RN foca nos produtos orgânicos
A expansão do mercado de produtos orgânicos - termo que indica a ausência de agrotóxicos e outras intervenções químicas no cultivo - está começando a chamar a atenção de alguns produtores do Rio Grande do Norte. A fim de fomentar o setor, o Sebrae promoveu ontem, em Natal, um seminário sobre a certificação desse tipo de mercadoria. A intenção é difundir estas idéias no estado e divulgar seus resultados em feiras semanais, das quais a primeira será na capital, em julho.
‘‘O mercado para orgânicos existe e está crescendo’’, afirma o agricultor Marcos Sena. Ele garante que os supermercados do estado já têm suas sessões de produtos orgânicos, mesmo com a tímida produção do estado. Sena, que trabalha há dez anos com hortaliças orgânicas, conta que não há mais do que sete produtores como ele no RN e mesmo estes estão em atividade há pouco tempo. A associação potiguar do setor existe, mas apenas Marcos Sena é filiado atualmente.
Já o farmacêutico aposentado Clementino Câmara Neto têm na produção orgânica a sua matéria-prima. A partir de sisaleiras e cajueiros cultivados sem produtos químicos, ele confecciona sabonetes com diversos princípios ativos com propriedades dermatológicas. Os derivados do caju, por exemplo, ajudam no controle da acne e tonificam a pele. Ele argumenta ainda que menos de 1% do sisaleiros, e menos de 5% no caso do caju, é aproveitado após o uso comercial comum para as duas plantas. O mesmo acontece com as algas arribadas, os sargaços. ‘‘Todas essas plabtas têm substâncias com um enorme valor que é desperdiçado’’, alerta Câmara Neto, que integra um projeto feito em parceria com o Sebrae e a Emparn para gerar emprego e renda com a exploração desses vegetais e outros que compõem a flora nordestina.
Tanto Marcos Sena como Clementino Câmara estiveram ontem no evento promovido pelo Sebrae. Um dos palestrantes era o diretor da certificadora de produtos orgânicos AAOcert, Tiago Biusse. Ele explicou que, além de vantajoso para o consumidor - por ter alimentos livres de produtos químicos e por estar protegendo o meio ambiente -, os orgânicos também favorecem o agricultor, que consegue ficar mais tempo plantando no terreno, se livra dos agrotóxicos - que, além das plantas também contamina quem os aplica - e têm maior rentabilidade. Segundo Biusse, somente em São Paulo, foram movimentados R$ 30 milhões no ano passado com o comércio de produtos orgânicos. A certificação dessas mercadorias serve para a venda em supermercados - obrigados por lei federal a exigirem o selo - e para exportação, além de garantir a qualidade e a origem do produto.
De acordo com o diretor técnico do Sebrae, a intenção da entidade com o seminário é dar início a uma série de ações, em todo o estado, para fomentar o cultivo e a comercialização dos produtos orgânicos. Uma delas é a Feira da Agricultura Familiar, que será semanal e cuja primeira edição será realizada em Natal, no início da manhã do dia 1º de julho, ao lado da Praça Cívica do Campus Universitário.
fonte: [ Diário de Natal ]






