Cultivar alimentos em casa ganha impulso com interesse por orgânicos

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 17 de Junho de 2006 @ 10:31

Imagine um espaço de 10 m2. Parece pouco? Pois essa é a área necessária para que uma pessoa se torne auto-suficiente na produção de verduras e legumes.

Bancar o agricultor e cultivar alfaces, berinjelas e mesmo frutas na varanda do apartamento ou no jardim de casa é uma atividade que recebeu um novo impulso com o aumento do interesse pelos produtos orgânicos, que são produzidos sem agrotóxicos, mas ainda custam bem mais que os alimentos plantados de forma tradicional.

A tendência pode ser percebida em entidades como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), cujo curso Hortas em Pequenos Espaços, realizado em Brasília, tem até lista de espera para as próximas cinco turmas, e em empresas de paisagismo como a Clube Bonsai, em São Paulo. “Temos cerca de 500 clientes na capital, e quase todos têm uma horta”, diz Juliana Okuda, sócia da empresa.

Também há pessoas, como a promotora de eventos Rogéria Grabert, 38, que resolvem dar início à miniplantação por conta e risco. “Fui ao Ceagesp, pedi umas dicas aos vendedores e comecei a plantar”, conta ela, que deu início a seu “cantinho orgânico”, como diz, em dezembro do ano passado.

Começou plantando no quintal da casa, no Morumbi (zona sul de São Paulo), manjericão, cebolinha, hortelã, tomate-cereja, romã, mexerica e pimenta. Pouco depois, descobriu um pé de tomate comum –foi a cozinheira que, empolgada com a idéia da horta, plantou por conta própria. Não demorou para que o motorista da família resolvesse plantar um pé de abacaxi. “A horta está quase comunitária”, brinca a promotora de eventos.

Já no caso da atriz Yoko Santiago, 46, ela é que foi ocupando, com sua horta, espaços comunitários. Moradora de um apartamento de dois quartos em Botafogo, no Rio, ela possui um bonsai de jabuticaba e também está cultivando árvores miniaturizadas de manga, laranja e tangerina, além de pimenta, cebolinha, salsinha, arruda, alecrim e guaco.

Quando o espaço no apartamento se tornou insuficiente, Yoko passou a ocupar uma área do prédio em que mora. Depois, começou a cultivar no sítio de uma amiga, em Itaguaí (RJ), mandioca-amarela, manga, limão-rosa, limão-china, abacate, castanha, tâmara, cenoura, beterraba e pimentão.

Para dispor de mais espaço, decidiu se mudar para um condomínio em Vargem Grande (RJ), onde pretende plantar ainda mais espécies.

“Quem planta para vender tem pressa e dá nutrientes em excesso para o vegetal, para que ele cresça rapidamente. Já entre os orgânicos que são vendidos nos mercados, vejo que muitos colhem a planta quando ela ainda está muito jovem. Para mim, só 30% são realmente bons. Quando a gente cultiva em casa, o sabor é completamente diferente, bem mais concentrado”, diz.

Para quem busca realmente fugir de agrotóxicos, o engenheiro-agrônomo Adão Luiz Castanheiro Martins, que integra o programa de agricultura urbana da Prefeitura de São Paulo, afirma que os alimentos mais indicados são o morango, o tomate e a batatinha, que costumam receber uma quantidade muito grande de defensivos agrícolas no cultivo tradicional.

Nem tudo são flores, porém, no cultivo caseiro. Os produtos, embora geralmente sejam mais fibrosos e com sabor mais acentuado que o dos convencionais, também podem sofrer uma diminuição de tamanho de até 20%, segundo Adejar Gualberto Marinho, técnico da Embrapa Hortaliças.

“A planta fica menor do que as cultivadas de forma convencional pois não recebe adubo químico, que faz a planta crescer mais rápido. Uma alface cresce entre 20 e 30 dias, com adubo químico. Numa plantação orgânica, cresce mais lentamente, a folha fica mais bem estruturada, o que acentua o sabor. O tomate não vai ficar redondinho como o da feira”, avisa Lito Fernandes, biólogo e responsável pela horta do Spa Igaratá, que oferece cursos para o cultivo de verduras e legumes em casa.

Além disso, o fato de elas serem criadas em ambiente urbano não impede a proliferação de pragas, como o fungo oídio, o pulgão e a cochonilha. Para combater o primeiro, uma solução caseira é misturar de 50 ml a 200 ml de leite em um litro de água e pulverizar a mistura na planta.

Já para acabar com pulgões e cochonilhas, é possível obter um inseticida caseiro misturando água e fumo-de-corda. O problema é que essa fórmula acaba afetando todos os tipos de insetos, como joaninhas, que são predadoras naturais do pulgão, afirma o zootecnista Gabriel Raia Carneiro, do Spa Lapinha, no Paraná.

Uma alternativa é borrifar as plantas com um outro tipo de inseticida, feito com água e uma trepadeira conhecida como melão-de-são-caetano (a proporção deve ser de 50 gramas de folhas para cada litro de água). A mistura deve ficar guardada por dois dias antes da aplicação, que atingirá especificamente os pulgões.

Ainda sim, segundo Carneiro, melhor que combater essas pragas é descobrir por que a planta está suscetível a ataques desse tipo. “Joaninhas, formigas e lagartas só se instalam no vegetal em busca de aminoácidos livres, que as plantas liberam quando estão com carência nutricional”, afirma.

Uma forma caseira de suprir essas necessidades é por meio de um composto orgânico, que pode ser feito com os restos do lixo caseiro, como cascas de frutas, ossos e cascas de ovos.

Alguns resíduos, como o sabugo de milho e as cascas de amendoim e de nozes, são ricos em nitrogênio –um componente importante para o crescimento das plantas–, mas têm uma decomposição lenta, por isso, devem ser bem picadas ao serem integradas ao composto. Já cinzas de lareira têm uma boa concentração de potássio, segundo Carneiro.

Cuidar da terra

Para manter a terra de seu pomar rica em nutrientes, a microempresária Marlene Kauffmann, 64, conta, a cada seis meses, com um serviço especializado. “Elas nunca tiveram problemas”, diz ela, que possui uma árvore de acerola, uma pitangueira, uma romãzeira e um pé de laranjinha kinkan na cobertura em que vive, em Higienópolis, bairro de classe média alta na região central de São Paulo.

As árvores atraem borboletas, pássaros e as netas de Marlene. “Moro no centro de São Paulo, e minhas netas, quando vêm aqui, conseguem comer fruta do pé. Esse contato com a natureza faz muito bem para todos”, diz.

Cultivadas em vasos grandes, de até 50 cm de profundidade, as árvores de Marlene chegam a cerca de 1,5 metro de altura.
Os bonsais, que ocupam bem menos espaço, também rendem bons frutos, mas demandam alguns cuidados especiais, afirma Juliana Okuda, do Bonsai Okuda. Caso tenha sido feita a adubação foliar (quando o produto é aplicado nas folhas), por exemplo, não é recomendável comer os frutos.

Antes de plantar uma árvore frutífera, também é preciso pesquisar sobre as características daquela espécie, para não se frustrar depois. A cerejeira produz bem em vaso, assim como a romãzeira. A jabuticabeira híbrida é capaz de dar frutos até quatro vezes num ano.

Já a jabuticabeira sabará demora dez anos para frutificar –tudo bem que uma das coisas que se aprende na agricultura, mesmo que caseira, é a ter paciência. Mas dez anos podem ser tempo demais.

Fonte: [ CidadeVerde ]

Brasileiros ganham Nobel da alimentação

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 17 de Junho de 2006 @ 10:25

LONDRES - Dois brasileiros e um americano compartilharam o Prêmio Mundial de Alimentos, anunciado nesta quinta-feira, pelo trabalho que desenvolveram na região do cerrado.

Os vencedores foram o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, o ex-diretor técnico do Centro de Pesquisas do Embrapa, Edson Lobato, e Colin McClung, pesquisador do Instituto Internacional de Pesquisa, dos Estados Unidos.

O prêmio é um dos mais conceituados na área e visa a reconhecer contribuições variadas para obter avanços na qualidade, quantidade e disponibilidade de alimentos no mundo. A premiação foi anunciada durante uma cerimônia no Departamento de Estado americano.

O Prêmio Mundial de Alimentos foi criado por Norman E. Borlaug, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1970. Segundo Barlaug, o desenvolvimento do cerrado foi “uma das maiores conquistas da ciência agrícola no século 20″.

Benefícios econômicos

Segundo Kenneth M. Quinn, o presidente da Fundação Prêmio Mundial de Alimentos, o trabalho dos vencedores do prêmio “ampliou a produção agrícola e ajudou a melhorar as condições econômicas e sociais no Brasil”.

De acordo com os organizadores, Lobato foi o responsável por projetos de avaliação da fertilidade do solo e produtividade agrícola do cerrado.

Paolinelli ajudou a criar a infra-estrutura financeira e institucional que permitiu que a produção de gado e de cereais florescesse na região e McClung, ainda nos anos 50, realizou um trabalho pioneiro de fertilização do solo no cerrado.

Lobato e Paolinelli são os primeiros brasileiros a receber a premiação.

Segundo os organizadores do prêmio, a dupla brasileira e o pesquisador americano “exerceram um papel vital em transformar o cerrado - outrora uma região de planícies inférteis - em uma terra altamente produtiva para o cultivo de grãos”.

O cerrado ocupa mais de 20% do território brasileiro e está distribuído pelo Planalto Central Brasileiro, nos Estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, parte de Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.

Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade.

A região conta com a presença de diversos ecossistemas e uma riquíssima flora com mais de 10 mil espécies de plantas. Sua fauna é formada por 837 espécies de aves e 67 gêneros de mamíferos.

A cerimônia de entrega do Prêmio Mundial de Alimentos será realizada no dia 19 de outubro de 2006, na cidade americana de Des Moines.

Agência Estado

Fonte: [ Imirante ]

Pesquisadores brasileiros desenvolvem soja mais resistente à estiagem

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 17 de Junho de 2006 @ 10:22

16/06/2006 - 16:15 | Redação INFOTempo

Um projeto desenvolvido por pesquisadores brasileiros permitiu a criação de uma semente de soja mais resistente à falta de chuva, o que poderá evitar prejuízos de bilhões de reais com as estiagens que castigam as lavouras do país todos os anos. O estudo desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e que contou com o apoio de um instituto de pesquisa japonês chamado “Jircas”, apresentou uma variedade de soja geneticamente modificada, e que deverá continuar em testes até 2008.

De acordo com os especialistas, a soja mais resistente recebeu um gene chamado “derb” (de uma erva daninha da espécie Arabidopsis thaliana proveniente dos EUA), que acelera o processo de codificação de uma proteína ligada à defesa da planta contra a falta de chuva. A presença deste gene amplia o período de tolerância da planta à falta de chuva de cinco a sete dias para até vinte dias (aumento de até quatro vezes), adiando o aborto das flores e da formação das vagens da soja em secas prolongadas.

Nos testes de comparação entre esta variedade e a BR16 (sensível à estiagem), tanto no estresse ameno (umidade do solo abaixo de 5%) quanto no severo (umidade abaixo de 2,5%), a primeira permaneceu saudável, enquanto que a maior parte das plantas da segunda morreram. A expectativa é de que esta nova variedade da soja esteja disponível comercialmente nos próximos anos, e até 2010, ela deverá ser considerada a variedade adaptada à seca mais importante do mundo.

Fonte: [ Gazeta do Sul ]

Pesquisadores descobrem hormônio do sono no vinho

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 17 de Junho de 2006 @ 10:20

Cientistas italianos afirmam ter descoberto que as uvas usadas na produção de alguns dos vinhos tintos mais populares contêm altos níveis do hormônio melatonina, secretado naturalmente pela glândula pineal, no cérebro, especialmente à noite. A melatonina avisa o corpo de que é hora de dormir.

A descoberta da melatonina na casca da uva poderia explicar por quê tantos europeus têm o hábito de tomar um vinho à noite, depois de um dia de trabalho. “A melatonina no vinho poderia ajudar a regular o ritmo circadiano (que rege a alternância entre somo e vigília), do mesmo jeito que a melatonina produzida pela glândula pineal”, disse o pesquisador Marcello Iriti, da Universidade de Milão.

Até recentemente, acreditava-se que a melatonina fosse gerada exclusivamente no corpo dos mamíferos, mas ela foi descoberta também em plantas. Acredita-se que tenha propriedades antioxidantes. O estudo de Iriti descobriu altos níveis de melatonina nas uvas nebbolo, merlot, cabernet savignon, sangiovesse e croatina.

Críticos do trabalho de Iriti dizem que não necessários mais testes para determinar se a molécula encontrada na casca da uva é realmente a melatonina ou alguma outra substância quimicamente semelhante.

Fonte: [ Meu Vinho ]

Brasil: o mundo patenteia a biodiversidade

Enviado em Notícias de Anderson Porto | 17 de Junho de 2006 @ 10:18

Cupuaçu, açaí, andiroba, copaíba, pau-brasil, pau-rosa, sapo kampô, entre outros. Todos esses produtos já foram patenteados no mercado internacional

Se o Brasil não abrir os olhos, não mudar e agilizar sua legislação, não colocar funcionários para trabalhar e não brigar lá fora, toda a rica biodiversidade da Amazônia brasileira e de outras regiões do país será patenteada no mercado internacional. Com isso, de nada adiantarão os estados da região investirem no desenvolvimento de produtos da floresta, se não terá, no futuro, para quem vendê-los no mercado externo.

Nos últimos tempos, têm sido constantes as reportagens acerca dos prejuízos que o país vem tendo com o crescente patenteamento de produtos, animais e matérias-primas da Amazônia por empresas americanas, japonesas e dos países da Comunidade Européia.

Cálculos feitos há três anos pelo Ibama indicavam que o Brasil já amargava um prejuízo diário da ordem de US$ 16 milhões (mais de US$ 5,7 bilhões anuais) por conta da biopitarataria internacional, que leva as matérias-primas e produtos brasileiros para o exterior e os patenteia em seus países sedes, impedindo as empresas brasileiras de vendê-los lá fora e de ter de pagar royalties para importá-los em forma de produtos acabados.

Segundo informou há algum tempo o pesquisador Guilherme Maia, do museu paraense Emílio Gueldi, a lei de patente brasileira não permite o registro de um produto, como um óleo essencial ou seu aroma, e muito menos a planta fornecedora de tais produtos.

Pela legislação brasileira, para se obter o direito de usufruir dos benefícios de uma planta é necessário que se descubra ou invente um método novo de fabricar um produto a partir de um recurso natural. Isso aconteceu com a Embrapa, que patenteou o cupulate, um chocolate feito do caroço do cupuaçu. Como foi muito moroso o patenteamento desse produto no Brasil, ele foi patenteado rapidamente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão pela empresa japonesa Asahi Foods.

Enquanto a legislação brasileira engatinha na defesa dos interesses nacionais, na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, estão sendo patenteados lá fora plantas, frutos e óleos. “Fora do Brasil, tudo pode, até mesmo patentear produtos de outros países”, destaca o pesquisador do museu Emílio Goeldi.

O museu paraense detém junto com o INPA de Manaus (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) os maiores conhecimentos sobre a flora e fauna amazônicas.

Segundo o pesquisador, o arquivo do governo brasileiro para as patentes é irregular e ineficiente e a única saída para por fim na biopirataria seria fazer uma única lei mundial para esse tipo de registro. “Os países desenvolvidos, no entanto, não têm interesse porque eles ganham muito dinheiro patenteando produtos. Esse trabalho para eles virou rotina”, destacou o pesquisador.

A realidade mostra que registrar patente no Brasil ainda é um processo lento, burocrático e arcaico. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que cuida do assunto, funciona com estrutura deficiente, pois tinha em 2004 pouco mais de 500 servidores para analisar 24 mil pedidos de patentes por ano. Há 10 anos, o órgão contava com 860 servidores para analisar 10 mil pedidos de patentes.

Da biopirataria para as patentes milionárias

Enquanto o Brasil parece navegar ainda nas naus de Cabral na área de patentes, a biopirataria internacional trata de fornecer ao mundo desenvolvido bilhões de dólares roubados em produtos e matérias-primas das florestas brasileiras, principalmente a da Amazônia. Os US$ 16 milhões, calculados pelo Ibama como prejuízo diário do Brasil, implicaria numa receita anual para o país de mais de US$ 5,7 bilhões, dinheiro que seria suficiente, por exemplo, para recuperar toda a malha rodoviária nacional e ainda sobrar para melhorar a qualidade da educação e do atendimento de saúde de grande parte de sua população carente.

Entre os produtos genuinamente brasileiros patenteados por estrangeiros se destaca o cupuaçu, fruto comum na maioria dos estados do Norte, muito saboroso e apreciado por turistas internacionais. Do cupuaçu, se faz o suco e o sorvete, apreciados em todo o mundo. A Embrapa descobriu que as amêndoas (caroços) se transformam em um chocolate fino, mas a patente da fruta já pertence a uma empresa japonesa.

Outro fruto, muito comum no Acre, é o açaí, que é rico em ferro e muito consumido na própria Amazônia e agora em quase todas as grandes cidades brasileiras. O açaí virou moda nas academias de ginástica e era exportado pelo Brasil para todo o mundo, mas os Estados Unidos já patentearam três métodos de extrair o suco desse fruto.

A copaíba, que é uma árvore gigante típica da Amazônia e fornece um líquido oleoso de alto valor farmacêutico – usado como antiinflamatório e analgésico caseiros – teve sua patente concedida para os norte-americanos. Da mesma forma, a árvore da andiroba, que também produz um óleo de alto valor farmacêutico, foi patenteada pelos Estados Unidos para ser comercializada no mundo todo.

O que dizer, então, do cipó ayauasca ou santo daime, que nasceu no Acre e cujo poder terapêutico pode curar alguns tipos de câncer e também já foi patenteado nos Estados Unidos, que estão estudando o seu verdadeiro poder farmacológico?

Entre os tesouros amazônicos, caçados pelos biopiratas internacionais e vendidos para os países ricos, também está o sapo Kampô ou sapo-verde, muito comum no Vale do Juruá, no Acre. Trata-se do maior sapo verde do Brasil, que predomina em quase toda a Amazônia Ocidental, além de existir nas florestas da Bolívia, Colômbia e da Venezuela. Das costas e de outras partes do corpo do pequeno sapo-verde é extraído uma substância usada em remédios caseiros e como uma espécie de vacina pelos índios do Juruá para tirar o panema (azar). O sapo já foi patenteado por vários laboratórios tanto nos Estados Unidos quanto na Europa e no Japão. O deputado federal Henrique Afonso (PT-AC), idealizador do projeto da Universidade da Floresta, que está sendo construída em Cruzeiro do Sul (AC) promoveu dentro do Congresso Nacional uma campanha para denunciar a biopirataria do cupuaçu, do sapo kambô e de outros vegetais e animais da floresta amazônica.

A acerola é outro fruto genuinamente brasileiro, que tem 100 vezes mais vitamina C do que uma laranja, mas já teve sua patente registrada no Japão. O pau-rosa, outra árvore amazônica e brasileira, produz uma substância que é excelente fixador de perfumes, mas ela foi patenteada pela França desde 1920 para produzir o Chanel número 5, considerado o perfume mais glamoroso do mundo.

A lista se encerra com o pau-brasil, árvore que deu origem ao nome do Brasil e fornece uma madeira resistente e nobre. Dessa árvore, se extrai um valioso corante avermelhado. Uma das patentes dessa madeira, que se tornou rara no Brasil, pertence ao Canadá.

Fonte: [ Biodiversidad ]