Decreto presidencial reconhece a importância dos remédios populares e autoriza médicos a prescrever ervas
Juracy Xangai
Técnicos da Funtac aprovam o reconhecimento e dizem que fato amplia a atuação do SUS
Os chazinhos e lambedores da vovó que têm livrado gerações dos mal-estares estomacais e problemas respiratórios finalmente começam a ser respeitados e logo, logo poderão até fazer parte da lista de receitas médicas do Sistema Único de Saúde (SUS).
O decreto número 5.813 assinado pelo presidente Lula, que assim criou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápticos, é o reconhecimento oficial de que os remedinhos caseiros de fato funcionam, mas isso ainda vai gerar muita polêmica entre os que defendem a cultura popular e os que querem garantir o mercado dominado pelos grandes laboratórios, até porque saúde é dinheiro.
Tudo começou com a realização de um levantamento dos remédios tradicionais mais usados pela medicina popular brasileira e quais seriam os males que se acreditava curarem. A partir daí, foram construídas tabelas que passaram pelo crivo da ciência para que cumprissem a exigência de três pontos fundamentais que são a qualidade da matéria-prima, a eficácia no tratamento e a segurança para o paciente.
Saúde que vem da floresta
Especializada na química de produtos naturais, a pesquisadora Ana Cláudia Amaral está em Rio Branco a serviço da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), que em parceria coma Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) e a Universidade Federal do Acre (Ufac) está ajudando a organizar dois laboratórios que já estão realizando a pesquisa de fitoterápticos e fitocosméticos com plantas e ervas típicos das florestas acreanas. Ela foi uma das pesquisadoras que ajudou a elaborar o projeto do decreto das Políticas Públicas dos Fitoterápticos assinado pelo presidente e que vai entrar em vigor neste mês de fevereiro.
“Estes laboratórios vão revolucionar as pesquisas já realizadas aqui no Estado permitindo a realização de descobertas que a gente ainda nem pode imaginar. Isso porque o Brasil, e especialmente a Amazônia, tem uma biodiversidade tão rica que nós ainda não conseguimos estudar nem 2% do que existe, por isso é que todos temos tanta preocupação com a preservação da floresta”, explicou a cientista.
Segundo ela, o laboratório que acaba de ser construído na Funtac com recursos de emenda parlamentar do senador Sibá Machado vai permitir que os pesquisadores acreanos possam realizar toda a análise de perfil das substâncias extraídas das florestas acreanas. Isso inclui as propriedades físico-químicas e substâncias moleculares dos extratos.
Na lista de 12 plantas apresentadas como prioritárias para o receituário médico inicial a ser liberado pelo SUS, consta, dentre todas as plantas medicinais da Amazônia, apenas a andiroba, fato que vem causando revolta por parte dos defensores do uso dos remédios vegetais na medicina tradicional amazônica.
Para alguns críticos do decreto, a lista restrita contendo plantas que nem podem ser cultivadas nas regiões norte e nordeste acabariam favorecendo os interesses dos grandes laboratórios e empresas produtoras do sul e sudeste brasileiro, ao mesmo tempo em que não leva em consideração a diversidade de climas, ambientes e culturas deste país continente.
“Nenhum dos integrantes da equipe estava ligada a qualquer laboratório e a idéia que moveu a equipe, desde o princípio, foi a de que os medicamentos da medicina popular tradicional realmente estavam dando resultado, mas que para serem receitados precisam atender alguns requisitos básicos exigidos pela ciência. O que nos levou a elaborar três listas onde alguns atendem os três requisitos da qualidade, eficácia e segurança, outros apenas parte deles e a maioria precisa ser melhor estudada”, afirma Cláudia.
Ela esclareceu que nas demais listas existe uma série de plantas da Amazônia, dentre elas, pelo menos dez do Acre, mas que apesar do uso consagrado pela ´população no tratamento de seus males, ainda não tem seus efeitos benéficos e, possível toxidade devidamente conferido pela ciência. “A Agência Nacional de Vigilância Sanitária são muito rigorosos, mas isso é uma necessidade para garantir a própria segurança de quem for usar esses medicamentos que hoje já são usados na medicina popular”.
Saúde também é cultura
Mestre em antropologia atuando no Departamento de Ciências da Saúde da Ufac, o professor Estanislau Paulo Klein é um dos mais respeitados instrutores de medicina popular do Acre e dedica boa parte de seu tempo a orientar os trabalhos que são realizados pelas Pastorais da Saúde pertencentes à Igreja Católica e que atuam junto à população da periferia da capital.
Referindo-se ao decreto assinado pelo presidente Lula, ele declarou: “Esse é um bom sinal porque abre campo para que o Sistema Único de Saúde permita que seus médicos possam receitar ervas tradicionalmente usadas para curar doenças. O uso dessas plantas pela população é milenar e é reconhecido em boa parte do mundo, mas a ciência ocidental traz em si a ortodoxia da inquisição impondo-se com autoritarismo. Por isso, a maioria dos médicos e outros profissionais em saúde não aceita que um índio, agricultor ou seringueiro dominem saberes que eles não têm”.
Mas um terceiro fator ainda mais forte nestes tempos de globalização, segundo Paulo Klein é justamente o interesse dos grandes laboratórios. “Saúde é dinheiro! A alopatia, com seus remédios químicos, é cara e a fitoterapia, com suas ervas, produz remédios eficientes a baixo custo, por isso, ainda que haja uma liberação oficial, é tão necessário limitar ao máximo a lista de ervas permitidas no receituário médico, dando-se preferência àquelas que mais interessam às grandes empresas em prejuízo da população”, denuncia.
Ele cita como exemplo o fato de que só a andiroba tenha sido incluída na lista primordial das políticas públicas dos fitoterápticos, enquanto que plantas como a unha de gato, tão abundantes no Acre e em toda a Amazônia é explorada às centenas de toneladas para que a grande indústria extraia seus princípios ativos para transformar em remédios que vão combater as dores musculares e reumáticas.
“A carapaúba branca cura mal de mulher e problemas de próstata, o sabugueiro az baixar a febre e desintoxica o corpo, o cumaruzinho tira catarro e melhora o sistema respiratório, o jatobá também faz isso e muito mais. São nossas plantas e ervas que a medicina popular consagrou embora a ciência ainda não reconheça seu valor”.
Lembrou que além das ervas, a medicina tradicional acreana usa produtos animais, assim, torrando e moendo o dente do porquinho do mato as índias e ribeirinhas curam a pneumonia de seus filhos. Já o óleo de suri, extraído das larvas do besouro que bota seus ovos no tronco do patauá é um medicamento consagrado contra os problemas respiratórios nas florestas da Bolívia e Peru de onde também vem o sangue de grado que dizem curar até o câncer.
Pastoral da Saúde
A cona de casa Raimunda Silva de Assis é uma das colaboradoras da Pastoral da Saúde que tem seu núcleo na comunidade São João Batista no bairro Plácido de Castro onde com oito companheiras de trabalho cultivam em seus quintais mais de 40 tipos de ervas medicinais. Com elas preparam coletivamente extratos, tinturas, pomadas, lambedores e ungüentos para o uso da comunidade.
Parte das mudas são vendidas todas as sextas-feiras na feira do Tucumã, sábado na feira da Vila Ivonete e domingo na da Rodoviária da Cidade Nova. “A ente não vende remédios porque não temos autorização para isso, mas ensinamos outras donas de casa a prepara-los e vendemos as mudas porque além delas poderem cultivar sua farmácia no quintal, isso ainda ajuda a preservar as plantas e com ela esta cultura que recebemos dos mais antigos”.
Explicou que além das ervas cultivadas no quintal, restos de mata ainda existentes na cidade funcionam como verdadeiras farmácias naturais. “Na semana passada mesmo, entramos na mata que fica aqui atrás do nosso bairro, ela é muito rica, então uma amiga que veio do Tucumã para nos ajudar, identificou uma grande quantidade de João Brandim, que eu ainda não conhecia por aqui. Ele é um ótimo remédio para tratar problemas de próstata”.
Dentre as ervas mais utilizadas pela comunidade estão a arruda para combater dores de cabeça, a pluma para resolver empachamentos e mal estar depois de refeições, a catinga de mulata resolvendo dores de ouvido. “Nas beiras de rio, durante o verão, a gente encontra bastante dipirona, macela e assa-peixe que fazem baixar a febre. Já o cumaruzinho é um santo remédio contra a gripe”.
Fonte: Página 20
Mandioquinha salsa
Popular no mundo todo
A mandioquinha-salsa, também conhecida por batata-baroa, batata-salsa ou cenoura amarela é uma hortaliça rica em fósforo, vitamina A e niacina, sendo também uma importante fonte de energia em função do seu alto teor de carboidratos. Devido a fácil digestibilidade de seu amido, é amplamente recomendada para alimentação infantil, de pessoas idosas e convalescentes. É uma raiz tuberosa originária dos países andinos (Equador-Peru), introduzida no Brasil no início deste século, provavelmente a partir da Colômbia. Pertence à família Apiácea, como a cenoura, a salsa, o coentro, o anis, o salsão ou aipo e o funcho.
Como comprar
A mandioquinha-salsa é produzida durante todo o ano, entretanto a safra se concentra no período mais frio, quando os preços são mais acessíveis.
As raízes frescas, recém colhidas, devem apresentar cor amarelo-intensa. Algumas cultivares produzem raízes brancas, porém estas não são comuns no mercado brasileiro. Evite comprar raízes cortadas, com ferimentos, áreas amolecidas ou manchas escuras, que podem apodrecer mais rapidamente. O tamanho das raízes não é muito importante, mas deve-se evitar aquelas com tamanho superior a 25cm, que podem ser fibrosas por terem sido colhidas de plantas velhas.
Como conservar
As raízes se deterioram muito rapidamente, chegando a apodrecer em 24 horas em temperatura ambiente. Raízes frescas se conservam por até cinco dias, quando embaladas em saco de plástico e mantidas em geladeira doméstica. Em condição ambiente, deve-se evitar embalar as raízes com plástico.
A mandioquinha-salsa crua pode ser congelada. As raízes devem ser lavadas, secas com papel absorvente e colocadas em saco de plástico, do qual se retira todo o ar com um bombinha de vácuo.
Como consumir
Tradicionalmente consumida como sopa, papinha para alimentação de bebês e ensopados, a mandioquinha-salsa é muito saborosa quando utilizada na elaboração de pães, canjas, nhoque, suflês, biscoitos, bolos ou em saladas frias e maionese. Também substitui a batata na forma de chip ou palha.
As raízes congeladas não se prestam para a elaboração de frituras, devendo ser utilizadas no preparo de pratos cozidos. Para a retirada da casca, as raízes são raspadas com uma faca sob água corrente, imediatamente após tirá-las do congelador. O descongelamento é feito diretamente ao fogo, durante o preparo do prato.
Dicas
- Experimente fazer purê de mandioquinha; faça como o purê de batata, somente substitua a batata por mandioquinha.
- A mandioquinha é um alimento recomendado para atletas e profissionais com alto gasto energético.
- Pessoas em regime de emagrecimento devem consumi-la com moderação, pois possui muita caloria
Receitas
Receita de Nhoque de Mandioquinha-salsa
Ingredientes:
1/2 kg de mandioquinha-salsa
1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
1 ovo inteiro e 1 gema
1 colher (sopa) de margarina a temperatura ambiente
sal à gosto
Modo de fazer:
. Descasque e cozinhe as raízes, de preferência no vapor.
. Amasse-as bem como para a preparação de purê.
. Adicione o ovo, a gema, farinha de trigo, o sal e a margarina e amasse bem.
. Se necessário, adicione mais um pouco de farinha, de modo a poder enrolar a massa.
. Enrole a massa em tiras de aproximadamente 1 cm de diametro, cortando-a depois em pedaços de 2 a 3 cm de comprimento.
. Mergulhe os nhoques em água fervente com um pouco de óleo.
. Retire-os com uma escumadeira quando boiarem na água; neste ponto estarão cozidos
. Deixe escorrer bem e coloque-os em uma vasilha refratária.
. Cubra com molho de tomate ou molho com carne moída à gosto, polvilhe com queijo parmesão ralado e leve ao forno para gratinar.
Rendimento: 4 porções
Tempo total de preparo e cozimento: 60 minutos
Sugestão: pode ser servido com molho branco
Sopa Creme
Ingredientes:
. 1 kg de mandioquinha-salsa
. 4 colheres (sopa) de cebola picada
. 1 colher (sopa) de salsinha (ou coentro) picada
. 4 colheres (sopa) de óleo ou 100g de bacon picado
. 1/2 xícara de queijo ralado
. sal, pimenta, cominho e colorau
Modo de fazer:
. Descasque e cozinhe as mandioquinhas-salsas em bastante água com sal.
. Bata as raízes no liquidificar com a água de cozimento suficiente pra obter consistência de creme.
. Refogue a cebola, a salsinha (ou coentro) em óleo ou bacon e tempere com sal, pimenta, colorau e cominho.
. Acrescente o creme de mandioquinha-salsa, deixe levantar fervura.
. Sirva com queijo ralado.
Rendimento:
8 porções
Tempo total de preparo e cozimento:
25 minutos
Sugestão:
pode-se complementar com carne moída
Bom bocado de Mandioquinha
Ingredientes
. 1 lata de leite condensado
. 1 xícara (chá) de leite de coco
. 6 ovos
. 1 colher (sopa) de manteiga ou margarina
. 1/2 kg de mandioquinha crua, ralada no ralo fino.
Modo de fazer:
. Misture bem todos os ingredientes.
. Unte forminhas de empada e polvilhe levemente com açúcar.
. Leve ao forno por 40 minutos
. Deixe esfriar bem antes de desenformar.
Rendimento: 30 unidades
Tempo total de preparo e cozimento: 60 minutos
Sugestão: o leite de coco pode ser substituído por leite de vaca com 1/2 xícara de chá de coco ralado fresco ou hidratado.
Autores
Mário Felipe de Melo — Eng. Agrônomo — Emater-DF
Rita Fátima A. Luengo — Pesquisadora — Embrapa Hortaliças
Maria José L.F. Matos — Economista Doméstica — Emater-DF
Selma Aparecida Tavares — Economista Doméstica — Emater-DF
Milza Moreira Lana — Pesquisadora — Embrapa Hortaliças
Fausto Francisco dos Santos — Pesquisador — Embrapa Hortaliças
Fonte: Correio do Norte
Morcegos - protetores das florestas
Os morcegos existem na Terra há 50 milhões de anos e estão distribuídos por todo o mundo, exceto nas regiões polares. Conhecidos como quirópteros, dada a sua asa, que na verdade é uma mão semelhante a nossa, com os dedos alongados recobertos e ligados por uma membrana que possibilita o vôo, os morcegos são os únicos mamíferos voadores.
Ao contrário do que comumente se acredita, os morcegos não são cegos, contudo, sua eficiência na caça se deve à um mecanismo chamado ecolocação, semelhante ao sistema sonar, onde os ultra-sons emitidos por eles são refletidos pelos obstáculos e o eco é captado e registrado indicando seu local exato.
Os morcegos se alimentam, basicamente, de frutas, néctar e insetos. Contudo, algumas espécies como o Desmodus rotundus, popularmente conhecido como morcego vampiro, deu a esses animais o triste rótulo de sugadores de sangue, e por essa razão os morcegos estão desaparecendo em proporções preocupantes.
Esses morcegos que se alimentam de sangue são chamados hematófagos, e, infelizmente, estão relacionados a outro fator que está causando ameaça de existência desses animais, que é a questão das doenças, em especial a raiva e a histoplasmose. Essas doenças podem ser transmitidas por morcegos, contudo, podem ser evitadas sem que haja o extermínio desses animais.
A raiva, como em todos os mamíferos, pode ser contraída por morcegos hematófagos e transmitidas a animais de criação e ao homem. Para evitá-la basta vacinar os animais e ter cuidado para não entrar em contato com morcegos doentes.
Já a histoplasmose é uma doença respiratória infecciosa, transmitida pelo fungo Histoplasma capsulatum, onde o risco está nas fezes secas desses animais e também de pássaros. Para prevenção é importante que a pessoa use máscaras ou lenços úmidos, recobrindo o nariz e a boca ao entrar em contato com fezes secas, pois estas apresentam esporos desses fungos.
Apesar dos problemas causados pelos morcegos, sua importância para a biodiversidade é inigualável. Esses animais são os maiores controladores de insetos noturnos do reino animal, incluindo mosquitos e pragas agrícolas. Apenas um morcego é capaz de comer centenas de insetos em uma noite. Além disso, outra característica da maioria das espécies de morcegos, e talvez a mais importante, é a de polinizadores, uma vez que a grande maioria das espécies se alimenta de frutos e acaba desempenhando um papel vital para a sobrevivência das florestas e plantações agrícolas.
Esses morcegos espalham sementes de centenas de espécies de árvores e outras plantas que dependem exclusivamente deles e contribuem de maneira representativa para a recomposição de nossas florestas e matas.
Outra grande novidade que beneficia a existência desses animais está nas recentes descobertas científicas relacionadas à saúde. Segundo pesquisas os morcegos vampiros estão ajudando na busca de novos medicamentos para doenças do coração, devido à substância anticoagulante presente na saliva destes animais.
Contudo, em meio a tantas qualidades, o medo e a ignorância podem acabar com a existência desses animais que são fundamentais para o equilíbrio ecológico e para o controle de diversas pragas, muito mais prejudiciais que o próprio morcego. Por essa razão é preciso conscientizar as pessoas de que o medo do desconhecido, os mitos ou simplesmente a aparência podem não ser o que realmente importa para o perfeito convívio dos habitantes da Terra.
Fonte: A Voz da Cidade






