Recuperação do Rio Xingu busca sementes nativas
A coleta de sementes de plantas nativas é a principal meta, este ano, da campanha Y Ikatu Xingu, que significa “água limpa e boa” na língua Kamaiurá, pertencente ao tronco Tupi. Lançada há três anos, a campanha objetiva recuperar nascentes e matas ciliares (as que margeiam os cursos dágua) do Rio Xingu no Mato Grosso.
De acordo com o coordenador da campanha pelo Instituto SocioAmbiental (ISA), Márcio Santilli, lideranças indígenas vão recolher sementes em remanescentes florestais e municípios da região já construíram viveiros, porém a coleta ainda é pequena diante do tamanho das áreas degradadas.
“Um esforço de recuperação em maior escala de matas ciliares da região vai demandar uma quantidade muito grande de sementes de diversas árvores”, explicou, em entrevista à Agência Brasil. “Essas sementes de espécies nativas não são passíveis de compra no comércio local, portanto tem que haver esforço grande de coleta, tratamento e distribuição.”
Os recursos para o trabalho virão de parcerias com os governos federal, estadual e municipais. Segundo Santilli, a campanha possui 15 projetos, sendo que alguns devem começar neste ano, como o da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Em três anos, a empresa vai capacitar pessoas e instituições sobre o uso da água, plantio e apoio a assentados, além do desenvolvimento de experimentos na pecuária. O custo será de R$ 1 milhão, dividido igualmente entre a empresa e o Ministério da Ciência e Tecnologia.
Além de prefeitos e indígenas, fazendeiros, assentados e a universidade local aderiram à campanha. Para o coordenador, a participação de quem “tem a mão na massa” é fundamental para a recuperação das nascentes e matas ciliares e reverter a cultura do desmatamento, trazida pelas famílias que migraram para o Xingu.
“As pessoas trouxeram um tipo de cultura agrícola ou de cultura de ocupação de território que tiveram dos seus pais e avós, da própria orientação histórica que o Estado brasileiro deu para esse tipo de ocupação. Muitas pessoas eram estimuladas a desmatar até para comprovar a posse efetiva das áreas”, ressaltou Santilli. A expansão agrícola, o desmatamento e as queimadas têm provocado a seca de várias nascentes e destruição das matas em torno do rio, conforme dados do ISA.
Criado em 1961, o Parque Indígena do Xingu tem atualmente cerca de 2,6 milhões de hectares, porém as nascentes dos rios formadores do Xingu, principal rio da região, ficaram de fora do parque. O projeto original para o local, defendido pelos irmãos Villas Boas, por Darcy Ribeiro e pelo marechal Cândido Rondon junto a Getúlio Vargas, previa uma área quatro vezes maior.
Fonte: Redação 24HorasNews
Profetas da chuva voltam a se reunir em Quixadá
Eles tentam um consenso sobre como vai ser a quadra chuvosa deste ano.
Os chamados profetas da chuva voltam a se reunir em Quixadá, no Sertão Central, para tentar um consenso sobre como vai ser a quadra chuvosa deste ano. Vai ter chuva? Vai ser um ano de seca? A previsão dos profetas se baseia na sabedoria popular. E tem como método a observação de elementos da natureza, como os insetos e plantas da caatinga, o solo do semi-árido e o vento.
O encontro será realizado no próximo sábado. Na sexta-feira, cientistas da meteorologia vão anunciar, em Fortaleza, a primeira previsão de chuva do ano no Nordeste. Será no final de um congresso que começa amanhã. No Ceará, a temporada de chuva, o chamado inverno, vai de fevereiro a maio. A chuva, comum este mês, no litoral, Serra da Ibiapaba e, principalmente, no Cariri, é de pré-estação.
Fonte: Verdes Mares
Gene do gramado perfeito é descoberto
Uma equipe de cientistas descobriu um gene que poderia ser usado para manter o gramado verde mesmo em períodos de seca, segundo um estudo divulgado na publicação especializada “New Phytologist”.
Os cientistas afirmam ter identificado uma mutação crucial da espécie de grama conhecida como “festuca” que desativa uma proteína que normalmente ajuda na degradação da clorofila, responsável pela coloração verde das plantas.
O gene em questão atua em diversas espécies vegetais, segundo os cientistas, dirigidos por Ian Armstead, do Instituto de Pesquisas Ambientais de Aberystwyth (norte do País de Gales).
“A identificação do gene e o desenvolvimento de marcadores moleculares facilita o cultivo desse tipo de planta”, afirma Armstead, citado hoje pelo jornal “The Daily Telegraph”.
Além de sua contribuição para criar o “gramado perfeito”, o gene em questão controla também a cor amarelada das folhas no outono e recicla o nitrogênio nas proteínas das plantas.
Fonte: Folha Online
Valorlis abre concurso para compostores domésticos
A Valorlis – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos abriu um concurso público tendo em vista o fornecimento de 19 mil compostores domésticos, com capacidade entre os 140 e os 360 litros, revela a edição de hoje do Ambiente Online.
Os compostores servem para depositar restos de cozinha e de jardim. Seis meses depois o composto está pronto para ser aplicado nas plantas.
De acordo com o anúncio de concurso, este ano deverão ser entregues 6500 unidades. Igual número deverá ser entregue em 2008 e 2009.
A partir da decisão de adjudicação, o prazo para o fornecimento é de 60 dias. Os compostores serão entregues nas áreas afectas aos sistemas multimunicipais da Alta Estremadura e/ou Oeste.
Fonte: Leiria Econômica
Salvação da lavoura
Por Fábio de Castro
![]() |
| O controle do cancro cítrico faz com que os produtores brasileiros gastem R$ 40 milhões anualmente |
Agência FAPESP – Cientistas brasileiros seqüenciaram cerca de 55 mil genes únicos de frutas cítricas, sendo 32 mil só de espécies de laranjas, criando o maior banco de dados científicos no setor no mundo.
O objetivo do projeto é desenvolver mapas, identificando genes associados com a resistência a doenças que ameaçam seriamente a citricultura – atividade estratégica para a agricultura brasileira, com faturamento anual de US$ 1,5 bilhão.
“Trata-se de uma ampla cobertura do genoma expresso de uma planta, configurando um banco de informações valioso. Mas o genoma é uma etapa do processo – estamos interessados em integrar e usar essas informações no melhoramento genético, que é nosso objetivo fundamental”, disse Marcos Machado, diretor do Centro Apta Citros do Instituto Agronômico, de São Paulo, à Agência FAPESP.
A pesquisa, iniciada em 2001, foi realizada pelo Instituto do Milênio de Integração de Melhoramento Genético, Genoma Funcional e Comparativo de Citros, que é coordenado por Machado. Segundo ele, além do banco de dados, a pesquisa gerou diferentes híbridos que estão sendo avaliados em condições de campo.
“Temos mais de 500 híbridos só no âmbito do Instituto do Milênio, além de mais 800 outros em avaliação. Montamos uma rede experimental para testes de campo das plantas selecionadas por sua resistência a doenças”, explicou.
Para Machado, o melhoramento de uma única espécie já é suficiente para compensar os esforços de pesquisa. “Dentro do quadro de variedades de cítricos do Brasil, usamos muito o tangor murcott [murcote], um híbrido de tangerina e laranja. Há 10 milhões dessas plantas apenas no Estado de São Paulo. Elas são processadas pela indústria e servem como tangerina. Se um dos nossos 400 híbridos for igual ou melhor que o tangor, ele já pagará todo o programa”, afirmou.
A pesquisa tem gerado grande número de publicações, mas o aspecto mais importante é o número de genes envolvidos na resposta da resistência à doença. “Investimos inclusive em plantas transgênicas dentro do grupo dos cítricos. Se vários genes de tangerina estão associados à resistência à Xylella, por exemplo, por que não passá-los para a laranja?”, indaga.
Competição e cooperação
O próximo passo dos pesquisadores do Instituto Agronômico é a negociação com grupos norte-americanos para definir a participação brasileira no projeto de seqüenciamento completo do genoma da laranja. A equipe viajará em janeiro até o Joint Genome Institute, do Departamento de Energia dos Estados Unidos.
“Vamos participar em conjunto com o Consórcio Internacional para o Seqüenciamento do Genoma de Citros, do qual somos membros fundadores”, explica Marcos Machado. Ao lado do Brasil, o consórcio, fundado há quatro anos, conta com a participação de representantes dos Estados Unidos, Japão, Espanha, Austrália, China, Israel, Itália e França.
O consórcio teve limitações, desde sua criação, principalmente por conta da intensa concorrência comercial entre o Estado de São Paulo e a Flórida – os dois maiores produtores mundiais. “Na concepção de trabalho dos norte-americanos, todos os dados obtidos em projetos financiados com recursos públicos devem ser tornados públicos irrestrita e imediatamente. Não é nosso ponto de vista. Apesar disso, eles estão buscando parceiros e nossa perspectiva agora é participar do seqüenciamento total”, afirmou Machado.
O pesquisador conta que o modelo de exploração agrícola brasileiro está esgotado, pois trabalha com poucas variedades, é altamente extensivo, tem amplo uso de defensivos e alto custo de produção. Ainda assim, o país tem chances de se tornar o primeiro produtor mundial.
“A citricultura na Flórida está muito debilitada. Eles perderam o controle do cancro cítrico e de doenças como o greening. Os furacões também são um problema sério para o controle de doenças. Além disso, há uma pressão imobiliária violenta nas áreas de cultivo e custos muito altos de produção. O Brasil precisa aproveitar a oportunidade para se consolidar como maior produtor”, disse.
Prejuízos imensos
A citricultura é estratégica. “Ela é a segunda atividade agrícola paulista depois da cana-de-açúcar. O Estado é o maior exportador de suco de laranja do mundo, dominando 50% do mercado mundial”, conta Machado. Além da questão crônica dos preços, a vulnerabilidade a doenças é o principal desafio atual do setor.
A doença que acarreta maiores prejuízos atualmente é a leprose, de acordo com Machado. A citricultura paulista gasta cerca de US$ 100 milhões anualmente no controle químico do agente vetor – um ácaro que transmite o vírus da doença. O maior volume de uso de acaricidas é dirigido à citricultura.
A clorose variegada dos citros (CVC), conhecida como amarelinho, que é causada pela Xylella fastidiosa, atinge atualmente 47% das plantas em São Paulo. “Há estimativas de que sejam gastos R$ 100 milhões por ano no controle da CVC”, conta Machado. Segundo ele, o controle geralmente implica a eliminação e poda das plantas doentes, com controle químico do vetor.
O fato de as plantas de cítricos serem perenes aumenta a dificuldade de controle das doenças. Uma das mais difíceis é a gomose. “Não há estimativa precisa sobre quanto ela traz de prejuízo, mas São Paulo produz 15 milhões de plantas por ano e a gomose mata 10%”, disse.
O greening é apontado como a mais terrível doença dos citros. “Foi detectado em 2004 e ainda não há dados estatísticos sobre o prejuízo. Mas, nas partes do mundo em que a doença chegou, a citricultura acabou”, disse Machado.
O greening, de acordo com o pesquisador, está presente em cerca de 110 municípios paulistas. “A única solução é eliminar a planta. Normalmente, as doenças de plantas lenhosas não matam a árvore, mas esse não é o caso com do greening”, afirma. A doença é conhecida há cem anos, mas estava restrita à Ásia e à África do Sul.
“O cancro cítrico [causado pela Xanthomonas] é uma doença que não se vê muito, mas é uma das que causam mais prejuízos”, disse Machado. Anualmente, segundo conta, são gastos R$ 40 milhões em contenção do cancro, nas áreas em que ocorre.
“Uma vez que ela entra em uma área, não sai mais. A luta é impedir o avanço. A doença não aparece muito, justamente porque se gasta muito nos programas de erradicação”, disse.
Fonte: Agência FAPESP
Crescem os pedidos de poda de árvores
Horto Florestal recebeu, em menos de um mês, mais de 200 solicitações
LUCAS BARBOSA - reporter@correiodeuberlandia.com.br
Programa de Aprimoramento
Chuvas intensas acompanhadas de ventos fortes deixaram rastros de destruição pelas ruas e avenidas de Uberlândia. Várias árvores caíram sobre muros, telhados, casas, carros, redes elétricas e telefônicas e outras que ainda ameaçam cair preocupam moradores da cidade.
Os transtornos fizeram com que os pedidos de poda e corte de árvores aumentassem significativamente. Em menos de um mês, o Horto Municipal recebeu mais de 200 solicitações desse tipo, cerca de 15 por dia. Segundo o diretor do departamento, Luís Carlos Carvalho, fora da época de chuvas são registrados apenas dois ou três pedidos.
“Todas as solicitações estão sendo registradas e analisadas de acordo com a situação de cada árvore. Estamos priorizando os locais com caráter emergencial, aqueles que podem colocar em risco os moradores. Nossa orientação é cortar o que for preciso e plantar em dobro”, explicou o engenheiro agrônomo.
Preocupada com os perigos, a aposentada Guilhermina de Oliveira Silva procurou os funcionários do horto municipal para que a árvore de angicão, que mantém há mais de 20 anos na porta de sua casa, fosse podada. “Minha maior preocupação é que ela está invadindo a casa do vizinho e tenho medo que com essas chuvas haja algum estrago. Só que não quero que cortem toda a árvore, apenas a podem”, contou.
Já na Escola de Educação Básica (Eseba) não foi possível evitar a tempo o desastre. Segundo o diretor da instituição, Hudson Rodrigues Lima, com a forte chuva do dia 27 de dezembro uma árvore atingiu o colégio e um carro, quebrando telhas e atingindo a fiação elétrica.
Segundo Carvalho, várias árvores adultas em Uberlândia precisam ser derrubadas e substituídas. “No ano passado fizemos uma reunião para elaborar um plano de ações e a partir daí realizamos algumas operações para retirar algumas árvores que estavam em situação de risco”, revelou.
De acordo com o diretor, algumas árvores nas avenidas como João Balbino, Morum Bernardino, Cesário Crosara e Alexandrino Garcia terão que ser retiradas em breve e trocadas por outras.
A grande quantidade de plantas irregulares se deve principalmente pela falta de planejamento no momento do plantio. Os cidadãos que não procurarem a Prefeitura para cortar qualquer tipo de árvore estão cometendo um crime, podem ser multados e até mesmo presos.
Ele ainda ressaltou que as pessoas devem adotar o costume de replantar, pois as árvores derrubadas farão muito falta. “No período mais quente do ano é que vemos o quanto faz falta uma arborização na cidade”, lembrou.
O horto municipal oferece cerca de 16 espécies de árvores de pequeno e médio porte, como oiti e murta. Em locais sem fiação é recomendado dar preferência a mudas de murta, escumilha africana, magnólia, escova de garrafa e quaresmeira. Nos locais onde existem fiação e as calçadas são mais estreitas é recomendado o plantio das espécies como murta, ipê mirim, flamboyant mirim e outros tipos de arbustos de menor porte.
Plantas de vida curta adaptam-se melhor à mudança climática
Plantas que amadurecem depressa são capazes de se adaptar mais rapidamente a mudanças que as que se reproduzem mais devagar, de acordo com pesquisa de cientistas da Universidade da Califórnia, Irvine. As descobertas serão descritas na edição desta terça-feira, 9, do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.
“Algumas espécies evoluem rápido o bastante para acompanhar a mudança ambiental. O aquecimento global pode acelerar essa mudança, e certas espécies poderão ter dificuldade de acompanhar. Plantas com ciclos de vida mais longos terão menos gerações para evoluir”, afirma Arthur Weis, professor de ecologia, em nota.
Weis e colegas focalizaram a mostarda (Brassica rapa), uma planta classificada como anual, porque passa de semente a flor e de volta a semente ao longo de um ano. Isso permite uma evolução mais rápida que, por exemplo, a sequóia, que precisa de anos para atingir a maturidade e reproduzir-se.
Os pesquisadores coletaram sementes perto do câmpus da universidade em 1997, dois anos antes de uma forte seca. Repetiram a coleta após a seca, em 2004. Os dois grupos foram, então, plantados em estufas.
O grupo pós-seca floresceu mais cedo, uma mudança que permitiria às plantas completar o amadurecimento antes que o solo ressecasse. Plantas que floresceram mais tarde secaram antes de produzir semente.
Fonte: Estadão







