Workshop discute plantas do futuro

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 10 de Novembro de 2006 @ 16:53

BELÉM – Avaliar e selecionar espécies vegetais da Amazônia de interesse econômico e social para comunidades, associações de produtores, empresas e entidades da sociedade civil, interessadas em oportunidades na utilização sustentável dos recursos da flora regional. É com essa finalidade que será realizado de 20 a 22 de novembro, em Belém (PA), o Workshop de Avaliação e Seleção de Espécies de Plantas do Futuro na Região Norte.

Os grupos de plantas de interesse e valor econômico que serão discutidos são as alimentícias, medicinais, aromáticas, forrageiras, fibrosas, ornamentais, oleaginosas e tóxicas ou biocidas. O levantamento das plantas amazônicas está previsto no Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio).

O workshop é organizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (IEPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

O projeto é coordenado pelo pesquisador Samuel Almeida, da Coordenação de Botânica do Museu Goeldi. A intenção do Ministério do Meio Ambiente é executar o projeto em todos os biomas nacionais para selecionar espécies de plantas com mercado atual e potencial. Com isso, o MMA quer aperfeiçoar oportunidades para negócios sustentáveis com base em produtos da floresta amazônica, especialmente os produtos florestais não madeireiros (PFNM).

Informações sobre o workshop e as inscrições podem ser obtidas com Nilzilene Cristo ou Joseane Barbosa. Elas atendem pelos telefones (91) 3217-6091 e 3217-6149. Dados também podem ser repassados por e-mail.

Fonte: AGÊNCIA AMAZÔNIA

Lançada linha de crédito inédita para agricultura familiar

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 10 de Novembro de 2006 @ 16:52

Publicação JC

A Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), órgão do governo do Amazonas, vai lançar uma nova linha de financiamento para incentivar a agricultura familiar, considerada inédita no país.

O programa foi batizado provisoriamente de ‘Plantando o Futuro’, mas a nomenclatura final, assim como os critérios para a sua operacionalização, serão definidos em reunião marcada para esta sexta-feira.

Participam da reunião técnicos da Afeam, do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Agroamazon (Agência de Agronegócio), Afloram (Agência de Florestas)e FMPES (Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento Social do Estado do Amazonas) -de onde sairão os recursos. A reunião acontece às 9h, no auditório da Afeam, na avenida Constantino Nery, nº 5733, bairro de Flores.

Serão disponibilizados, em 2007, R$ 6 milhões para financiar pequenos produtores rurais de Manaus, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Iranduba, Manacapuru, Novo Airão, Careiro Castanho e Manaquiri, no primeiro semestre, mas a idéia é expandir o projeto para todos os municípios onde as prefeituras municipais estejam interessadas em firmar parceria.

O novo financiamento tem como objetivo proporcionar ao pequeno produtor rural condições mínimas de sobrevivência de forma sustentável e que lhe propicie produção durante o ano todo. O programa incentiva a busca de novas alternativas de sustentabilidade através da introdução de espécies frutíferas e ou florestais, em consórcio, ou não, como a tradicional mandioca, na maioria das vezes a base da cultura na agricultura familiar no interior do Amazonas.

O valor máximo do financiamento é de R$ 3.000, sendo até R$ 2.000 destinados ao custeio da mandioca, até R$ 400 para aquisição de insumos para as culturas de ciclo médio (frutíferas) e longo (florestais) e até R$ 600 para compra de mudas, valor este que no primeiro momento de implantação do programa será bonificado com a isenção do seu pagamento pelos produtores beneficiados, desde que o projeto seja totalmente implantado de acordo com as orientações técnicas. No segundo momento, as mudas serão fornecidas gratuitamente pelas prefeituras municipais dos municípios que serão atendidos pelo programa.

Grupos comunitários

O público-alvo do projeto são os pequenos produtores rurais, prioritariamente aqueles que estejam organizados em grupos comunitários, que utilizem mão-de-obra familiar e que atendam a requisitos básicos, como residir na propriedade rural ou na comunidade há pelo menos dois anos; que comprove que, no mínimo, 80% da manutenção da família provém da atividade agropecuária.

Estão incluídos também aqueles que estão na atividade há, pelo menos, dois anos e que utilize mão-de-obra familiar, podendo, eventualmente, contratar mão-de-obra complementar; que possua a titularidade do imóvel, na condição de proprietário ou de posseiro, legalizados.

Baixos encargos são tidos como vantagem

Entre as vantagens do programa estão os baixos encargos financeiros, com taxa de juros de 6% ao ano, igual a 0,48% ao mês, considerada uma das menores do mercado, sem contar que o produtor pode obter até 50% de desconto sobre o saldo devedor do financiamento (principal mais encargos), na forma de dois tipos de bônus - o Ecológico, que dá 10% de desconto para quem cumprir todas as recomendações da pesquisa e assistência técnica quanto ao cultivo ecologicamente correto e sustentável; e o Produtivo, no qual são oferecidos até 40% de desconto para os produtores que implantarem culturas de ciclo médio (citrus, banana, guaraná, urucum, cacau, açaí, café, maracujá, cupuaçu, coco, mamão, entre outros), além de espécies florestais (teca, mogno, andiroba, louro, angelim, cedro e copaíba).

O valor do bônus Produtivo será calculado baseado no número de plantas introduzidas. “Este é, sem dúvida, um dos grandes diferenciais do programa, uma vez que em outros tipos de financiamento dessa natureza a bonificação incide sobre os encargos e não sobre o valor principal”, destacou o diretor-presidente da Afeam, Pedro Falabella.

Para um empréstimo de R$ 3.000, por exemplo, o valor a ser pago em parcela única, após 18 meses, acrescidos os encargos, considerando a bonificação máxima de 50% é de aproximadamente R$ 1.280, levando-se em conta a bonificação integral sobre as mudas, ou seja, menos da metade do valor do financiamento.

Outra vantagem é a liberação mensal das parcelas distribuídas uniformemente durante o ciclo da cultura. Nas operações de crédito tradicionais os recursos são liberados em duas vezes, uma por ocasião do plantio e outra na colheita, o que gera um índice alto de inadimplência.

Fonte: Jornal do Commercio

Brasil: ervas daninhas já são resistentes ao glifosato

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 10 de Novembro de 2006 @ 16:50

Pelo menos quatro plantas daninhas já se mostram resistentes ao herbicida glifosato, utilizado sobre a soja transgênica Roundup Ready, ambas produzidas pela multinacional Monsanto

Em nota técnica enviada aos produtores da região Norte do Rio Grande do Sul e publicada na imprensa, especialistas afirmam que as ervas daninhas corriola, buva, poaia-branca e trapoeraba já são tolerantes ao glifosato e requerem a utilização de herbicidas específicos. No Rio Grande do Sul, foram identificados biótipos de azevém e buva resistentes ao glifosato.

A nota é assinada pelo pesquisador da Embrapa Trigo, Leandro Vargas, pelo pesquisador da Fundacep, Mario Bianchi, e pelo professor da Universidade de Passo Fundo, Mauro Rizzardi. De acordo com o engenheiro agrônomo Leandro Vargas, o uso repetido do glifosato está levando à seleção de plantas resistentes ao herbicida.
Ele considera supreendente, no entanto, que plantas resistentes tenham surgido em tão pouco tempo. “Nós partimos de quatro anos atrás, quando passamos a usar o glifosato extensivamente no soja RR, com nenhuma espécie resistente. E neste tempo já estamos com quatro espécies resistentes. É provável que essa situação se agrave se continuarmos a usar o glifosato de forma inadequada, ou seja, todo o ano, repetidamente, três ou quatro vezes durante o ciclo da soja”, afirma.

O pesquisador da Embrapa Trigo, de Passo Fundo, avalia que a descoberta de plantas resitentes ao glifosato é pontual e não representa mais um sinal dos altos de custos de produção e dos prejuízos ambientais causados pela soja transgênica. No entanto, ele recomenda o uso de uma carga ainda maior de agrotóxicos para o combate às ervas daninhas. “Continue utilizando o glifosato, mas que se faça rotação do glifosato com outros herbicidas, com herbicidas que tenham mecanismos de ação diferentes. E que o produtor fique atento: se ele observar que o glifosato não esta controlando determinada espécie, imediatamente ele entre com outro herbicida, com outro mecanismo de ação e controle aquela espécie”, diz.

Opinião diferente tem o gerente de recursos genéticos do Ministério do Meio Ambiente, Rubens Nodari. Ele afirma que a introdução da soja transgênica aumentou a carga de agrotóxicos utilizadas na lavoura. De acordo com Nodari, de 1998 a 2004, o consumo de glifosato no Rio Grande do Sul saltou de 3,8 milhões de quilos para mais de 19 milhões de quilos. Além do uso repetido de glifosato ter gerado plantas resistentes, o especialista relata que a soja transgênica já está se tornando erva daninha para outras culturas. Esse é um dos fatores apontados pelo pesquisador que demonstram o fracasso da soja transgênica. “No Paraná, agricultores estão tendo que usar agora herbicidas que estavam deixados de lado, como o é o caso de dois herbicidas a base de 2-4-D, porque algumas plantas de soja acabam se tornando ervas daninhas de outras lavouras. Como muita gente usa herbicidas a base de glifosato para o plantio direto, na cultura após a soja, o uso desse herbicida não resolve mais o controle de plantas de soja que são voluntárias. Na colheita da soja sobra grãos, esses grãos germinam e atrapalham a cultura que vem em seguida. Então, existem custos adicionais, e hoje muitas empresas estão pedindo registro para produtos antigos para o controle de soja transgênica que cresce fora de época. É um conjunto de problemas com essa tecnologia, que não foram suficientemente estudadas na época da liberação dessa tecnologia. Os próprios agricultores já estão conscientes da experiência, e eles mesmo são testemunhas da viabilidade ou não”, diz.

Para Rubens Nodari, em vez de utilizar mais agrotóxicos, os agricultores devem optar pela transição ao modelo agroecológico de produção. “Sempre é possível ir para a agroecologia. É claro que no primeiro ano é muito difícil.

Mas existe um conjunto de princípios que devem ser utilizados. A agroecologia é um conjunto de processos, o primeiro deles é que você não coloque insumos internos, ou seja, tem que usar basicamente o próprio sistema. A rotação de culturas é um mecanismo muito interessante para o controle de ervas daninhas. O segundo princípio é o policultivo. Naquelas áreas em que você tem uma quantidade maior de infestação, é possível ter o controle cultivando alguma planta que iniba o crescimento daquela.

E assim por diante. No primeiro ano, pelo fato de o agricultor não estar familiarizado com o novo processo agroecológico, ele pode sentir dificuldade ou não atingir resultados esperados. Mas a partir do terceiro ano, os custos de produção tornam-se extraordinariamente mais baixos, a economicidade das lavouras tem sido igual ou superior ao convencional. Depois que ele consegue recuperar a fertilidade do solo, a lucratividade é bem maior no sistema agroecológico. Mas no primeiro ano realmente será mais trabalhoso, e eventualmente vai exigir até mesmo o controle mecânico das ervas daninhas”, recomenda.

Fonte: MST, Internet, 8-11-06