As cores e os sabores das sementes caboclas
Índios e não-índios dão uma pequena demonstração da variedade de sementes tradicionais cultivadas apenas no Acre
Juracy Xangai
Batata-doce e cará da carne roxa, milho, gergelim e amendoim das mais diversas cores e tamanhos, dezenas de variedades de feijão, banana, plantas medicinais como pepinos, que combatem o diabetes e a hipertensão.
Isso é apenas uma pequena mostra da variedade de produtos apresentados pelos índios e não-índios que participaram da primeira Feira de Sementes Caboclas do Estado do Acre, evento promovido pela Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Agroflorestal (Seater) em parceria com os governo estadual, federal e prefeitura de Rio Branco.
O evento aconteceu no pátio da Seater na última-segunda-feira, com a participação de mais de 40 índios de sete etnias e outros 40 não-índios representando o setor agroflorestal de todo o Acre.
“O grande objetivo desse encontro foi promover o encontro desses produtores para que eles possam trocar as sementes entre si, a fim de que, sendo plantadas em diferentes lugares e por um número maior de pessoas, elas não venham se perder quando atacadas por pragas e doenças”, explica a historiadora e gerente de extensão indígena da Seater Dinah Rodrigues Borges.
“Essas sementes são mais que alimentos e medicamentos naturais porque carregam em si mesmas os valores culturais de nossos seringueiros, colonos e índios. Elas integram os usos, costumes e religião de nosso povo. Isso é tão forte que, apesar das correrias com a matança de milhares de índios e depois com a escravização desses povos nos seringais, eles ainda conservaram muitas de suas sementes, pois fazem parte de sua identidade e da alma de seus povos”, esclareceu ela.
Salvando a humanidade
Apesar de todo o avanço da tecnologia mundial, 30% de todos os medicamentos vendidos nas farmácias foram criados a partir de plantas descobertas na Amazônia, isso sem contar as plantas de outros lugares do mundo. O avanço da agricultura industrial, com suas lavouras que se estendem por milhares e milhares de hectares destruindo florestas e expulsando os agricultores familiares para as cidades. Assim deixam de cultivar suas sementes caboclas e tornam-se dependentes, eles próprios, dos produtos desenvolvidos pela indústria.
“As sementes caboclas podem ser plantadas indefinidamente mantendo sempre suas características originais porque são puras. Já as sementes vendidas pela indústria são híbridas, ou seja, fruto do cruzamento de diversas variedades com características diferentes, por isso só pode ser plantada duas, no máximo três vezes pelo agricultor e depois se degeneram perdendo qualidade, o que deixa nosso produtor totalmente dependente da semente industrial. Pior é que a maioria delas são produzidas por empresas estrangeiras ou que é um risco para o abastecimento do próprio país”, esclarece Dinah.
Um caso de amor
Antônio Nascimento dos Santos, 58, não veio da floresta ou das aldeias. Ele mora no ramal da Palheira, no antigo Seringal Benfica, em Rio Branco, não tem filhos, mas um caso de amor com a terra e as sementes crioulas que cultiva no roçado. “Este feijão-de-corda-branco me acompanha há mais de 40 anos, quando as pessoas provam dele ficam freguês. Já este feijão-roxo-baiano, que ganhei há três anos de um vizinho meu, é gostoso, produz bem e não dá doença. O feijão-de-corda-vermelho é muito forte, foi o único que não morreu com a seca do ano passado e produz uma base de meio quilo de feijão por pé.”.
Na sua colônia ele cultiva ainda uma diversidade de plantas como a tradicional cana piojota roxa e a amarela, mais a cana-fita que é esverdeada e tem listras amarelas ao longo do talo. Cada uma tem “personalidade” e qualidade próprias. “A cana-fita é a única que não dá flor, é muito doce e macia, dessas boas para chupar no dente mesmo. Já a piojota roxa e a amarela são muito boas para fazer mel, mas são muito duras.”
Um de seus mimos são as cebolinhas brancas miúdas, tradicionalmente usadas na medicina popular para combater problemas de estômago, fazer lambedor para gripes e baixar a hipertensão e o diabetes.
Amendoim de toda cor
José Guilherme Nunes Teixeira, o Huni Kuin Maru, 31 anos, dois filhos, também vive na aldeia Pupunha do rio Envira e trouxe amendoins de cinco cores diferentes. O huxu tamá que é branco, o ankun tamá que é marrom escuro, tamá meshuda que é preto, o kenê tamá que marrom claro rajado de vermelho e o huxi tamá de cor marrom claro.
Mas a diversidade de milhos cultivados por sua gente ultrapassa a dos amendoins em cores, tamanhos, sabores e aplicações nos costumes e na alimentação da aldeia. “Cada milho é especial para preparar um tipo de coisa, mas o milho massa roxo (shuki kuin mashupá) é usado na dança do Katiatxiri, que acontece durante a festa de agradecimento à colheita dada pela terra”.
O milho massa se caracteriza por ser macio e ter dentro dele uma massa mais parecida com um pó. Dentre as variedades de milho mostradas na feira estavam o milho massa laranja rajado de vermelho (sheki kuin), o vermelho com amarelo (sheki kuin kanaiá) e o mais comum e popular nas aldeias que o massa amarelo claro (shunca kê).
Pão Tamá-missi
“A gente mói o amendoim, aperta bem para fazer uma massa, daí faz uma bola e assa, assim faz um pão muito bom para comer, fica forte, depois passa a noite inteira acordado com a mulher na rede. É muito bom”, ensina o pajé Francisco da Silva Kaxinawá, o “Tuim”, 50 anos pai de cinco filhos, morador da aldeia Pupunha, no rio Envira, município de Feijó.
Moendo o amendoim e prensando no tipiti ou pano comum eles extraem o óleo. Com a massa que sobra, preparam o mani-mutsá, bebida tradicional que costuma ser consumida durante as refeições. Feita de milho massa e amendoim moídos misturados e cozidos em água. “Gostoso e faz a gente ficar forte pra trabalhar”, garante o pajé.
Batatas e batatas
Da aldeia Nova Extrema localizada na Terra Indígena Kaxinawá do Baixo Jordão no município do Jordão, João Pereira Kaxinawá , 27 anos, pai de cinco filhos trouxe sementes de yuxu, a batata doce que se come crua e que se reproduz a partir de uma vagem como feijão. “Yuxu é muito boa para a saúde, agora esta outra batata doce branca a gente usa para misturar na caiçuma de macaxeira para ela ficar docinha. Já esta batata de carne bem roxa nós gostamos de comer cozida e é muito boa pra saúde”.
A tecelagem ganha destaque na cultura kaxinawá, para isso são cultivadas diferentes variedades de algodão cujo comprimento e cor das fibras varia de acordo com o trabalho que será feito. “As mulheres fiam o algodão e com eles fazem bolsas, redes e enfeites pra nós. Fica tudo muito bonito. As sementes a gente também usa para fazer artesanato, remédio e óleo. Quando a gente tem cãibra, pegamos um pedaço de envira de algodão e amarramos no lugar, sara na hora”.
João Kaxinawá oferecia algumas sementes de batata de purga, remédio tradicional da flora brasileira. As batatas são colhidas e raladas, apertando a massa tira-se um sumo forte tomado imediatamente como um poderoso purgante para combater vermes e limpar o sangue. “Mata os vermes, melhora o apetite e a gente fica gordo”.
Feijão para todos os gostos
Pelo menos 14 diferentes variedades de feijão são tradicionalmente cultivadas pelos agricultores e índios que vivem no município de Marechal Thaumaturgo no Alto Juruá. O colono Roberto Carlos de Oliveira, 38 anos, oito filhos, nasceu, cresceu e se casou na Gleba Amônea e veio representando a associação de lá, trazendo oito variedades de feijão daquelas terras.
“Na terra firme planto o poroto (feijão peruano) já o manteiguinha e o quarentão (branco de corda graúdo) é na praia. Cada um planta a variedade de sua preferência, depois a gente troca um pouco da produção com os outros para variar a mesa, mas o certo é que a gente nunca comprou semente de feijão dessas que vem de fora, as nossas são mais gostosas”, garante ele pra então confessar que: “Já provei muito feijão de Thaumaturgo, mas acho que não conheço todos não”.
Fonte: [ Página 20 ]
Mapeados parentes silvestres das espécies de plantas cultivadas
O Ministério do Meio Ambiente disponibilizou na internet a íntegra da publicação “Parentes Silvestres das Espécies de Plantas Cultivadas”, lançada em março, durante a 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Curitiba (PR).
O material, que está no site www.mma.gov.br, apresenta um mapeamento dos parentes de sete das principais plantas cultivadas no Brasil. Essa é a primeira publicação de uma série que o ministério planeja publicar.
As culturas do algodão, do amendoim, do arroz, da abóbora, da mandioca, do milho e da pupunha foram desenvolvidas a partir de espécies silvestres que nasceram na natureza. É a partir delas que são selecionadas as plantas cultivadas. Chamadas de parentes silvestres, essas espécies constituem um importante patrimônio, já que desenvolveram resistência para sobreviver à seleção natural.
É justamente em função dessa resistência que ganham destaque. Os pesquisadores recorrem aos parentes silvestres para encontrar soluções para pragas ou doenças que afetam as plantas cultivadas.
A publicação também destaca a importância das espécies crioulas, aquelas que resultam da seleção natural e do manejo de comunidades tradicionais.
O processo de cultivo das espécies crioulas garantiu a elas especificidades genéticas capazes de transformá-las em relevante fonte de pesquisa.
Os parentes silvestres das plantas cultivadas e suas variedades crioulas constituem os recursos biológicos, cuja conservação e uso sustentável é compromisso assumido por países como o Brasil, que assinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica.
A destruição dos ambientes naturais e a introdução de espécies exóticas invasoras, que contaminam as espécies silvestres, correspondem, portanto, a um obstáculo importante na preservação desse patrimônio.
Fonte: [ O Radical ]
Ceagesp expõe diversas espécies de flores em evento até dia 15
Quem gosta de plantas pode comparecer ao Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) Flores até o dia 15 para conferir e comprar diversas espécies.
Iolanda Tashiro, uma das expositoras do evento, aconselha os interessados em enfeitar jardins residenciais a plantar azaléias: “É a espécie de manejo mais simples e fácil. Mesmo quem não tem prática consegue criar belas flores”, diz.
A azaléia demora 15 dias para enraizar e seu plantio tem grande variação de preço. Pode custar de R$ 1,00 a R$ 100,00, dependendo da quantidade e da qualidade do arranjo e da muda.
Criadora de plantas há 35 anos, Isadora explica que flores precisam de água na quantidade correta e terra incrementada com adubo ou húmus. O truque para acertar na hora de regar é sentir se a terra está seca. A flor hidratada deve estar em terra constantemente úmida, não encharcada.
Um jardim bonito exige cuidado diário, por isso a pessoa deve pensar bem se está disposta a assumir esse compromisso.
Não pisar nos canteiros municipais e não arrancar as flores contribuem para a manutenção da beleza dos jardins da cidade.
O Ceagesp localiza-se à rua Terêncio da Costa Dias, 300, no Jardim Itanguá.
11/8/2006 - Ana Paula Ferrari
Fonte: [ BOM DIA ]






