Seringueiro cria xampu para carecas
CHICO ARAÚJO
BRASÍLIA – Babosa, amor-crescido, corame. A combinação dessas e de outras sete ervas e plantas da Amazônia, cujos nomes são mantidos em segredo, está revolucionado o mercado de cosméticos e devolvendo a alegria e a esperança aos carecas. A invenção, batizada de Shampoo Esperança, é do ex-seringueiro Carlos Pinto, de 51 anos. Na foto, Carlos antes (esquerda) e depois de usar o produto.
Morador da cidade de Tarauacá, no Acre, ele criou – e testou nele próprio – a fórmula de um xampu com plantas amazônicas que faz nascer cabelos em carecas. “As mulheres não me queriam mais. Eu descobri por acaso. Comecei a fazer e usei em mim mesmo. Deu certo, começou a sair cabelo”, contou Carlos Pinto, orgulhoso, ao Globo Repórter, da TV Globo, na última sexta-feira. Carlos cultiva parte da matéria-prima no quintal da sua casa. Mas o segredo da fórmula é a casca de uma árvore só encontrada no meio da mata. Para assistir a reportagem, clique aqui.
Tudo começou por acaso. Há três anos, Pinto participou de um curso sobre ervas medicinais promovido pelo Sebrae. Ao retornar para casa, na zona rural de Tarauacá, começou testar a fórmula do Shampoo Esperança – hoje um sucesso de vendas e tema de pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A fórmula inventada por Carlos Pinto também é um poderoso medicamento. Pode ser usada contra seborréia, queda de cabelo e outros problemas dermatológicos do couro cabeludo.
Henrique Moura, diretor do Instituto de Terras do Acre (Iteracre), conheceu o invento de Carlos Pinto logo no começo. Mesmo sem levar muito a sério, testou a fórmula. “Não levei muito a sério, mas como meus cabelos estavam caindo muito rapidamente, decidi levar a amostra para casa”, conta. Moura conheceu o ex-seringueiro, em Tarauacá, durante reunião de representantes de órgãos do governo do Acre com produtores rurais e florestais da cidade.
Moura conta que Carlos Pinto chegou, sentou-se na última fila de cadeira e ficou sem dizer uma palavra até o fim reunião. “Quando tudo havia terminado, ele veio e pediu licença para falar comigo e o Gilberto Siqueira [então secretário de Planejamento do Acre]. Mostrou seu xampu que fazia nascer cabelo e me deu um frasco de presente. O Gilberto achou interessante, “mas não levei muito a sério”. Mas, em casa, Moura mostrou a novidade à mulher, que o incentivou a usar a fórmula.
“Comecei a usar e, em poucos dias, acabou-se minha queda de cabelo. Passados mais alguns dias, notei que tinham vários fios novos nascendo e fiquei animado com os resultados, que vêm melhorando a cada dia,” conta o diretor do Iteracre. Depois de comprovar a eficiência da fórmula, Moura avisou o secretário Gilberto Siqueira. A partir daí, a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) entrou em campo para patentear a fórmula no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) antes que fosse roubada.
Pequena fábrica
Com o sucesso da fórmula, Carlos Pinto decidiu profissionalizar o negócio. Buscou ajuda do Sebrae e do governo do Acre e construiu uma pequena fábrica nos arredores de Tarauacá. A pequena fábrica emprega nove pessoas e produz 5 mil fracos (de 250 mililitros cada) do Shampoo Esperança por mês. É tanto o sucesso, que o ex-seringueiro está com dificuldades para atender a todos os pedidos. A partir de janeiro, ele pretende dobrar a produção para 10 mil frascos.
Mas não é apenas o desempenho financeiro que deixa Carlos feliz. “Minha satisfação mesmo é quando as pessoas chegam contando que a caspa sumiu, os cabelos deixaram de cair ou estão nascendo. Gosto de saber que estou deixando as pessoas mais felizes”, diz, orgulhoso, Carlos Pinto. Em Tarauacá, o invento do ex-seringueiro é quase um milagre. “Antes eu só molhava a cabeça, passava a mão e saia. Hoje, já tenho cabelo para cortar e pentear bastante,” comemora o agente de saúde Francisco Vanderlei, em entrevista ao Globo Repórter.
Carlos explica que o xampu age de maneira diferente em cada pessoa. No caso dele, as pessoas só foram notar que o cabelo estava crescendo depois de seis meses de uso da fórmula. “Usando direto, o cabelo cresce com certeza. A maior prova sou eu mesmo,” diz Carlos. Ele tinha uma calvície acentuada, que incomodava. A careca que ela tinha, hoje, quase não dá para notar. O ex-seringueiro explica que os resultados começam aparecer a partir da segunda ou terceira semanas de uso. Para acabar a calvície, ele sugere o uso do xampu por até oito meses seguidos.
Tentaram comprar a fórmula
“Até me casei. Elas estão me achando bonito. Estão me achando lindo”, disse à TV Globo. Devido ao sucesso, Carlos conta que empresários de várias partes do Brasil o procuraram, a maioria deles querendo comprar a fórmula do xampu. Alguns, segundo ele, chegaram a lhe propor sociedade para montar a fábrica de xampu.
Segundo Carlos, muita gente ligou de várias partes do País. Dessas pessoas, cinco foram até Tarauacá a fim de comprar a fórmula do xampu. “Eu respondi pra eles que quem vende fórmula morre de fome”. O ex-seringueiro espera juntar R$ 325 mil para montar uma fábrica. Hoje, a fábrica de xampu de Carlos funciona num quartinho de 15 metros quadrados.
O produto criado por Carlos Pinto já é comercializado para o Japão, Portugal, Estados Unidos e até para Israel. O frasco do Shampoo Esperança custa R$ 25,00 e é entregue em qualquer lugar do Brasil e do mundo via Sedex. Encomendas podem ser feitas por e-mail em quantidade mínima de duas unidades. O frete é por conta do comprador. Carlos Pinto também mantém um site no ar. Nele, a pessoa encontra reportagens sobre a descoberta, além das fotos dele antes e depois de usar a fórmula. Para acessar o site, clique aqui.
Florais podem ajudar a suportar o estresse diário
Por Eduardo Diório
São Paulo, 06 (AE) - Há séculos as plantas são utilizadas como poderosas fontes de cura e, por isso, muita gente acredita que elas realmente têm algo que nenhum medicamento pode fornecer: um poder sobrenatural. Para quem não acredita, elas são simples seres vivos que servem para decorar a casa. No entanto, os médicos chineses desenvolveram uma técnica - que hoje chamamos de fitoterapia - que une os poderes da natureza às soluções estudadas pelos humanos.
Deste estudo nasceram os florais, que são fórmulas naturais que auxiliam no bem-estar do ser humano, eliminando o estresse e o cansaço. “As essências florais ampliam a capacidade de comunicação entre a alma e a personalidade, desbloqueando e limpando o canal de comunicação, mantendo uma sintonia sutil e amorosa com o universo e promovendo equilíbrio para o ser humano”, explica a terapeuta holística Adriana Cardoso.
De acordo com a profissional, os florais não são remédios alopáticos, logo, não tratam diretamente um problema físico ou psíquico. “Ele trata o campo vibracional. A terapia floral não deve substituir os tratamentos convencionais, mas auxiliá-los.”
Mesmo sem o poder de substituir os medicamentos, os especialistas garantem que eles amenizam os sentimentos opressores, tirando aquela velha sensação de sempre sentir um peso nas costas e que nada dá certo na vida. “São muitos os relatos de pacientes que, ao tomarem floral, conseguiram controlar seus sentimentos e passaram a aproveitar melhor a vida”, revela Maria Aparecida das Neves, terapeuta floral, especializada em florais de Bach.
Contra-indicação não há, garantem os terapeutas. Mesmo assim, é muito importante o processo da escolha das essências. Caso o paciente não se sinta capacitado de escolher para si mesmo, deve procurar um terapeuta floral e pedir orientação. “Se a pessoa tomar um floral que não tenha a ver com o seu real problema, não conseguirá desenvolver as qualidades positivas e eliminar as negativas”, afirma Adriana.
DESCRENÇA
“Não acreditava nos florais. Imaginava que eles demoravam anos para fazer efeito. Depois de uma crise, na qual não sabia mais para onde correr, resolvi testá-los e o resultado apareceu em três dias. Hoje, não consigo mais sair de casa sem eles”, lembra a ginecologista Flávia Pacheco, de 32 anos.
Nas farmácias de manipulação, onde geralmente é possível encontrá-los, há vários tipos de florais, com propriedades e preços distintos. Os florais de Bach, até hoje, são os mais conhecidos. Utilizados em larga escala na Europa, são elementos retirados de 38 essências de plantas e florais criadas pelo médico inglês Edward Bach na década de 30. “O que poucas pessoas sabem é que eles agem no organismo de maneira a equilibrá-lo. Por isso, chamamos os florais de Bach de terapia complementar”, explica Maria Aparecida.
Outra linha de florais, conhecida como Saint Germain, foi criada em 1997 pela brasileira Neide Margonari, que buscou na Mata Atlântica cerca de 80 essências e percebeu que as plantas brasileiras também têm o poder de cura. “Os florais de Bach focam o temperamento das pessoas, os de Saint Germain são mais específicos e captam o que a pessoa está sentindo no momento”, garante Talita Margonari Lazzuri, diretora dos Florais de Saint Germain.
Talita enfatiza que qualquer pessoa pode tomar os florais, independentemente da idade. Porém, é importante procurar um profissional antes de sair tomando as gotinhas e, se possível, manter um acompanhamento durante todo o tratamento.
BOXE
FUNÇÕES DOS PRINCIPAIS FLORAIS DE BACH
ASPEN
Para quem tem medos vagos de origem desconhecida. Com o floral, passa a aceitar as experiências da vida com coragem. Entusiasma-se e mostra disposto.
BEECH
Para quem tem tendência a julgar tudo e todos. Com a essência, desenvolve a qualidade da tolerância. Fica mais compassiva e compreensiva para com os outros.
CERATO
Quando a pessoa busca conselhos e confirmação dos outros. Após o floral, passa a confiar em sua intuição, em suas decisões e a acreditar em sua capacidade de julgar.
CHESTNUT BUD
Falta de interesse no presente. Passa a aprender com rapidez e facilidade, tirando maior proveito de suas vivências. Observa seus erros.
GENTIAN
A pessoa sente desânimo, por uma causa conhecida. Desinteresse. É a essência que resgata a fé e a confiança. Passa a remover obstáculos com atitudes positivas.
HEATHER
Precisa da atenção dos outros e contar seus problemas para todos. Após o tratamento, passa a ser um bom ouvinte e a ter uma comunicação profunda com as pessoas.
IMPATIENS
Para quem é impaciente, nervoso e irrita-se com facilidade. Passa a ser compreensivo com o ritmo dos outros. Passa a meditar, ser mais harmonioso. Age e pensa com calma.
LARCH
Quando a pessoa teme antecipadamente o fracasso, não se arrisca. Passa a ter muita segurança, convicção interior de que todos temos chances de ser melhores.
MIMULUS
Medo de doenças. A coragem aparece e a pessoa passa a encarar seus problemas com serenidade, adquirindo capacidade para curtir a vida.
RED CHESTNUT
Sempre teme que algo ruim aconteça. Passa a irradiar pensamentos e a visualizar resultados positivos para as pessoas. Mantém a serenidade e a calma em qualquer situação.
Fonte: Agência Estado
Pesquisa busca combate a praga sem agrotóxico
Pesquisar meios naturais de manejo de pragas e doenças em plantas, sem utilização de agentes químicos. Esse é um dos princípios da Ecologia Química, ciência que vem ganhando cada vez mais expressão na agricultura moderna. Para falar sobre o potencial de uso desse sistema em cultivos do Nordeste, a Embrapa Agroindústria Tropical, com sede em Fortaleza, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Pecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, convidou o cientista Michael Birkett, do Instituto de Pesquisa de Rothamsted (Inglaterra). A palestra, gratuita e aberta a todos os interessados, aconteceu, no último dia 17, às 10 horas, na sede da empresa, na Rua Dra. Sara Mesquita, 2.270, Bairro Pici.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, José Emilson Cardoso, o foco do trabalho de Birkett é a identificação de substâncias produzidas naturalmente, ou de forma induzida, por plantas e insetos — chamadas “semio-químicos” — que servem como auto-defesa. ´O estudo dessas substâncias pode induzir respostas mais efetivas de defesa contra pragas e doenças nas plantas´, explicou.
O cientista inglês destacou os resultados alcançados com uma dessas substâncias, “o cis-jasmone”, que vem apresentando uma alta capacidade antibiótica contra pulgões, em cereais como trigo e aveia. Ele apresentou também o sistema que utiliza a técnica da Ecologia Química conhecida como “atrai-repele”, desenvolvida pelo Instituto Rothamsted para pequenos produtores de milho e sorgo da África.
“O sistema utiliza plantas repelentes intercaladas às plantas cultivadas e uma planta armadilha, altamente atrativa, ao redor do plantio´, esclareceu Emilson Cardoso. Ele acredita que esse sistema tem um grande potencial de uso em diversos cultivos do Nordeste, como o feijão-de-corda e o algodão.
Fonte: Diário do Nordeste
Os novos camponeses da cidade descobrem o poder das joaninhas
Francisco Mangas
Na infância, durante as férias, ajudava a avó nos trabalhos do campo, algures na Roménia. Muitos anos depois, Sorin Dinca, longe do seu país, volta a pegar na enxada e no ancinho: decrua a terra, novo ciclo se avizinha. Mais à frente, vencidos os frios do Inverno, vai colher os primeiros frutos. Os produtos naturais, livres de pesticidas e adubos químicos, da sua horta biológica.
Sorin Dinca, 31 anos, é gestor numa grande empresa de lacticínios de Vila da Conde. A “nostalgia” dos tempos em que via a avó remover a terra, levou-o a candidatar-se a um espaço numa das oito hortas biológicas que a Lipor (Serviço Intermunicipal de Gestão de Resíduos do Grande Porto) abriu aos citadinos para mostrar os ciclos agrícolas - a memória harmoniosa da ruralidade.
Ao gestor romeno calhou-lhe um talhão na horta de Crestins, Matosinhos, para amanho nos tempos livres. Algumas vezes, promete, vai ter a filha como companhia. Aliás, iniciou esta aventura também para aproximar a filha, de três anos, dos segredos da natureza.
Domingo de manhã, cheio de sol, temperatura primaveril em pleno mês de Novembro. O desconserto metereológico talvez explique os morangos floridos nos talhões ao lado, onde despontam as ervilhas e as favas, sementeiras que o Inverno consente. Sorin inicia a limpeza do terreno , mas o pousio endurece os solos, seduz ervas daninhas. Em pouco tempo, o cabo da enxada marca as mãos do jovem horticultor.
“Hoje não trouxe as luvas”, diz o romeno para justificar o súbito aparecimento de bolhas na palma das mãos. Além da evidente falta de ritmo no trabalho braçal, Sorin ainda não domina o gesto de cavador. A ajuda de um hortelão vizinho dissipa as dificuldades da primeira vez. No talhão, na devida época, vai semear beringelas, tomates, cebolas, cenouras, salsa, sem esquecer as plantas aromáticas.
A consociação de produtos num pequeno espaço agrícola é arte. Uma arte que se aprende. A Lipor, depois de ceder o terreno, dá formação aos horticultores: seis sessões, espaçadas, sendo a primeira sobre compostagem. Nas hortas biológicas está vedado o uso de produtos químicos, a fertilização faz-se a partir da matéria da compostagem - adubo natural, produzido a partir de folhas, aparas de relva do jardim, restos de comida e outro lixo doméstico.
Arte harmoniosa
Nas hortas há locais próprios para compostagem: aí, lentamente, o lixo transforma-se em adubo, em terra fértil, e reentra no ciclo da natureza. Sorin Dinca apreenderá depois, como todos os iniciados no cultivo da terra, que, por exemplo, junto às alfaces deve semear os alhos. É uma questão de boa e protectora vizinhança: a rama dos alhos cresce e forma uma espécie de rede, que impede os pardais de debicarem as tenras folhas de alface.
O jovem gestor ficará ainda a saber como se combatem os insectos nocivos sem fustigar a horta com pesticidas. Uma arte antiga, perfeita, harmoniosa: as plantas aromáticas afugentam os insectos indesejáveis. Por isso mesmo, em todas os talhões há alecrim, tomilho , alfazema, etc. Os cravos túnicos também “impedem a bicharada de entrar na horta”. Quando os piolhos atacam as favas, se houver joaninhas por perto, a praga não alastrará. Como se cativam as caprichosas joaninhas, que comem os piolhos? Com alecrim. Na sebe desta planta aromática encontram abrigo seguro.
Beringelas e partilha
Gente de todas as profissões e de todas as idades, trabalha as hortas biológicas da Lipor. Alda Ferreira, 56 anos, empregada de hotelaria, vive no centro do Porto e não resistiu ao apelo da terra. Faz o primeiro cultivo este ano e apenas a distância a que a horta fica de casa é um obstáculo. Para o amanho da terra não carece de lições: Alda nasceu em Celorico de Basto e os pais retiravam dos campos o sustento para toda a família.
O convívio, a partilha de saberes e ficar longe da cidade apressada. Foi isso tudo que levou Joaquim Louro, 52 anos, formador numa escola técnica em Gondomar, a integrar a comunidade dos camponeses urbanos. Esperou três anos pelo talhão, agora está feliz, orgulhoso das suas beringelas, repartidas pelos horticultores vizinhos. A origem de Joaquim Louro, que percorre vinte quilómetros para “mexer com as mãos na terra”, fica também no mundo rural. Nasceu em Tábua, distrito de Coimbra. “Nesta horta há múltiplos saberes, cada um de nós, com origens diferentes, traz para aqui os usos e costumes agrícolas das suas regiões”.
O jardineiro António Costa, 43 anos, de igual modo não resistiu ao fascínio da terra. Vai a pé, há três anos, para a horta, é dos poucos que vive em Crestins. A ele, como é da arte, muitos companheiros recorrem, pedem conselhos. “Isto é como uma família, ajudamo-nos uns aos outros”. António já semeou as ervilhas e as favas, “agora é a altura certa”. E mostra-nos, também sem esconder o orgulho, os pés de penca destinados à “ceia de Natal”.
Fonte: Diário de Notícias
Prêmio de Ciência e Tecnologia sai para pesquisador da UFPR
O vencedor do 20.º Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia é o pesquisador e professor sênior da Universidade Federal do Paraná Marcello Iacomini. O prêmio, conquistado pelo conjunto da sua obra, será entregue na quinta-feira (14), na sede da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em Curitiba.
Na ocasião, será lançada a 21.º edição do prêmio, que contemplará as áreas ciências da saúde, ciências exatas e ciências da terra. Desde a criação da premiação pela Secretaria, em 1986, exatos 37 pesquisadores de diversas áreas do conhecimento já foram contemplados. Além de diploma, Marcello Iacomini receberá o equivalente a US$ 4 mil, destinados à participação em evento científico internacional de livre escolha.
Marcello Iacomini é pós-doutor em Bioquímica e coordenador do grupo de pesquisa na área da Química e Atividade Biológica de Carboidratos, que inclui o estudo dos fitoterápicos (espinheira-santa, quebra-pedra e chá verde, entre outras plantas); dos polímeros (derivados de plantas com atividade antitrombótica e anticoagulante); e dos alimentos funcionais (cogumelos comestíveis).
O vencedor do Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia também é pesquisador 1A do CNPq, autor de 120 trabalhos (todos eles publicados em periódicos internacionais de renome) e de 15 capítulos de livros científicos. Além disso, já encaminhou 450 trabalhos a congressos e eventos do gênero e orientou e co-orientou 58 teses e dissertações.
Iacomini foi professor titular do Departamento de Bioquímica da UFPR até 2003, ocupando as funções de coordenador de pós-graduação em Bioquímica, vice-diretor e diretor do Setor de Ciências Biológicas, membro do Conselho Universitário, de Administração e de Curadores. Atualmente, também exerce a função de ouvidor geral da UFPR.
Pesquisas
Formado por cerca de 40 pessoas, entre professores, mestrandos, doutorandos e estudantes de graduação com bolsas de iniciação científica, o grupo de pesquisa coordenado por Iacomini é considerado referência mundial na área de pesquisa. “Vários periódicos internacionais nos pedem para avaliarmos seus trabalhos”, afirma o pesquisador. No país, o grupo é classificado pelo CNPq como “núcleo de excelência”.
Segundo o pesquisador, os estudos com o fitoterápico espinheira santa já resultaram na obtenção da arabinogalactana, isto é, um biopolímero capaz de proteger a mucosa do estômago. “Essa planta possui atividade anti-ulcerativa muito importante”, destaca. Ele menciona ainda os estudos com outros polissacarídeos, “que podem desempenhar atividade imunomoduladora e inibir o crescimento de diversos tumores”.
O pesquisador relata que já os estudos com os polímeros isolados de diversas plantas apresentaram atividade antitrombótica e anticoagulante igualmente favorável ao organismo humano. Trata-se, neste caso, da produção natural de heparinóides, polímeros produzidos por modificações químicas cuja função é semelhante à heparina, obtida a partir das vísceras de animais (bovinos e suínos, principalmente).
Na área dos alimentos funcionais Marcello Iacomini destaca os cogumelos comestíveis, como o shitake, o champignon, os pleurotus e o flamulina. “Desses extrai-se os polissacarídeos, cujas estruturas são bastante diversificadas”, informa o professor. “Queremos saber que vantagens ou tipo de atividade funcional orgânica esses componentes podem trazer para a saúde humana”, afirma.
Serviço:
Data: 14/12/06 - quinta-feira
Horário: 14h30
Local: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Avenida Prefeito Lothário Meissner, 102
Jardim Botânico
Telefones para contatos: 3281-7339/7338/7337
Fonte: Paraná Online
Comissão nacional busca definir metas contra a extinção de espécies
Ivan Richard
Da Agência Brasil
Brasília - A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) pretende definir, até amanhã (12), as metas nacionais para reduzir as perdas de biodiversidade até 2010. A comissão vai analisar mais de 20 propostas sugeridas durante um seminário realizado em outubro.
Entre as propostas estão: dobrar a taxa de descobrimento e descrição de espécies novas até 2015, reduzir em 25% a taxa anual de crescimento do número de espécies ameaçadas em todos os biomas e ampliar, em quatro vezes, a área da floresta amazônica sob manejo florestal.
Segundo o presidente da Conabio e diretor de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Paulo Kageyama, essa será a primeira vez em que serão estipuladas metas de conservação da biodiversidade. Antes, explicou, eram sugeridas prioridades. A idéia da elaboração das metas é de que as questões relacionadas à preservação da biodiversidade sejam observadas na elaboração do próximo Plano Plurianual de Investimentos (PPA 2008-2011).
“O Brasil, como maior detentor de biodiversidade do planeta, tem que dar muita atenção para esse assunto”, afirmou Kageyama. Também precisamos verificar se as metas estabelecidas para 2010 são de fato exeqüíveis.”
O representante do Ministério da Agricultura na Conabio, José Francisco Valls, também pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), explicou que as metas são uma forma quantificada de estabelecer como se pretende cumprir os objetivos. “Elas traduzem de uma forma numérica as intenções de por em prática o que foi ratificado pelo Brasil”, disse.
Valls lembrou que o Brasil assinou e posteriormente ratificou a Convenção da Diversidade Biológica e o Tratado de Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura, ambos da Organização das Nações Unidas (ONU), comprometendo-se a cumprir as obrigações desses acordos.
Para agricultura, por exemplo, o pesquisador alertou para o perigo do surgimento de novas pragas se não forem colocadas em prática regras de conservação. “Se brincarmos com isso e não conservamos [a diversidade biológica], dentro de algum tempo aparecem novas doenças, novas pragas para os nossos produtos agrícolas e simplesmente não teremos diversidade para compensar por meio de projetos de melhoramento. Podemos ter perdas de plantas e de culturas”, alertou.
Ainda segundo o pesquisador, as metas procuram ser racionais, o problema é que o Brasil já estaria atrasado em relação a outros países que também ratificaram os acordos da ONU. “Acontece que o Brasil está formalizando a aceitação de metas nacionais em 2006, então estamos começando a internalizar essas decisões globais com quatro anos de atraso. Temos não mais oito anos para cumprir, mas quatro”, afirmou. “Por isso pode haver uma negociação. Quem sabe não nos comprometemos em fazer tanto, só acho que ficará feio para o país de maior diversidade do mundo.”
Feira de Flores acontece até o próximo dia 23
Está em exposição até o dia 23 de dezembro mais uma edição da Feira de Flores Tropicais e Plantas Ornamentais, na Praça Deodoro. Rosas, alfinetes, helicônias, alpínias e outras espécies de flores produzidas na zona rural de São Luis, com o apoio técnico da Prefeitura de São Luís, através do Instituto Municipal de Produção e Renda (IPR), estão sendo comercializadas das 7h às 18h, em 25 tendas montadas na praça.
Com a proximidade das festas de Natal e do Ano Novo, os produtores estão investindo no aumento da produção e na variedade das espécies. As mais procuradas na feira são as rosas, com preços a partir de R$ 3,00. “Os clientes gostam do produto que a gente vende e isto nos incentiva a produzir com mais qualidade para termos bom rendimento”, avalia a produtora, Ana Lúcia Franco, que cultiva flores no Recanto Fialho.
O projeto da Feira de Flores surgiu em junho de 2004, quando as exposições eram realizadas no Parque do Bom Menino, com o nome de Flores no Parque. Desde o princípio, a intenção era fomentar a geração de trabalho e renda com a oferta à população de produtos muito apreciados por seu caráter ornamental e terapêutico.
Fonte: Secom






