Embrapa Cerrados põe mudas à venda
A Embrapa Cerrados (Planaltina-DF) deu início, no último dia 04/10, a venda de mudas. Os preços variam de R$ 1 a R$ 7. Mudas como a do açaí, acerola, amora preta, barú e mais 126 espécies estarão à venda enquanto durar o estoque.
Entre as mudas de árvores frutíferas está a cagaita, árvore de porte médio que pode atingir de 3 a 4 m de altura, tem folhas verdes brilhantes e flores brancas e aromáticas. Se consumida em excesso, a cagaita provoca uma fermentação, estimuladora do funcionamento intestinal e causadora de uma espécie de mal-estar semelhante à embriaguez. Por outro lado, a infusão da folha e da casca da árvore tem efeito contrário, sendo muito utilizada pela medicina popular como anti- diarréico. Outra fruta laxante e pouco conhecida é a pitaya. Seu consumo pode ser da polpa do fruto ao natural, como refresco, geléias e doces e também é utilizada em medicina caseira, como tônico cardíaco. As sementes têm efeito laxante. Além do fruto, que tem efeito em gastrites, o talo e as flores são usados para problemas renais.
Existem também as mais populares como a banana-prata, o cajú, o cupuaçú, graviola, a framboesa e o pequi que pode chegar a 10 m de altura com tronco tortuoso de casca áspera e rugosa e nos meses de setembro a dezembro surgem grandes flores. A polpa de coloração amarelo intensa, rica em vitamina C, envolve um caroço duro formado por grande quantidade de pequenos espinhos. Frutifica de janeiro a abril. O fruto, do tamanho de uma pequena laranja, está maduro quando sua casca, que permanece sempre da mesma cor verdeamarelada, amolece.
Na lista de mudas à venda pelo viveiro da Embrapa Cerrados também existem plantas ornamentais, como a palmeira imperial, que pode chegar até 35 m de altura. Além de utilizada para fins ornamentais, seu palmito também é comestível.
A lista completa de todas as espécies está disponível no site www.cpac.embrapa.com.br. O viveiro da Embrapa Cerrados funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 13h às 16h. A Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está localizada na BR020, Km18, rodovia Brasília/Fortaleza, no trecho entre Sobradinho e Planaltina.
Fonte: ABN
Trópicos são o motor da biodiversidade, diz estudo
Ao longo de 11 milhões de anos, há um padrão de duas vezes mais espécies surgindo nos trópicos
AP
WASHINGTON - Conforme exploravam a Terra, pesquisadores dos séculos passados começaram a ponderar um enigma chamado “gradiente latitudinal de diversidade”. Isso é um nome técnico para o seguinte fenômeno: quanto mais alguém se afasta dos trópicos, menor é a diversidade de tipos de plantas e animais.
A questão tomou a seguinte forma: isso ocorre porque mais espécies surgem nos trópicos, ou porque espécies antigas sobrevivem a mais tempo na região? Em outras palavras, os trópicos são uma fonte ou um museu de biodiversidade? A resposta: ambos.
Uma equipe de palentólogos estudou um grande grupo de animais marinhos - ostras e outros moluscos semelhantes. Cerca de três quartos dos tipos dessas criaturas que existem atualmente surgiram nos trópicos e disseminaram-se em direção aos pólos, enquanto que apenas um quarto é nativo de outras latitudes, informam os cientistas na revista Science desta semana.
Os pesquisadores descobriram, ao rastrear a trajetória dos animais marinhos ao longo de 11 milhões de anos, um padrão consistente de duas vezes mais espécies surgindo nos trópicos do que em outras áreas. E, enquanto apenas 30 variedades que viviam nos trópicos se extinguiram, 107 que viviam fora da região desapareceram.
“É um padrão impressionante e surpreendente”, disse o principal autor do estudo, David Jablonski, da Universidade de Chicago. “E parece que outros animais e plantas jogam o mesmo jogo, mesmo na terra firme”, diz nota divulgada pelo pesquisador.
“Os trópicos são o motor da biodiversidade”, acrescenta o co-autor Kaustuv Roy, da Universidade da Califórnia, San Diego. “O que isso significa é que extinções provocadas pelo homem nos trópicos inevitavelmente afetarão a diversidade nas latitudes temperadas e mais altas. Isso não vai aparecer nos próximos 50 anos, mas será uma conseqüência de longo prazo”.
Fonte: [ Estadão ]
Museu Goeldi estuda plantas amazônicas
BELÉM – A exploração sustentável do miriti e de outras plantas de grande valor econômico da Amazônia passará a ser estudada detalhadamente pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), de Belém (PA), por meio do projeto Plantas do Futuro na Região Norte, coordenador pelo pesquisador Samuel Almeida. O miriti (Mauritia flexuosa), espécie florestal usada na fabricação dos famosos brinquedos de miriti, é a primeira a ser estudada. Durante o Círio de Nazaré é grande o comércio de brinquedos feito com miriti.
Além do miriti, Almeida explica que o projeto estudará a viabilidade econômica de outras plantas de valor econômico, como plantas medicinais, alimentícias, fibrosas, oleaginosas, ornamentais, artesanais, forrageiras, óleos essenciais dentre outras que ofereçam produtos florestais não-madeireiros. Segundo ele, as pesquisas abrangem a região do baixo Tocantins, rio Pará e no canal norte do rio Amazonas, na zona estuarina que abrange o Pará e Amapá. Ao todo, treze pesquisadores, técnicos e bolsistas vinculados ao Museu Goeldi estão envolvidos no levantamento.
O miriti é uma palmeira esbelta e de grande porte, comum na paisagem das áreas inundadas da região amazônica, incluindo as várzeas e os igapós. Ela também ocorre em outros biomas - nas veredas do Cerrado e nos brejos da Caatinga nordestina. Pode atingir até 35 metros altura e diâmetro do tronco de até 80 centímetros. Além de garantir felicidade para crianças e turistas, o miriti é uma excelente fonte de renda para artesãos.
Da palmeira é retirado o pecíolo, popularmente conhecido como braço ou talo, para ser utilizado no artesanato. Essa parte é a medula, constituída por fibras finas e longas, envolvidas por um parênquima esponjoso. Cada palmeira adulta pode fornecer até três folhas anualmente, mas esse limite nem sempre é obedecido pelos extrativistas.
Expressão sexual
Segundo o pesquisador Samuel Almeida, a espécie se destaca por uma curiosidade biológica: os miritizeiros podem variar de expressão sexual. Umas palmeiras produzem cachos somente com flores masculinas, e outras, liberam cachos só com flores femininas. No caso das últimas, elas geram frutos de coloração avermelhada, recobertos de escamas e com polpa amarelo-vivo muito oleosa. Cada palmeira madura pode produzir em média 250 quilos de frutos a cada safra anual.
Na cidade de Abaetetuba, no Pará, onde os pesquisadores iniciaram seus levantamentos, a associação de artesãos locais vende mais de 3 mil peças de brinquedos e artesanatos em miriti na época do Círio de Nazaré. Animais, quadros, elementos da cultura popular, santos, miniaturas e réplicas de barcos, além das conhecidas peças animadas (ratinhos, aves e bonecos) são alguns dos itens comercializados.
O projeto Plantas do Futuro estima que cerca de 2 mil pessoas, entre extrativistas, artesãos, lojas e pequenos comerciantes, participem de atividades voltadas à exploração comercial do miriti. Além de Abaetetuba, existem também artesãos em Igarapé-Miri e Barcarena de onde também é extraída a matéria-prima.
Os pesquisadores e técnicos pretendem desenvolver os fundamentos do manejo sustentável do miriti para usos múltiplos, incluindo tanto a produção de material fibroso para artesanato, como a dos frutos, que por sua vez são utilizados na alimentação (empregados no fabrico de sucos, doces, sorvetes e mingau).
O miriti também é uma fonte de substâncias oleaginosas utilizadas na indústria de cosméticos para fabricação de sabonetes, cremes hidratantes, sabões e xampus. Outra curiosidade: do caule do miriti pode-se obter uma seiva adocicada que serve até para adoçar o café.
O projeto
O projeto Plantas do Futuro na Região Norte faz parte do Programa de Conservação e Uso Sustentado dos Recursos da Biodiversidade Brasileira (Probio), do Ministério do Meio Ambiente. A proposta do MMA é levá-lo para todos os biomas nacionais. O projeto seleciona espécies de plantas com mercado atual e potencial e cria oportunidades para negócios sustentáveis com base em produtos da floresta amazônica.
Depois de selecionadas e validadas as espécies, os pesquisadores vão elaborar portifólios com as informações com informações diversas. Tipos de produtos, modos de obtenção e processamento, mercados consumidores, cadeias produtivas e de comercialização, arranjos produtivos locais (APLs), oportunidades e ameaças para a conservação das espécies como superexploração, pragas e doenças são algumas das informações que estarão à disposição do público.
(*) Com informações da Assessoria de Comunicação do Museu Goeldi.
Fonte: [ AGÊNCIA AMAZÔNIA * ]






