Semma põe mudas nativas no lugar de planta invasora
O trabalho é feito às margens do Rio Bauru para conter as leucenas
Juliana Lobato/Agência BOM DIA
Para amenizar o impacto das leucenas no ecossistema, a Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) está substituindo as plantas existentes ao longo do rio Bauru por espécies nativas como Ingá e Aroeira. Na semana passada, as primeiras mudas foram replantadas.
Como o BOM DIA publicou no último domingo, os invasores exóticos como javali, lebrão e caramujo gigante africano causam transtornos na região e um prejuízo anual estimado em US$ 49 bilhões no país.
O problema, porém, não se restringe à fauna. Atinge também a flora. Em Bauru, um dos vegetais exóticos invasores que causam maior preocupação é a leucena, que já toma conta das margens do rio Bauru e “de 75% da área verde da cidade”, na estimativa do biólogo Mateus Pereira das Neves, do escritório regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). “Se não houver controle logo, a perda de biodiversidade será ainda maior”, avalia.
“O objetivo da medida é refazer a arborização nas margens do rio Bauru e ao longo da avenida Nuno de Assis, uma das regiões mais prejudicadas pela leucena”, afirma Rodrigo Agostinho, secretário municipal do Meio Ambiente.
A substituição da leucena por plantas nativas é uma das melhores formas de controlar a invasora, de acordo com a engenheira florestal Silvia Ziller, diretora executiva do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, com sede em Florianópolis.
Por ter alta capacidade de fixar nitrogênio no solo e rápido crescimento, a planta, originária da América Central e do México, foi introduzida no Brasil para servir como forragem (alimentação de gado), além de ser utilizada em áreas degradadas.
“O problema é que a leucena produz muita biomassa e domina os ambientes que ocupa, expulsando espécies nativas. O impacto é pior quando a planta está às margens de rios, porque ela produz muita semente. Assim, sua dispersão é agravada”, explica Silvia.
Amarelinho também afeta região
Segundo a engenheira florestal Silva Ziller, o arquipélago de Fernando de Noronha é um dos locais mais atingidos pela leucena no Brasil. “A espécie se tornou problemática em mais de 100 países do mundo, de acordo com levantamento da União Mundial para Conservação da Natureza”, destaca.
Além da leucena, outras plantas invandem a flora brasileira, a maioria delas introduzida para fins de pastagem ou ornamento. Uma delas é o amarelinho, também conhecido como ipezinho de jardim, originário do México e América Central.
O invasor já afeta a região. “Em Botucatu, por exemplo, há áreas inteiras tomadas pelo ipezinho de jardim. Assim como os demais exóticos invasores, ele ocupa o mesmo nicho ecológico que as espécies nativas, causando o desequilíbrio ambiental”, destaca o biólogo Mateus das Neves.
Outro invasor de destaque é a braquiária. Proveniente da África, a planta foi introduzida no Brasil a partir da década de 1950 e se tornou o principal capim nas pastagens do país, especialmente na região Central, levando à substituição do cerrado herbáceo nativo.
30/1/2007 Adriana Alves (adriana.alves@bomdiabauru.com.br)
Fonte: Jornal BOM DIA
Produtores de flores vão usar tecnologia ecológica
Novo sistema substitui gás proibido por vapor de água e solarização
Júlio Monteiro/Agência BOM DIA
Os produtores de flores e plantas ornamentais da região de Sorocaba vão substituir o brometo de metila, usado como substrato e desinfestação do solo, por uma nova tecnologia desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A tecnologia emprega o vapor d’água e a energia solar nas culturas.
A Associação de Produtores de Ibiúna, São Roque, Vargem Grande, Cotia e Piedade, na região de Sorocaba, deve receber em fevereiro a doação de cinco caldeiras e injetores. Ainda este ano, mil coletores solares serão doados aos produtores.
Vapor quente
A técnica consiste na injeção de vapor em alta temperatura (70 a 80 graus centígrados) no solo. Os equipamentos de injeção são capazes de tratar 100 m² de solo a cada uma hora e após dois dias o solo estará pronto para novo plantio.
A energia solar é aplicada no tratamento de substratos em viveiros de plantas, produzindo mudas saudáveis e livres de microorganismos.
O emprego da nova tecnologia ocorre porque o uso de brometo de metila está proibido pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento desde 31 de dezembro de 2006.
“Ibiúna e região eram grandes consumidores de brometo em 2003 e 2004”, diz o agrônomo João Rodrigues Borba, responsável pela orientação dos floricultores na região de Sorocaba.
Substância destrói camada de ozônio
O brometo de metila é uma substância altamente poluidora, cujo uso afeta a camada de ozônio. Cada átomo de bromo do brometo de metila que alcança a estratosfera destrói 60 vezes mais ozônio do que os átomos de cloro dos CFCs (clorofluorcarbono).
A iniciativa da proibição é da Unido (Organização para o Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas).
Sem usar o brometo e a tecnologia, os produtores podem fazer a solarização natural do solo para livrá-lo de infestações.
A técnica consiste em cobrir os canteiros com uma lona por pelo menos 30 dias. A desvantagem é a demora na reutilização do solo.
Fonte: Jornal BOM DIA
Biopirataria causa prejuízo na Amazônia
A biopirataria na Amazônia é a base de um mercado que movimenta US$ 100 milhões por ano nas indústrias química, farmacêutica e cosmética. E o Brasil não vê um único centavo proveniente desses recursos
Karla Correia, Fernando Exman e Clara Ponte escrevem para a “Gazeta Mercantil”:
Absoluto descontrole oficial sobre a atuação das organizações não-governamentais (ONG), ausência do governo nas comunidades mais carentes da região Norte, legislação pouco adequada, mais conivência do governo e da comunidade acadêmica brasileira com interesses externos têm feito da Amazônia o celeiro de uma riqueza monumental, que beneficia uma massa de estrangeiros que circula com desenvoltura na floresta.
A biopirataria na região é a base de um mercado que movimenta US$ 100 milhões por ano nas indústrias química, farmacêutica e cosmética, segundo estimativa do Ministério do Meio Ambiente. E o Brasil não vê nem um centavo desses recursos.
“Existem espaços na Amazônia em que brasileiro não entra, tem o acesso impedido”, diz o secretário de Biodiversidade e Florestas do ministério, Rogério Magalhães.
Ele cita como exemplo o instituto norte-americano de pesquisa Smithsonian, conveniado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Segundo ele, em 2001 o Smithsonian fechou um espaço no terreno do Inpa, impedindo a entrada de qualquer brasileiro.
“Ninguém sabia o que era pesquisado lá. Era como se fosse um território norte-americano fincado em plena Amazônia. Em um espaço desses, qualquer espécie pode ser analisada sem autorização do governo, sem qualquer tipo de controle”, lembra Magalhães.
Um dos casos mais famosos de pirataria com espécies nativas brasileiras foi o registro da marca cupuaçu pela empresa japonesa Asahi Foods, em 2002.
O processo brasileiro contra a empresa, que perdeu o direito à patente em 2004, se transformou em bandeira nacional contra a biopirataria mas não conseguiu evitar que outros produtos fossem registrados por empresas estrangeiras.
O cupulate, chocolate feito da semente do cupuaçu, e o açaí são hoje alvos de acirrada disputa judicial entre Brasil e Japão.
O consultor ambiental Eduardo Martins explica que a dificuldade de comprovação, por falta de fiscalização e de legislação apropriada, e a falta de investimento em pesquisa e registros de produtos nativos favorecem o crime de biopirataria.
Ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Martins cita o jaborandi como outro alvo clássico de biopirataria.
A planta é utilizada há séculos por indígenas no preparo de chás diuréticos e expectorantes. Hoje, o laboratório Merck detém a patente sobre o isolamento de cristais de pilocarpina a partir da planta.
Desde o início da década de 90, a multinacional farmacêutica é dona de um terreno de 2.250 hectares no município de Barra do Corda, no Maranhão, voltado para o cultivo de jaborandi, planta cujo princípio ativo, a pilocarpina, é utilizada em tratamentos de calvície e no controle do glaucoma - doença ocular que pode provocar cegueira.
Existem outros 20 registros de patente em todo o mundo citando princípios ativos do jaborandi.
“Quando uma empresa farmacêutica consegue acessar o conhecimento tradicional de comunidades no uso de determinadas plantas, ela consegue economizar anos de pesquisa na busca por princípios ativos e sua aplicação. Se o trabalho for feito dentro da lei, os lucros originados das pesquisas são divididos com a comunidade detentora do conhecimento. Como não vemos nenhuma dessas comunidades participando dos enormes lucros da indústria farmacêutica, fica óbvio que os caminhos corretos estão sendo ignorados.”
A Merck alega que sua patente sobre o jaborandi não pode ser classificada como fruto de biopirataria, pois o conhecimento na obtenção de seu princípio ativo teria passado a domínio público antes da instituição da legislação brasileira que regulamenta o acesso ao patrimônio genético, que desde 2001 prevê a necessidade de autorizações específicas.
O acesso ao patrimônio genético brasileiro para fins de pesquisa está regulado pela Medida Provisória 2.186-16, editada em 2001, e depende de autorização do Ibama.
Poucos laboratórios, entretanto, seguem esse caminho legal, que especialistas em biotecnologia consideram lento demais.
No ano passado, apenas 39 pedidos de autorização foram encaminhados ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético do Ibama. E somente cinco foram aprovados.
“O número pequeno de autorizações mostra o grau de burocracia desse processo, mais do que a incorreção dos pedidos”, critica o coordenador do grupo de estudos em biotecnologia da Associação de Defesa da Propriedade Intelectual (ADPI), Gabriel Di Blasi.
Segundo ele, o processo de autorização para pesquisa dura um ano, em média.
“Diante de uma legislação extremamente burocrática e da falta de fiscalização, poucos laboratórios se dão ao trabalho de pedir licença ao governo brasileiro para as pesquisas. Desde a Eco 92 o governo debate a redação de um projeto de lei para regular as pesquisas envolvendo espécies nativas, mas o anteprojeto continua parado na Casa Civil por um impasse entre os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura.”
(Gazeta Mercantil, 30/1)
Café, a nova arma contra o mosquito da dengue
A bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências da UNESP (campus de São José do Rio Preto), durante a pesquisa da sua dissertação de mestrado, descobriu que a borra de café produz um efeito que bloqueia a postura e o desenvolvimento dos ovos do Aedes Aegypti.
O processo é extremamente simples: o mosquito pode ser combatido colocando-se borra de café nos pratinhos de coleta de água dos vasos, no prato dos xaxins, dentro das folhas das bromélias, etc.
A borra de café, que é produzida todos os dias em praticamente todas as casas tem custo zero. O único trabalho é o de colocá-la nas plantas, inclusive sendo jogada sobre o solo do jardim e quintal.
Os especialistas em saúde pública, entre eles médicos sanitaristas, estão saudando a descoberta de Alessandra, uma vez que, além da ameaça da Dengue 3, possível de acontecer devido às fortes enxurradas de final de ano, surge outra ameaça proveniente do exterior: a da Dengue tipo 4.
Conforme explica a bióloga, 500 microgramas de cafeína da borra de café por mililitro de água bloqueia o desenvolvimento da larva no segundo de seus quatro estágios e reduz o tempo de vida dos mosquitos adultos.
Em seu estudo ela demonstrou que a cafeína da borra de café altera as enzimas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais como o metabolismo hormonal e da reprodução, podendo ser essa a causa dos efeitos verificados sobre a larva e o inseto adulto.
A solução com cafeína pode ser feita com duas colheres de sopa de borra de café para cada meio copo de água, o que facilita o uso pela população de baixa renda e pode ser aplicada em pratos que ficam sob vasos com plantas, dentro de bromélias e sobre a terra dos vasos, jardins e hortas.
O mosquito se desenvolve até mesmo na película fina de água que às vezes se forma sobre a terra endurecida dos jardins e hortas, também na água dos ralos e de outros recipientes com água parada (pneus, garrafas, latas, caixas dágua etc.).
“A borra não precisa ser diluída em água para ser usada”, destaca a bióloga. Pode ser colocada diretamente nos recipientes, já que a água que escorre depois de regar as plantas vai diluí-la.
Ou seja: ela recomenda que a borra de café passe a ser usada, também, como um adubo ecologicamente correto.
Atualmente, o método mais usado no combate ao Aedes aegypti é o da aspersão dos inseticidas organofosforados, altamente tóxicos para homens, animais e plantas.
Fonte: Prof. Julio Cesar C. Leitão - www.clubedaarvore.com.br
Praga que vira energia
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – O inajá (Maximiliana maripa), uma palmeira abundante na região amazônica, é considerada uma praga por muitos habitantes locais. Traz prejuízos à pecuária, pois suas sementes são dispersas facilmente por diversos animais, e a planta, que atinge até 20 metros, resiste ao fogo, brotando novamente onde são feitas queimadas para preparação de pastagens.
As mesmas características que tornam o inajá um problema para os pecuaristas poderão transformá-la numa solução para comunidades agrícolas isoladas, gerando energia e renda. O Instituto Militar de Engenharia (IME) e a unidade de Roraima da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acabam de estabelecer uma parceria para a implantação de uma usina de biocombustível operada com óleo de inajá. O projeto é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
O agrônomo Oscar José Smiderle, um dos pesquisadores da Embrapa envolvidos no projeto, declarou que a usina deverá ser instalada até março e a produção do óleo deverá começar no meio do ano. “O projeto é do IME. A Embrapa fará a pesquisa necessária para termos o domínio agronômico da planta. Depois disso, saberemos qual a quantidade de produção possível. A usina será um piloto para aprimorar os estudos”, disse ele à Agência FAPESP.
De acordo com Smiderle, o protótipo será construído no Campo Experimental Serra da Prata, da Embrapa Roraima, em Mucajaí (RR), a 100 quilômetros de Boa Vista. Ele será composto por dois módulos: um para a extração de óleo e outro para o refino.
O objetivo é desenvolver um protótipo que possa ser replicado nas comunidades isoladas da fronteira agrícola. “Há comunidades que ficam a até 500 quilômetros e seria caro levar a energia por meio de fios. A idéia seria instalar geradores nas próprias comunidades”, afirmou.
Um dos objetivos do projeto é a geração de renda e o desenvolvimento sustentável das comunidades. “Por isso pretendemos, futuramente, instalar módulos próximos a cada núcleo. Assim os habitantes poderão participar do processo. Quando o inajá é processado, as sobras podem ser usadas para fabricação de bolachas, doces e ração animal”, afirmou Smiderle.
Segundo o pesquisador, as usinas são de pequeno porte e poderão ser transferidas de acordo com a distribuição da matéria-prima. A usina irá operar, inicialmente, com óleo in natura de inajá, mas há possibilidade de testes com óleos de outras plantas. O IME prevê que a capacidade de produção poderá atingir até 16 mil litros por mês.
A estratégia do projeto, de acordo com Smiderle, é aproveitar o conhecimento do IME em biocombustíveis e o conhecimento da Embrapa instalado na região Norte, aproveitando a logística do Exército brasileiro, por meio do Comando Militar da Amazônia, para contribuir com o desenvolvimento sustentável.
Fonte: Agência FAPESP
Convênio possibilitará produção de plantas medicinais
Programa será implantado em Foz do Iguaçu
Foi assinado na última semana um convênio entre a Secretaria deAgricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA)e a entidade Produtores Associados para o Desenvolvimento deTecnologias Sustentáveis (SUSTENTEC) para a implantação do Programa dePlantas Medicinais e Fitoterápicos na Atenção Primária à Saúde, na árearural do município de Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná.
A SAF/MDA irá apoiar o projeto destinando quase R$ 100 mil,beneficiando diretamente 50 famílias de agricultores familiares, cercade 200 produtores (em sua maioria agricultoras), além de quatroassociações de produtores orgânicos, 160 agentes e profissionais desaúde, quatro instituições e prefeituras participantes do projeto.
Esse projeto tem como objetivo a produção de plantas medicinais e aimplantação de um modelo de utilização de fitoterápicos no SistemaÚnico de Saúde (SUS), a partir da produção agrícola familiar e dobeneficiamento da produção de fitoterápicos em arranjos produtivoslocais. O convênio poderá garantir a produção de matéria-prima e deplanta seca de espécies medicinais para a utilização como medicamentofitoterápico no SUS.
Para o secretário da SAF/MDA, Valter Bianchini, o convênio é parte deum conjunto de ações, envolvendo como parceiros a Itaipu Binacional, asprefeituras municipais e as associações de produtores orgânicos dascidades de Toledo (PR), Foz do Iguaçu (PR), Pato Bragado (PR) e VeraCruz do Oeste (PR), e se integra à proposta de agricultura sustentável,oferecendo a oportunidade de novas alternativas de renda na agriculturafamiliar. “São grandes as possibilidades de sucesso desse projeto, poishá um trabalho integrado da produção, beneficiamento, transformação ecomercialização”, explica.
Programa integrado
Segundo Bianchini, esse projeto é parte de um programa nacional queintegra os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Saúde (MS)e do Meio Ambiente (MMA), visando a produção de fitoterápicos como umaalternativa econômica, saudável e de renda na agricultura familiar. Oprojeto prevê ações como: produção comercial de 12 espécies medicinaisvalidadas para utilização como matéria-prima na elaboração demedicamento fitoterápico no SUS; e desenvolvimento de tecnologia desecagem e beneficiamento de 12 espécies medicinais validadas paraprodução de drogas vegetais, entre outros.
A Sustentec é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 2003, queagrupa produtores, técnicos e profissionais ligados ao desenvolvimentorural sustentável, desenvolvendo trabalhos na área de cultivo orgânicode plantas medicinais.
Fonte: Bem Paraná
Entenda o que é o “efeito estufa” e como ele provoca o aquecimento global
Paulo Montoia
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Ao chegar à Terra, parte da energia do sol é aprisionada na atmosfera e isso a mantém “quentinha”, a uma temperatura média de 30 graus. É esse efeito benéfico que os cientistas chamam de Efeito Estufa, expressão que tem um sentido mais claro no original em inglês greenhouse effect (Efeito de Estufa de Plantas). As explicações estão na página www.unfccc.org.
Sem o efeito estufa, não haveria vida na terra e nos oceanos, pelo menos com a riqueza, a diversidade e complexidade que conhecemos hoje. O problema é que, nas últimas décadas, os climatologistas perceberam que a temperatura média do planeta estava aumentando, ou seja, está acontecendo uma intensificação do efeito estufa.
Popularmente, portanto, se fala nos efeitos perniciosos do efeito estufa quando na verdade se está fazendo referência aos problemas trazidos pela intensificação desse efeito, não por ele em sim, que existe há milhões de anos e é fundamental para a existência de vida no planeta.
Nas últimas décadas, os cientistas passaram a estudar as causas desse sobreaquecimento, alertando a comunidade internacional. Esse movimento deu origem à Convenção das Nações Unidas Sobre as Mudanças Climáticas, aprovada e iniciada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992, a Eco-92, ou Rio-92.
A temperatura média do planeta já subiu 6 graus no século 20 e as projeções indicam que subirá entre 1,4 grau e 5,8 graus até o ano 2100, se nada for feito para deter o processo, segundo informe oficial do portal de internet da Convenção. “Mesmo uma pequena elevação da temperatura faz-se acompanhar por mudanças climáticas nas camadas de nuvens, nas chuvas, padrões dos ventos e duração das estações do ano”, destaca a Convenção no portal da internet.
Os gases do efeito estufa formam como que uma “redoma de vidro” sobre o planeta, deixando entrar a luz e aprisionando o calor. Originalmente, esses gases somavam apenas 1% do total da atmosfera. O principal deles é o dióxido de carbono (CO²), que tinha participação de 60% nessa soma. Ocorre que os principais energéticos utilizados pelo homem nos últimos séculos – madeira, carvão, petróleo e gás natural – liberam carbono (C) na atmosfera e contribuem para formar mais dióxido de carbono (também conhecido como gás carbônico ou CO²), que intensifica o efeito estufa.
O ciclo de absorção e liberação de carbono é um dos mais amplos e importantes do meio ambiente e envolve ar, terra e seres vivos, águas doces e oceanos. As plantas, por exemplo, absorvem carbono e o armazenam. Mas a liberação de carbono no ambiente, pelo homem, acontece numa velocidade maior do que a capacidade de absorção do ambiente. Segundo dados da Convenção das Nações Unidas sobre o assunto, os níveis de CO² na atmosfera estão crescendo 10% a cada 20 anos.
O Tratado de Quioto pretende reduzir as emissões de carbono, particularmente as geradas por atividades industriais e veículos de transporte. Objetiva também estimular todos os tipos de projetos que preservem ou ampliem a capacidade do ambiente de absorver o CO² ou outros gases causadores da intensificação do efeito estufa (ozônio – O³ – ou metano, CH4, por exemplo), por meio do mercado de créditos de carbono.
Outras informações sobre o efeito estufa podem ser encontradas na página oficial da convenção na internet, www.unfccc.org.
Fonte: Agência Brasil






