Instituto apresenta potencial de palmito e da seringueira

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 4 de Dezembro de 2006 @ 19:00

Agricultores se impressionam com as potencialidades

Três das culturas mais apropriadas para região litorânea do Paraná foram apresentadas no dia de campo sobre palmito pupunha, palmeira real e seringueira na Estação Experimental de Pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), autarquia vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SEAB), em Cerro Azul, região leste do estado.

A pesquisadora Eliane Durigan falou sobre as diferenças entre a palmeira real e o palmito pupunha. No caso daquela, por exemplo, a pesquisadora lembrou que o agricultor não pode carpir o mato próximo do pé porque as raízes são superficiais e podem ser cortadas com a enxada. Pelo mesmo motivo Eliane lembrou que a planta precisa de muita umidade, ou seja, muita chuva bem distribuída ao longo do ano, já que 80% das raízes estão a até 20 cm da superfície.

Segundo a pesquisadora, a região de Cerro Azul é uma área de transição entre a melhor região para plantar palmeira real e palmito pupunha –conforme zoneamento feito pelo IAPAR – e os locais inaptos ao plantio, por isso ela lembra que é preciso observar os microclimas de cada região para não ter problemas com falta de chuva ou geada, que pode dizimar a produção.

A pesquisadora foi com os agricultores a campo e cortou diversas árvores de palmito pupunha e palmeira real para mostrar o ponto certo e como deve ser feito o corte. “O ideal é a que a folha bandeira tenha 1,70m para realizador o corte do palmito, o que dá em média 6 anéis no tronco”. A pesquisadora também disse que a palmeira pode ser plantada em consórcio com feijão guandu anão e com citrus, mas com este pode ser que haja competição entre os dois. “O bom do feijão guandu é que a sombra que ele produz ajuda nos primeiros anos após o plantio da palmeira”.

Sobre adubação do solo, Eliane recomenda o uso de húmus ou cama aviária, além das próprias folhas da palmeira e do pupunha. “As folhas também podem servir para alimentação animal e para fazer artesanato. Em Santa Catarina já existem iniciativas nesse tipo”, lembra a pesquisadora. Ela também explicou quais são os três tipos de palmito que são extraídos da plantas e como as indústrias aproveitam esse material.

A degustação do palmito ajudou a identificar os tipos de palmito e a aplicação comercial. O Gerente do Departamento de Extensão Rural da Secretaria Municipal de Prudetópolis, Eurico Uady provou o palmito e gostou da idéia. “Nós já temos palmeira real e palmito pupunha na nossa cidade, apesar do frio, e temos interesse em ampliar a atividade na região. Para isso rodamos quase 300 km até aqui”, disse Eurico. Ele destaca os diversos benefícios que a atividade pode trazer para a região. “Além de você ter uma cobertura do solo que impede a erosão em locais acidentados, como Prudentópolis, a atividade dá emprego par muita gente, não precisa de grande capital para investir e ainda ajuda na preservação do meio ambiente”.

Quem também se interessou pela preservação ambiental foi o agricultor José Francisco Xavier, que tem uma pequena propriedade em Cerro Azul. Seu Xavier gostou da idéia de plantar seringueira porque a árvore pode ser usada para reserva legal e ainda gerar lucro para o produtor. “Em toda essa região de Cerro Azul existem muitos morros, áreas de preservação, então nós agricultores temos que buscar técnicas que conservem o solo e a natureza. Não pode simplesmente por abaixo as árvores e plantar qualquer coisa”, ensina o agricultor. Ele ficou interessado em plantar seringueira em consórcio com outras atividades agrícolas, como café, para ter uma renda enquanto a seringueira não cresce e ainda ter aproveitar melhor a área.

De acordo com o pesquisador Jomar Pereira, que trabalha com haveicultura no IAPAR, a seringueira produz borracha sete anos após o plantio e só termina a produção 35 anos depois, quando a árvore pode ser derrubada e a madeira vendida. Segundo o pesquisador o custo de implantação do seringal gira em torno de R$ 3 mil por hectare se o gasto for apenas mudas e insumos. No caso do produtor gastar também com a compra de terra e contratar mão-de-obra o custo sobre para R$ 10 mil/ha.

Para o pesquisador esse custo é logo diluído pela variedade de atividades que a seringueira proporciona. Além da extração da borracha e da madeira e do consórcio com outras atividades agrícolas, é possível também criar abelhas e ainda ganhar créditos de carbono – o IAPAR participou de livro sobre o assunto recentemente. “A produção de mel vai de 100 a 150 kg de mel por hectare por dia. Já o carbono, é possível resgatar 90 toneladas/ano”, acrescenta Jomar.

Para o pesquisador o fator mais importante da seringueira é mesmo a produção de borracha. Ele salienta que o Brasil deixou de ser auto-suficiente na produção de borracha há mais de 50 anos e que o país importa atualmente 70% do que consome. Jomar acredita que vai haver um défice de 8 milhões de toneladas no mundo em 2030, já que o consumo cresce em torno de 5% apenas no Brasil. O pesquisador calcula que é necessário plantar em torno de 700 mil hectares até 2020 para não faltar matéria-prima no Brasil, que poderia se tornar exportador de borracha caso aumentasse a produção.

Ainda segundo Jomar, o estado de São Paulo produz 50% da borracha brasileira, o que mostra a possibilidade do Paraná também investir na atividade, já que as condições de clima e solo são semelhantes em algumas localidades. “O produtor que investir na seringueira não vai se arrepender. Quem fez essa escolha alguns anos atrás está colhendo bons frutos e a perspectiva é só melhorar”, finaliza o pesquisador do IAPAR.

Fonte: Bem Paraná

Exposição reúne o colorido e perfume de 1,3 mil orquídeas

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 4 de Dezembro de 2006 @ 18:55

Mostra estadual durante o final de semana reuniu 116 criadores de 22 municípios gaúchos. Prefeito homologou designação cultural de Cidade das Orquídeas

Maicon Kroth

Amarelas, brancas ou violetas. De duas ou três cores misturadas num híbrido exótico. Algumas com cheiro de chocolate, outras de côco. Cruzadas com espécies importadas da China, Colômbia ou de diferentes pontos do Brasil, as flores da 5ª edição da Exposição Estadual de Orquídeas Laelia Purpurata em Mato Leitão encheram os olhos de quem passou por lá neste final de semana.

O evento reuniu 116 expositores com mais de 1.300 exemplares de 22 municípios gaúchos. A abertura no sábado pela manhã foi marcada pela instituição da designação de Cidade das Orquídeas ao município. Autoridades políticas e líderes de diversas cidades dos Vales do Rio Pardo e Taquari prestigiaram a homologação da Lei 1.311, de 13 de outubro de 2006, que sancionou a denominação cultural.

O prefeito João Aurélio Wildner (PP) disse que ficou satisfeito com a instituição do nome e que, junto com a administração municipal, já faz planos para incentivar ainda mais o cultivo da planta entre os moradores. Wilder ressaltou o papel da comunidade como apoiadora da idéia de tornar Mato Leitão a Cidade das Orquídeas, especialmente depois que mais de 80% da população, por meio de um plebiscito realizado em outubro, votar a favor da designação.

Ao término de seu pronunciamento foi aberta oficialmente a exposição. As plantas, que estavam etiquetadas e relacionadas conforme as normas da Federação Gaúcha de Orquidófilos (FGO), foram julgadas num concurso realizado durante o evento. Receberam troféus os produtores com plantas de várias espécies, com destaque para os exemplares da espécie Laelia Purpurata.

A Exposição Estadual de Orquídeas transcorreu durante o final de semana junto à Sociedade União Boa Vista (Seubv). A organização foi do Núcleo de Orquidófilos de Venâncio Aires/Mato Leitão (Nova), Federação Gaúcha de Orquidófilos (FGO) e Prefeitura de Mato Leitão.

Fonte: Gazeta do Sul

Do hobby de colecionador à comercialização

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 4 de Dezembro de 2006 @ 18:54

Há mais de 20 anos cultivando orquídeas no município de Osório, Milton Linhares começou com uma pequena coleção de plantas que mantinha como um hobby. Com o passar do tempo, foi se interessando em variedades novas, com espécies cada vez mais raras e passou a se dedicar exclusivamente à produção das flores para comercialização.

Com investimentos a longo prazo, Linhares aumentou sua produção e participa, quase semanalmente, de algum evento onde pode vender o produto. “O mercado é bom e tenho plantas bonitas o ano todo, principalmente entre os meses de setembro e novembro”, afirma.

O produtor disse que o público consumidor tem aumentado nos últimos anos, caracterizado por pessoas com mais de 30 anos, especialmente de origem germânica ou italiana. “A região serrana do Estado junto com as dos Vales são fortes compradores”, reiterou.

Linhares comercializa mudas de orquídeas ao preço mínimo de R$ 5,00 e plantas floridas que chegam a custar R$ 100,00. As espécies de origem chinesa e norte-americana são as mais valorizadas.

Outro comerciante de flores é Eleandro Reck, que trabalha no ramo de produção de orquídeas há cerca de 10 anos em Caxias do Sul. Ele conta que começou como colecionador de diferentes espécies mas o interesse lhe estimulou à comercialização da planta, “que tem mercado garantido”. Hoje conta com cinco funcionários para manter seu orquidário na região serrana do Estado.

Fonte: Gazeta do Sul

Fragmentos preciosos

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 4 de Dezembro de 2006 @ 18:51

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP - A proteção da biodiversidade nas florestas paulistas não pode se limitar às unidades de conservação. A prioridade devem ser os fragmentos florestais remanescentes espalhados pelo interior do Estado, pois cada um tem composição única de espécies de plantas e animais.

Essa é uma das principais conclusões preliminares do workshop organizado pelo Programa Biota-FAPESP, de 16 a 18 de novembro, em São Paulo. O evento reuniu 130 pesquisadores com a proposta de fazer um mapa que indique as áreas prioritárias para conservação e restauração da biodiversidade no Estado.

Durante o encontro, os especialistas se dividiram em sete grupos temáticos. De acordo com o coordenador do Biota, Ricardo Ribeiro Rodrigues, os resultados, apesar de terem sido trabalhados individualmente dentro de cada grupo, foram convergentes no sentido de apontar as áreas prioritárias para conservação.

“Não temos dúvida de que o processo fornecerá um instrumento para que a Secretaria do Meio Ambiente estabeleça políticas públicas com sólida base científica”, disse à Agência FAPESP.

Os pesquisadores se basearam nos dados do Sistema de Informações Ambientais do Biota (SinBiota) e em outras fontes complementares fornecidas pelos parceiros da iniciativa: Fundação Florestal, Instituto Florestal, Conservação Internacional e o Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria).

Segundo Rodrigues, o produto final do trabalho coletivo será apresentado em 5 de junho de 2007, Dia do Meio Ambiente. “Concluímos que o banco de dados poderá ficar ainda mais completo com dados obtidos por pesquisadores que estavam presentes no workshop, mas que ainda não foram integrados. Essa complementação será feita até 15 de março. A partir daí serão gerados os mapas de áreas prioritárias, a serem divulgados em junho”, disse.

Sistema de conservação

Para Rodrigues, que também é professor titular do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, a conclusão mais importante do processo foi a de afastar definitivamente a idéia de que os fragmentos florestais seriam áreas de pouca importância para a biodiversidade.

“Mesmo onde a matriz é agrícola, eles são importantíssimos para a conservação da biodiversidade remanescente. Efetivamente, não vamos conservar nossa biodiversidade apenas dentro das unidades de conservação. Isso foi um consenso entre todos os grupos”, disse.

As conclusões, segundo Rodrigues, reforçam a necessidade de desenvolver um sistema de conservação eficiente da biodiversidade no Estado. “O sistema deve envolver inclusive os fragmentos nas propriedades rurais, dentro do sistema de produção, para que eles colaborem na conservação”, afirmou.

Para isso, será necessário o desencadeamento de uma política urgente de conservação usando estratégias do tipo reserva legal dentro das propriedades ou reserva particular do patrimônio natural, por meio das diferentes categorias de unidade de conservação.

“A idéia, em termos de restauração, é que esses fragmentos sejam interligados por meio de corredores ecológicos num programa estadual de recuperação de matas ciliares. Ou seja, é preciso fazer com que as matas ciliares funcionem na paisagem como elemento de ligação entre esses vários fragmentos, dando a eles maior peso de conservação, já que estarão interligados num grande sistema de conservação estadual”, disse.

Rodrigues aponta que o poder público dificilmente poderá ignorar o novo instrumento de políticas públicas que ficará disponível a partir de junho. “Em toda a proposta de construção desse mapa, o principal parceiro é a Secretaria de Meio Ambiente. As informações serão um instrumento efetivo para que a secretaria possa decidir, mesmo porque são dados de peso, gerados em projetos de pesquisa”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP

Pequenas empresas podem contribuir para um meio ambiente mais saudável

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 4 de Dezembro de 2006 @ 18:43

- O que os micro e pequenos empresários tem a ver com o meio ambiente? A resposta para essa pergunta foi dada nessa quinta-feira (30), durante a palestra ‘Pequenos Negócios, Mercados e Meio Ambiente: Desenvolvimento de Capacidades, realizado no Centro de Eventos Júlio César, em Bélem, no Pará.

A palestra faz parte da programação do Amazontech 2006, e teve como palestrante, o Dr. Jorge Valdez Pizarro, do Instituto Superior de Estudos da Amazônia (IESAM). As cerca de 40 pessoas entre pesquisadores, estudantes, empresários e consultores presentes entenderam que, em qualquer tipo de negócio, seja ele, micro, pequeno, médio ou grande todos tem a ver com o meio ambiente.

Jorge Valdez explicou que apesar da evolução e mudanças de paradigmas que o tema meio ambiente vem passando, desde os anos 90, ainda existem pessoas que acham que empresa e meio ambiente são assuntos que devem ser tratados de forma distinta. Mas Valdez alerta que a ligação entre esses dois temas é tão grande que, dentro de pouco tempo, toda microempresa, para funcionar, terá que ter um licenciamento ambiental.

Hoje, já existe o ISO 14 0001- SGA, que é a certificação ambiental, com normas específicas, que está ajudando a criar uma política ambiental. De acordo com pequisa mostrada por Valdez, a maioria do países parecem não estar muito preocupados, ainda, em adotar medidas para evitar que a natureza seja devastada com a poluíção e o desmatamento.

“Pequena empresa também poluí o meio ambiente. Muitas delas produzem fumaça e resíduos, possuem esgoto, entre outros problemas. E qual é o papel do empresário? Observar se sua empresa está cometendo falhas nesses aspectos. Se a avaliação for negativa, é porque algum problema no processo da empresa está acontecendo. E é esse aspecto que deve ser trabalhado”, explica Valdez.

Mudar pequenos hábitos existentes na empresa fazem uma grande diferença. Diferença essa que, além de contribuir para um meio ambiente mais saudável, ainda se reverte em lucro para a empresa. Para exemplificar essa afirmação, Valdez citou o caso da empresa Chamma da Amazônia, uma empresa de perfumes, da região, que chamou consultores para resolver o problema dos resíduos da produção dos perfumes.

Quando os pesquisadores chegaram na empresa, perceberam que o lixo era perfumado. Tratava-se das raízes das plantas, de onde eram extraídas as essências. O que fazer com elas? Jogar no meio ambiente? Não. As raízes, de lixo passaram a ser sachês perfumados. Essa ação rendeu para a empresa um lucro a mais de R$ 3.763,21 por ano. Há cinco anos, a empresa jogava no lixo aquelas raízes e novos lucros. “São ações inteligentes como essa, que o empresário deve tomar. É perceber o que está acontecendo de errado no processo da sua empresa e mudar. É transformar um problema em lucro”, explica Valdez. E quais são as oportunidades que o empresário tem na hora de acertar o erro no processo de sua empresa? Prevenir, minimizar, reaproveitar ou reciclar.

Valdez deu também um panorama geral sobre as exportações do Brasil. E revelou, que o Estado do Pará é um grande exportador. Com vendas de US$4,8 bilhões em 2005, o estado representa com isso, 4,1% do total das exportações brasileiras. Mas, apesar desses números, Valdez defende que é necessário que, tanto o Pará, quanto outros estados do país, agreguem mais valor aos seus produtos fabricados, para evitar a perda de mercado interno e externo. O investimento em design, por exemplo, é uma boa solução para esse problema e para o problema do meio ambiente. Porque? Um melhor designer produz peças de qualidade e que produzem menos resíduos.

Regina Xeyla

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

Acadêmico da Unemat vai fazer estágio em Jardim Botânico de Londres

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 4 de Dezembro de 2006 @ 18:41

O estudante de biologia da Unemat de Nova Xavantina, Nilo Leal Sander, de 19 anos, vai estagiar no maior jardim botânico do mundo, o Royal Botanic Gardens Kew de Londres. O aluno desembarca na capital inglesa no dia 6 de dezembro para trabalhar no setor “Tropical American Botany”, sob a supervisão do doutor William Milliken, até fevereiro de 2007.

Segundo a professora doutora da UnematT de Nova Xavantina, Beatriz S. Marimon, será uma oportunidade única onde o estudante participará da rotina de atividades do maior e mais completo Herbário do planeta. São mais de sete milhões de exemplares botânicos, milhares deles coletados por expedições científicas no estado de Mato Grosso, inclusive na região leste, onde funciona o Herbário NX, único da Unemat.

O Kew possui uma coleção com mais de 80.000 produtos vegetais utilizados pelo homem, uma das maiores bibliotecas botânicas do mundo e um extraordinário jardim botânico, com plantas vivas originadas de todos os continentes. Criado em 1853, o herbário do Kew possui mais de 7 milhões de exemplares que representam cerca de 98% de todos os gêneros do mundo, o que o torna uma referência mundial e centro de uma enorme rede de informações para estudos de sistemática, micromorfologia, bioquímica e genética molecular.

A professora Beatriz S. Marimon, que visitou o Kew em 1998 e possibilitou o estágio do aluno Nilo Sander, explica que o jardim botânico oferece estágios e cursos de aperfeiçoamento para qualquer estudante e possui diversos departamentos especializados. “O Brasil possui uma iodiversidade única. É importante que nossos futuros cientistas ampliem seus conhecimentos”, completa a professora Beatriz.

Autor: Patricia Neves

Fonte: Gazeta Digital

O negócio da droga: lucro certo

Enviado em Notícias, Cannabis de Anderson Porto | 4 de Dezembro de 2006 @ 18:39

Os informes mais recentes do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime e do Departamento de Estado dos EUA indicam que as áreas de plantação de coca se multiplicaram na região andina, apesar de todo o dinheiro gasto e do apoio cada vez mais ativo e diversificado dos norte-americanos em especial ao presidente Álvaro Uribe na Colômbia.

Milhões de dólares investidos e o único resultado palpável é o da mudança de localização das plantações, o que mostra uma mobilidade e uma capacidade de adaptação extraordinárias por parte dos plantadores e dos traficantes. Ao mesmo tempo, a produção de ópio se consolida e se expande no Afeganistão. Lá como aqui é o dinheiro da droga que alimenta as guerras.

Há dois tipos de drogas que causam dependência psíquica no mundo. De um lado estão as sintéticas, produzidas em laboratório (a partir de precursores químicos), como o ecstasy, estimulantes do tipo anfetamínico, depressivos como o mandrax e benzodiasepinas como o valium e o librium.

De outro lado as naturais, extraídas das plantas pelo refinamento de suas substâncias primárias. Neste caso, destacam-se a cannabis que dá origem à maconha e ao haxixe, a papoula que origina a morfina e a heroína, e a coca da qual surge a cocaína.

Vastos cultivos da cannabis podem ser encontrados em mais de 120 países, incluindo a produção em ambientes fechados na Holanda, EUA e Canadá principalmente, e em fazendas, por exemplo no México, Jamaica, Quirguistão, Casaquistão, Paquistão, Marrocos, Nigéria, África do Sul, Suazilândia.

As cidades de Cabrobó e Bodocó em Pernambuco e Floresta no Maranhão têm garantido a participação brasileira como produtor de maconha, ao passo que em áreas do Acre (inclusive próximo a Rio Branco), nos vales do rio Negro e do rio Guaporé temos o epadu, uma variedade mais fraca da coca que é tradicionalmente consumida por tribos indígenas e cada vez mais pelos brancos, com a vantagem de propiciar até quatro colheitas anuais.

Os plantios de papoula concentram-se no Afeganistão e na ex-Birmânia (atual Mianmar), responsáveis por 95% das 6 mil toneladas de ópio que a cada ano o mundo produz. A coca é toda ela proveniente da América do Sul. No início da década de 1990, cerca de 85% dos cultivos estavam no Peru e na Bolívia. Hoje, mesmo com o ressurgimento dos plantios nos vales do Huallaga e do Chapare, o quadro mudou e, dos cerca de 160 mil hectares de coca, 54% estão na Colômbia de Uribe, 30% no Peru de Alan García e 16% na Bolívia de Evo Morales.

O Brasil, considerado um país de médio porte com relação ao consumo de cocaína, heroína e drogas sintéticas, funciona como área de trânsito, como base para estoque e plataforma para a exportação dirigida aos países mais ricos e grandes consumidores da coca latino-americana.

Aqui se produz a maior parte dos insumos necessários (éter e acetona, principalmente) ao processamento que irá transformar a coca em cocaína, mas são as estruturas criminosas ligadas ao setor que cada vez mais parecem tornar-se economicamente sólidas e influentes. As rotas nacionais para o tráfico, de acordo com o mapa da droga publicado pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, inicialmente seguiram os mesmos caminhos utilizados para o contrabando de ouro no século 18, de borracha no final do século 19 e depois no comércio da madeira, neste caso coincidindo com a reativação do comércio na Amazônia.

Nas últimas décadas houve uma maior diversificação e hoje é possível identificar três grandes eixos por onde flui o tráfico nacional: um central, correspondente às cidades situadas na parte mais baixa do rio Solimões com a entrada da droga pela conexão Letícia/Tabatinga e pelos rios Içá e Japurá, de onde segue para Tefé e Coari e, por fim, a Manaus. Outro eixo é o ocidental, pela BR 364 em Rondônia e Mato Grosso. Por último, o eixo oriental que tem como referência a rota Belém-Brasília, cruzando o estado de Tocantins e que se aproveita da intensificação do comércio da soja que conquistou o mercado internacional.

Os principais fluxos de matéria-prima são provenientes da Colômbia, Peru e Bolívia, mas também há caminhos pela Venezuela e um outro pelo Paraguai, por Ponta Porã no Mato Grosso do Sul e daí até São Paulo, ou direto por Ciudad del Este/Foz do Iguaçu e então Ponta Grossa e Curitiba. Em geral este é um comércio que acompanha o vaivém dos produtos legais. Ao lado da carne, do trigo, dos produtos eletrônicos, das máquinas, passam para lá e para cá a droga, os precursores químicos e as armas.

As perspectivas de mudanças, pelo menos no curto prazo, são mínimas ou inexistentes. A política internacional de criminalização da droga é ineficaz, o Plano Colômbia que hoje privilegia a militarização do conflito tentando dominar as Farc também fracassou, e há forte resistência em relação à alternativa da legalização.

Uma vez que o mercado consumidor se mantém estável na Europa e nos Estados Unidos, a oferta igualmente não demonstra fraquezas e os lucros continuam nas alturas. A razão é uma só: um quilo de cocaína que custa 890 dólares na fonte, ou seja, nos campos peruanos ou colombianos, multiplica em 54 vezes o seu preço e é vendida por volta de 48 mil dólares na Europa.

Vitor Gomes Pinto
Escritor, analista internacional
Autor do livro Guerra en los Andes

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