Site divulga a flora cearense
O pesquisador cearense Antônio Sérgio lançou um site apresentando cerca de 120 espécies de plantas do sertão, serra e litoral do Ceará. Sem apoio financeiro ou incentivo para pesquisa, ele financia as próprias viagens para fotografar, e trazer amostras para identificação
Henriette de Salvi
da Redação
23/12/2006 14:38
Pelo menos seis vezes por ano Antônio Sérgio coloca a mulher e o casal de filhos, de 6 e 11 anos, no carro com destino a alguma região cearense. Com recursos próprios e sem apoio de nenhum órgão do governo ou instituição, ele faz sozinho um trabalho que, mesmo que ninguém tome conhecimento, beneficia a toda a população do Estado. O engenheiro agrônomo, especialista e apaixonado por botânica, fotografa e identifica todas as espécies de plantas no litoral, serra e sertão cearense.
“Tenho um gosto particular pelas plantas e a medida que procurava livros, estudos e publicações com plantas do Nordeste e, particularmente, do Ceará, não encontrava, especialmente imagens”. Antônio Sérgio começou então a produzir o próprio material de pesquisa. “A amostra é prensada, seca e enviada ao Herbário Prisco Bezerra da UFC (Universidade Federal do Ceará)”, conta. Ele explica que a identificação é o que demora mais tempo. “São meses, algumas vezes, anos de pesquisa. Avalio as folha, o fruto, a flor, em suas formas, característica, cor. É como uma pessoa, você observa as feições para identificar a família”, exemplifica.
O resultado é a união de um trabalho científico com conhecimento popular e arte. “O site www.floradoceara.com está no ar desde 25 de agosto e já apresenta 120 espécies de plantas separadas por serra, sertão e litoral. Cada uma tem uma foto, seu nome científico e o nome popular, quando há”. Ele conta que o conhecimento das pessoas mais antigas sobre a flora local está se perdendo. “Os mais jovens não conhecem e não tem interesse”, avalia.
Para o pesquisador, além dos jovens, os governos também não dão o devido valor às espécies de plantas existentes na região. “Estas imagens lindas das fotos, infelizmente, escondem uma triste realidade. Alguns locais aos quais volto um ou dois anos depois já não existem mais. É como se não houvesse lei. A degradação de algumas áreas não respeita nem espécies em extinção”, lamenta. Ele conta que quando não se conhece o valor utilitário de determinada espécie de planta, usa-se o terreno para outros fins. “Mas a natureza não pode ser medida apenas pelo quanto ela nos dá. Ela tem que ser respeitada”, afirma.
O objetivo de Antônio Sérgio é que o site consiga apresentar pelo menos 1.000 espécies de plantas do Ceará. “O conhecimento liberta, instrui e, com isso, o ser humano passa a agir”, filosofa. Ela acredita que se houver algum tipo de apoio para,o crescimento do site, a divulgação dos bens naturais pode ajudar a conscientizar as pessoas sobre a importância de se preservar todas as espécies. “Mais de 50% dos remédios para o câncer vem diretamente da natureza. Podemos estar destruindo a fonte dos outros 50%”, avisa. “Uma, duas ou três vidas não seriam suficiente para que eu conhecesse todas as espécies de plantas existentes, mas cada uma delas é importante, precisamos só aprender a respeitá-las e valorizá-las”, conclui.
SERVIÇO
Site Flora do Ceará
www.floradoceara.com
Fonte: Jornal O Povo
Crescimento do agronegócio depende da preservação ambiental, diz governo
Brasília - O agronegócio no Brasil tem potencial para crescer pelos próximos dez anos, desde que a produção se fundamente na preservação dos recursos hídricos e do solo. A conclusão é do estudo Projeções do Agronegócio: Mundial e Brasil, divulgado na última semana pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura.
O relatório pretende orientar a política do ministério nos próximos anos. De acordo com o estudo, para que o crescimento ocorra de forma consistente, é essencial o desenvolvimento de tecnologias para a conservação da água, da floresta e da fertilidade natural das terras. Segundo o documento, a Amazônia terá de ser objeto de uma política específica que preserve a sustentabilidade da floresta.
Conforme o estudo, a oferta de recursos naturais no Brasil será fator de competitividade no futuro, quando o aumento da população e da renda mundial elevará a demanda por alimentos. “A disponibilidade de recursos hídricos será de fundamental importância para o desenvolvimento do agronegócio e para a segurança alimentar”, afirma o documento.
De acordo com o relatório, o Brasil poderá se beneficiar do crescimento da população mundial, que deve pular dos atuais 6,5 bilhões de habitantes para 8,3 bilhões em 2030. O maior aumento se dará na Ásia, que terá mais 1,1 bilhão de pessoas no período. Nesse cenário, segundo o estudo, alguns países superpopulosos, como China e Índia, enfrentarão escassez de áreas cultiváveis e alta demanda por comida.
Para o Ministério da Agricultura, a manipulação genética de plantas não se opõe à preocupação com o meio ambiente. Na avaliação dos autores do estudo, as melhorias na produtividade obtidas com os avanços da biotecnologia, farão com que boa parte do crescimento da produção agrícola não se dê sob a expansão da área plantada. “O desafio é incorporar as inovações científicas e tecnológicas ao agronegócio brasileiro, garantindo a sua competitividade no médio e longo prazo”, afirma o relatório.
Pelas projeções do ministério, o efeito do ganho da produtividade poderá ser sentido principalmente na produção de grãos. O estudo aponta que, daqui a dez anos, a área plantada de soja, trigo, arroz, feijão e milho atingirá 51,43 milhões de hectares, o que representará aumento de 15,7%. No mesmo período, no entanto, a colheita será de 147,77 milhões de toneladas, volume 26,8% maior que o obtido na última safra.
Além das próprias projeções do Ministério da Agricultura, o documento baseou-se em informações de órgãos e entidades nacionais, como o Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (NAE), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O relatório também leva em conta dados de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O trabalho dá continuidade a relatório divulgado em 2006.
Fonte: Agência Brasil






