As plantas aquáticas no contexto da Botânica

Enviado em Listagens, Artigos de Anderson Porto | 2 de Setembro de 2006 @ 16:33

Por: Miguel Angelo Pandini

Introdução

Todo aquarista, seja iniciante ou veterano, lidando com seus peixes ou plantas aquáticas, às vezes se depara com uma situação peculiar: a identificação precisa dos seres vivos os quais está criando ou cultivando. Quando falamos em identificação precisa, nos referimos ao seu nome científico, acompanhado de sua posição taxonômica, ou seja, sua posição dentro da grande escala de classificação dos seres vivos. Mas, o que seria isso, para nós, aquaristas? Não seria mais conveniente, e menos trabalhoso, se conhecêssemos nossos peixes e plantas apenas pelos seus nomes vulgares?

Histórico

Chamamos Sistemática ou Taxonomia a área da Biologia que cuida da identificação dos indivíduos e de seus respectivos agrupamentos, sendo estes os mais conhecidos o gênero e a espécie. Mas, esse ramo da ciência é praticamente recente.

Desde a antiguidade até fins do século XVII, os seres vivos eram classificados arbitrariamente, pois não havia um critério de consenso que determinasse qualquer característica em comum entre eles. Cada cientista empregava seu método, resultando em algo bem pior do que listagens de nomes vulgares.

Somente no século XVIII, o naturalista sueco Carl von Linné, que depois ficou mundialmente conhecido como Linnaeus, elaborou um criterioso sistema de classificação, baseado no conceito de espécie formulado pelo inglês John Ray no final do século anterior, que classificava os seres vivos de acordo com a sua semelhança a diversos tipos preestabelecidos. Em meados do século XIX, com a descoberta dos cromossomos e dos genes, e consequente confirmação da Teoria Evolucionista de Charles Darwin, o sistema foi definitivamente aperfeiçoado, sendo que o agrupamento dos seres vivos passou a ser feito segundo uma ordenação filogenética (do grego phile = ordem, série; genesis = criação), ou seja, de acordo com o grau de parentesco entre eles.

A Sistemática de Linnaeus

Considera-se, para efeito de classificação, que a afinidade entre os diversos organismos é tanto maior quanto mais próximos estiverem de um mesmo ancestral, evolutivamente. Assim, espécies de um mesmo gênero possuem mais características comuns, assim como os gêneros de uma mesma família, e assim por diante. Esse sistema natural utiliza o maior número possível de dados, obtidos, entre outros, da morfologia externa e interna, fisiologia, ecologia e análise dos cromossomos, levando-se em conta, também, os eventuais resultados de estudos de fósseis.

Assim, podemos definir espécie – unidade básica do sistema de classificação – como sendo um agrupamento de indivíduos semelhantes e procedentes de um ancestral comum que, pela seleção natural, sob a influência do meio ambiente, adquiriu características próprias que o diferenciam de todos os demais seres vivos, sendo que tal conceito de espécie é confirmado na prática pela possibilidade de reprodução sexuada entre os indivíduos que dela fazem parte.

Na nomenclatura dos seres vivos, escolheu-se utilizar uma língua já extinta – o latim– tanto para escrita como para a pronúncia, sendo que para cada categoria sistemática entre Divisão (Filo) e Família há um sufixo latino característico (havendo exceções). Categorias intermediárias também são utilizadas para indicar com maior exatidão a filogenia.

Para a designação da espécie, ficou convencionado o uso de nome binário, em caracteres grifados – negrito ou itálico – se impresso, ou sublinhado, se manuscrito, o primeiro relativo ao gênero – palavra única, no nominativo singular, com a primeira letra maiúscula e as demais minúsculas – e o segundo à espécie propriamente dita – palavra simples ou composta, gramaticalmente concordante com o nome genérico, e com todas as letras minúsculas – havendo, ainda a possibilidade da existência de um terceiro nome, precedido de um termo às vezes abreviado, que poderá indicar variações intraespecíficas, que em Botânica recebem o nome de subespécie (ssp.), variedade (var.) e forma. Exemplificando: Rorippa nasturtium-aquaticum;
Sagittaria subulata
var. kurziana; Vallisneria spiralis forma
nana
.

Quando se quer referir a uma espécie ainda não totalmente classificada ou simplesmente desconhecida, da qual só se conhecesse o gênero, usa-se o primeiro nome seguido de "sp.": Echinodorus sp.; de maneira semelhante, refere-se ao nome de subespécie desconhecida, acrescentando-se "ssp.".

Muitas vezes, os nomes referem-se a alguma característica marcante (morfológica, fisiológica, ou ecológica), região ou localidade onde a espécie foi encontrada, ou pessoa que se queira homenagear. E tudo isso em latim, é claro.

Em trabalhos científicos e folhas de herbário é obrigatória indicação do nome – inteiro ou abreviado – da pessoa que fez a classificação pela primeira vez. Quando são duas, usa-se a conjunção latina "et" entre seus nomes. Caso a espécie seja reclassificada, passando de um gênero para outro, coloca-se o nome do autor ou autores da primeira classificação entre parênteses, seguido do nome da pessoa (ou pessoas) que fez a reclassificação. Por exemplo: Schott classificou certa espécie de planta como sendo Cryptocoryne gomezzi, sendo que, futuramente, Bogner e Jacobsen a reclassificaram como Lagenandra gomezzi; assim, de acordo com as convenções científicas, Cryptocoryne gomezzi Schott passou a se chamar Lagenandra gomezzi (Schott) Bogner et Jacobsen. Há ainda outras regras para alterações de nomes, que devido à pouca utilidade para nós, amadores, serão omitidas. Por comodidade, usaremos os nomes científicos de forma mais simplificada.

Em Botânica, são as seguintes as categorias sistemáticas, em escala descendente, com os respectivos sufixos mais usados, para o caso das algas e cormófitas (vegetais com raízes, caule e folhas):

Categoria

Sistemática

Sufixos

Algas

Cormófitas

Divisão

-phyta

-phyta

Subdivisão

-phytina

-phytina

Classe

-phyceae

-opsida

Subclasse

-phycidae

-idae

Ordem

-ales

-ales

Subordem

-inae

-inae

Família

-aceae

-aceae

Subfamília

-oidea

-oidea

Tribo

-eae

-eae

Subtribo

-ineae

-ineae

A seguir, apresentamos uma tabela com a classificação simplificada das principais plantas de aquário (ou melhor dizendo: plantas hidrófilas) conhecidas, com as divisões, famílias e os principais gêneros, lembrando que as condições de pH, dureza, luz, temperatura, exigências quanto ao substrato, etc., via de regra costumam ser semelhantes entre as mais próximas na hierarquia de parentesco:

DIVISÃO

FAMÍLIA

GÊNERO

Tipo predominante das espécies (*)

CHAROPHYTA

(algas pluricelulares)

Characeae Nitella Aquáticas obrigatórias.

BHYOPHYTA

(Musgos e hepáticas)

Ricciaceae Riccia Flutuantes e submersas.
Hypnaceae Vesicularia Anfíbias.
Pallaviciniaceae Symphyogyna Anfíbias

PTERIDOPHYTA

(Samambaias, avencas, licopódios)

Isoetaceae Isoetes Aquáticas e anfíbias.
Acrostichaceae Acrosticum Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Azollaceae Azolla Flutuantes.
Ceratopteridaceae Ceratopteris Anfíbias.
Marsileaceae Marsilea Anfíbias.
Pilularia Anfíbias.
Polypodiaceae Bolbitis Anfíbias.
Microsorium Anfíbias
Salviniaceae Salvinia Flutuantes.

SPERMATOPHYTA

(Plantas superiores)

Acanthaceae Hygrophila Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Alismataceae Echinodorus Aquáticas obrigatórias, palustres, adaptáveis ao meio
aquático e anfíbias.
Sagittaria Aquáticas obrigatórias e aquáticas com folhas flutuantes.
Amaranthaceae Alternanthera Aquáticas obrigatórias e anfíbias.
Amaryllidaceae Crinum Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Apiaceae Hydrocotyle Aquáticas com folhas flutuantes e anfíbias.
Lilaeopsis Anfíbias.
Aponogetonaceae Aponogeton Aquáticas obrigatórias e aquáticas com folhas flutuantes.
Araceae Anthurium Anfíbias.
Acorus Anfíbias
Anubias Anfíbias.
Crytocoryne Palustres adaptáveis ao meio aquático, aquáticas
obrigatórias e anfíbias.
Lagenandra Palustres adaptáveis ao meio aquático e anfíbias.
Pistia Flutuantes.
Spathiphyllum Anfíbias.
Syngonium Anfíbias.
Barclayaceae Barclaya Aquáticas obrigatórias.
Brassicaceae Cardamine Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Rorippa Aquáticas obrigatórias.
Cabombaceae Cabomba Aquáticas com folhas flutuantes.
Callitrichaceae Callitriche Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Ceratophyllaceae Ceratophyllum Aquáticas obrigatórias.
Crassulaceae Crassula Anfíbias.
Cyperaceae Cyperus Anfíbias.
Eleocharis Anfíbias.
Eriocaulaceae Eriocaulon Anfíbias.
Euphorbiaceae Phyllanthus Flutuante.
Haloragaceae Myriophyllum Palustres adaptáveis ao meio aquático, e aquáticas
obrigatórias.
Proserpinaca Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Hydrocharitaceae Blyxa Aquáticas obrigatórias.
Egeria Aquáticas obrigatórias.
Hydrilla Aquáticas obrigatórias.
Lagarosiphon Aquáticas obrigatórias.
Limnobium Flutuantes.
Ottelia Aquáticas obrigatórias.
Vallisneria Aquáticas obrigatórias.
Lamiaceae Hyptis Anfíbias.
Lemnaceae Lemna Flutuantes.
Pseudowolffia Flutuantes.
Spirodela Flutuantes.
Wolffia Flutuantes.
Wolffiella Flutuantes.
Wolffiopsis Flutuantes.
Lentibulariaceae Utricularia Aquáticas obrigatórias e flutuantes.
Lilaeaceae Ophiopogon Anfíbias.
Limnocharitaceae Hydrocleys Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Lobeliaceae Lobelia Anfíbias.
Lythraceae Ammania Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Didiplis Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Rotala Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Mayacaceae Mayaca Palustres adaptáveis ao meio aquático e anfíbias.
Melastomaceae Aciotis Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Menyanthaceae Nymphoides Aquáticas com folhas flutuantes.
Villarsia Aquáticas com folhas flutuantes.
Najadaceae Najas Aquáticas obrigatórias.
Nymphaeaceae Nuphar Aquáticas obrigatórias e aquáticas com folhas flutuantes.
Nymphaea Aquáticas com folhas flutuantes.
Onagraceae Ludwigia Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Plantaginaceae Littorella Aquáticas obrigatórias.
Podostemonaceae Mourera Aquáticas obrigatórias.
Polygonaceae Polygonum Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Pontederiaceae Eichhornia Palustres adaptáveis ao meio aquático, anfíbias e
flutuantes.
Heteranthera Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas com
folhas flutuantes.
Potamogetonaceae Potamogeton Aquáticas com folhas flutuantes.
Primulaceae Hottonia Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Lysimachia Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Samolus Anfíbias.
Saururaceae Houttuynia Anfíbias.
Saururus Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Scrophulariaceae Bacopa Palustres adaptáveis ao meio aquático e anfibias.
Glossostigma Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Limnophila Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Micrantemum Anfíbias.
Trapaceae Trapa Aquática com folhas flutuantes.

Fonte: [ Revista @qua ]

Sistema digital integra informações sobre a flora brasileira

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 2 de Setembro de 2006 @ 16:19

Por Maria Guimarães
19/07/2006

Quase todos os países latinoamericanos já têm levantamentos recentes de sua flora. É o caso de Bolívia, Peru, Venezuela, Equador, Costa Rica, Panamá, Nicarágua e México. Já o Brasil, país megadiverso com metade das 100 mil espécies de plantas neotropicais e uma massa crítica importante em termos de pesquisadores, não possui uma listagem total de suas plantas nativas. Mas algumas iniciativas buscam sanar a deficiência. A mais recente é a “Flora Brasiliensis Revisitada”, que tem seu lançamento oficial hoje, durante a 58ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Florianópolis.

Até agora os esforços brasileiros, catalizados pela Sociedade Brasileira de Botânica, se voltaram para a produção de floras regionais, como a Flora Ilustrada Catarinense, do Rio Grande do Sul, de Goiás, da Reserva Ducke (Amazonas), do estado de São Paulo, do Acre e a Checklist das plantas do Nordeste.

A “Flora Brasiliensis Revisitada” é um sistema eletrônico desenvolvido pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), que incorpora novas ferramentas de informática a serviço da biodiversidade. Seu objetivo é complementar os esforços em andamento, através da integração de dados com relação à flora brasileira. A plataforma tem como base a Flora Brasiliensis On-Line (leia notícia). A partir da obra centenária que é o único levantamento florístico do país, atualizações refletirão o conhecimento atual. Por enquanto estão sendo revistas algumas famílias de plantas escolhidas como modelos, como é o caso das bignoniáceas (a família do ipê) estudadas por Lúcia Lohmann da Universidade de São Paulo (USP), e das clusiáceas (a família do mangostão) estudadas por Volker Bitrich, do departamento de Botânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As informações presentes incluem nomenclatura atual, nomes populares, características para identificação, fotografias, usos, dados sobre ecologia e mapas de distribuição, e têm interesse tanto para cientistas como para o público leigo.

Em paralelo à reunião da SBPC um simpósio internacional discute hoje e amanhã (19 e 20 de junho) os desafios e oportunidades relacionados à revisão da flora brasileira. “É importante que haja um esforço internacional, pois grande parte do material botânico já coletado no Brasil se encontra depositado em museus estrangeiros”, afirma Lohmann. Além disso, ela explica que o diálogo entre pesquisadores de diversos países permite avaliar como a revisão da flora brasileira pode ser útil para iniciativas internacionais, e vice-versa. O evento tem entre seus palestrantes representantes de instituições botânicas nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Áustria, França, além de universidades e institutos de pesquisa brasileiros. “É a primeira vez que tantos especialistas estrangeiros se reúnem no Brasil para falar de questões relacionadas à botânica brasileira”, comemora a pesquisadora.

Os temas tratados no simpósio incluem o estado da arte da botânica no Brasil, o que está acontecendo no resto do mundo, a importância de termos listagens de plantas para os diversos países, apresentação de bancos de dados e tecnologias relacionadas, além do futuro da botânica brasileira. “Uma lista completa das plantas brasileiras é a base para realmente conhecermos a flora como um todo; esta informação permite estudar aspectos relacionados à ecologia, evolução e diversificação das plantas neotropicias. Ter um bom conhecimento da nossa flora é crítico para o uso sustentável e conservação da nossa biodiversidade”, explica Lohmann.

Fonte: [ ComCiência ]

Maconha ajuda ratos a superar trauma

Enviado em Notícias, Cannabis de Anderson Porto | 2 de Setembro de 2006 @ 14:35

Submetidos ao princípio ativo da planta, animais perderam medo de eventos traumáticos

Um estudo brasileiro pode engrossar a lista de aplicações terapêuticas do THC, o princípio ativo da maconha. A substância já é usada no Canadá em um remédio contra dores resultantes da esclerose múltipla e em outros dois medicamentos, um nos Estados Unidos e outro no Reino Unido, para conter enjôos durante o tratamento quimioterápico contra o câncer. Agora, uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mostra que ela pode ser usada para prevenir ou até curar o estresse pós-traumático.

O grupo liderado pelo pesquisador Reinaldo Takahashi concluiu, a partir de testes feitos em ratos, que o estresse e ansiedade provenientes de memórias de medo podem ser combatidos por uma substância chamada de WIN 55212-2, similar ao THC (sigla para tetraidrocanabinol). Os dois compostos ativam os mesmos receptores do cérebro (os canabinóides), mas o WIN 55212-2 é produzido em laboratório, enquanto o THC é encontrado principalmente nas plantas do gênero Cannabis.

Os resultados do estudo, publicados recentemente na revista alemã Psychopharmacology, foram apresentados em um simpósio durante a 21ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), realizada na semana passada em Águas de Lindóia, São Paulo.

Rato usado em experimento da UFSC que mostrou o potencial do THC para combater o estresse pós-traumático.

Os pesquisadores colocaram os ratos em uma gaiola especial e emitiram um determinado som durante 10 minutos, que terminava com um segundo de um choque elétrico de baixa intensidade nas patas do animal. Um dia depois, os ratos foram recolocados nas mesmas gaiolas e a sua reação de congelamento (típica expressão de medo e apreensão) foi observada quando o som foi tocado, mesmo sem a presença do choque ao final.

Depois de repetida diversas vezes a segunda etapa do experimento (caracterizada pela ausência do choque), o congelamento dos animais ao som apresentado diminuiu gradualmente. Os ratos que receberam injeções com substâncias que bloquearam seus receptores para o THC demoraram mais tempo para perder esse medo. Já os que receberam doses da substância similar ao THC perderam o medo mais rapidamente do que os animais de controle.

Superação psicológica

Os resultados sugerem que as substâncias produzidas naturalmente pelo corpo que ativam os receptores do THC no cérebro (endocanabinóides) têm papel fundamental na superação psicológica de situações de estresse. Quando esses receptores são estimulados além do nível natural do organismo com os análogos de THC, o processo de superação é aumentado significativamente.

A quantidade do análogo de THC utilizada nos experimentos é cerca de 10 a 20 vezes menor do que a necessária para sedar os animais. “Portanto, numa perspectiva para futuros testes em humanos, esses efeitos ‘benéficos’ apareceriam, provavelmente, em doses substancialmente menores do que as habitualmente utilizadas pelos usuários de maconha”, explica o farmacologista Fabrício Pamplona, doutorando orientado por Takahashi e integrante da equipe que realizou o estudo.

“As memórias aversivas são muito importantes para a preservação da própria vida, mas em alguns casos podem gerar estresse e ansiedade desnecessários, que constituem um verdadeiro entrave na vida de muitas pessoas”, conta Pamplona. “Hoje, apenas os antidepressivos atuam contra isso, mas eles apresentam eficácia muito baixa. Por isso, procuramos por novos tratamentos contra esse distúrbio e o THC se mostrou um alvo potencial para o desenvolvimento dessa terapia”.

A equipe ainda pretende avaliar o papel dos endocanabinóides em algumas estruturas do cérebro, como a amígdala, hipocampo e o córtex pré-frontal. Estudos pioneiros em humanos que sofrem com estresse pós-traumático têm sido conduzidos por Raphael Mechoulam, pesquisador da Universidade Hebraica de Israel que isolou o THC em 1964 ao lado de Yechiel Gaoni. Mechoulam está avaliando os efeitos da substância em ex-combatentes.

Marina Verjovsky

Fonte: [ Ciência Hoje On-line ]