Novas culturas apontam no Sul
O Sul e o Oeste de Santa Catarina são as duas regiões do Estado mais apropriadas para a implantação de um projeto piloto que prevê incluir cinco mil famílias de agricultores na produção de mamona e girassol destinados à fabricação de biodiesel. O plano de trabalho para a produção começa a ser traçado numa reunião entre a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina e a Ecodiesel, empresa responsável por 70% da produção de biodiesel no País. A mamona e o girassol são as plantas mais indicadas para a região.
Segundo Hercílio Jair De Stefani, diretor-executivo da Fetaesc, o projeto piloto irá cadastrar cinco mil famílias em Santa Catarina. Qualquer agricultor familiar pode participar do projeto. Cada família deve cultivar de quatro a cinco hectares de mamona ou girassol. O beneficiamento das sementes será feito no Rio Grande do Sul, onde há uma indústria de processamento. “Mas a previsão é que seja instalada uma usina em Santa Catarina também”, afirma.
De Stefani afirma que o cultivo da mamona e do girassol será implantado como forma de complemento de renda, e não deve ser a principal cultura da família. A plantação de mamona e girassol pode ser realizada por quem cultiva fumo, por exemplo. Dessa maneira, a mamona ou o girassol seriam beneficiadas com a adubação anterior.
O Oeste e o Sul catarinense são as regiões mais apropriadas para a implantação do projeto, segundo De Stefani. Isso porque estão mais próximas do Rio Grande do Sul. “O ideal é que a distância seja de até 300 quilômetros, senão o transporte fica caro”, diz.
De Stefani explica que a parceria entre agricultores e a Brasil Ecodiesel ocorrerá nos moldes dos contratos entre as empresas fumageiras e os fumicultores. A empresa financiará a compra de sementes e insumos e dará o apoio técnico à lavoura. Os agricultores plantam e comercializam com a empresa. Segundo De Stefani, os agricultores entregarão as sementes, no mínimo, por R$ 0,58 o quilo.
Fonte: [ Jornal A Tribuna ]
Pesquisa tem qualidade, mas volume é insuficiente
O Brasil possui uma grande diversidade vegetal, o que o coloca entre os países com maior potencial para o desenvolvimento de novas drogas (fitoterápicos ou não) a partir de plantas medicinais. Apesar da riqueza de matéria-prima, muito pouco deste acervo vem sendo usado na produção de medicamentos. Uma das causas seria o baixo número de pesquisas científicas direcionadas e organizadas.
Segundo o diretor do Instituto Brasileiro de Plantas Medicinais (IBPM), o clínico-geral Alex Spyros Botsaris, levantamentos recentes apontam para um universo de cinco a nove mil espécies medicinais em nossos diferentes biomas, das quais apenas uma minoria pouco expressiva foi estudada do ponto de vista científico. Ou seja, muitas plantas ainda são um mistério do ponto de vista medicinal.
De qualquer forma, Botsaris afirma no site do IBPM que a produção de trabalhos envolvendo a pesquisa com plantas vem crescendo nos últimos 20 anos. No início da década de 80, eles eram limitados há algumas dezenas por ano. Nos últimos quatro anos, cerca de cinco mil trabalhos foram publicados por pesquisadores brasileiros. No entanto, este número ainda é pequeno, conforme Botsaris.
“Tem muita pesquisa de qualidade. O problema é que não há organização. A pesquisa em planta medicinal exige uma equipe multidisciplinar investigando todas as etapas da cadeia produtiva, além da validação farmacológica e clínica. Isso exige pesquisa em cultivo, extração, fitoquímica, padronização, farmacologia, toxicologia, farmacotécnica e pesquisa clínica, para validar uma planta. Pesquisamos muito, mas ainda temos poucos fitoterápicos validados do ponto de vista científico, porque a pesquisa ainda é mal direcionada”, comentou em entrevista ao Portal Terra.
Fonte: [ Cidade Verde ]
Ministério comemora hoje o Dia Nacional do Cerrado
conesul news
O Ministério do Meio Ambiente promove nesta segunda-feira (11), em Brasília, várias atividades para comemorar o Dia Nacional do Cerrado (11 de setembro). Como parte da programação, estão previstas exposições fotográfica e de produtos sustentáveis do bioma, degustação de produtos do Cerrado, lançamento do Zoneamento Ecológico-Econômico da Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno do Distrito Federal (Ride-DF). A solenidade foi aberta há pouco, pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no auditório Guimarães Rosa, do Ministério da Cultura, Esplanada dos Ministérios.
Principal área de expansão da agricultura, o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e um dos mais ameaçados. Está localizado em uma grande área do Brasil Central. Com cerca de 2 milhões de km², se estende em área contínua por 11 estados brasileiros: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, São Paulo e Tocantins. Para promover ações relacionadas à conservação, à restauração, à recuperação e ao manejo sustentável de ecossistemas do bioma Cerrado, bem como a valorização e o reconhecimento de suas populações tradicionais, o Ministério do Meio Ambiente criou em 2005 o Programa Cerrado Sustentável e instituiu a Comissão Nacional do Programa Cerrado Sustentável (Conacer).
Formada por sete ministérios e diversas entidades da sociedade civil e acadêmica, a Conacer tem como objetivo auxiliar na elaboração e implementação de políticas públicas para o bioma. Como importante contribuição, a comissão agilizou os debates para aprovação do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 115, que eleva o Cerrado e a Caatinga à condição de Patrimônio Nacional. A proposta ainda aguarda apreciação do plenário da Casa. Atualmente se enquadram nesse status de reconhecimento o Pantanal, Floresta Amazônica, Mata Atlântica e Serra do Mar.
Um dos elementos-chave para a implementação do Programa Cerrado Sustentável, o Projeto GEF Cerrado Sustentável já tem aprovados recursos de US$ 13 milhões com contrapartida nacional de US$ 26 milhões, totalizando U$ 39 milhões. Os recursos serão aplicados em ações de uso sustentável, criação e implementação de unidades de conservação de proteção integral no bioma, apoio à comercialização de produtos do Cerrado e no fortalecimento de suas comunidades tradicionais. A valorização da cultura regional voltada para a conservação das riquezas ambientais e sociais, para o uso sustentável de sua diversidade biológica, constitui uma das principais estratégias do Programa Cerrado Sustentável. O objetivo é aumentar a conservação da biodiversidade e melhorar a promoção do manejo dos recursos naturais e do meio ambiente do bioma.
Para o secretário-executivo da Conacer, Mauro Pires, o esforço para preservar o Cerrado não é à toa. A continuar o atual ritmo de devastação, o bioma pode desaparecer até 2030, de acordo com estudos recentes. Mauro Pires lembra que, com o Cerrado, desapareceriam também não só milhares de espécies, mas, ainda, 14% da capacidade hídrica brasileira. O Cerrado é considerado a grande ‘caixa d’água’ da América do Sul, com nascentes e cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai. Embora sua importância e o fato de ser o segundo maior bioma brasileiro, está na lista dos chamados hotspots mundiais, áreas ricas, mas muito ameaçadas.
O bioma é formado por uma grande variedade de ambientes que abrigam enorme diversidade de plantas e animais, muitos dos quais endêmicos da região. Estima-se que na região existam mais de 10 mil espécies vegetais, uma grande variedade de vertebrados terrestres e aquáticos e um elevado número de invertebrados. Espécies ameaçadas como a onça- pintada, o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre, entre muitas outras, ainda têm populações significativas no Cerrado.
Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações sobrevivem dele, incluindo etnias indígenas e comunidades quilombolas, que fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro. Essas comunidades exploram os recursos naturais do bioma e detêm um conhecimento tradicional da biodiversidade.
Fonte: [ Maracaju News ]






