Capturando os aromas da natureza

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 13 de Dezembro de 2006 @ 13:05

por Robert Brookes

O suíço Roman Kaiser passou as últimas três décadas viajando aos quatro cantos do planeta à procura de novos aromas.

Sua curiosidade levou o químico, botânico e especialista em perfumes da multinacional helvética de fragrâncias e aromas Givaudan a lugares exóticos como Amazônia, Papua Nova Guiné, Índia e outros ecossistemas em florestas tropicais.

Agora ele documentou suas viagens e interessantes descobertas no livro “Significantes aromas ao redor do globo”, que oferece uma visão de um domínio onde a maioria das pessoas estaria perdida.

Kaiser explica que o sentido do olfato nos dá a possibilidade de sentir outros seres vivos, nossa própria espécie ou de animais ou plantas, e tem um papel importante nas forças que dirigem o mundo vivo.

“Aromas abrem uma dimensão adicional na nossa vida. Eles contam tanta coisa e, juntos com a percepção visual, podem gerar até efeitos estéticos. Um exemplo é quando até aquilo que é visto fica mais bonito pelo fato de ter um aroma atraente”, explica o especialista à swissinfo.

Reprodução de plantas

Kaiser também revela que os aromas são vitais para a reprodução das plantas. “A única razão para que uma planta florescente produza aroma é atrair um animal polinizador que assegure a preservação da espécie”.

Desde que florestas tropicais são moradia para 80% de todas as plantas e espécies animais, não é de surpreender que Kaiser e seus colegas de trabalho passem uma boa parte do tempo explorando-as.

“As florestas tropicais são os ecossistemas mais ricos do planeta. Por isso, sabendo que os aromas estão ligados intimamente aos seres-vivos, nesses lugares as chances de encontrar novas moléculas e conceitos de aroma são muito maiores”.

A técnica utilizada é de colher amostras por métodos não destrutivos. Exemplo: colocar uma flor dentro de um recipiente de vidro por mais de duas horas e capturar seu aroma natural através de uma de um sistema absorção.

O aroma é analisado posteriormente em laboratório através de aparelhos especiais como cromatógrafos ou espectrômetros. Os resultados da análise possibilitam aos químicos reconstituir um aroma natural.

Esse método permitiu a Kaiser e sua equipe desenvolver aromas de mais de 1.900 flores, plantas, madeiras e ervas de uma seleção de nove mil espécies de plantas analisadas nos últimos vinte e cinco anos.
Uma flor amarela exótica encontrada nas florestas de Madagascar (imagem: cortesia)

Uma flor amarela exótica encontrada nas florestas de Madagascar (imagem: cortesia)

Expedições

Kaiser conta que existem dois tipos de expedições à caça de novas moléculas de aroma – elas são chamadas dentro da Givaudan de “ScentTreks”. As duas têm em comum obrigar seus participantes a ter um bom espírito aventureiro.

“A expedição em Papua Nova Guiné foi como uma dessas aventuras do século XIX. Nós tivemos de sobrevoar por alguns dos seus vilarejos localizado na floresta tropical. Nessa região as pistas de pouso são extremamente curtas. Quase não existem estradas. O interessante é que a maior parte delas está localizada sobre uma colina. Para pousar era necessário descer numa pista que subia colina acima e para decolar a situação era diferente: era uma pista que descia colina abaixo. Era extramente excitante! Ao chegar aos vilarejos nós só precisávamos começar a caminhar nas trilhas e explorar a floresta tropical”, detalha sua experiência.

Esse tipo de expedição envolve a população local e necessita muito preparo. Essa é a única forma de encontrar plantas interessantes dentro da enorme riqueza que existe na floresta.

A outra forma de organizar uma expedição serve mais para investigar determinados tipos de espécies.

Dirigíveis

“Na Guiana Francesa utilizamos um método de procura diferente. Nele tínhamos de voar em dirigíveis. Ele nos permitiam uma maior aproximação do topo das árvores dessas matas tropicais. Os topos são especialmente interessantes, pois se concentram – devido a várias razões ecológicas – no dossel das árvores, o que faz com que a vida seja extremamente rica nessas áreas. Elas são o sonho dos botânicos, biólogos e, naturalmente, também dos pesquisadores de aromas”.

O que Kaiser chama de “provavelmente o meu último grande projeto” é intitulado “Os aromas da flora evanescente”, uma obra que inclui também o relato da sua expedição às ilhas havaianas e informações sobre várias espécies de plantas aromáticas em risco de extinção. O pesquisador recomenda sua leitura antes que elas desapareçam para sempre do planeta.

“Com esse livro eu poderei devolver à natureza tudo o que eu estudei nela por mais de 30 anos de profissão”, conclui.

Fonte: swissinfo

Polêmica questiona a segurança dos alimentos orgânicos

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 13 de Dezembro de 2006 @ 13:00

Tudo começou com um lote de espinafre. Em setembro deste ano, hortaliças contaminadas por uma variação da bactéria E.Coli — consagrada inimiga da saúde pública por representar risco de morte — mandaram para o hospital vários norte-americanos. Os relatos incluem uma morte e mais de 50 casos de falência renal. Do rótulo do alimento, brotou a polêmica: o fabricante era conhecido por comercializar alimentos orgânicos.

O episódio deixou a FDA (agência federal norte-americana que fiscaliza alimentos e medicamentos) de orelha em pé e semeou desconfiança em relação à segurança do consumo de alimentos cultivados sem defensivos agrícolas. Estariam mais expostos a riscos de contaminação por microorganismos nocivos à saúde?

Lá fora, a maior certificadora dos Estados Unidos se apressou em declarar que o espinafre contaminado não era orgânico. Ao não-uso de agrotóxico, esse modo de cultivo soma métodos de baixo impacto ambiental, isenção de componentes transgênicos e processamento sem aditivos que trazem riscos à saúde humana.

Por aqui, produtores e certificadoras que integram um mercado em expansão fazem coro para que seus produtos não sejam atingidos pela má fama estrangeira de “sujinhos”.

“O risco de contaminação existe para todo mundo. Cabe ao produtor certificado combatê-lo. Já tivemos produtores que perderam o certificado porque ofereciam poucas condições de higiene”, diz Alexandre Harkaly, presidente do IBD (Instituto Biodinâmico), que certifica produtos orgânicos.

Engenheira agrônoma da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo), Luciana Di Ciero enfatiza que “agricultura sem praga é impossível”. Para ela, as hortas orgânicas têm mais chance de serem contaminadas do que as que recorrem ao defensivo agrícola. “O esterco precisa ser manipulado da forma correta, senão facilita a proliferação de bactérias patogênicas”, diz.

Harkaly rebate: “A agricultura convencional usa esterco também. Plantações orgânicas têm controle de pragas: há herbicidas e inseticidas naturais, rotação de cultivos em que o prévio afasta as pragas do seguinte e plantas que se ajudam. Cultivar orgânico não é largar na natureza sem cuidar”.

De qualquer modo, vale aprender que orgânico não é sinônimo de comida mais limpa. “Nem mais, nem menos”, enfatiza Harkaly. Portanto, nada de relaxar na lavagem da alface só porque ela é certificada. Como qualquer alimento cultivado com agrotóxico, esses produtos requerem higienização.

A Folha ouviu especialistas e produtores para comentar a segurança de 20 alimentos que têm alternativas orgânicas nas prateleiras dos mercados.

Fonte: Cidade Verde

Erva-doce tratada com extrato de melão silvestre promove aumento na reprodução de predadores de pulgões

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 13 de Dezembro de 2006 @ 12:56

Por Paulo Alves Wanderley(1), Caliandra L. C. Ramos(2), Riselane de Lucena Alcântara Bruno(3) Maria José A. Wanderley(4) *

A cultura da erva-doce no Brasil tem sido intensamente atacada por uma praga devastadora, o pulgão Hyadaphis foeniculi Passerini. O controlo desta praga foi, durante muito tempo, feito com insecticidas químicos sintéticos, o que provocou um grande desequilíbrio ambiental com impactos negativos sobre as populações de inimigos naturais, especialmente as joaninhas, com destaque para a espécie Cycloneda sanguinea L. As joaninhas, que tem no pulgão seu principal alimento, podem se alimentar de néctar de erva-doce como alimento complementar, rico em carbohidratos e vitaminas, principalmente na escassez de pulgões.

Quando as plantas de erva-doce são pulverizadas com produtos químicos sintéticos o néctar das flores é contaminado e provoca a morte das joaninhas ou a migração das mesmas para outras áreas. Buscou-se, na região Agreste da Paraíba – Brasil, uma alternativa de insecticida natural que fosse eficiente em controlar os pulgões mas que não ocasionasse mortalidade ou migração das joaninhas. As pesquisas revelaram excelentes resultados com a aplicação do extracto alcoólico de melão de São Caetano (Momordica charanthia L.) no controlo da praga.

Grandes vantagens foram encontradas com a aplicação desse extracto. Dentre elas destacam-se: Nenhum sintoma de toxicidade para os aplicadores, não envenenamento do néctar de erva-doce com reflexos no aumento da reprodução das joaninhas e eficiência de até 90% no controle dos pulgões.

Após três aplicações em campos de erva-doce infestados pelos pulgões as populações da praga se reduziram a um terço da população inicial, deixando de ser danosa para a erva-doce.

Por outro lado, a população de formas jovens e adultas do predador joaninha em uma das cinco propriedades estudadas, dobrou em número e em outras se manteve. Porém quando a floração da erva-doce aumentou, a população de joaninhas aumentou proporcionalmente, mostrando os efeitos benéficos do extracto de M. charantia sobre a reprodução e imigração de joaninhas na área, contribuindo assim para melhorar o equilíbrio das populações da praga.

Outra grande vantagem do uso de extracto de melão silvestre (M. charantia) é a independência do agricultor em obter seu próprio insecticida natural, uma vez que essa planta é encontrada facilmente nas propriedades onde ocorrem os cultivos de erva-doce. As equipes de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (Brasil) e da AS-PTA (ONG local) já transferiram a tecnologia aos produtores e fizeram o acompanhamento de sua aplicação por dois anos.

(*) 1. Professor da Universidade Federal da Paraíba - Brasil / Departamento de Agropecuária; 2. Professora substituta da Universidade Federal da Paraíba - Brasil/ Departamento de Ciência Básicas e Sociais; 3. Professora da Universidade Federal da Paraíba - Brasil / Departamento de Fitotecnia; 4. Professora do Centro de cultura Anglo Americana/ Brasil.

Fonte: Ciência Hoje Pt