Geada foi um desastre para produtores rurais no Sul do Brasil

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 23 de Agosto de 2006 @ 13:36

A geada intensa desta semana trouxe graves prejuízos à produção de fumo no Rio Grande do Sul.

Conforme informa a edição de hoje do jornal Gazeta do Sul, a fumicultora Norma Schmidt acordou mais cedo na segunda-feira e foi direto aos canteiros onde estavam as 37 mil mudas de fumo que seriam transplantadas a partir da semana que vem. Ao erguer o plástico que cobria as bandejas quase chorou. As plantas estavam cobertas por gelo e murchas por causa do frio. Todo o trabalho realizado nos últimos dois meses estava perdido.

“Quase não acreditei. Quando falei para meu marido ele achou que estivesse brincando”, conta. Mas ao verificar o que havia acontecido, Hélio também sentiu a frustração tomar conta. Com um frio de zero grau, o agricultor começou a verificar os demais canteiros e notou que o problema era geral. Ele estima que 90% das mudas tenham sido afetadas com a geada que cobriu de branco a vegetação de Linha Cristina.

O casal vai esperar até amanhã para decidir o que fazer. Ou adquire novas sementes e prepara as mudas, ou desiste de vez de plantar fumo neste ano. “Na safra passada a lavoura estava muito bonita e perdemos tudo por causa do granizo. Agora veio essa geada e destruiu tudo”, lamenta Hélio.

Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), os danos às mudas de fumo foram mais concentrados nas regiões elevadas. O gerente técnico da entidade, Iraldo Backes, disse ao Jornal Gazeta do Sul que há pelo menos três anos isso não acontecia. Ele salientou ao jornalista Dejair Machado da Gazeta que na maioria dos casos não há como reverter as perdas, mas destacou que é importante esperar por alguns dias para ver se as mudas vão se recuperar. “Se o miolo da planta não foi atingido ainda há chances”, destaca. Quando a perda é total, a orientação é o replantio. No caso de geada, os produtores não são atendidos pelo seguro mútuo, que cobre ocorrências de granizo.

Quem havia transplantado para a lavoura há mais tempo não deve ter tantos prejuízos. Segundo Backes, as plantas já estão adaptadas às variações de temperatura e ao novo ambiente. “Elas podem sofrer algum tipo de estresse e terem o desenvolvimento interrompido, mas isso passa logo”. O fenômeno, contudo, não deve causar impactos no resultado final da safra, salienta.

Na tentativa de evitar maiores perdas por causa do frio excessivo, alguns produtores apelaram para medidas extremas. A fumicultora Rosane Schmidt e o marido Norberto, moradores de Linha Cristina, no Vale do Rio Pardo, chegaram a fazer uma fogueira próximo aos canteiros onde estavam as mudas na tentativa de evitar a formação de geada. Na tarde de ontem o monte de cinza contrastava com a paisagem da propriedade onde por anos eles mantiveram as lavouras de tabaco. “Era tanto frio que à 1h30 já estava tudo congelado”, ressaltou. A iniciativa não deu certo e dois dias depois de temperaturas beirando zero grau, eles contabilizavam as perdas. “Vinte mil mudas se transformaram em lixo. Não temos mais nada”. A família também não decidiu ainda o que vai fazer.

Também houve registro de prejuízos para o setor de hortifurtigranjeiro. As verduras das hortas “queimaram”, bem como outras culturas, como as flores, que sofreram com o gelo, e principalmente as árvores frutíferas, as quais, em virtude do calor dos últimos dias, anteciparam a brotação e acabaram “apanhando” da forte geada. A temperatura chegou a dois graus abaixo de zero. O chefe do escritório da Emater/RS-Ascar de Arroio do Tigre, José Francisco Telöken, afirmou que foi a maior geada dos últimos dez anos.

Os prejuízos também chegaram ao centro do estado. Para o engenheiro agrônomo da Emater municipal, Ademar Aita, em Santa Maria, a geada causou mais prejuízos para a pecuária, pois, as pastagens nativas ficam queimadas. O hortigranjeiro que mais sofreu com as quatro geadas consecutivas que se formaram depois que o frio voltou para a região, foi a alface. Com relação à pecuária, o agrônomo explicou que se novas geadas acontecerem e o campo nativo sofrer novas queimadas, o gado deve começar a emagrecer daqui a um mês. Mas, mesmo assim, Ademar Aita considera que a perda de peso deverá ser pequena.

A geada ainda reduziu em 8% a entrega de leite às indústrias no Rio Grande do Sul. O diagnóstico é do Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados do Estado (Sindilat). Conforme o jornal Correio do Povo, o percentual representa uma quebra de seiscentos mil litros do produto diariamente. Segundo o secretário-executivo do Sindilat, Jones Raguzoni, a redução é resultado da eliminação das pastagens de inverno que estavam no período final de desenvolvimento. “Essa não volta mais. O produtor tem que encontrar alguma forma alternativa para alimentar o gado como forrageiras e capins”, afirmou. Contudo, Raguzoni assegura que o abastecimento não será prejudicado.

No Alto Uruguai, a mais forte geada do ano na manhã de ontem (22) destruiu centenas de hectares de feijão em fase de germinação e crescimento. Um levantamento inicial feito pela Cooperativa Tritícola de Frederico Westphalen indicou que a geada destruiu quase mil hectares de feijão, causando um grande prejuízo aos agricultores. Plantações de milho em fase inicial de crescimento também foram queimadas. Nas lavouras localizadas ao longo dos Rios Uruguai e Várzea, 60% da área de feijão já havia sido plantada.

Na Serra, os prejuízos foram registrados em diversas localidades. Conforme a Rádio Veranense, a temperatura no amanhecer de ontem (22) na cidade foi de -2,0 ºC com geada forte em Veranópolis. Na segunda-feira (21) também houve formação de geada e temperatura de -1,2ºC em Veranópolis. Os registros são da FEPAGRO. Vários produtores locais tiveram suas culturas danificadas em 50% até 80% da produção total, devido principalmente à brotação antecipada, conseqüência dos dias de calor fora de época que aconteceram no final de julho e agora com a queima dos brotos devido à geada.

Em Santa Catarina, as safras de pêssego, ameixa e nectarina foram comprometidas no Meio-Oeste. A forte geada de ontem (22) queimou os frutos que já estavam em desenvolvimento e dizimou a floração, na grande maioria dos pomares. A situação foi mais grave em Pinheiro Preto e Tangará, onde a atividade é uma das bases da economia local. Hoje, os dois municípios podem decretar estado de emergência. As perdas foram provocadas pelo adiantamento no processo de brotação das frutas de caroço, que neste ano se antecipou em cerca de 25 dias.

Conforme levantamentos preliminares da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), as perdas devem chegar a 100% em pelo menos 50% das áreas plantadas com frutas de caroço. As variedades precoces de maçã, como a eva e condessa, também estão perdidas. Conforme informou o jornal A Notícia, no município de Pinheiro Preto, que registrou -4ºC, as perdas no pêssego chegam perto dos 100% na grande maioria dos pomares. Segundo levantamento prévio feito pela Secretaria de Agricultura, três milhões de quilos de frutas deverão deixar de serem colhidos na próxima safra. “Segundo ele, ameixa, maçã e uva também foram afetadas. Na uva, as perdas podem chegar a 30% nas variedades brancas, como niágara e chardonnay.

Os produtores catarinenses fizeram de tudo para minimizar as perdas. À meia-noite de segunda-feira (21), o fruticultor Rodrigo Beal se juntou a mais quatro funcionários para passar a madrugada monitorando o sistema de irrigação em mil pés de pêssego da sua propriedade, no município de Pinheiro Preto. A leva escolhida foi da variedade premier, que é colhida no cedo e garante bom preço ao mercado. A área, de dois hectares, foi a única nos quarenta de toda a propriedade a se livrar das perdas impostas pela forte geada. “Pelo menos essa produção conseguimos salvar em 60%. O resto foi tudo”, disse ele na manhã de ontem (22).

O pomar de maçãs da variedade eva do fruticultor Marcelo Bertoncello teve 100% da sua produção comprometida pela geada de ontem. Ele não espera colher nada na área, que é de pouco mais de quatro hectares. “Os pomares estavam se encaminhando para uma boa safra, mas o frio intenso queimou todos frutos”, analisa. As maças, que estavam do tamanho de uma bola de gude amoleceram e escureceram rapidamente.

A MetSul Meteorologia emitiu alerta especial quatro dias antes advertindo para o risco de geada forte a severa com potencial prejuízos na agricultura, sobretudo na fruticultura. Veja o alerta publicado no dia 17 de agosto:

Os meteorologistas da MetSul Meteorologia advertem para a possibilidade de um novo episódio de frio com geada no começo da próxima semana no Sul do Brasil.

Fonte: [ Metsul ]

Fibra de bambu e resina vegetal transformam-se em plástico ecológico

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 23 de Agosto de 2006 @ 13:31

Engenheiros do Instituto de Tecnologia Industrial Aichi, trabalhando em conjunto com a empresa Mitsubishi Motors, ambos no Japão, desenvolveram um novo material para utilização no interior de automóveis, que já foi batizado de “plástico verde”.

O novo material utiliza uma resina à base de plantas, o sucinato de polibutileno (PBS), combinado com fibras de bambu. Ele será utilizado para a construção do interior de um carro-conceito a ser lançado pela Mitsubishi em 2007.

A idéia por trás da pesquisa é a substituição de resinas à base de petróleo e madeiras nobres por materiais renováveis, feitos à base de plantas de rápido crescimento.

O PBS, o principal componente do novo material, é uma resina de origem vegetal, composta principalmente de ácido sucínico e 1,4-butanediol. O ácido sucínico pode ser produzido a partir da fermentação do açúcar extraído da cana-de-açúcar ou do milho. A adição das fibras de bambu aumenta a rigidez do material.

Segundo cálculos dos cientistas, o novo material representa uma redução de 50% na emissão de CO2 em comparação com a fabricação do interior de automóveis à base de polipropileno, o polímero à base de petróleo mais utilizado. Em comparação com as madeiras tradicionais, a emissão de compostos orgânicos voláteis é reduzida em 85%.

Fonte: [ Portal Assintecal ]