RNA também influencia hereditariedade, diz estudo
O DNA enovelado nos cromossomos que que recebemos de nossos pais é responsável por todas as nossas características, certo? Nem sempre. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Nice, na França, publica hoje uma descoberta que pode mandar Gregor Mendel e suas ervilhas às favas e que deve demandar retoques nos livros escolares de biologia.
O estudo com camundongos, liderado por Minoo Rassoulzadegan e publicado na revista “Nature”, constatou que um traço físico dos roedores foi transmitido para seus filhotes pelo RNA (ácido ribonocléico), e não pelo DNA do genoma.
Ao cruzar roedores com cauda branca (e, portanto, com um gene responsável pela expressão dessa característica), com animais de coloração comum, os cientistas viram, espantados, que a maioria dos filhotes nasceu com a cauda branca, mas sem esse gene.
O resultado se repetiu nas gerações seguintes.”É como se os indivíduos nascessem apenas com a “lembrança” do gene”, afirma Paul Soloway, da Universidade de Cornell, em Nova York, que comentou o estudo na “Nature”.
Essa “lembrança genética” é conhecida como paramutação, fenômeno identificado há 50 anos em plantas como milho, petúnia e boca-de-leão, e em que as “ordens” inscritas em um gene são transmitidas para a próxima geração, mesmo na sua ausência.
Mas, se o gene estava ausente, quem estava fazendo o seu papel? Ao analisarem os espermatozóides e os óvulos dos roedores com cauda branca, os cientistas detectaram uma quantidade inesperada de RNA mensageiro –responsável pela transcrição do DNA.
Para testar se a mudança na aparência dos animais vinha mesmo daí, eles injetaram pequenas moléculas de RNA encontradas nos espermatozóides em um embrião de camundongo com genes normais. Resultado: metade dos filhotes nasceu com cauda branca, apesar de possuírem genes normais. Como o RNA faz isso ainda é um mistério.
A outra hereditariedade
“O trabalho revela mecanismos independentes do DNA que podem alterar as características do indivíduo, de maneira dominante, e por várias gerações”, afirma Marie Ann Vansluys, professora do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da USP (Universidade de São Paulo).
Ela explica que, se o RNA realmente regula outros modos não-genéticos de hereditariedade, também pode ser responsável pelo controle de características metabólicas ou até mesmo comportamentais. “Poderemos entender, por exemplo, por que alguém é mais ou menos agressivo.”
Soloway, de Cornell, destaca a importância do estudo para o combate a doenças como o diabetes. Cientistas já demonstraram que os espermatozóides humanos carregam RNA durante a fertilização, mas estudos ainda devem determinar se o RNA tem algum efeito.
“Em um estudo sobre um gene humano de predisposição a diabetes do tipo 1, um gene, mesmo não sendo transmitido pelo pai do indivíduo, anulou o desenvolvimento da doença no filho”, explica Soloway.
Vansluys é mais realista: “O estudo ainda é muito incipiente, mas talvez seja possível modificar o padrão de expressão dos genes que determinam o aparecimento de uma doença.”
fonte: [ MS Notícias ]
Greenpeace alerta para riscos do mamão transgênico
Diversos agricultores locais e ativistas havaianos se uniram hoje ao Greenpeace para realizar a descontaminação de uma lavoura orgânica de mamão papaia que havia sido contaminada por plantações transgênicas vizinhas. A área foi isolada com placas que diziam “Mamão transgênico - área restrita”, enquanto ativistas com roupas especiais removeram plantas, sementes e frutos do local. A atividade marcou o lançamento do relatório “O fracasso do mamão transgênico no Havaí“.
De acordo com o relatório, os lucros do papaia transgênico diminuíram substancialmente devido à crescente e forte rejeição de mercados globais importantes. O mercado de exportação para o papaia havaiano estava bastante aquecido até a introdução da variedade transgênica, em 1998. A maior parte dos países que importam mamão papaia, incluindo União Européia, Japão e China, tem grande rejeição a alimentos transgênicos.
Além disso, os produtores orgânicos estão muito preocupados, já que o Havaí é a parte do mundo com mais plantios transgênicos por metro quadrado e é, atualmente, a única região a plantar mamão transgênico comercialmente.
“O preço do papaia orgânico no mercado pode ser até três vezes maior do que o da variedade geneticamente modificada, mas isso só acontece se não houver contaminação”, disse Melanie Bondera, agricultora havaiana. “A indústria transgênica nos prometeu grandes lucros, mas até agora só temos visto a ruína de nossas lavouras e uma diminuição de nossos ganhos”.
No Brasil, um campo experimental de papaia transgênico foi autorizado pelo IBAMA em outubro de 2003, no município de Cruz das Almas, na Bahia. A variedade, desenvolvida pela EMBRAPA, é bastante similar à plantada no Havaí e está gerando preocupação em diversos setores da sociedade. O deputado Edson Duarte (PV-BA) anunciou que vai fazer um requerimento formal à CTNBio sobre o andamento do campo experimental. O Greenpeace vai pedir que a procuradora Maria Soares Cordioli também solicite formalmente informações à CTNBio sobre o campo experimental e outros pedidos relativos ao mamão transgênico. Desde o último dia 18 de maio, o Ministério Público Federal determinou a presença da procuradora em todas as reuniões da CTNBio.
O Greenpeace vem trabalhando em diversas partes do mundo para evitar a disseminação ilegal de papaia transgênico e a contaminação de variedades tradicionais de mamão. Por se tratar de uma espécie que se multiplica muito facilmente, a preocupação é ainda maior, já que é muito difícil evitar a contaminação vinda de lavouras transgênicas vizinhas.
Atualmente, há um caso judicial na Tailândia contra a coordenadora da campanha do Greenpeace no Sudeste Asiático, Patwajee Srisuwan, e o ex-diretor-executivo da organização, Jiragorn Gajaseni, que estão sendo processados por roubo, invasão e dano à propriedade por terem acusado uma agência governamental tailandesa de participação na distribuição ilegal de papaia transgênico no país.
“O governo tailandês tentou suspender a atual moratória aos transgênicos, cedendo à pressão do governo norte-americano e da indústria agroquímica. No entanto, os tailandeses não querem os transgênicos aqui, porque não queremos perder nossos mercados, como aconteceu no Havaí”, afirmou Patwajee Srisuwan.
O papaia vem sendo plantado em regiões tropicais há séculos. O Brasil é o maior produtor mundial de papaia, e o terceiro maior exportador da fruta. A produção anual brasileira é de cerca de 1,7 milhão de toneladas, o que corresponde a cerca de 35% da produção mundial de mamão. Em 2004, as exportações de papaia renderam US$ 22 milhões ao Brasil, e as estimativas para 2005 eram de que esse valor subisse para US$ 28 milhões. Internamente, o mamão também é muito importante: é a terceira fruta mais consumida pelos brasileiros.
fonte: [ Jornal do Estado Online ]
Acervos de peixes e plantas poderão ser acessados pela internet
CURITIBA - Imagens e informações de acervos do Museu de História Natural e Museu Botânico Municipal de Curitiba serão disponibilizadas na internet. Os dois museus agora fazem parte da Rede Paranaense de Coleções Biológicas, projeto que tem também o nome de Taxon line e reúne acervos de oito instituições do Paraná. O lançamento oficial do projeto foi quinta-feira (25), no Setor de Ciências Biológicas do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná.
“A Rede de Coleções Biológicas será uma oportunidade para que não apenas a comunidade científica, mas as pessoas leigas também, possam conhecer e entender a importância dos nossos ecossistemas e da preservação da biodiversidade. Conhecendo o que existe e o benefício que cada elemento da nossa biodiversidade traz para a humanidade, nós vamos fortalecer o trabalho técnico e, ao mesmo tempo, conscientizar a população”,afirma o secretário do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto.
O Museu Botânico de Curitiba tem o quarto maior acervo do Brasil. Só o herbário reúne 320 mil exemplares. Além do Museu Botânico, o Paraná conta com mais sete herbários registrados, segundo dados da Rede Brasileira de Herbário e Sociedade Botânica do Brasil, totalizando 424 mil exsicatas (plantas secas e prensadas, sem umidade, para preservação e estudo).
O projeto é financiado pelo CNPQ que aprovou a proposta desenvolvida no Paraná. O Estado terá a segunda Rede de Coleções Biológicas. O acesso pela internet é feito pelo endereço www.taxonline.ufpr.br . Coordenado pela professora Luciane Marinoni, o projeto abrange coleções botânicas e zoológicas e caracteriza-se principalmente pelo acesso às informações dos acervos das coleções e imagens digitalizadas.
O apoio técnico e a instalação da rede foi feita pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), de Campinas, que trabalha na disseminação da informação por meio eletrônico.
Nesta fase o projeto terá duração de dois anos, mas depois deste prazo o próprio Ministério da Ciência e Tecnologia ou outras instituições que tenham interesse na preservação poderão participar. “A estimativa é chegar a oito milhões de exemplares, mas em apenas dois anos não será possível concluir este trabalho. É preciso cuidar do que ainda existe, para o bem da sociedade. Muita coisa da nossa biodiversidade já foi devastada. E fazer coleções é uma das formas de cuidar e preservar, porque é base de estudo”,afirma a professora Luciane Marinoni.
Ela diz ainda que o momento é propício para a criação da Rede porque hoje existe a valorização e preocupação com a biodiversidade. As informações poderão ser utilizadas também por órgãos governamentais e pela sociedade de forma geral. “O bom da internet é a democratização da informação. Qualquer pessoa ou instituição interessada, crianças, jovens e adultos poderão conhecer as coleções”, afirma Luciane.
O acervo atual do Museu Botânico Municipal, que é considerado um dos maiores herbários do Brasil e o maior da flora paranaense, é resultado do trabalho de Gerdt Hatschbach, que começou seus estudos em 1942 e até hoje se dedica ao trabalho de pesquisa e identificação de plantas. A coleção do Museu é devidamente identificada, catalogada e conservada com aproximadamente 320 mil exsicatas, além das coleções de amostras de madeira e de frutos. A criação da Rede é resultado também do trabalho do Padre Jesus Santiago Moure, fundador do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná.
Estão no projeto a coleção Entomológica Pe. Jesus Santiago Moure (de insetos); coleção de Ascidiacea (invertebrado marinho) e Coleção Mastozoológica (de morcegos e crânios de primatas) do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (DZUP); herbário do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Paraná (UPCB); coleção de peixes do Museu do Capão da Imbuia; herbário do Museu Botânico Municipal de Curitiba (MBM); herbário da Universidade Estadual de Londrina (FUEL); Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Londrina (MZUEL); Coleção de Sons da Universidade Estadual de Londrina (CZUEL).
fonte: [ ABN ]
Seminário dá destaque às variedades de cana
Para enfrentar o produtivo setor sucroalcooleiro do centro–sul do País, favorecido pelas condições geográficas, Alagoas foi obrigada a investir na pesquisa de variedade genéticas da cana. Hoje é destaque nacional em melhoramento genético da cana–de–açucar, que busca desenvolver variedades mais resistentes e adptáveis ao clima seco da região. As variedades de cana–deaçúcar são o tema principal de um seminário no Centro de Exposições de Maceió, promovido pela Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil, Regional Leste.
(Stab Leste). “Nosso setor tem 500 anos de História, apesar de uma autoridade citar outro dia, que somos um mal necessário. Temos que competir com o centro–sul, onde a cada ano, 40 novas usinas são montadas. Por isso temos que ser melhores em tecnologia, variedades e desempenho”, disse o coordenador do evento, Fernando Lyra, da Stab Leste.
No Centro de Ciências Agrárias da Ufal funciona o Programa de Melhoramento da Cana–de–Açucar (PMGCA), desenvolvido na Serra do Ouro em Murici, mantido pela Ridesa Rede Interinsitucional de Desenvolvimento do Setor Sucro–alcooleiro, que envolve outros universidades brasileiras.
Apesar das perdas com a escassez de chuvas, as técnicas garantiram uma produtividade média do Estado, na safra passada, equivalente a 65.023 mil toneladas de cana por cada hectare plantado, explica o Cândido Carnaúba, da Stab Leste.
A Usina Mandacaru, ou Agrovale teve um altíssimo desempenho, de 260 mil toneladas por hectare, por utilizar irrigação a privô. A produção total do período no Estado foi cerca de 23 milhões de toneladas de cana.
Historicamente, a região 2, formada pelas usinas Caeté, Leão, Roçadinho, Santa Clotilde, Sumaúma, Cachoeira e Sinimbu é a mais produtiva. Na safra passada a produção foi de 7,2 milhões de toneladas de cana.
A região 1, onde ficam as usinas Camaragibe, Santo Antônio e Santa Maria produziu 2,6 milhões de toneladas de cana. A região 3, das usinas Coruripe, Guaxuma e Pindorama produziu 3,7 milhões de toneladas de cana.
A região 4, onde se localiza a Paísa, Marituba e Seresta teve uma produção de 2 milhões de toneladas. “Esta é a região que mais distribui as variedades de cana, e onde menos chove”, diz Cândido Carnaúba.
A região 5 produziu 2,5 milhões de toneladas por meio da Porto Rico e Triunfo, enquanto a região 6 garantiu 1,5 milhão de toneladas com a Uruba, Capricho e João de Deus. A região 7 produziu 2 milhões de toneladas de cana na Serra Grande, Porto Alegre, Taquara e Laginha.
O desenvolvimento de variedades próprias, por meio de pesquisa aumentaram significativamente a produtividade, o teor de sacarose da planta, a longevidade do canavial, e a possibilidade de exploração de terras de baixa fertilidade.
As pesquisas são desenvolvidas na Serra do Ouro, em Murici, uma área privilegiada para realização dos cruzamentos genéticos, devido ao seu florescimento intenso que viabiliza os cruzamentos genéticos das plantas.
A estação experimental da Serra do Ouro tem um banco de germoplasma da cana–deaçucar, com todas as espécies de cana, variedades híbridas do mundo todo com mais de 2 mil acessos.
fonte: [ Tribuna de Alagoas ]
Plantas aquáticas estão dificultando a captação de água do rio Paraíba
O Vale do Paraíba, situado no principal eixo industrial do país, pode ter o fornecimento de água prejudicado nos próximos anos. Plantas aquáticas de grande porte, conhecidas como macrófitas, estão dificultando a captação de água nas principais cidades da região, abastecidas pelo rio Paraíba do Sul e seus afluentes.
O trecho entre Jacareí e Pindamonhangaba é o mais ameaçado pelo acumulo da vegetação no leito do rio. Nessa região estão localizados São José dos Campos e Taubaté, os dois maiores municípios do Vale, que juntos somam aproximadamente 900 mil habitantes, conforme estimativas do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – de 2005.
De acordo com informações do CBH-PS (Comitê das Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul), o esgoto doméstico e industrial, a redução da vazão dos reservatórios de Paraíbuna, Santa Branca e Jaguari, além da combinação de calor e luminosidade excessiva no verão, são os fatores que mais contribuem para o aumento das plantas na calha do Paraíba do Sul.
O CBH-PS já articula ações junto aos órgãos de governo do Estado e União, para minimizar os efeitos da movimentação das macrófitas. De acordo com Edílson de Paula Andrade, secretário-executivo da entidade, a solução definitiva para o problema somente ocorrerá com o tratamento dos resíduos lançados no rio que geram o aumento de nutrientes, como fósforo e nitrogênio.
fonte: [ Diário de Taubaté ]
Biotecnologia: uma alternativa eficiente e barata para obter mudas de flores
No que depender do microempresário João Paulo Aguilar, o estado do Rio de Janeiro será bem mais florido. E poderá também contar com boa oferta de mudas de fruteiras de clima temperado. Floricultor de Nova Friburgo, ele conseguiu trocar a importação de matrizes por uma alternativa bem mais conveniente e barata: a biotecnologia. Que lhe permitiu não só triplicar a produção de mudas, como ampliar a variedade de espécies. Além de cáspias, copos de leite coloridos e gérberas, ele também cultiva batata inglesa, morango, amora preta, framboesa e mirtilo. E começa até a planejar outra experiência inovadora: produzir batatas-semente por hidroponia.
Empresa abrigada na incubadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Meristem de João Paulo usa as instalações do Instituto Politécnico do Estado do Rio de Janeiro (IPRJ) e conta com o apoio tecnológico do Laboratório de Micropropagação e Transformação de Plantas (LabMit), no campus regional da universidade, em Friburgo. Mas foi com o aporte de recursos do programa Rio Inovação, da FAPERJ, que ele conseguiu adquirir equipamento e assim ampliar a produção.
Das quatro a cinco mil mudas que produzia em 2003, pôde passar, com o apoio da fundação, para cerca de 14 mil por mês, dependendo da demanda. Com diversas vantagens: pela biotecnologia, além de brotarem e crescerem mais rápido, as plantas são uniformes, mais resistentes a pragas e geneticamente idênticas à matriz.
Apesar da formação em Zootecnia, com especialização em cultivo de tecidos vegetais, desde o final da década de 1980, João Paulo se dedica à produção de flores com sua família. Seu terreno tem 136 hectares, ou o equivalente a um Aterro do Flamengo. “A diferença é que estamos em morro, e 85% são área de preservação ambiental”, explica. Com isso, sua área de produção, na verdade, são duas: uma com 3.600m2, e outras com 2.300m2, em dois sítios em Vargem Alta. É de lá que ele tira as mudas que atenderão seus clientes regulares. “Cada um deles compra uma média de seis a sete mil plantas”, explica. Isso, para João Paulo, significa que se até agora não teve retorno financeiro, conseguiu qualificação e retorno do material adquirido.
Houve outros benefícios. Há quatro meses, João Paulo certificou 130 matrizes de três espécies diferentes, o que quer dizer que suas plantas passaram por testes no Laboratório de Fitopatologia da UFRRJ, que lhes atestaram a qualidade diferenciada. “Isso também me abriu caminho para uma vasta ampliação de mercado e pode ser a marca de uma inversão de posições: de antigo importador, estou passando a exportador, uma vez que estamos negociando e temos planos para daqui a algum tempo vender mudas para países da América do Sul e Central”, conta.
Essas 130 matrizes certificadas lhe garantem em um mês 450 novas mudas, já que cada uma delas, a cada 28 dias em média, fornece de quatro a cinco pequenos brotos que são cortados, ou repicados, para dar origem a outras plantas. E cada uma dessas novas mudas, por sua vez, reproduz mais brotos, numa multiplicação que, durante algum tempo, segue em progressão geométrica. Tudo isso significa 1.200 mudas de cada espécie em cerca de dois meses.
É produção maciça em espaço físico reduzidíssimo. No laboratório, bastam sete estantes, cada uma delas com sete prateleiras, para acomodar tudo. Porque cada prateleira abriga 54 tubos de ensaio, com cinco plantas em cada um deles. Cada planta, ou parte dela, passou pela devida assepsia e seus tecidos foram introduzidos em tubos de ensaio estéreis, com gel nutritivo e reguladores de crescimento, necessários ao estabelecimento, proliferação e desenvolvimento de brotos.
Dos tubos de ensaio, elas saem para ser repicadas. Ou seja, seus brotos, ou pequenos pedaços de tecido vegetal, são cortados e transferidos para vidros também estéreis com gel nutritivo e igualmente preparados com reguladores de crescimento e luz artificial controlada. É onde elas criam raízes e crescem isentas de pragas e prontas a serem aclimatadas (adaptação ao cultivo ex-vitro), colocadas em estufas para mais tarde saírem para o cultivo em campo.
A campo, as diferenças entre cultivo tradicional e de mudas micropropagadas se acentuam. Cada muda de gérbera, por exemplo, floresce e dá 32 hastes no primeiro ano, em vez das 20 a 22 habituais. A cáspia produz o triplo de maços em vez do que normalmente dá cada pé. Atualmente, das 1.000 a 1.500 caixas de gérbera que os consumidores do Rio adquirem por semana, 60 vêm dos sítios de João Paulo. “Com o auxílio da micropropagação, estou planejando chegar a 10% do consumo semanal do carioca em muito breve”, anima-se.
Tudo isso também significa uma expressiva redução de custos, principalmente por eliminar a importação de matrizes. “Além de pagarmos em dólar, entre US$ 1 e US$ 1,50 por planta, ainda tínhamos que contar com a concorrência dos grandes compradores, o que não só interferia no preço como na própria compra, já que eles sempre têm preferência”, explica.
Foi para mudar esse panorama que, anos atrás, o microempresário começou a buscar alternativas, como a biotecnologia vegetal e sua técnica de micropropagação, também chamada de cultivo in vitro ou clonagem vegetal. Depois de algumas tentativas frustradas, ele conseguiu, em 2000, o auxílio da Pesagro-Rio para dar início a suas experiências de micropropagar plantas ornamentais. “Cada planta é um experimento diferente, que exige procedimentos diferentes, em termos das substâncias utilizadas, dos tempos para cada etapa etc”, diz.
Com a saída de sua orientadora Ana Cristina Portugal da instituição, João Paulo terminou também procurando outros laboratórios. Em 2002, conseguiu que seu projeto fosse incluído na incubadora da Uerj, onde está até hoje. Em 2004, seu Produção de mudas de olerícolas e ornamentais pela técnica de cultura de tecidos foi aprovado pelo programa Rio Inovação I.
Ao adotar a micropropagação, outro aspecto foi considerado: o método permite um rígido controle de qualidade do produto final. Se, depois de algum tempo, as flores começam a baixar de produção, enfraquecer ou a ser menos resistentes a algum tipo de praga, basta cortar o mal pela raiz. Literalmente. “Tiramos um tufo, um broto do centro da planta — o ápice ou meristema, que é uma parte que está em contínua multiplicação e de onde saem os brotos — e levamos para o laboratório, onde começamos novamente todo o ciclo de propagação, como se se tratasse de uma nova planta”, explica João Paulo.
Isso também vale para seus clientes. Qualquer produtor que tenha adquirido mudas da Meristem e encontre problemas no cultivo pode recorrer à empresa para resolvê-los. “Para nós, esse retorno é importante. Se houver dificuldades, nós temos como buscar ajuda nos laboratórios. Sempre que conversamos com nossos clientes, levantamos esse e outros argumentos para levá-los a comprar de empresas do próprio estado em vez de importar. Nosso objetivo é não só o de ampliar a produção fluminense, mas também de atuar como parceiro na difusão da tecnologia desenvolvida aqui e com isso diminuir o espaço entre o setor acadêmico e a atual demanda do setor produtivo. Hoje, estamos introduzindo novas variedades e ajudando a desenvolver um cultivo empreendedor-cooperativista no Rio”, diz João Paulo.
A única espécie em que ele ainda não teve um resultado satisfatório foi com a micropropagação de batata inglesa. “Foi por falta de condições climáticas ideais e excesso de chuvas. Estamos refazendo as matrizes”, explica. Problema que pode ser resolvido de outra forma. Há pouco, João Paulo recebeu convite de um cliente, antigo plantador de alfaces hidropônicas, para compor uma parceria e tentar cultivar a batata pelo mesmo processo: hidroponia.
“Aproveitaríamos inicialmente parte das instalações que ele já tem disponíveis, uma estufa com 140m2, e as mudas que produzimos no laboratório.” Como uma batata-semente pode gerar vários tubérculos e o espaço da estufa tem capacidade para dar entre quatro e cinco toneladas de batatas-sementes/ ano para cultivo, pelas contas de João Paulo, o resultado será promissor.
“Dará para tirar mais ou menos 250 caixas/ano. É o produto em que precisamos concentrar nossos esforços, porque também é o que tem mercado certo. Atualmente, as batatas consumidas no Rio vêm de Minas, São Paulo e Paraná. Se conseguirmos produzir aqui batatas-semente de qualidade, poderemos oferecê-las a nossos agricultores que, em vez de importar de outros estados, poderão comprar produtos certificados”, explica o microempresário, que também é membro da Associação de Floricultores do Estado do Rio de Janeiro (Aflorj) desde 2002 — um ano depois de sua fundação.
Quando sair a primeira produção certificada de batatas-semente hidropônicas do estado, no segundo semestre desse ano, João Paulo espera que sua própria experiência sirva como vitrine para futuros novos clientes. Sua idéia é formar pequenos grupos produtores para abastecer parte do estado. “O Rio de Janeiro pode muito bem tornar-se auto-suficiente, ou ficar perto disso, na produção de flores e olerícolas. É tudo o que nós, pesquisadores e empresários do estado, desejamos: aliar tanto o conhecimento gerado na academia para a produção de bens e riquezas em nosso estado, quanto incorporar a ciência em nossa vida.”
Para saber mais
Meristem
Contato: João Paulo
Email: meristembv@terra.com.br
Telefone: (22) 2528-8545 ramal 345
Celular: (21) 9946-1113
Fax: (22) 2528.8545 - ramal 209
ND2Tec/UERJ
Núcleo de Desenvolvimento e Difusão Tecnológica
Tel.: (22) 2528-8545 ramal 210/212/339
Fax: (22) 2528-8545 ramal 209
E-mail: asjneto@iprj.uerj.br
Internet: www.nd2tec.iprj.uerj.br/index.php
Fonte
FAPERJ
Núcleo de Difusão Científica e Tecnológica
Vilma Homero - Jornalista
E-mail: vilma@faperj.br
disponível na Web em: [ Agrosoft ]
Seminário vai discutir tecnologias de produção de uva orgânica na Serra
26/05/2006 - 9:09 | Equipe Portal VIA
Com o objetivo de apresentar e discutir as tecnologias disponíveis para a produção de uva orgânica, buscando qualificar e ampliar a oferta, aumentar a rentabilidade do viticultor e possibilitar o acesso a novos mercados, a Emater/RS-Ascar, a Prefeitura de Farroupilha e o Centro Ecológico de Ipê promovem, na próxima quarta-feira (31), o 2º Seminário Regional sobre Uva Orgânica. O evento, que acontece a partir das 9 horas, no salão comunitário da linha São Marcos, em Farroupilha, vai reunir produtores, técnicos e representantes de entidades ligadas ao setor de aproximadamente 30 municípios da região.
Durante todo o dia, profissionais da Emater/RS-Ascar, Embrapa e Centro Ecológico irão tratar, em palestras e painéis, da adubação e nutrição dos parreirais, plantas de cobertura, manejo do solo e da planta e normas e insumos do manejo fitossanitário. Cada assunto abordado será acompanhado do depoimento de um produtor.
As inscrições gratuitas são limitadas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 3261-1735, da Emater/RS-Ascar de Farroupilha.
As informações são do Governo do Estado do RS
fonte: [ Gazeta do Sul ]






