O Poder de Cura das Frutas - POMADA DE JACA

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 11 de Novembro de 2006 @ 11:31

Cada espécie perdida apaga uma possibilidade. Quem diria, por exemplo, que a jaca – uma planta importada, mas muito popular – poderia produzir um poderoso cicatrizante para queimaduras? A professora Maria Cristina Roque Barreira, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (USP-RP) começou a testar o uso de substâncias da semente da jaca como antiinflamatório. E teve uma enorme surpresa ao descobrir o KM+, uma proteína que estimula uma impressionante regeneração de queimaduras.

“A partir do estímulo com a proteína KM+, os glóbulos brancos contidos na corrente sangüínea vão para os focos de inflamação. Foi uma surpresa. Eu diria que é melhor do que uma cicatrização mais rápida”, avalia a professora.

Muito melhor, descobriu o cirurgião neurologista Ricardo Oliveira, quando ainda fazia o segundo ano de medicina. Ele pesquisava os efeitos da jacalina, uma das proteínas da jaca, sob a orientação da professora Maria Cristina. A experiência foi feita com cobaias anestesiadas.

O animal sofria uma queimadura controlada, provocada por água a 60ºC durante um minuto. Em seguida, os ratos eram separados em dois grupos. Um recebia um pouco de vaselina com o derivado da jaca. O outro tinha a queimadura tratada apenas com vaselina. Vinte e quatro horas depois, o então estudante voltou ao laboratório e viu nos ratos uma reação totalmente inesperada.

A equipe do Globo Repórter também voltou ao laboratório 24 horas depois de as cobaias sofrerem as queimaduras para ver o que tinha acontecido.
Seria possível repetir ainda hoje aquela experiência de anos atrás, quando o professor viu os animais melhorarem com a pomada feita a partir da semente da jaca?

“A gente percebe que existe uma grande área enegrecida, caracterizando necrose, ou seja, morte do tecido. E o animal também está bastante quieto, sem demonstrar muita atividade no seu ambiente. Enquanto isso, no outro animalzinho, a gente observa que não existe área de necrose de tecido tão evidente. E o animal está muito mais ativo que o seu colega vizinho”, avalia o cirurgião neurologista.

A professora continuou os estudos e percebeu que uma outra proteína da jaca, batizada de KM+, acelera a reposição das células destruídas pela queimadura.

“É melhor do que cicatrização porque a cicatrização forma um tecido fibroso, que não é um tecido funcional e que esteticamente tem problemas. Com o uso da proteína isso não acontece. Nós temos um tecido com aspecto e funcionamento absolutamente similares ao do tecido anterior”, ressalta Maria Cristina.

Data Edição: 18/11/04
Fonte: Globo Repórter