Aquecimento global ameaça plantas de extinção

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 12 de Setembro de 2006 @ 21:48

LONDRES (Reuters) - Milhares de espécies de plantas estão sendo levadas à quase extinção por causa do aquecimento global, e aquelas que já vivem em situações extremas são as mais ameaçadas, disse na terça-feira o botânico Paul Smith, chefe do Banco de Sementes do Milênio, na Grã-Bretanha.

Segundo ele, as regiões mais áridas, que representam 40 por cento da superfície da terra e que abrigam mais de um terço da população, são as que sofrerão mais.

A equipe de Smith está cumprindo o cronograma para armazenar sementes de 10 por cento das espécies de plantas do mundo até 2010, numa corrida contra o aquecimento global.

“O problema é que, quando começamos a coletá-las, achava-se que havia 242 mil espécies de plantas. Mas agora algumas pessoas acreditam que o número possa chegar a 400 mil”, disse ele à Reuters durante uma visita ao Kew Gardens, de Londres.

“Precisamos mesmo descobrir o que existe, antes que desapareça”, disse ele, lembrando que na ilha de Robinson Crusoé, na costa do Chile, os cientistas detectaram oito extinções só na última década.

Mas não é só no Hemisfério Sul que as alterações climáticas estão causando mudanças radicais no ambiente.

Na Inglaterra, além de o clima já ter mudado, favorecendo espécies de plantas e árvores mediterrâneas, mais resistentes à seca, as alterações também trouxeram pestes causadas por insetos e que antes eram desconhecidas, porque os animais não teriam sobrevivido ao inverno.

Tony Kirkham, especialista em árvores dos Jardins Botânicos Reais de Kew, no sudeste de Londres, destacou que uma espécie de mariposa começou a atacar castanheiras nos últimos anos, matando-as.

Enquanto a seca e as pestes prejudicam espécies nativas, árvores de climas mais secos como o eucalipto da Austrália e o liquidâmbar norte-americano estão se adaptando bem melhor ao clima.

O ministro da Alteração Climática, Ian Person, previu que só na Grã-Bretanha os índices de precipitação vão cair à metade até 2080, com verões mais quentes e secos e invernos mais amenos.

Fonte: [ Último Segundo ]