Professor critica aprovação de MP que facilita liberação de plantas OGMs
(ABr) - A medida provisória (MP) que trata de transgênicos aprovada dia 27 não traz melhoras para a segurança biológica para o país. A avaliação é do professor Flávio Bertin Gandara, da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP.
O texto aprovado reduz o quórum para liberação comercial de organismos geneticamente modificados na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Proíbe o cultivo de transgênicos em terras indígenas e na maioria dos tipos de unidades de conservação (UCs), mas permite nas áreas de proteção ambiental (APAs) um dos tipos de unidade de conservação e na zona de amortecimento (faixa de proteção, cuja largura varia) das outras UCs.
As mudanças ainda dependem da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para virar lei.
Essas alterações não contribuem para um avanço tecnológico e nem para um avanço em segurança ambiental para a saúde pública do Brasil, avalia o professor.
Ele criticou a redução de 18 para 14 votos para liberação pela CTNBio.
“- Quando se faz uma liberação em termos biológicos, ela é para sempre. Uma vez que é liberado o plantio, e a entrada de novos organismos no ecossistema, eles não têm como ser retirados depois.”
O Decreto 5.950, que regulamenta a medida provisória, estabeleceprovisoriamente a distância mínima de 500 metros para a soja modificada e de 800 metros para o algodão modificado, em relação unidade de conservação.
No caso do algodão, a distância exigida passa para 5 quilômetros caso haja variedade silvestre da planta na unidade próxima.
O professor destaca que essa distância pode ser menor e pode prejudicar a área de conservação. A preocupação não é só com as áreas de conservação e sim a contaminação com outras lavouras não transgênicas, complementa.
Flávio Bertin Gandara diz que a política do Brasil para a área é muito incoerente: “- Enquanto se têm órgãos e institutos de pesquisa atuando deforma séria e consciente sobre a vantagem das técnicas do uso dos transgênicos, outros setores do governo vêm trabalhando de uma forma para poder liberar o uso e ceder as pressões econômicas de grandes empresas”.
Ele afirma que aumentou o nível de informação sobre o assunto na mídia, mas avalia que essa informação está confusa e pouco esclarecedora para a população. É preciso ter mais informações seguras para uma tomada de decisõesmais consciente, conclui.
Fonte: Jornal de Beltrão
EUA podem aprovar arroz com DNA humano
Planta produzirá proteínas que integrarão remédios contra diarréia e outros males.
Grupos ambientalistas alegam riscos de contaminação; plantio pode começar em abril.
Da Associated Press
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos deu aprovação preliminar a um plano para plantar arroz com genes humanos no estado do Kansas (Meio-Oeste americano). A permissão ainda pode ser revogada. O público americano tem até o dia 30 de março para enviar comentários ao Departamento de Agricultura. Se a aprovação final vier, o plantio deve começar em abril ou maio.
A empresa Ventria Bioscience quer plantar mais de 1.200 hectares de arroz modificado para produzir proteínas humanas. A idéia é colher o cereal e refinar as proteínas para uso em remédios contra diarréia, desidratação e outras doenças que afetam principalmente bebês e crianças novas.
O governo do Kansas apoiou o projeto e considera que ele ajudará a indústria de biotecnologia emergente no estado. No entanto, ambientalistas e membros de organizações não-governamentais disseram se opor ao plantio, argumentando que as proteínas poderiam ir parar na cadeia alimentar humana, causando reações médicas ou alergias.
“Somos contrários à produção de substâncias farmacêuticas ou de interesse industrial em plantas cultivadas ao ar livre porque achamos que há muitas maneiras de que isso leve à contaminação da cadeia alimentar”, declarou Kerry Perry Stillerman, analista-sênior da União dos Cientistas Responsáveis.
O Departamento de Agricultura americano liberou um rascunho de análise de risco ambiental, segundo o qual o plantio do arroz transgênico não traz perigos. No Kansas não existe cultivo comercial de arroz, e a Ventria deve usar equipamentos, sistema de armazenamento e processamento específicos para evitar que as sementes se misturem com outras plantas.
“Temos um produto que pode ajudar crianças a ficarem curadas mais rápido”, disse Scott Deeter, presidente e executivo-chefe da Ventria. Ele afirmou que as preocupações a respeito da tecnologia são “baseadas em percepções, e não na realidade”, dadas todas as precauções que a empresa está tomando.
Stillerman, no entanto, citou eventos climáticos, como tornados, que poderiam carregar o arroz para outros campos cultivados, onde haveria risco de contaminação. Ela também citou a possibilidade de erro humano no transporte e manuseio dos grãos.
Fonte: G1






