Comunidades Carentes (Gaac), uma Organização Não Governamental (ONG) com sede em Fortaleza, ações para o crescimento social e econômico do município. “Percebemos as dificuldades existentes nas comunidades, no que se refere à diversificação das culturas”, explicou o presidente da Associação, João Alves de Souza Neto. “Surgiu o projeto de incentivo à fruticultura”, explica.
A partir do plantio de fruteiras, plantas nativas e de espécies nobres como o Nim, os técnicos da Acomva pretendem ampliar a produção de alimentos, melhorar a renda da agricultura familiar, compensar os desmatamentos excessivos dos últimos anos e contribuir para a variedade de culturas agrícolas na região. De acordo com João Neto, a idéia maior do projeto é contribuir para a preservação do meio-ambiente. “Melhorando a renda das famílias, reflorestamento de áreas rurais, diversificando as culturas e aumentando a oferta de alimentos, estamos contribuindo para a melhoria da qualidade de vida”, observou o presidente da entidade. “Vamos acompanhar o plantio e desenvolvimento dessas frutíferas”.
Nessa primeira etapa do projeto, foram atendidas 100 famílias das localidades de Canindezinho, Unha de Gato, Charneca e Capão. Essa é a primeira vez que a Acomva realiza uma campanha aberta, beneficiando agricultores não sócios da entidade. Foram distribuídas 2000 mil mudas de fruteiras, além de Nim e de plantas nativas da região.
Melhoria da renda - Os agricultores participantes da campanha mostraram-se interessados em fazer o plantio das fruteiras e das plantas nativas. “Espero melhorar a nossa renda”, disse Cláudio Valério, da localidade de Unha de Gato. O pequeno produtor Antônio Gonçalves da Costa (Neto da Boa Vista) disse contribuir para reduzir o desmatamento a partir do cultivo das mudas de Nim.
A Acomva já trabalha com um grupo de 46 pequenos agricultores, que produzem, de forma irrigada, feijão, macaxeira e milho. Há também oito núcleos de produtores de banana.
Além de assistência técnica, a entidade contribui com doações e empréstimos de implementos agrícolas para os produtores, em forma de rodízio entre os trabalhadores rurais do município.
Fonte: Diário do Nordeste






