Plantas nativas do cerrado serão tema de exposição em feira botânica de Brasília

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 20 de Junho de 2006 @ 19:29

A região centro-oeste abriga uma enorme riqueza de espécies vegetais nativas. Ao longo de seus 1.606.370 km², divididos entre os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal, encontram-se três biomas: o cerrado, o pantanal e parte da Floresta Amazônica, o que dá a essa região uma diversidade expressiva de plantas.

Mas, o conhecimento sobre essa riqueza genética ainda é pouco significativo, já que menos de 1% das espécies nativas foram pesquisadas geneticamente. Preocupado com essa situação, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, deu início em 2004, ao projeto “Plantas do Futuro”, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre as plantas nativas da região centro-oeste, de forma a beneficiar os pequenos produtores e o setor empresarial.

Quem quiser saber mais sobre esse projeto e conhecer algumas espécies nativas do cerrado, especialmente fruteiras e medicinais, pode visitar o estande da Embrapa na Feira Botânica do Shopping CasaPark nos dias 24 e 25 de junho.

O projeto “Plantas do Futuro” é coordenado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades da Embrapa em Brasília, DF, em parceria com: outras unidades da Embrapa – Cerrados; Meio Ambiente; e Pantanal; Centro Nacional de Plantas Ornamentais, Medicinais e Aromáticas do Ibama; Instituto Agronômico de Campinas – IAC; Instituto de Botânica da Secretaria de Agricultura de São Paulo; além das seguintes universidades: Estaduais de Feira de Santana/BA e de Maringá/PR; e as Federais de Mato Grosso; Mato Grosso do Sul e do Piauí. O projeto conta com o apoio do Banco Mundial, Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), CNPq, Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e do Programa de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Brasileira (PROBIO).

O título de plantas do futuro se deve ao potencial das espécies nativas da região centro-oeste para uso sustentável pelos produtores locais e para a indústria, que ainda é pouco explorado em decorrência do pouco conhecimento científico, aliado à exploração predatória e a expansão crescente da agricultura na região.Levantamento levou à indicação de 149 espécies.

O levantamento realizado pelas instituições parceiras na região centro-oeste levou à indicação de 149 espécies vegetais, divididas em cinco categorias: aromáticas, forrageiras, fruteiras, medicinais e ornamentais. As informações técnico-científicas levantadas sobre cada uma delas incluem: descrição botânica; distribuição geográfica; tratos culturais; usos atuais e potenciais; cadeia produtiva; avaliação de mercado; pontos críticos e limitações.

Segundo Vieira, o objetivo principal do projeto é fazer com que as informações levantadas sobre a flora da região cheguem ao alcance dos pequenos produtores e do setor produtivo, de forma a otimizar a sua utilização sustentável e o aproveitamento comercial. “O projeto Plantas do Futuro - Região Centro-Oeste pretende incrementar o desenvolvimento de produtos voltados para o mercado interno e para a exportação. Espécies fruteiras como o pequi, mangaba e araticum, por exemplo, dentre outras utilizadas pelas populações tradicionais, poderão ter seu uso ampliado como alimento e até se tornar insumos para os mais variados ramos das indústrias como a de cosméticos, fitoterápicos e corantes”, ressalta.

O pesquisador explica ainda que a produção de espécies nativas do centro-oeste pode representar uma inovação tecnológica para os agricultores e produtores, como alternativa de diversificação de produtos para o mercado. Ele enfatiza que a riqueza da biodiversidade da região, apesar de notória, ainda não apresenta inserção significativa no mercado. “Essa situação só pode ser revertida com investimentos na geração de tecnologias adaptadas às condições sócio-econômicas existentes e, por isso, as instituições se uniram no desenvolvimento desse projeto, esperando que com esse esforço conjunto, as novas tecnologias geradas cheguem ao alcance do setor produtivo”, finaliza.

Fonte: [ 1ª Hora ]